segunda-feira, 15 de setembro de 2025

A continuidade das ameaças

A tentativa de intimidação prossegue. A continuidade das ameaças ao Brasil por parte dos Estados Unidos se deu em uma declaração do secretário de governo, Marco Rubbio, de que, ainda durante a semana, serão anunciadas novas sanções ao país em funçào da condenação, pelo Supremo Tribunal Federal, do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão. As pressões nào surtiram efeito sobre o julgamento e, certamente, o novo conjunto de medidas também será inócuo. O Brasil é um país soberano, e não pode se curvar a chantagens de outros governos. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é um fanfarrão. Suas declarações são carregadas de um tom belicista, mas, até aqui, Trump pouco fez do que prometeu. As tarifas comerciais mais altas atrapalham a vida de muitos países, é claro, mas são contornáveis. Se decidir radicalizar, Trump terá de partir para atitudes como invadir o território brasileiro com tanques, e o espaço aéreo com caças. Nem mesmo um bufão como Trump chegaria a tanto por tão pouco. Bolsonaro não vale tanto esforço, e Trump sabe disso.

domingo, 14 de setembro de 2025

Terra arrasada

Não restou nada do trabalho do técnico Róger Machado no Inter. O Inter foi goleado por 4 x 1 pelo Palmeiras, ontem, no Allianz Parque, pelo Campeonato Brasileiro, e mostrou que sua situação é de "terra arrasada". Como o próximo jogo é um Gre-Nal, o Inter, temendo a repetição do que ocorreu em 2015, optou por manter Róger no cargo. Naquele ano, o Inter demitiu o técnico Diego Aguirre na semana de um Gre-Nal, e foi goleado por 5 x 0. Porém, deverá ser apenas um adiamento. Não há nenhuma perspectiva de recuperação no trabalho de Róger. Claramente, o processo se esgotou, e Róger não consegue se reinventar. Mesmo uma vitória no Gre-Nal não lhe daria muito fólego. Contra o Palmeiras, o placar só não foi maior porque o alviverde paulista, claramente, diminuiu seu ritmo no segundo tempo. Mais uma vez, Róger repete a sua trajetória por todos os clubes onde trabalhou, ou seja, começa bem, mas desanda completamente com o transcorrer do tempo.

Sem soluções

A vaia da torcida, no final do jogo, foi o retrato da frustração. O Grêmio perdeu por 1 x 0 para o Mirassol, ontem, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro, e se mostrou sem soluções ofensivas durante todo o jogo. A atuação do Grêmio, como um todo, não foi ruim, mas a falta de desempenho ofensivo foi exasperante. Mesmo mostrando intensidade e, no segundo tempo, ter pressionado fortemente o adversário, o Grêmio não conseguiu criar chances claras para marcar. Braithwaite, mais uma vez, teve uma péssima atuação, foi praticamente invisível. Alýsson teve iniciativa individual, mas pecou no acabamento dos lances. Pavón e André Henrique entraram durante o jogo, se esforçaram muito, mas não tiveram efetividade. No meio, Arthur teve uma reestreia apenas razoável, e a aposta em Cristaldo, pela enésima vez, foi inaceitável. A única boa notícia do Grêmio foi mais uma excelente atuação de Noriega como zagueiro. A derrota mostra que os treinos durante a parada para a Data Fifa de nada serviram para o Grêmio. O trabalho do técnico Mano Menezes, até agora, nada apresentou de positivo, e não tem nenhum futuro. A estrepitosa vaia da torcida, logo depois do árbitro ter encerrado o jogo, é uma prova disso.

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Semifinalistas definidos

A Copa do Brasil segue apresentando surpresas. Ontem, com os semifinalistas definidos, isso ficou comprovado, mais uma vez. O Vasco, visto como um "azarão", se classificou, deixando para trás o Botafogo, um dos favoritos ao título. A classificação foi obtida depois de um empate em 1 x 1, no Engenhão, mesmo resultado do primeiro jogo, o que levou a decisão para os tiros livres da marca do pênalti, com vitória do Vasco por 5 x 3. No outro jogo de ontem, ficou tudo dentro do previsto. O Cruzeiro venceu o Atlético Mineiro por 2 x 0, no Mineirão, repetindo o resultado da primeira partida. Assim, com as vitórias, anteontem, do Fluminense por 2 x 0 contra o Bahia, no Maracanã, e do Corinthians, pelo mesmo placar, sobre o Athletico Paranaense, no Itaquerão, os confrontos das semifinais ficaram definidos. Os enfrentamentos serão Corinthians x Cruzeiro e Fluminense x Vasco. Cruzeiro e Fluminense são os favoritos para chegarem na decisão. Porém, os jogos só serão realizados em dezembro, e até lá o quadro atual poderá sofrer modificaçôes.

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Condenado

Hoje, foi um dia histórico para o Brasil. O ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão, dos quais 24 anos e 9 meses em regime fechado. Outros seis réus também foram condenados a penas pesadas. A exceção foi Mauro Cid que, em razão do acordo de colaboração premiada, foi condenado a dois anos em regime aberto. O significado da condenação de Bolsonaro e dos demais membros da organização criminosa que tentou um golpe de Estado é enorme para o presente e futuro do Brasil. A tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito exigia uma resposta vigorosa do Poder Judiciário. Os generais Walter Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira também foram sentenciados a penas extensas, dado o seu papel proeminente na organização liderada por Bolsonaro. Ao contrário da exposição maçante do voto do ministro Luiz Fux, ontem, por mais de 13 horas, sem a concessão de apartes, a sessão de hoje, em que foram pronunciados os votos da ministra Carmen Lúcia e do presidente da primeira turma do Supremo Tribunal Federal, Cristiano Zanin, foi marcada pela descontração e bom humor de ambos e de Alexandre de Moraes e Flávio Dino, que haviam proferido seus votos na terça-feira. Carmen Lúcia e Cristiano Zanin concederam apartes sem restrições, em contraste com a postura de Fux, que os vetou. Fux recebeu diversas "alfinetadas" de seus pares em relação ao seu voto. A prisão de Bolsonaro e dos demais condenados não será imediata. Diversas manobras jurídicas e políticas serão tentadas por seus defensores. Não importa. O julgamento foi um divisor de águas para o Brasil, um basta contra a impunidade de atos golpistas que caracteriza a história do país.

quarta-feira, 10 de setembro de 2025

O abjeto voto de Luiz Fux

Foram absurdas 13 horas de sustentação oral. O abjeto voto de Luiz Fux, ministro do Supremo Tribunal Federal, no julgamento da trama golpista, foi um combo indigesto de pedantismo, caracterizado no excesso de citações de textos de grandes mestres do Direito, incoerências jurídicas insanáveis, tratamento desigual para "bagrinhos" e "peixes graúdos", e argumentos inconsistentes para contestar a validade do processo e pedir sua nulidade. Não era segredo para ninguém que Fux seria a voz dissonante entre os cinco membros da primeira turma do STF, mas o que se viu, hoje, excedeu todas as medidas. Fux, nas questões preliminares, contestou a legitimidade do STF como foro do julgamento, entendendo que deveria ser feito na primeira instância. No caso de julgamento pelo STF, Fux sustenta que o mesmo deveria ser feito pelo plenário. Fazendo pouco da inteligência alheia, dada a obviedade dos propósitos golpistas e sua detalhada planificação, Fux argumentou que eram apenas intenções que não foram levadas para a prática. O ministro disse que não há golpe de Estado sem deposição do governo. Ao longo de seu extenso voto, Fux tentou desconstituir todo o arcabouço da peça acusatória, favorecendo os argumentos apresentados pelas defesas dos réus. A condenação dos réus é certa. Os dois votos que faltam, da ministra Carmen Lúcia e do presidente da primeira turma do STF, Cristiano Zanin, deverão seguir a sustentação do relator, restando, apenas, definir a dosimetria das penas. Com seu voto dissidente, Fux ajuda a robustecer a posição dos que desejam a anistia dos réus, e abre brecha para uma futura tentativa de descondenação. Uma postura repulsiva, que atenta contra o Estado democrático e o bem maior do Brasil.

terça-feira, 9 de setembro de 2025

A pior campanha da história

Foi disputada, hoje, a última rodada das Eliminatórias da América do Sul para a Copa do Mundo de 2026. A pior campanha da Seleção Brasileira na história das Eliminatórias foi concluída com uma derrota de 1 x 0 para a Bolívia, em El Alto. No total, a Seleção teve 8 vitórias, 4 empates e 6 derrotas, finalizando a disputa em quinto lugar. A profusão de técnicos ao longo da competição é uma das razões para o fraco rendimento. A queda de qualidade do material humano, na comparação com outras épocas, é outra. Ao contrário do jogo anterior, com goleada sobre o Chile, na partida de hoje não houve destaques individuais significativos. A Seleção começou o jogo com maioria de reservas. A altitude de 4.100 metros pode ter influído no desempenho da Seleção, mas a atuação da equipe foi muito modesta. O primeiro tempo se encaminhava para o empate sem gols quando um pênalti discutível foi marcado em favor da Bolívia, que abriu o placar aos 48 minutos. No segundo tempo, a Seleção não encontrou soluções para buscar uma reação, mesmo colocando mais titulares. Com a vitória, a Bolívia obteve a única combinação de resultados que lhe favorecia, e se classificou para a repescagem. Um empate já lhe eliminaria, pois a Venezuela, que foi goleada por 6 a 3 pela Colômbia, em Maturin, tinha um ponto a mais na classificação, e ampla vantagem no saldo de gols, para o caso de uma eventual igualdade.

Rick Davies

Um músico versâtil, integrante de uma bem sucedida dupla de compositores. Rick Davies, que faleceu, sábado, aos 81 anos, mas cuja morte só foi anunciada ontem, formou com Róger Hodgson a parceria que sustentou o êxito do Supertramp, grupo de grande sucesso nos anos 70 e 80. Davies e Hodgson eram os responsáveis pelas composições do grupo, de forma semelhante a Mick Jagger e Keith Richards, nos Rolling Stones. Criaram muitas composições que se tornaram clássicos, ainda que, vez ou outra, a autoria fosse apenas de um deles, mas registrada como dos dois. No palco, Davies não era tão proeminente quanto o seu parceiro, se mostrava mais discreto, mas ambos se complementavam. Em 1983, Hodgson deixou o grupo, e seguiu carreira solo. O Supertramp prosseguiu, liderado por Davies. Sem um dos seus pilares, o êxito comercial do grupo, após a saída de Hodgson, não foi mais o mesmo. Porém, Davies, o único membro original a ficar no grupo até o fim, continuou levando o Supertramp adiante, só parando quando a saúde o obrigou. Dentre os muitos sucessos do Supertramp compostos por Davies estão "Goodbye Stranger" e "My Kind of Lady", por exemplo. Com a morte de Davies, o panteão dos grandes nomes do rock sofre mais uma dura perda.

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Ângela Ro Ro

Cantora de voz roufenha e sensual, grande compositora. Ângela Ro Ro, que faleceu, hoje, aos 75 anos, foi uma figura singular na música brasileira. Lésbica assumida, praticante dos mais variados excessos, nunca pisou no freio. Pagou o preço de suas escolhas, sem se intimidar. Porém, não foi pela via do escândalo que garantiu seu lugar na história. Suas composições sensíveis e intimistas a levaram ao sucesso de público e crítica. Músicas como "Amor, Meu Grande Amor", "Simples Carinho", "Fogueira", "Só Nos Resta Viver" são clássicos atemporais compostos por Ro Ro, só ou em parcerias. Uma mulher que nunca se poupou de nada, e viveu como quis, Ro Ro conquistou, merecidamente, um lugar no rol dos grandes nomes da música brasileira.

domingo, 7 de setembro de 2025

A volta do América

Ao classificar-se para a decisão da Copa Rio, o América-RJ obteve um ganho ainda maior, seu retorno ao cenário das competições nacionais. A volta do América se dará via Copa do Brasil ou Campeonato Brasileiro da Quarta Divisão. Na decisão da Copa Rio, o adversário do América será a Portuguesa-RJ. O clube que for campeão terá o direito de escolher qual das duas competições quer disputar. O vice-campeão ficará com a competição que sobrar. Assim sendo, o América tem participação assegurada numa disputa nacional em 2026. Para quem acompanha o futebol há mais tempo, é um fato a ser celebrado. O América, durante muitos anos, formou bons grupos e teve participações destacadas no Campeonato Brasileiro. Em 1986, teve sua melhor participação na história da competição, ficando em terceiro lugar. Porém, no ano seguinte, ao não aceitar ficar de fora do módulo principal da Copa União, nome dado ao Brasileirão de 1987, bateu de frente com a CBF, negou-se a participar da competição, ficou sem calendârio, e iniciou um ciclo de terrível decadência. A situação do América ainda é muito delicada, mas sua volta aos confrontos com clubes de outros estados deve ser saudada. Um clube 7 vezes campeão carioca, a última delas em 1960, e que teve jogadores de qualidade como Eduzinho, irmão de Zico, considerado, por muitos, como o maior da história do América, Pompéia, Luisinho, Ivo, Flecha, entre outros, não pode cair na obscuridade. O caminho do América até reviver seus melhores tempos é muito longo, mas o direito que conquistou já é um ponto de partida.