terça-feira, 16 de junho de 2020

Os 70 anos do Maracanã

Sem favor, o Maracanã é o mais famoso estádio de futebol do mundo. Os 70 anos do Maracanã, completados hoje, são motivo de grande comemoração, ainda que, infelizmente, a pandemia de coronavírus não permita que ela tenha a dimensão que deveria. Embora, no dia em que completava um mês de sua abertura, tenha sido o local do jogo que marcou a derrota mais dolorosa do futebol brasileiro, quando a Seleção Brasileira perdeu a decisão da Copa do Mundo de 1950 para o Uruguai, o Maracanã não foi rejeitado pelos torcedores. Pelo contrário, maior estádio do mundo durante várias décadas, tornou-se o principal do país, e uma referência no mundo. Em seu gramado desfilaram nomes como Zizinho, Ademir de Menezes, Pelé, Garrincha, Rivelino, Jairzinho, Carlos Alberto, Paulo César Caju, Zico, Roberto Dinamite, Romário. Lamentavelmente, as sucessivas reformas que sofreu ao longo do tempo fizeram com que o Maracanã tenha, agora, apenas um terço da sua capacidade original. Sua fachada foi preservada, mas o seu interior em nada lembra o colosso de outros tempos. Com as características atuais, é um dos tantos estádios "padrão Fifa", existentes no mundo, seja na estética ou na capacidade de público. Ainda assim, é um dos grandes símbolos do futebol brasileiro, um patrimônio material e afetivo do país. Parabéns, Maracanã!

segunda-feira, 15 de junho de 2020

A prisão da baderneira

Demorou, mas o Poder Judiciário cumpriu o seu papel diante dos atos e protestos cada vez mais violentos e antidemocráticos dos grupos bolsonaristas. Hoje, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, foi feita a prisão da baderneira Sara Winter, liderança bolsonarista responsável por manifestações agressivas contra as instituições, em que são pedidos o fechamento do Congresso e do STF, a intervenção militar e até um novo AI-5, todos eles flagrantemente inconstitucionais. Outros quatro baderneiros foram presos junto com Sara. A prisão dela é provisória, por cinco dias, podendo ser renovada por igual período. Dessa forma, Sara, cujo verdadeiro sobrenome é Giacomini, deverá ser solta em poucos dias. O irmão dela, Diego Giacomini, acha que Sara planejou a própria prisão, pois sabia que logo seria libertada, com o intuito de se transformar numa vítima de "perseguição política". Conforme Diego, Sara sempre quis dinheiro, fama e poder. Pode até ser que Sara acabe lucrando com sua prisão, manipulando, com o auxílio dos bolsonaristas, a verdade dos fatos. Porém, a determinação de prender Sara ocorreu até com atraso. Não se pode afrontar às instituições como a baderneira vinha fazendo, sem receber a devida penalização. Os grupos bolsonaristas, ao contrário do que querem fazer crer, não estão exercendo o seu direito à liberdade de expressão. Estão, na verdade, tentando solapar às instituições e exaltar o fascismo, e isso não pode ser tolerado.

domingo, 14 de junho de 2020

Gatos pingados


  1. Como já é comum nos finais de semana, manifestantes pela democracia e apoiadores do presidente Jair Bolsonaro saíram às ruas, ontem e hoje, principalmente em Brasília e São Paulo. Chamou a atenção, como já ocorrera na semana anterior, o reduzido número de manifestantes, o que, por um lado, é bom, pois, em tempos de pandemia de coronavírus , o ideal é que as pessoas permaneçam em casa, para evitar a contaminação. Porém, o número de pessoas protestando em favor da democracia foi muito maior do que o de bolsonaristas. Em São Paulo, havia cerca de três mil antifascistas, e não mais do que uma centena de bolsonaristas. As ruas, portanto, estão demonstrando o que as pesquisas de opinião e as redes sociais já vinham revelando, ou seja, a de que os que apoiam Bolsonaro são em número cada vez mais reduzido. Barulhentos e, por vezes, violentos, formam um grupo de gatos pingados. Com Bolsonaro tomando atitudes mais absurdas do que nunca e dando declarações disparatadas em profusão, só os fanáticos fundamentalistas seguirão ao seu lado. Os demais seguidores irão, progressivamente, abandonar o barco.

sábado, 13 de junho de 2020

Uma ameaça nada velada

Os militares brasileiros não se emendam. Seu autoritarismo, arrogância, prepotência e desprezo pela democracia são orgânicos. Ontem, isso foi demonstrado mais uma vez. Ao tentar dissipar a possibilidade de ser deflagrado um golpe militar no país, o secretário geral de governo do presidente Jair Bolsonaro, general Luiz Eduardo Ramos, após negar essa hipótese, acrescentou que a oposição não deve "esticar muito a corda". Como se vê, Ramos fez uma ameaça nada velada sobre a chance de que, sim, os militares intervenham na política. O vice-presidente Hamilton Mourão também foi veemente ao negar que uma intervenção militar venha a ocorrer. Porém, ao comentar a possibilidade de cassação da chapa que compôs com Bolsonaro na eleição presidencial, Mourão disse ter certeza de que o Tribunal Superior Eleitoral julgará a questão com "equilíbrio", ou seja, fez o mesmo "morde e assopra" de Ramos. Desde sempre, as Forças Armadas brasileiras, e em especial o Exército, arrogam-se o "direito" de tutelar a política no país. Em nome de "restituir" a ordem, ao longo da história, conspiram contra o poder instituído, planejam e executam golpes. A ignorância e o servilismo de grande parte da população brasileira faz com que, num típico exemplo da Síndrome de Estocolmo, em que a vítima venera o seu algoz, essa posição totalmente descabida seja convalidada. O respeito à farda como se ela fosse um símbolo de integridade, o que, evidentemente, não é, tem custado um preço muito alto para o Brasil, ao longo dos anos, e explica o porquê um país com tanto potencial se encaminhe para ser uma república das bananas.

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Genocida

O Brasil está entregue aos desvarios de um desequilibrado. A confirmação de que o presidente Jair Bolsonaro é um genocida veio com a recomendação que fez aos seus apoiadores de que invadam hospitais para registrar que os leitos para pacientes de coronavírus não estariam lotados. O que está por trás do pedido de Bolsonaro é a ideia de que os números da doença estão sendo inflados com fins políticos. Tudo nessa atitude é aterrador. Um presidente ordenar a invasão de ambientes hospitalares é um ato dantesco. O acatamento dessa ordem por parte de fanáticos fundamentalistas é outro desatino. O argumento que embasa o pensamento de Bolsonaro é o de que pessoas que têm comorbidades morrem em função desse aspecto, já que são mais frágeis e não há tratamento para o coronavírus. A alegação é pífia, pois pessoas com comorbidades convivem com as mesmas durante décadas, mantendo-se vivas e ativas ao seguirem o devido tratamento médico. Portanto, se elas morrem ao contraírem o coronavírus, essa é a causa de seu falecimento, e não as doenças de que são portadoras. Afora isso, ao contrário de inflados, os números de infectados e mortos pelo coronavírus no Brasil são, claramente, muito inferiores aos reais, pelos poucos testes realizados e a consequente subnotificação. Porém, o mais assustador desse acontecimento é que Bolsonaro ainda esteja no cargo, o que lhe permite tomar decisões como essa. Ninguém que tenha um mínimo de sensatez consegue entender o que estão esperando as forças políticas às quais cabe encaminhar a deposição de Bolsonaro para tomar essa iniciativa. 

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Velha política

Para se eleger, entre outras mentiras, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que não trocaria cargos por apoio político. Porém, o procedimento, que Bolsonaro caracterizava como parte integrante da "velha política", está de volta, um ano e meio após a posse do ex-capitão. Para tentar afagar o Congresso, e barrar processos de impeachment, Bolsonaro decidiu recriar o Ministério das Comunicações, e nomear o deputado federal Fábio Faria (PSD/RN), genro do dono do SBT, Sílvio Santos, para chefiar o órgão. Tendo prometido um total de quinze ministérios, Bolsonaro chega, assim, ao vigésimo-quarto. O inacreditável da escolha de Fábio Faria é que o próprio Bolsonaro reconheceu que o deputado não é alguém da área, mas que deve entender do assunto por sua convivência com a família de Sílvio Santos. Em mais uma prova do baixo nível do Congresso, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ), aprovou a recriação do ministério e a escolha de Fábio Faria, a quem qualificou como "um cara" de diálogo. Em vez de procurar um meio de viabilizar a saída de Bolsonaro do cargo, o que seria extremamente benéfico para o país, Maia senta em cima dos vários pedidos de impeachment já enviados à Câmara, e mostra simpatia pelo novo ministro nomeado pelo governo. O Brasil, definitivamente, está à deriva.

quarta-feira, 10 de junho de 2020

Opção desastrosa

O Brasil, desde o golpe que depôs uma presidente legitimamente eleita, parece ter optado pelo quanto pior, melhor, no meio político. Não há outra conclusão a que se possa chegar diante da declaração do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ), de que não é hora de se pensar em impeachment do presidente Jair Bolsonaro, e sim em priorizar o enfrentamento à pandemia de coronavírus que, nos próximos dias, deverá chegar a 40 mil vítimas fatais. Maia está completamente errado. Se o número de vítimas é tão alto, e o Brasil ainda enfrenta um crescimento no índice de infectados pela doença, enquanto outros países já a controlaram, isso está diretamente relacionado ao posicionamento de Bolsonaro quanto à pandemia, sempre contrário às recomendações médicas e científicas. Portanto, sua saída do cargo, ajudaria a salvar vidas. Ao contrário da presidente Dilma Rousseff, derrubada por alegadas "pedaladas fiscais", Bolsonaro praticou uma série de crimes no exercício do cargo, devidamente tipificados. Sobram motivos para que o ex-capitão seja deposto. Sentar em cima dos vários pedidos de abertura de processo de impeachment contra Bolsonaro é uma atitude covarde de Maia, mas consentânea com sua inexpressividade política e com o perfil de seu partido, o DEM, herdeiro do antigo PFL. Não é hora de chamar os bombeiros. Pelo contrário, o circo precisa pegar fogo de uma vez para o país começar a reescrever o seu caminho político, livre da ameaça do fascismo. A opção desastrosa de Maia precisa ser amplamente rechaçada. Se o Congresso se omitir, caberá ao Supremo Tribunal Federal assumir a tarefa da deposição de Bolsonaro, livrando o país de um pesadelo, e permitindo a perspectiva de um futuro menos ruinoso do que aquele que se anuncia.

terça-feira, 9 de junho de 2020

Esmola

O ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciou a extensão do auxílio emergencial por mais dois meses, mas pagando 300 reais, a metade do valor das três primeiras parcelas. Esse fato é acintoso, pois, ao agir assim, o governo federal está a conceder uma esmola, e não um auxílio. Aliás, uma série de irregularidades cerca o benefício. As três primeiras parcelas, de 600 reais, já deveriam ter sido integralmente pagas. Algumas pessoas, no entanto, não receberam sequer a primeira. Por outro lado, pessoas que não tem direito ao benefício foram agraciadas, incluindo militares e integrantes dos segmentos mais privilegiados financeiramente da sociedade. Cabe lembrar que, inicialmente, o governo pretendia pagar apenas três parcelas de 200 reais, valor que foi triplicado pelo Congresso. Tanto o governo quanto economistas que se consideram realistas fazem questão de destacar que esse auxílio representa um gasto alto para os cofres públicos, razão pela qual são contrários a um prolongamento "excessivo" do mesmo ou a sua transformação em medida permanente. O que os neoliberais empedernidos do governo e os economistas "esclarecidos" se negam a perceber é que a pandemia de coronavírus é um fato de extrema excepcionalidade, e, portanto, exige soluções igualmente fora dos parâmetros convencionais. O capitalismo pré-pandemia não terá como retornar. A pandemia tornou isso impossível, ao mostrar que, diante de cenários tão desafiadores quanto o dessa doença, o Estado torna-se, inevitavelmente, o protagonista. O Estado mínimo, sonhado por Guedes e seus asseclas, era, antes, uma previsão cruel. Depois do coronavírus, é apenas uma ficção de má qualidade.

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Um país no rumo do isolamento

Os problemas causados pelo governo Jair Bolsonaro ao Brasil não se limitam ao âmbito interno. Desde que o ex-capitão assumiu como presidente, o país virou motivo de fortes críticas na imprensa internacional. Os principais jornais e revistas do mundo se mostram estarrecidos com as atitudes tresloucadas de Bolsonaro, e projetam um futuro amargo para o Brasil. A mais recente dessas decisões foi a de mudar a metodologia de cálculo do total de óbitos pela pandemia de coronavírus, com o claro intuito de maquiar os números. A repercussão no exterior, como não poderia deixar de ser, foi péssima. Até o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tido por Bolsonaro como seu "amigo", quer distância do sociopata. Primeiramente, Trump proibiu a entrada de brasileiros nos Estados Unidos. Mais recentemente, declarou que se seu país tivesse adotado as mesmas medidas que o Brasil no enfrentamento à pandemia, o número de mortes teria sido muito maior. O isolamento do governo Bolsonaro é progressivo. Diante do avanço dos casos de coronavírus no Brasil, o Paraguai decidiu que, tão cedo, não irá reabrir suas fronteiras com o país vizinho. O Brasil, portanto, é um país no rumo do isolamento, um pária internacional. Um quadro tão terrível exige uma atitude resoluta por parte dos demais poderes, para que Bolsonaro seja deposto. Ao contrário, no entanto, um crime de lesa-pátria está sendo praticado, com a busca de uma acomodação, evitando uma ruptura. Os que agem assim estão condenando o futuro do país e de seu povo. Por sua covardia, a história não os poupará.

domingo, 7 de junho de 2020

Sem agressões


  1. Para frustração de quem apostava em batalhas campais entre antifascistas e bolsonaristas, que pudessem justificar a decretação de um estado de exceção, as manifestações em várias cidades do Brasil, hoje, foram pacíficas. Foram protestos feitos sem agressões, e com baixa adesão, já que tanto partidos de oposição quanto o presidente Jair Bolsonaro pediram para que seus defensores não fossem às ruas. Ainda assim, chamou a atenção o fato de que os antifascistas eram em número bem maior que os bolsonaristas. Afora os que estavam nas ruas, muitos protestaram contra Bolsonaro batendo panelas das janelas dos seus apartamentos. As manifestações também foram contra o racismo, tendo em vista as recentes mortes de pessoas negras em ações policiais, nos Estados Unidos e no Rio de Janeiro , e de um menino ao cair de um prédio em Recife. A pandemia de coronavírus, e a necessidade de evitar aglomerações, foi outro fator que inibiu uma maior participação nos protestos. Essas manifestações, no entanto, irão continuar e, na medida em o tempo for transcorrendo e a pandemia for controlada, terão cada vez mais integrantes. Os antifascistas, até então recolhidos, não deixarão mais as ruas. A luta está apenas começando, e só cessará com a queda de Bolsonaro.