sexta-feira, 19 de junho de 2020

Socialismo

Não bastassem as torrentes de asneiras ditas pelo presidente Jair Bolsonaro e alguns de seus ministros, os militares não se cansam de dar a sua contribuição para o rol de disparates. O presidente do Clube Militar, general Eduardo José Barbosa, declarou que o Brasil está vivendo o "socialismo", devido ao confinamento. Conforme Barbosa, haveria outras maneiras de enfrentar a pandemia de coronavírus, sem obrigar as pessoas a ficarem em suas casas. Com mais essa afirmação desarrazoada, Barbosa apenas comprova que os militares não dão nenhuma contribuição positiva ao país. Pelo contrário, ao longo da história do Brasil, as Forças Armadas fizeram conspirações, ameaçaram e praticaram golpes espúrios contra governantes legitimamente eleitos. Sua utilidade para o país seria a de defenderem-no em alguma guerra, o que não acontece há décadas. Na verdade, as Forças Armadas são um sorvedouro de recursos do erário público, sem nenhuma contrapartida para o país. Os incautos costumam ver nos militares uma reserva moral, a qual insistem em recorrer diante de supostas ameaças à ordem e de escalada da corrupção. Néscios que são, não percebem que reverenciam os seus próprios algozes. Como bem colocou a revista "The Economist", não faz sentido o Brasil manter o décimo-quinto exército mais caro do mundo, se o país não participa de conflitos armados. Os militares, no Brasil, são uma despesa pesada e injustificada para os cofres públicos, e uma ameaça permanente à democracia.

quinta-feira, 18 de junho de 2020

A prisão de Queiroz

Enfim, o sumido apareceu. O ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos/RJ), Fabrício Queiroz, foi preso, hoje, em Atibaia (SP), em uma residência pertencente à Frederick Wassef, advogado da família do parlamentar. A prisão de Queiroz se deu porque ele estava cometendo novos crimes, fugindo, apagando provas e interferindo em investigações. Sua mulher foi dada como foragida. A ligação de Queiroz com Flávio é antiga, dos tempos em que o senador ainda era deputado estadual no Rio de Janeiro. Há evidências de que Queiroz atuou como "laranja" da família Bolsonaro em ações escusas, e que coordenava o esquema das "rachadinhas", em que servidores do gabinete cediam parte de seus ganhos para o então deputado. Com essa prisão, um dos grandes mistérios do país, o paradeiro de Queiroz, foi solucionado. O fato acrescenta mais um dado comprometedor para o presidente Jair Bolsonaro, já que Wassef havia afirmado, meses atrás, que não sabia onde Queiroz se encontrava. Esse dado, somado ao de que Queiroz estava numa casa que pertence ao próprio advogado, é comprometedor para o governo. Por quê o advogado da família Bolsonaro mentiu que não sabia onde Queiroz estava enquanto o abrigava numa residência de sua propriedade? A prisão do ex-assessor poderá ser a chave de todo o esquema de quadrilheiros e milicianos ligados ao ex-capitão e seus filhos. O governo Bolsonaro começa a fazer água por todos os lados. Com milhares de mortos por coronavírus, o ministro da Saúde é interino, e não é médico. O ministro da Educação foi exonerado hoje. Ao que parece, em vez de um processo de impeachment, o que determinará o fim do governo Bolsonaro será um processo de autodecomposição.

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Retorno absurdo

Um dos estados mais afetados pelo coronavírus, o Rio de Janeiro será o primeiro a recomeçar o seu campeonato estadual de futebol, o que já ocorrerá amanhã. Sem dúvida, é um retorno absurdo, diante de tantas mortes que a doença ainda causa. A decisão não foi consensual. Flamengo e Vasco pressionaram pela medida, mas Fluminense e Botafogo são contra. A Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro, no entanto, dado que os demais clubes eram a favor, determinou a retomada da competição. A contrariedade de Fluminense e Botafogo com a volta do campeonato nesse momento pode até levar a uma batalha jurídica que impeça a continuidade ou a finalização da disputa. Com o campeonato sendo retomado agora, Flamengo e Vasco teriam grande vantagem, pois já vêm realizando treinos há algumas semanas, ao contrário dos outros dois grandes clubes do Estado. O pior de tudo é que o primeiro jogo na volta da competição, Flamengo e Bangu, amanhã, no Maracanã, com portões fechados, obviamente, não terá transmissão de tevê, pois não houve acerto do clube rubro-negro com a Rede Globo. Se o jogo não terá público no estádio, nem poderá ser assistido pela tevê, qual o sentido dele ser realizado? O futebol brasileiro não é uma ilha, ele, também, reflete a realidade caótica do país.

terça-feira, 16 de junho de 2020

Os 70 anos do Maracanã

Sem favor, o Maracanã é o mais famoso estádio de futebol do mundo. Os 70 anos do Maracanã, completados hoje, são motivo de grande comemoração, ainda que, infelizmente, a pandemia de coronavírus não permita que ela tenha a dimensão que deveria. Embora, no dia em que completava um mês de sua abertura, tenha sido o local do jogo que marcou a derrota mais dolorosa do futebol brasileiro, quando a Seleção Brasileira perdeu a decisão da Copa do Mundo de 1950 para o Uruguai, o Maracanã não foi rejeitado pelos torcedores. Pelo contrário, maior estádio do mundo durante várias décadas, tornou-se o principal do país, e uma referência no mundo. Em seu gramado desfilaram nomes como Zizinho, Ademir de Menezes, Pelé, Garrincha, Rivelino, Jairzinho, Carlos Alberto, Paulo César Caju, Zico, Roberto Dinamite, Romário. Lamentavelmente, as sucessivas reformas que sofreu ao longo do tempo fizeram com que o Maracanã tenha, agora, apenas um terço da sua capacidade original. Sua fachada foi preservada, mas o seu interior em nada lembra o colosso de outros tempos. Com as características atuais, é um dos tantos estádios "padrão Fifa", existentes no mundo, seja na estética ou na capacidade de público. Ainda assim, é um dos grandes símbolos do futebol brasileiro, um patrimônio material e afetivo do país. Parabéns, Maracanã!

segunda-feira, 15 de junho de 2020

A prisão da baderneira

Demorou, mas o Poder Judiciário cumpriu o seu papel diante dos atos e protestos cada vez mais violentos e antidemocráticos dos grupos bolsonaristas. Hoje, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, foi feita a prisão da baderneira Sara Winter, liderança bolsonarista responsável por manifestações agressivas contra as instituições, em que são pedidos o fechamento do Congresso e do STF, a intervenção militar e até um novo AI-5, todos eles flagrantemente inconstitucionais. Outros quatro baderneiros foram presos junto com Sara. A prisão dela é provisória, por cinco dias, podendo ser renovada por igual período. Dessa forma, Sara, cujo verdadeiro sobrenome é Giacomini, deverá ser solta em poucos dias. O irmão dela, Diego Giacomini, acha que Sara planejou a própria prisão, pois sabia que logo seria libertada, com o intuito de se transformar numa vítima de "perseguição política". Conforme Diego, Sara sempre quis dinheiro, fama e poder. Pode até ser que Sara acabe lucrando com sua prisão, manipulando, com o auxílio dos bolsonaristas, a verdade dos fatos. Porém, a determinação de prender Sara ocorreu até com atraso. Não se pode afrontar às instituições como a baderneira vinha fazendo, sem receber a devida penalização. Os grupos bolsonaristas, ao contrário do que querem fazer crer, não estão exercendo o seu direito à liberdade de expressão. Estão, na verdade, tentando solapar às instituições e exaltar o fascismo, e isso não pode ser tolerado.

domingo, 14 de junho de 2020

Gatos pingados


  1. Como já é comum nos finais de semana, manifestantes pela democracia e apoiadores do presidente Jair Bolsonaro saíram às ruas, ontem e hoje, principalmente em Brasília e São Paulo. Chamou a atenção, como já ocorrera na semana anterior, o reduzido número de manifestantes, o que, por um lado, é bom, pois, em tempos de pandemia de coronavírus , o ideal é que as pessoas permaneçam em casa, para evitar a contaminação. Porém, o número de pessoas protestando em favor da democracia foi muito maior do que o de bolsonaristas. Em São Paulo, havia cerca de três mil antifascistas, e não mais do que uma centena de bolsonaristas. As ruas, portanto, estão demonstrando o que as pesquisas de opinião e as redes sociais já vinham revelando, ou seja, a de que os que apoiam Bolsonaro são em número cada vez mais reduzido. Barulhentos e, por vezes, violentos, formam um grupo de gatos pingados. Com Bolsonaro tomando atitudes mais absurdas do que nunca e dando declarações disparatadas em profusão, só os fanáticos fundamentalistas seguirão ao seu lado. Os demais seguidores irão, progressivamente, abandonar o barco.

sábado, 13 de junho de 2020

Uma ameaça nada velada

Os militares brasileiros não se emendam. Seu autoritarismo, arrogância, prepotência e desprezo pela democracia são orgânicos. Ontem, isso foi demonstrado mais uma vez. Ao tentar dissipar a possibilidade de ser deflagrado um golpe militar no país, o secretário geral de governo do presidente Jair Bolsonaro, general Luiz Eduardo Ramos, após negar essa hipótese, acrescentou que a oposição não deve "esticar muito a corda". Como se vê, Ramos fez uma ameaça nada velada sobre a chance de que, sim, os militares intervenham na política. O vice-presidente Hamilton Mourão também foi veemente ao negar que uma intervenção militar venha a ocorrer. Porém, ao comentar a possibilidade de cassação da chapa que compôs com Bolsonaro na eleição presidencial, Mourão disse ter certeza de que o Tribunal Superior Eleitoral julgará a questão com "equilíbrio", ou seja, fez o mesmo "morde e assopra" de Ramos. Desde sempre, as Forças Armadas brasileiras, e em especial o Exército, arrogam-se o "direito" de tutelar a política no país. Em nome de "restituir" a ordem, ao longo da história, conspiram contra o poder instituído, planejam e executam golpes. A ignorância e o servilismo de grande parte da população brasileira faz com que, num típico exemplo da Síndrome de Estocolmo, em que a vítima venera o seu algoz, essa posição totalmente descabida seja convalidada. O respeito à farda como se ela fosse um símbolo de integridade, o que, evidentemente, não é, tem custado um preço muito alto para o Brasil, ao longo dos anos, e explica o porquê um país com tanto potencial se encaminhe para ser uma república das bananas.

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Genocida

O Brasil está entregue aos desvarios de um desequilibrado. A confirmação de que o presidente Jair Bolsonaro é um genocida veio com a recomendação que fez aos seus apoiadores de que invadam hospitais para registrar que os leitos para pacientes de coronavírus não estariam lotados. O que está por trás do pedido de Bolsonaro é a ideia de que os números da doença estão sendo inflados com fins políticos. Tudo nessa atitude é aterrador. Um presidente ordenar a invasão de ambientes hospitalares é um ato dantesco. O acatamento dessa ordem por parte de fanáticos fundamentalistas é outro desatino. O argumento que embasa o pensamento de Bolsonaro é o de que pessoas que têm comorbidades morrem em função desse aspecto, já que são mais frágeis e não há tratamento para o coronavírus. A alegação é pífia, pois pessoas com comorbidades convivem com as mesmas durante décadas, mantendo-se vivas e ativas ao seguirem o devido tratamento médico. Portanto, se elas morrem ao contraírem o coronavírus, essa é a causa de seu falecimento, e não as doenças de que são portadoras. Afora isso, ao contrário de inflados, os números de infectados e mortos pelo coronavírus no Brasil são, claramente, muito inferiores aos reais, pelos poucos testes realizados e a consequente subnotificação. Porém, o mais assustador desse acontecimento é que Bolsonaro ainda esteja no cargo, o que lhe permite tomar decisões como essa. Ninguém que tenha um mínimo de sensatez consegue entender o que estão esperando as forças políticas às quais cabe encaminhar a deposição de Bolsonaro para tomar essa iniciativa. 

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Velha política

Para se eleger, entre outras mentiras, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que não trocaria cargos por apoio político. Porém, o procedimento, que Bolsonaro caracterizava como parte integrante da "velha política", está de volta, um ano e meio após a posse do ex-capitão. Para tentar afagar o Congresso, e barrar processos de impeachment, Bolsonaro decidiu recriar o Ministério das Comunicações, e nomear o deputado federal Fábio Faria (PSD/RN), genro do dono do SBT, Sílvio Santos, para chefiar o órgão. Tendo prometido um total de quinze ministérios, Bolsonaro chega, assim, ao vigésimo-quarto. O inacreditável da escolha de Fábio Faria é que o próprio Bolsonaro reconheceu que o deputado não é alguém da área, mas que deve entender do assunto por sua convivência com a família de Sílvio Santos. Em mais uma prova do baixo nível do Congresso, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ), aprovou a recriação do ministério e a escolha de Fábio Faria, a quem qualificou como "um cara" de diálogo. Em vez de procurar um meio de viabilizar a saída de Bolsonaro do cargo, o que seria extremamente benéfico para o país, Maia senta em cima dos vários pedidos de impeachment já enviados à Câmara, e mostra simpatia pelo novo ministro nomeado pelo governo. O Brasil, definitivamente, está à deriva.

quarta-feira, 10 de junho de 2020

Opção desastrosa

O Brasil, desde o golpe que depôs uma presidente legitimamente eleita, parece ter optado pelo quanto pior, melhor, no meio político. Não há outra conclusão a que se possa chegar diante da declaração do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ), de que não é hora de se pensar em impeachment do presidente Jair Bolsonaro, e sim em priorizar o enfrentamento à pandemia de coronavírus que, nos próximos dias, deverá chegar a 40 mil vítimas fatais. Maia está completamente errado. Se o número de vítimas é tão alto, e o Brasil ainda enfrenta um crescimento no índice de infectados pela doença, enquanto outros países já a controlaram, isso está diretamente relacionado ao posicionamento de Bolsonaro quanto à pandemia, sempre contrário às recomendações médicas e científicas. Portanto, sua saída do cargo, ajudaria a salvar vidas. Ao contrário da presidente Dilma Rousseff, derrubada por alegadas "pedaladas fiscais", Bolsonaro praticou uma série de crimes no exercício do cargo, devidamente tipificados. Sobram motivos para que o ex-capitão seja deposto. Sentar em cima dos vários pedidos de abertura de processo de impeachment contra Bolsonaro é uma atitude covarde de Maia, mas consentânea com sua inexpressividade política e com o perfil de seu partido, o DEM, herdeiro do antigo PFL. Não é hora de chamar os bombeiros. Pelo contrário, o circo precisa pegar fogo de uma vez para o país começar a reescrever o seu caminho político, livre da ameaça do fascismo. A opção desastrosa de Maia precisa ser amplamente rechaçada. Se o Congresso se omitir, caberá ao Supremo Tribunal Federal assumir a tarefa da deposição de Bolsonaro, livrando o país de um pesadelo, e permitindo a perspectiva de um futuro menos ruinoso do que aquele que se anuncia.