quinta-feira, 8 de agosto de 2024
Superioridade flagrante
No futebol, a qualidade técnica é o fator mais importante. A superioridade flagrante do Flamengo sobre os seus adversários, hoje, no futebol brasileiro, é uma prova inequívoca disso. O Flamengo é o único clube entre os quatro primeiros colocados do Campeonato Brasileiro que ainda permanece participando de todas as competições que lhe coube disputar. Vice-líder do Brasileirão com um jogo a menos que o líder, classificou-se para as quartas de final da Copa do Brasil, e irá enfrentar o Bolívar (BOL), nas oitavas de final da Libertadores, na condição de franco favorito, mesmo com a segunda partida fora de casa. A aleatoriedade do sorteio fez com que Flamengo e Palmeiras se enfrentassem já nas oitavas de final da Copa do Brasil, antecipando o que poderia ser a decisão da competição. O paralelismo de competições, aliás, é a única esperança dos seus adversârios, na medida em que tenha de priorizar uma ou outra em determinado momento. Em condições normais, o Flamengo é favorito para ganhar todas elas. Uma escalação que reúne jogadores como De La Cruz, Gérson e Arrascaeta no meio de campo, tendo um goleador implacável como Pedro no ataque, demonstra o quanto o Flamengo é qualificado tecnicamente. Vencer o Flamengo claro, não é impossível, mas é uma tarefa extremamente difícil.
quarta-feira, 7 de agosto de 2024
Faltou ousadia
Um jogo truncado, onde o favorito não soube fazer valer sua condição. O Grêmio empatou em 0 x 0 com o Corinthians, hoje no Couto Pereira, pelas oitavas de final da Copa do Brasil, e perdeu por 3 x 1 nos tiros livres da marca do pênalti, sendo eliminado da competição, num jogo em que faltou ousadia ao técnico Renato. O Corinthians poupou vários titulares, mostrando que está mais preocupado em evitar o rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Ainda assim, montou uma estratégia defensiva com três zagueiros, pois o empate levaria a decisão para os tiros livres da marca do pênalti, e seu goleiro é muito eficiente nesse tipo de disputa. Desde o início do jogo, notava-se que o Grêmio não conseguia suplantar a forte marcação do Corinthians. O jogo se arrastava nesse panorama, e Renato custou a fazer substituiçôes. Mais uma vez, o técnico do Grêmio errou em suas escolhas. Arezo sequer ficou no banco e, na tentativa de ganhar o jogo, Renato desmanchou o esquema com três zagueiros e apostou em Diego Costa como solução para o ataque, que começou o jogo sem um homem de referência. Voltando de uma parada de dois meses por lesão, Diego Costa se mostrou totalmente sem ritmo de jogo, e foi anulado pela defesa adversária. Pavón, de pálida atuação, foi mantido até o final, enquanto jogadores como Monsalve e Nathan Fernandes permaneceram no banco. Renato não substituiu Cristaldo e Pavón, ainda que ambos estivessem extenuados, pensando nas cobranças de tiro livre da marca do pênalti. Pelo mesmo motivo, colocou Edenílson. Todos eles erraram suas cobranças, de forma bisonha. Por jogar como mandante, com maior número de torcedores a seu favor no estádio, e estar completo diante de um adversário que poupou jogadores, o Grêmio era o favorito para o jogo. Porém, seu técnico não soube exercer essa condição, e o clube pagou com a desclassificação.
terça-feira, 6 de agosto de 2024
Nova façanha
Poucos acreditavam que o fato pudesse se repetir. Hoje, no Vélodrome, em Marselha, a Seleção Brasileira de Futebol Feminino venceu a Espanha por 4 x 2, e classificou-se para a decisão do torneio olímpico, no sábado, em uma nova façanha após ter eliminado a França nas quartas de final. A vitória de hoje, diante da atual campeã mundial, prova que o resultado contra a França não foi por acaso. Com uma campanha modesta na fase de grupos, a Seleção se classificou para as quartas de final como um das terceiras melhores colocadas, mas engrenou na hora certa. Contra a Espanha, chegou a estar, por duas vezes, vencendo por três gols de diferença. Afora os quatro gols que marcou, perdeu muitas outras chances claras que poderiam ter lhe levado a um placar elástico. Na decisão, contra os Estados Unidos, mais uma vez, a Seleção jogará contra um adversário que é favorito. Porém, depois do que fez contra França e Espanha, não se pode duvidar de sua capacidade de desconsiderar superioridades. Marta, suspensa, não participou dos dois jogos. Foi sem Marta que a Seleção obteve os seus melhores desempenhos e, por mais que se respeite a trajetória de uma jogadora escolhida como a melhor do mundo por seis vezes, o correto seria que permanecesse de fora na decisão, sem que sua titularidade seja restituída de forma automática.
segunda-feira, 5 de agosto de 2024
A maior
O Brasil começou o dia comemorando mais uma medalha de ouro de Rebeca Andrade nas Olimpíadas de 2024, em Paris, superando sua grande rival, Simone Biles (EUA), que ficou com a prata. Com a vitória obtida no solo, Rebeca tornou-se a maior medalhista olímpica do país, em termos gerais, com seis, superando os velejadores Robert Scheidt e Torben Grael. Rebeca, que já havia conquistado fãs na edição anterior das Olimpíadas, tornou-se, definitivamente,uma paixão dos brasileiros. Não há como resistir ao encanto de Rebeca. Aos 25 anos, é uma mulher, mas com voz de menina. Excepcional ginasta, fascina pela total ausência de arrogância. Afável, acessível, com um sorriso que derrete o mais empedernido dos corações, demonstra emoção autêntica ao enrolar-se na bandeira de seu país, levando os brasileiros a se comoverem, também. O feito de Rebeca se torna ainda mais grandioso por sua condição de mulher, negra e de origem pobre, num país machista, racista e aporófobo. Ainda assim, suas falas são tranquilas, carregadas de doçura, sem discursos inflamados ou sentimentos de desforra. O panteão dos grandes nomes do esporte brasileiro é muito reduzido fora do futebol. Por isso mesmo, seus integrantes constituem uma elite de nomes míticos. Nele, brilha com destaque, o nome de Rebeca Andrade.
domingo, 4 de agosto de 2024
Estagnação
Uma situação que se repete, sem sair do lugar. O Inter empatou em 1 x 1 com o Palmeiras, hoje, no Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro, e demonstrou estar num processo de estagnação. Em quatro jogos como técnico do Inter, Róger Machado ainda não venceu. Agora, o Inter já tem onze jogos consecutivos sem vitória. Ainda que tenha vários jogos atrasados, o Inter se aproxima da zona de rebaixamento, da qual está, apenas, uma posição acima. Mesmo com uma semana inteira de trabalho, Róger Machado não conseguiu mudar o perfil anímico do grupo, que continua a se mostrar amorfo. Não há muito o que esperar do Inter até o final do ano. Sem chances de conquistar um título, a motivação se restringe a buscar uma classificação direta para a Libertadores, hipótese que, hoje, é quase delirante. O quadro é desanimador, com jogadores caros, que geraram grande expectativa quando foram contratados, nada produzindo dentro das quatro linhas. Por mais que muitos não aceitem, a realidade do Inter, no restante do ano, é tentar evitar o rebaixamento.
Reação consolidada
A fase ruim ficou para trás. O Grêmio venceu o Athletico Paranaense por 2 x 0, hoje, na Arena da Baixada, pelo Campeonato Brasileiro, com uma escalação totalmente reserva, e mostrou que está numa reação consolidada. Nos últimos quatro jogos que fez pelo Brasileirão, o Grêmio obteve dez pontos de doze possíveis. Afora a vitória, o jogo de hoje trouxe outra boa notícia. A estreia de Monsalve foi mais do que auspiciosa, com grande atuação e a marcação de um gol. Mesmo cedendo a bola para o Athletico, o Grêmio foi pouco ameaçado pelo adversário. A vitória foi consistente e segura. Com o resultado, o Grêmio afastou-se da zona de rebaixamento, e ganhou tranquilidade para o segundo e decisivo jogo contra o Corinthians, quarta-feira, pelas oitavas de final da Copa do Brasil. Se antes o grupo de jogadores apresentava lacunas, agora o técnico Renato dispõe de muitas opções. Depois da preocupação, o horizonte gremista deu lugar à esperança de dias cada vez melhores.
sábado, 3 de agosto de 2024
Vitória épica
Foi surpreendente, e sofrido. A Seleção Brasileira de Futebol Feminino venceu a França por 1 x 0, no Estádio La Beuajois, em Nantes, pelas quartas de final do torneio olímpico, obtendo uma vitória épica. O gol foi marcado por Gabi Portilho, que havia entrado um pouco antes, aos 36 minutos do segundo tempo. Gabi, por sinal, chutou, ainda, uma bola na trave, e foi a melhor jogadora da equipe, fazendo com que não se entendesse o porquê de ter ficado na reserva. Diante de uma adversária que jogava em casa e era favorita, a Seleção soube aproveitar a oportunidade que teve, e classificou-se para as semifinais. Embora o gol tenha sido marcado no final do jogo, o sofrimento foi intenso, já que a árbitra deu 16 minutos de acréscimo e, não satisfeita, mais 3 após a marca ser atingida. Depois de toda essa agonia, a Seleção confirmou sua vitória, e agora jogará contra a Espanha, nas semifinais, com a adversária, novamente, na condição de favorita. Porém, embora já tenha perdido para a Espanha na fase de grupos, a Seleção não tem porque desacreditar de uma vitória. O resultado de hoje, em que até um pênalti foi defendido pela excelente goleira Lorena, provou que a equipe é capaz de encarar qualquer oponente.
sexta-feira, 2 de agosto de 2024
Primeira medalha de ouro
Negra, fora dos padrões estéticos convencionais, de origem pobre. Beatriz Souza, a Bia, 135 kg, ganhou a primeira medalha de ouro para o Brasil nas Olimpíadas de 2024, no judô, categoria acima de 78 kg. A vitória de Beatriz Souza reafirma o judô como o esporte que mais medalhas deu ao Brasil em Olimpíadas. Também repete o perfil da maioria dos medalhistas olímpicos brasileiros, pessoas que lutam, antes de tudo, com a carência material e precárias condições de vida e, mesmo assim, num esforço hercúleo, superam todos os obstáculos para atingir a glória. São a antítese dos mimados e milionários jogadores de futebol brasileiros, cuja postura arrogante fez com que a Seleção Brasileira recebesse a indiferença dos torcedores. Raros, num país que não dá ao esporte o apoio necessário, os medalhistas olímpicos brasileiros são o resultado da sua obstinação pessoal, contra tudo e todos. Por isso mesmo, nos levam às lágrimas. Representam um farol para um país com tantos talentos potenciais desencontrados e desorientados. Tomara que, um dia, sejam a regra, e não mais a exceção.
Entrevista exemplar
O mais novo contratado do Grêmio, o centroavante dinamarquês Braithwaite, foi apresentado, oficialmente, hoje. Braithwaite concedeu uma entrevista exemplar. Se expressou num espanhol pausado e perfeitamente compreensível, mostrou estar informado sobre a realidade do clube e do estado. Disse estar consciente da escolha que fez. Perguntado sobre o calendário do futebol brasileiro, bem mais exaustivo que o europeu, e a qualidade ruim da grama em muitos estádios do país, declarou que sabia dessas condições, e se propõe a fazer gols e conquistar títulos adaptando-se a elas. Revelou que sempre teve fascínio pelo Brasil, pois, desde pequeno, seu pai o aconselhava a se mirar no estilo do futebol brasileiro, do qual era admirador. Fez questão de mostrar-se simpático para com todos e frisar a sua satisfação por ter vindo jogar no Brasil. Destacou que ficará feliz se puder dar alegrias para pessoas que sofreram com as enchentes que assolaram o Rio Grande do Sul. Em todas as suas manifestações, transpareceu sinceridade e espontaneidade. Não é possível saber se o centroavante dinamarquès será bem sucedido dentro das quatro linhas. Fora delas, já chegou marcando um gol de placa.
quinta-feira, 1 de agosto de 2024
Recordista
Não bastasse ser brilhante no que faz, a ginasta brasileira Rebeca Andrade é de uma simpatia cativante. Hoje, com a medalha de prata no individual geral, Rebeca se tornou recordista de medalhas olímpicas entre as mulheres brasileiras, com quatro. Rebeca ainda participará de mais três finais por aparelhos e, caso consiga medalhas, se tornará recordista geral, entre homens e mulheres. Ginasta excepcional, Rebeca comemorou intensamente a sua medalha de prata, pois a de ouro ficou com Simone Biles (EUA), cujo nível de excelência é inigualável. As medalhas de Rebeca confirmam a evolução da ginástica artística brasileira, que deixou de ser coadjuvante nas competições internacionais e se tornou protagonista. Na próxima edição das Olimpíadas, Rebeca, que tem 25 anos, talvez não esteja presente. Porém, já inscreveu o seu nome na história, e deixará um legado que, certamente, estimulará muitas meninas a se tornarem ginastas.
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