terça-feira, 10 de agosto de 2021

A derrota do voto impresso

A alucinada proposta de adoção do voto impresso nas eleições não foi aprovada. Foram 229 votos a favor, 218 contra, e uma abstenção, em sessão realizada, hoje, na Cãmara dos Deputados. Como o número de votos necessários para a aprovação era de 308, a proposição foi rejeitada. A derrota do voto impresso impede que se estabeleça um retrocesso na legislação eleitoral brasileira, e que se favoreça a falsificação e manipulação dos resultados. Numa clara tentativa de intimidação, veículos militares desfilaram, pela manhã, em frente ao Palácio do Planalto. Não adiantou. Como se previa, o projeto não foi aprovado, o que se constitui num duro revés para o presidente genocida Jair Bolsonaro. O voto eletrônico brasileiro é muito confiável. Presidentes de diferentes perfis ideológicos foram eleitos desde a sua implantação. O resultado de hoje é definitivo. As eleições de 2022 serão limpas e confiáveis, como têm ocorrido desde que o voto eletrônico foi implantado.

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Faltou futebol

Era obrigatório que o Grêmio ganhasse, e isso ocorreu. Hoje, o Grêmio venceu a Chapecoense por 2 x 1, de virada, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro. Porém, não há motivo para entusiasmo. O jogo já começou com o Grêmio levando um susto, pois a Chapecoense não demorou a fazer um gol e abrir o placar. Pouco depois, Gabriel Chapecó fez uma defesa espetacular, evitando o segundo gol. A virada veio ainda no primeiro tempo, com um golaço de Alisson e o estreante Borja cobrando pênalti. Faltou futebol, no entanto, para o Grêmio. A proteção defensiva foi falha, mesmo que Thiago Santos, um volante de contenção, tenha começado o jogo. Na criação, Jean Pyerre continuou devendo. O volume de jogo não foi o esperado diante de um adversário modesto, lanterna do Brasileirão. Com a vitória, o Grêmio colocou seis pontos de vantagem sobre a Chapecoense, mas não deixou a vice-lanterna, e não conseguirá sair da zona de rebaixamento na próxima rodada, mesmo que vença novamente. Para piorar, seu próximo jogo será contra o São Paulo, no Morumbi, clube que também luta para fugir das últimas posições. Para a torcida do Grêmio, as perspectivas de dias mais tranquilos ainda parecem estar distantes.

domingo, 8 de agosto de 2021

Resultado bizarro

A lógica, em geral, prevalece no futebol, mas, uma vez ou outra, ocorre o que é chamado de "zebra", a vitória de um azarão sobre um franco favorito. Hoje, o Inter goleou o Flamengo por 4 x 0, no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro, um resultado bizarro. Embora o Inter seja um grande clube, a exemplo do Flamengo, o momento técnico dos dois apontava para uma vitória do clube carioca, e uma possível goleada. Aconteceu, espantosamente, o contrário. O jogo começou com o Flamengo mostrando o seu futebol de toques envolventes, e o gol parecia uma questão de tempo. Porém, na medida em que a partida transcorria, o gol não vinha, e o Inter explorava os contra-ataques. Em dois deles, marcou gols que definiram o rumo do jogo. No segundo tempo, abalado com o revés parcial, o Flamengo não mostrou a capacidade de reação esperada, permitiu ao Inter marcar mais dois gols, novamente em contra-ataques, e perdeu Gabigol por expulsão. O tombo deve servir para o Flamengo aprender que nenhum jogo, por mais fácil que pareça, é ganho de véspera. Para o Inter foi um dia inesquecível, com Yuri Alberto marcando três gols, e Taison fazendo o outro, finalmente desencantando. Porém, trata-se de um jogo, apenas. O Flamengo segue tendo o melhor grupo de jogadores do Brasil, e o Inter, com suas limitações, continuará lutando pela melhor colocação possível, sem grandes ilusões.

sábado, 7 de agosto de 2021

Frustrações na reta final

Havia uma grande esperança de que o Brasil conseguisse mais duas medalhas de ouro, hoje, nas Olimpíadas em Tóquio. Porém, as derrotas do vôlei feminino para os Estados Unidos, e da boxeadora Bia Ferreira diante da irlandesa K.A.Harrington, trouxeram frustrações na reta final da competição, para os brasileiros. Tanto no vôlei feminino quanto no boxe, a derrota foi inapelável, sem que as competidoras brasileiras esboçassem maior resistência. Ainda assim, foi o melhor desempenho do Brasil na história das Olimpíadas, com 21 medalhas no total, sendo sete delas de ouro, e o décimo-segundo lugar na classificação geral. Mesmo com todas as precariedades e falta de apoio para a maioria das modalidades, o Brasil vem tendo crescimento no seu desempenho olímpico. Há sobradas razões para que se tenham boas expectativas quanto à participação do Brasil nas Olimpíadas de 2024, em Paris. Porém, para que tudo seja ainda melbor, é preciso reformular a Seleção de vôlei masculino, fazer um profundo exame das razões por trás do fracasso da variante de praia, e resgastar as equipes de basquete do seu limbo, trazendo-as de volta às Olimpíadas.

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Má sorte

A fase do Grêmio, decididamente, não é boa. Não bastassem as atuações ruins dentro das quatro linhas, a má sorte também ocorre fora delas. Hoje, no sorteio para a definição dos confrontos pelas quartas de final da Copa do Brasil, coube ao Grêmio o pior adversário, o Flamengo. Como se fosse pouco, o segundo jogo será fora de casa. Pelo momento dos dois clubes, as chances do Grêmio são mínimas. Até mesmo uma goleada, como a ocorrida nas semifinais da Libertadores de 2019, no Maracanã, não pode ser afastada. Um dado curioso é que, naquela oportunidade, Renato era o técnico do Grêmio e, agora está no Flamengo. O primeiro jogo do Grêmio contra o seu ex-técnico, certamente, mexerá com a sensibilidade dos torcedores. A única vantagem do Grêmio, se é que pode ser considerada assim, é entrar como um franco atirador, já que todos dão o Flamengo como antecipadamente classificado. Porém, sendo realista, o que parece restar ao Grêmio, até o final do ano, é, apenas, tentar evitar o rebaixamento no Campeonato Brasileiro. A possibilidade de ganhar o título da Copa do Brasil, que já não era grande, tornou-se ainda menor com um confronto contra o Flamengo já nas quartas de final.

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

A decepção do vôlei masculino

Desde as Olimpíadas de 1984, em Los Angeles, o vôlei masculino brasileiro tornou-se um dos melhores do mundo. Naquela ocasião, conquistou a medalha de prata, na primeira vez em que o Brasil subiu ao pódio olímpico na modalidade. A partir daquela que ficou conhecida como a "Geração de Prata", com nomes da expressão de William, Montanaro, Bernard, Xandó, e Renan, atual técnico da Seleção masculina, o vôlei ganhou o coração dos brasileiros. Não demorou para que o vôlei feminino seguisse a rota do masculino, transformando o Brasil numa potência desse esporte. São muitos títulos e medalhas conquistados pelo vôlei brasileiro nessas quatro décadas. Por isso, a expectativa dos brasileiros em relação às duas seleções é sempre alta. Atual campeão olímpica, a Seleção masculina era tida como grande candidata a bisar a conquista. Porém, ontem, ao perder por 3 x 1 para a equipe do Comitê Olímpico da Rússia, esse sonho foi desfeito. A mesma equipe já havia derrotado a brasileira na fase de grupos, por 3 x 0. No entanto, a derrota de ontem é daquelas que não se supera com facilidade. O jogo estava empatado em 1 a 1, quando a equipe brasileira teve o terceiro set na mão, abrindo uma diferença de 20 pontos contra 12. Espantosamente, permitiu a reação do adversário, e perdeu o set. O quarto set foi, apenas, uma consequência do anterior, e a equipe brasileira perdeu o jogo, restando, agora, a disputa da medalha de bronze contra a Argentina. A decepção do vôlei masculino segue a onda de fracassos dos esportes coletivos brasileiros nas Olimpíadas, com a não classificação das equipes de basquete para a competição, e a eliminação da Seleção de futebol feminino nas quartas de final. Ficou para as seleções de futebol masculino e vôlei feminino a responsabilidade de reverter, ao menos em parte, esse quadro, caso venham a ganhar a medalha de ouro.

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Recorde igualado

As Olímpiadas em Tóquio estão sendo uma agradável surpresa para os brasileiros. Com a prata de Pedro Barros no Skate Street, o Brasil atingiu 19 medalhas na competição, mesmo número obtido na edição de 2016, no Rio de Janeiro, recorde até então. O recorde igualado, e que certamente será superado até domingo, dia de encerramento das Olimpíadas, é uma demonstração da capacidade e obstinação dos esportistas brasileiros, a despeito de toda a precariedade e falta de apoio com que se defrontam num país sem uma política esportiva. Ainda que as condições proporcionadas aos praticantes brasileiros das diversas modalidades olímpicas seja melhor que em épocas mais remotas, ainda está muito longe da estrutura proporcionada pelos países que, historicamente, ocupam as primeiras posições no quadro de medalhas. Por isso, cada medalha obtida pelos brasileiros tem de ser muito valorizada. Os esportes individuais, no entanto, têm se destacado mais que os coletivos. Três das quatro medalhas de ouro obtidas, até agora, foram em competições individuais, no surf, ginástica artística, e maratona aquática. Apenas a medalha da vela fugiu dessa condição. O futebol feminino parou nas quartas de final. O vôlei de praia, pela primeira vez, saiu de uma edição das Olimpíadas sem nenhuma medalha. O basquete, tanto masculino quanto feminino, sequer se classificou para as Olimpíadas. Ainda assim, o saldo é mais do que positivo, e vai ficar melhor até o encerramento da competição.

terça-feira, 3 de agosto de 2021

Confirmação

Não poderia ser diferente. Hoje, na Arena, o Grèmio venceu o Vitória por 1 x 0, resultado que levou á confirmação de sua classificação para as quartas de final da Copa do Brasil. Depois de ter goleado seu adversário no primeiro jogo, fora de casa, não havia possibilidade lógica de o Grêmio ser eliminado na segunda partida. A vitória foi obtida sem uma grande atuação, com um gol de pênalti ainda no primeiro tempo. No segundo, com um homem a mais em campo, o Grêmio dominou amplamente o Vitória, criou várias chances de gol, mas não conseguiu ampliar o placar. Para prosseguir avançando na Copa do Brasil e, principalmente, sair da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro, o Grêmio terá de melhorar muito o seu futebol. Com a vinda do centroavante Borja, emprestado pelo Palmeiras, o Grêmio obtém um bom reforço. A contratação de outros jogadores, e a recuperação dos que se encontram lesionados, são a esperança de que o período negativo do Grêmio, finalmente, seja superado.

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Brincadeira macabra

A farsa da normalidade institucional no Brasil se amplifica a cada dia. A interminável novela da volta do voto impresso é mais um exemplo disso. Na verdade, as instituições foram violentadas no Brasil em 2016, quando Dilma Rousseff, presidente legitimamente eleita, foi vítima de um absurdo processo de impeachment por alegadas "pedaladas fiscais". Desde então, o país vive um simulacro de democracia, em que as instituições estão submetidas a uma lógica golpista, disfarçadas por uma capa de normalidade. A ideia estapafúrdia de retomar o voto impresso não conta com a simpatia da maioria dos parlamentares, mas os que são fiéis ao presidente genocida Jair Bolsonaro, e o seu assecla Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados, insistem em manter o assunto em evidência. Os atos em favor da medida, ocorridos, ontem, em algumas cidades do país, tiveram baixíssima adesão. Tudo isso só acontece porque o Poder Judiciário, que tem força e razões suficientes para determinar o fim do governo Bolsonaro, limita-se a trocar farpas com o ex-capitão e seus cupinchas, numa brincadeira macabra cuja vítima é o povo brasileiro. Deixar que Bolsonaro continue no cargo, arrastando-se até concorrer à reeleição, é um crime lesa-pátria. A defesa do voto impresso feita por Bolsonaro e seus seguidores é apenas um meio de tumultuar o processo eleitoral, justificar a não aceitação de uma derrota inevitável, e abrir caminho para um novo golpe. A guerra de declarações entre ministros do Supremo Tribunal Federal e Bolsonaro, com ameaças de ambos os lados que nunca se cumprem, só servem para manter o ambiente político do país em ebulição. Cabe aos magistrados evitar que as eleições do próximo ano sejam ameaçadas de não se realizarem, ou venham a ter o seu resultado fraudado. Para isso, a solução é fazer Bolsonaro pagar por todos os seus malfeitos, destituindo-o do cargo.

domingo, 1 de agosto de 2021

Os 50 anos do Concerto para Bangladesh

A data de hoje é muito significativa na história das ações beneficentes. Ela marca os 50 anos do Concerto para Bangladesh, o primeiro grande show com propósitos humanitários reunindo grandes estrelas da música. O concerto foi idealizado pelo ex-beatle George Harrison, a partir de um pedido de ajuda de seu amigo, o músico Ravi Shankar, preocupado com a situação de penúria vivida pelo povo de sua terra. O Concerto para Bangladesh consistiu em dois shows, um á tarde e outro na parte da noite, realizados no Madison Square Garden, em Nova York, no dia 1 de agosto de 1971. Eles tiveram a participação de figuras estelares como George Harrison, Ringo Starr, Bob Dylan, Eric Clapton, e outros nomes de muito prestígio, casos de Leon Russel, Billy Preston e Ravi Shankar. Também contava com a presença de músicos de apoio de renome, como o guitarrista Jesse Ed Davis, o baterista Jim Keltner, e o baixista Klaus Voormann, entre outros. Os valores arrecadados no concerto, bem como os do álbum triplo gravado ao vivo e do filme lançados depois, foram para as pessoas carentes do país asiático. George Harrison também fez uma música especialmente para a causa,"Bangladesh", lançada em single. No setlist do célebre e, agora, cinquentenário "Concerto para Bangladesh", há clássicos e notáveis composições de George Harrison, como "Something", "While My Guitar Gently Weeps", "Here Comes The Sun", "Wah-Wah", "My Sweet Lord", "Awainting on You All", "Beware of Darkness" e a já referida "Bangladesh", o grande sucesso solo de Ringo Starr, "It Don't Come Easy", perólas de Bob Dylan, e belas criações de Leon Russel e Billy Preston. A iniciativa de George Harrison, um êxito artístico e de benemerência, teve, também, o mérito do pioneirismo. Abriu caminho para outras ações do gênero, que lotaram estádios com grandes nomes da música, em prol de diversos propósitos humanitários. Para quem não conhece o conteúdo das apresentações do "Concerto para Bangladesh", assistir ao DVD que as registrou é obrigatório. Os que já conhecem, por certo, não se cansam de rever.