sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

O novo Campeonato Mundial de Clubes

Uma intenção reafirmada. A Fifa anunciou, hoje, a realização, em 2025, do que será o novo Campeonato Mundial de Clubes. A competição terá a participação de 32 clubes, numa sede fixa, a exemplo do que ocorre, hoje, com a Copa do Mundo. Ainda não foi definido o número de participantes de cada confederação. Especula-se que a Uefa teria 12, e a Conmebol, 6. A ideia, no entanto, deverá encontrar resistências. Como encaixar mais essa competição no calendário? A Uefa, e os próprios clubes europeus deverão opor resistências. O que fica cada vez mais claro é que a Fifa, desde que Gianni Infantino assumiu o cargo de presidente, olha o futebol pensando, antes de tudo, no faturamento. Foi assim que surgiu a ideia de ampliar, já na próxima edição, o número de seleções na Copa do Mundo, das já excessivas 32 atuais para exageradas 48. O futebol, sabidamente, é um grande negócio, mas se corre o risco de matar a galinha dos ovos de ouro. Os anos continuarão a ter doze meses, dos quais um tem de ser reservado às férias dos jogadores. Embora democrática, por envolver clubes de todas as confederações, e em número bem maior que o formato atual do Mundial de Clubes, a competição tenderá a continuar com amplo domínio dos europeus. Sem contar que, com tantos participantes, a qualidade fica prejudicada, e o número de jogos desinteressantes deverá ser muito grande. Resta esperar para ver se a ideia vai, mesmo, sair do papel.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Os humores do mercado

Uma chantagem permanente sobre os governos, visando manter os privilégios da parte mais favorecida da sociedade. Assim são os humores do "mercado". A qualquer manifestação de um governante que fuja do receituário neoliberal, os teóricos e apoiadores do mercado pintam um quadro pessimista, acompanhando uma queda da Bolsa de Valores e alta do dólar. O argumento é de que medidas que comprometam o "ajuste fiscal" espantam investidores. O desejo do mercado é que todo e qualquer governo se paute pela austeridade fiscal, com rigoroso controle de gastos. Essa ladainha só faz sentido num governo de direita, e os resultados são conhecidos, com retração do consumo, e aumento da desigualdade social. A cada anúncio de um nome do futuro governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, o mercado reagia com aceitação ou "apreensão". A última reação, claro, se dá quando o nome anunciado não segue os postulados neoliberais. Fernando Haddad no ministério da Fazenda? O mercado se preocupa. Aloízio Mercadante como presidente do BNDES? O mercado se estressa. O que precisa ser entendido pelo mercado é que o futuro governo Lula tem compromisso com a parte social, e não irá abrir mão disso. Não se pode privilegiar especuladores em detrimento do amparo aos mais necessitados e da busca de diminuir a desigualdade social. A flexibilização do teto de gastos é uma necessidade, e será feita, goste o mercado ou não.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Grande jogo

Houve qualidade e, também, emoção. Hoje, no Al Bayt, a França venceu Marrocos por 2 x 0, num grande jogo, confirmou seu favoritismo, e se classificou para a decisão da Copa do Mundo, no Catar, no próximo domingo. A França abriu o placar logo aos 4 minutos, com Theo Hernandez. O que poderia ser o indício de um marcador elástico, não se confirmou. A equipe de Marrocos reagiu, fustigou a França criando boas oportunidades, e teve o empate desenhado, errando nas conclusões. A vitória da França só foi consolidada com o gol de Kolo Muani, aos 34 minutos do segundo tempo. Foi o primeiro toque na bola de Kolo Muani, que havia acabado de entrar. Marrocos confirmou a boa campanha que fizera até então, não se intimidando por ter levado um gol cedo. Poderia ter obtido um resultado melhor e, talvez, a inexperiência em jogos de tamanha expressão tenha cobrado o seu preço no desperdício de chances de gol. Porém, não há razões para abatimento por parte de Marrocos. Sua campanha, até aqui, foi grandiosa, e a equipe tem boas chances de obter o terceiro lugar contra a Croácia, no sábado, o que seria um resultado histórico. Na decisão da Copa, a França é favorita diante da Argentina, por ser a atual campeã e possuir a melhor equipe, tecnicamente. No entanto, a Argentina tem amplas condições de contrariar a tendência favorável à França, e conquistar o título.

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

Diferenças

A cada dia, a fragilidade técnica da Seleção Brasileira, eliminada, novamente, nas quartas de final de uma Copa do Mundo, dessa vez no Catar, fica mais evidente. Hoje, no Lusail, pelas semifinais, a Argentina goleou a Croácia por 3 x 0, e escancarou suas diferenças para a Seleção. A mesma Croácia que eliminou a Seleção nos tiros livres da marca do pênalti, depois de um empate em 1 x 1, foi derrotada pela Argentina, ao natural. Aos 34 minutos, Messi, de pênalti, abriu o placar. Cinco minutos depois, aos 39, Alvarez ampliou, num belo gol. Aos 16 minutos do segundo tempo, depois de uma grande jogada de Messi, Alvarez, estabeleceu a goleada. Daí até o final, a Croácia pouco fez, e a Argentina teve a chance de tornar o placar ainda mais elástico. Os sinais de que os problemas da Seleção estavam nela mesma, e não nos adversários, já haviam sido dados quando a equipe brasileira penou para vencer a Suiça por 1 x 0, na fase de grupos. A mesma Suiça que, nas oitavas de final, foi goleada por Portugal, por 6 x 1. O técnico da Argentina, Lionel Scaloni, mudou a equipe durante a Copa, um procedimento que Tite, nas duas Copas que disputou, sempre se negou a fazer. Scaloni, ao ver que Lautaro Martinez não repetia na Copa suas grandes atuações anteriores o colocou no banco, sem hesitar. Num comportamento oposto, Tite mantinha a escalação, e privilegiava seus preferidos, a despeito de seu rendimento. Classificada para a decisão, a Argentina espera a definição de seu adversário, que sairá do confronto de França e Marrocos, amanhã. Se for Marrocos, a Argentina entrará como favorita. Caso a adversária seja a França, a equipe argentina entrará como desafiante da atual campeã, mas, mesmo assim, com amplas chances de conquistar o título.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

Diplomação

Agora, só falta a posse. Hoje à tarde, ocorreu a diplomação do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, e de seu vice, Geraldo Alckmin, no Tribunal Superior Eleitoral. Em seu discurso, Lula emocionou-se e foi às lágrimas ao lembrar das críticas que recebeu na primeira vez em que se elegeu presidente pelo fato de não ter curso superior. Lula disse que o povo reconquistou o direito à democracia, e afirmou seu compromisso com a estabilidade institucional. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Alexandre de Moraes, também se pronunciou, e fez um forte discurso em que repudiou os que tentaram implantar um regime fascista e autoritário no país, e foi enfático ao declarar que todos os que tentaram atentar contra a normalidade democrática e a ordem institucional serão responsabilizados. A diplomação, ato protocolar após eleições, obteve, hoje, uma outra dimensão. Representou a vitória da democracia sobre o fascismo. A volta do senso crítico, e a recusa do obscurantismo. No primeiro dia de 2023, Lula tomará posse, e terá início a reconstrução do Brasil, após quatro anos de um governo caótico e demofóbico.

domingo, 11 de dezembro de 2022

Novo técnico

A Seleção Brasileira chegou hoje ao país, depois da eliminação na Copa do Mundo no Catar, e já se fala sobre o seu futuro. Com a saída de Tite, o novo técnico deverá ser anunciado já em janeiro. Cresce a hipótese da escolha de um técnico estrangeiro, o que é uma demonstração do conhecido "pensamento mágico". Não é verdade que faltem técnicos brasileiros capacitados a treinar a Seleção. O culto ao técnico estrangeiro é um modismo que se criou no país a partir do êxito do português Jorge Jesus no Flamengo, em 2019. Tanto é verdade, que seu nome é o mais cotado, no momento. Porém, o currículo de Jorge Jesus, ao longo de sua carreira, nada tem de excepcional. Seu melhor momento foi, justamente, no Flamengo. Outro português cogitado, Abel Ferreira, do Palmeiras, está na mesma situação. Seu único período de destaque na carreira, até aqui, se deu, justamente, no clube paulista. Os problemas que levam a Seleção a fracassar repetidamente nas Copas são vários, e a escolha de um técnico estrangeiro não os resolveria. Cabe lembrar, também, que a Seleção rompeu o longo jejum de 24 anos sem ganhar Copas, em 1994, com um técnico brasileiro. Agora, quando a ausência de títulos igualou aquela mesma marca, porque não se poderia fazer o mesmo? O próprio espanhol Josep Guardiola, sonho de grande parte da imprensa esportiva brasileira para o cargo, disse que o técnico da Seleção tem de ser um brasileiro. Está com toda a razão.

sábado, 10 de dezembro de 2022

Confirmação

A cada novo jogo, a França robustece o seu favoritismo para ganhar a Copa do Mundo, no Catar. No Al Bayt, hoje, a França venceu a Inglaterra por 2 x 1, pelas quartas de final, em mais uma confirmação de que está na rota do título. Aos 16 minutos, Tchouameni, num chute de fora da área, abriu o placar, e a França manteve a vantagem até o final do primeiro tempo. Harry Kane, aos nove minutos do segundo tempo, empatou para a Inglaterra, de pênalti. O gol fez a Inglaterra crescer em campo, e ameaçar uma virada. Porém, a França reagiu, e aos 33 minutos, Giroux fez o gol de desempate. No final, a Inglaterra teve mais um pênalti a seu favor mas, dessa vez, Harry Kane errou. Mais uma vez, a Inglaterra fez uma boa campanha em uma Copa, mas ficou pelo caminho. A França, enquanto isso, está a um jogo de chegar em mais uma decisão da competição.

Fazendo história

Marrocos continua surpreendendo ma Copa do Mundo, no Catar. Hoje, no Al Thumama, Marrocos venceu Portugal por 1 x 0, pelas quartas de final, e segue fazendo história na Copa. Pela primeira vez na história das Copas, uma seleção africana chega às semifinais da competição. Agora, Marrocos terá o seu confronto mais difícil, contra a França, quarta-feira, às 16h. Atual campeã mundial, a França é favorita para ganhar o título, mais uma vez. Porém, não se pode mais duvidar da equipe africana. Chegar à decisão da Copa seria um feito ainda mais espetacular. Ganhar a competição, então, sacudiria as estruturas do futebol mundial, já que, até hoje, só seleções sul-americanas e europeias venceram a Copa. No jogo de hoje, Marrocos mostrou maturidade, exibindo sua reconhecida capacidade defensiva, e sendo efetivo ao marcar o gol que lhe deu a vitória, pois seu volume ofensivo, sabidamente, não é dos maiores. Atuando com segurança, sem correr riscos desnecessários, Marrocos vai derrubando os seus adversários. Ainda pode ser tido como surpresa, mas já deixou de ser uma zebra.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

Classificação emocionante

A Argentina continua sem ganhar da Holanda, no tempo normal, em jogos de Copas do Mundo. Hoje, no Lusail, Argentina e Holanda empataram em 2 x 2, e a primeira venceu nos tiros livres por 4 x 3, numa classificação emocionante. Com gols de Molina, aos 35 minutos do primeiro tempo, e Messi, de pênalti, aos 28 do segundo, a Argentina chegou a abrir 2 x 0 no placar. A Holanda descontou aos 37 minutos do segundo tempo, e empatou aos 55, devido aos absurdos acréscimos dados pelo árbitro, ambos os gols marcados por Weghorst, que entrou durante o jogo. O empate levou o jogo para a prorrogação, que não teve a marcação de gols. Nos tiros livres, a Holanda errou a primeira cobrança, feita pelo experiente zagueiro Van Dijke, o que acabou encaminhando a vitória da Argentina. O que parecia ser uma vitória tranquila acabou num jogo com contornos dramáticos. Menos mal para a Argentina que a classificação foi obtida. Agora, a Argentina jogará contra a Croácia, pelas semifinais, terça-feira às 16h. Em princípio, a Argentina teria um leve favoritismo, mas a Croácia, após ter eliminado a Seleção Brasileira, ganha um novo cacife, deixando o confronto em aberto.

Repetição

A Seleção Brasileira estâ eliminada da Copa do Mundo, no Catar. Hoje, no Estádio da Cidade da Educação, Seleção Brasileira e Croácia empataram em 1 x 1, gols marcados na prorrogação, com vitória da equipe europeia nos tiros livres da marca do pênalti por 4 x 2. Favorita no confronto, a Seleção não conseguiu confirmar essa condição. Não obteve uma imposição clara sobre a Croácia, embora tenha criado mais chances de gol do que a adversária. A consequência foi um empate em 0 x 0, levando o jogo para a prorrogação. Com um minuto de acréscimo do primeiro tempo da prorrogação, Neymar abriu o placar. Porém, aos 12 minutos do segundo tempo da prorrogação, num contra-ataque, a Croácia empatou, gol marcado por Petkovic. Foi uma repetição do.que ocorreu em 2018, na Rússia, pois também naquela ocasião a Seleção foi desclassificada nas quartas de final. Não só isso se repetiu. O técnico da Seleção, Tite, era o mesmo, e seus erros de convocação e escalação, também. Tite convocou, novamente, Gabriel Jesus e Fred, de mau desempenho na Copa anterior. Ainda que não fossem titulares, sequer deveriam ter sido convocados. A exemplo do que ocorreu com Gabriel Jesus, na Rússia, Tite insistiu até o fim com a titularidade de Raphinha, que não jogou bem em nenhuma partida, enquanto seu reserva, Anthon, dava boa resposta sempre que entrava, como fez hoje. Para acomodar os jovens talentos do ataque, Tite montou um meio de campo "faceiro", como se diz no Rio Grande do Sul, ou seja, de pouca capacidade de marcação. Apenas um volante, Casemiro, com dois meias, Lucas Paquetá e Neymar. A ideia de escalar três atacantes não estava errada mas, no meio de campo, deveria ser colocado um segundo volante, Bruno Guimarães, saindo Lucas Paquetá, que não sabe exercer a função e, como meia, não tem estatura técnica para ser titular. O pior é que mesmo quando retirava Lucas Paquetá, Tite colocava o seu preferido Fred, em detrimento de Bruno Guimarães. Ao cometer, novamente, os erros de quatro anos e meio atrás, a Seleção colheu o mesmo resultado, e já igualou o seu maior jejum de títulos de Copa do Mundo, do período de 1970 a 1994.