Depois de terem concedido vinte dias de férias aos jogadores, a contar de primeiro de abril, os clubes brasileiros deverão estender a medida até o mês de maio. A pandemia de coronavírus desorganizou os calendários esportivos no mundo inteiro e, no caso do futebol brasileiro, está fazendo com que os clubes estejam empurrando com a barriga a solução do problema, que ainda não se consegue vislumbrar. A verdade é que, com o transcorrer do tempo, mais complicada fica a hipótese de encontrar uma saída para salvar o ano no futebol brasileiro. Fórmulas mirabolantes, soluções exóticas, tudo é aventado para que se possa voltar a ter futebol no Brasil em 2020. Os clubes e seus patrocinadores, a televisão e os seus anunciantes, estão ansiosos pela volta dos jogos, ainda que sejam de portões fechados. Na sociedade do espetáculo, subproduto do capitalismo, o show não pode parar, pois os prejuízos financeiros são elevadíssimos. O problema é que enquanto a pandemia não arrefecer, a volta do futebol, em qualquer condição, seria uma temeridade. Esse arrefecimento, no entanto, ainda parece uma possibilidade muito distante. Por enquanto, postergar uma decisão definitiva para a questão é a única alternativa.
terça-feira, 14 de abril de 2020
segunda-feira, 13 de abril de 2020
Moraes Moreira
A morte de Moraes Moreira, hoje pela manhã, aos 72 anos, representa um duro golpe na música brasileira. Moraes Moreira surgiu no cenário musical junto com seus companheiros do grupo "Os Novos Baianos", que, no início dos anos 70, causou enorme impacto junto ao público e crítica. Em meados dos anos 70, partiu para a carreira solo. Fez muito sucesso com suas composições, seja na sua própria voz ou na de outros artistas. "Festa do Interior", por exemplo, composta por ele em parceria com Abel Silva, foi um dos maiores sucessos da carreira de Gal Costa. Versátil, Moraes Moreira transitava por diversos ritmos e absorvia várias influências. O Carnaval, no entanto, foi um ponto marcante de sua carreira, e ele foi o primeiro a cantar no alto de um trio elétrico. A brasilidade, ainda que, eventualmente, misturada com ritmos de outras culturas, e o balanço contagiante, são marcas do seu trabalho. Moraes Moreira se foi, mas criou uma vasta e inesquecível obra, que será lembrada pelas gerações futuras. Os grandes artistas se tornam perenes pelo legado que deixam. Esse, certamente, é o caso de Moraes Moreira.
Uma lenda sem títulos
O ex-piloto inglês Stirling Moss, falecido, ontem, aos 90 anos de idade, foi uma figura singular na história da Fórmula 1. Moss foi quatro vezes consecutivas vice-campeão da categoria, e terceiro colocado em outras três oportunidades, mas jamais obteve o título. Ainda assim, nenhum especialista ou historiador do automobilismo lhe negaria a condição de piloto lendário. Mesmo sem ser campeão teve um altíssimo índice de vitórias nas corridas de que participou na Fórmula 1. A rainha Elizabeth lhe concedeu o título de Sir, distinção que só é conferida a personalidades ilustres. Reverenciado por seus pares, e admirado pelo público, Moss foi uma lenda sem títulos.
domingo, 12 de abril de 2020
Mandetta não baixa o tom
A entrevista concedida pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, ao programa "Fantástico", da Rede Globo, mostra que o ministro não tem medo do confronto com o presidente Jair Bolsonaro. Como ficou comprovado na entrevista, Mandetta não baixa o tom. Mesmo fazendo alguns circunlóquios, para amenizar sua postura, Mandetta deixa clara a sua posição favorável ao confinamento como forma de evitar o contágio pelo coronavírus, o que contraria a opinião de Bolsonaro. O ministro da Saúde vai mais longe, e diz que seria importante uma posição unificada sobre o assunto, pois a população fica sem saber a quem seguir, dadas às manifestações conflitantes. Para tomar essa atitude, Mandetta deve estar muito bem amparado, ou convicto de ser verdade o que muitos especulam, ou seja, de que Bolsonaro já não é presidente de fato. A alta popularidade que ostenta no momento faz com que Mandetta saiba que tem um futuro político promissor pela frente. Ainda que viesse a ser demitido pelo presidente, seu prestígio não ficaria abalado. Por isso, Mandetta aposta alto, e deixa Bolsonaro embretado contra as cordas.
sábado, 11 de abril de 2020
Equilibrista
Os últimos pronunciamentos oficiais e a aparição conjunta, hoje, com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, para o anúncio da construção de um hospital de campanha naquele estado, mostraram uma nova face do presidente Jair Bolsonaro. Se antes só se dirigia aos seus fanáticos seguidores, Bolsonaro agora se mostra um equilibrista, tentando fazer média com os que o criticam. A grande carga de ataques que recebeu por seu comportamento em sentido contrário ao que recomendavam as autoridades médicas, fez com que Bolsonaro revisse, parcialmente, a sua postura. Ao comparecer ao lançamento de um hospital de campanha, Bolsonaro quer se mostrar engajado nos esforços da luta contra o coronavírus. Porém, paralelamente, Bolsonaro continua a desobedecer as recomendações de quarentena, e circula livremente pelas ruas, causando aglomerações, pois seus apoiadores mais fiéis não aceitariam que ele afrouxasse de sua posição de confronto com os que lhe atacam. A sobrevivência política é a única preocupação de Bolsonaro, e a explicação para o seu comportamento, antes de permanente antagonismo com seus críticos, ter se tornado ambivalente.
sexta-feira, 10 de abril de 2020
50 anos sem os Beatles
Na data de hoje, há 50 anos, Paul McCartney anunciava o fim dos Beatles. Foi um dia triste para milhões de fãs espalhados pelo mundo. Os Beatles ainda eram muito jovens, nenhum deles sequer havia completado 30 anos de idade, e estavam no auge do seu processo criativo. Por isso, o fim do grupo era muitíssimo prematuro. Uma série de razões levou ao rompimento, mas a música e os fãs sofreram, na ocasião, um rude golpe, do qual não se recuperaram até hoje. Os Beatles são únicos, incomparáveis. Nenhum outro grupo alcançou um grau de qualidade tão elevado, criou tantos clássicos imortais, vendeu tantos discos, marcou tantas gerações. A música de maior sucesso de todos os tempos, "Yesterday", é deles, creditada a Lennon e McCartney, mas composta apenas por Paul. No mês seguinte ao anúncio da separação, chegou ao mercado "Let It Be", o penúltimo disco do grupo a ser gravado, e o último lançado. No mesmo ano, cada um dos quatro membros do grupo lançou o seu primeiro trabalho solo. O mais bem sucedido nessa largada, para surpresa de muitos, foi George Harrison. Sufocado por Lennon e McCartney, que dificultavam a colocação de suas composições nos trabalhos do grupo, George, que tinha muitas músicas estocadas, lançou um álbum triplo, "All Things Must Pass", um enorme sucesso de público e crítica, que chegou ao primeiro lugar das paradas e obteve um disco sêxtuplo de platina por suas extraordinárias vendagens. Pelos dez anos que se seguiram, os fãs alimentaram a esperança de que pudesse ocorrer a volta do grupo, até que, em dezembro de 1980, John Lennon foi assassinado. Acabava ali, para desconsolo dos fãs, a chance de que os Beatles voltassem a ficar juntos. Sua música, no entanto, é eterna, e todos os discos do grupo permanecem em catálogo. Nunca antes houve nada que pudesse se igualar aos Beatles, nem haverá depois, em qualquer tempo.
quinta-feira, 9 de abril de 2020
Fogo Amigo
A pandemia de coronavírus exige foco total dos governos para que possa ser superada. Porém, no Brasil, isso não é observado. As tricas e futricas do mundo político acabam gerando enorme repercussão, desviando a atenção do que é verdadeiramente relevante. Hoje, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que já teve sua continuidade no cargo ameaçada mas permaneceu na função, sofreu um "fogo amigo" do da Cidadania, Onix Lorenzooni, seu correligionário no DEM. Numa conversa telefônica com o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS), Onix manifesta seu desejo de que Mandetta seja demitido, por não seguir o que o presidente Jair Bolsonaro defende em relação ao coronavírus. Terra concorda com Onix e diz que Mandetta "se acha". Onix acrescenta que Bolsonaro deveria ter assumido às consequências de uma demissão e afastado Mandetta do cargo. A conversa permaneceu nesse tom "elevado", até que Terra concluiu dizendo que ajudaria, mesmo que não fosse nomeado para o cargo, pois tem nomes para indicar. O teor da conversa foi captado pelo jornalista Caio Junqueira, da CNN, pois Terra havia deixado o seu celular ligado. Desde o período da tarde, esse é o fato que mais repercute no país. Resolver a questão da pandemia deveria ser a única preocupação do governo, mas, em se tratando da administração Bolsonaro, o que é ruim sempre pode piorar.
quarta-feira, 8 de abril de 2020
Perdeu a chance de ficar calado
O jornalista Arnaldo Ribeiro é um respeitável cronista esportivo, tendo trabalhado, entre outros veículos, na revista Placar, no período áureo da publicação, e nos canais ESPN. Porém, Arnaldo perdeu a chance de ficar calado. Num podcast, o cronista afirmou que Romário foi um jogador superestimado, e que não admira sua carreira. Ao comparar Romário com Careca, classificou o segundo como mais completo, e que Romário foi bom apenas na "zona do agrião", o que não considera suficiente. Arnaldo está amplamente equivocado. Romário resumia sua função, basicamente, à grande área ou "zona do agrião", é verdade, mas, nela, foi genial. Ninguém é escolhido como o melhor jogador do mundo por acaso. Romário recebeu esse prêmio, Careca, não. Careca brilhou no Napoli, com Maradona, mas Romário foi protagonista no Barcelona. Romário foi convocado para duas Copas do Mundo, mas, praticamente, só jogou em uma, pois, em 1990, a recuperação de uma fratura o deixou fora de quase toda a participação da Seleção Brasileira na competição. Em 1994, no entanto, Romário fez a diferença, e foi diretamente responsável pelo título obtido pela Seleção. Embora tenha se destacado em duas Copas, 1986 e 1990, Careca não carregou a equipe nas costas, como Romário, e não conduziu a Seleção a conquista do titulo. No que diz respeito aos aspectos pessoais de Romário, também levados em conta por Arnaldo Ribeiro, eles não vem ao caso. Ao analisar um jogador, deve-se limitar a apreciação aos critérios técnicos, e neles Romário foi, indiscutivelmente, um gênio, o que não ocorreu com Careca.
terça-feira, 7 de abril de 2020
O vírus não escolhe vítimas
A pandemia de coronavírus já gerou uma série de falsas verdades. Doença desconhecida até há pouco pela medicina, os fatos pretensamente concretos afirmados sobre ela não são mais que meras especulações. Algumas dessas falsas verdades são risíveis, como é o caso de que idosos e pessoas com comorbidades constituem os grupos de risco para a doença. Trata-se de uma constatação que serve para qualquer outra doença, ou, até mesmo, na ausência de uma enfermidade. Uma pessoa idosa já viveu muito, e seu organismo está mais desgastado. Assim, é óbvio que, diante da epidemia de qualquer doença suas chances de ser vitimada é maior do que a de outras pessoas. O mesmo se dá com quem tem doenças crônicas. Em comparação com os que não possuem essa condição, seu organismo é mais suscetível às enfermidades. Dessa forma, colocar os dois grupos como "de risco" para o coronavírus é apenas uma maneira de os estigmatizar. Ao contrário do que foi apregoado nas primeiras semanas da pandemia, o vírus não escolhe vítimas. Entre as pessoas que já morreram da doença, há bebês, crianças, adolescentes, jovens, adultos de meia-idade, idosos e anciãos. Muitas dessas vítimas não tinham nenhuma comorbidade, e cultivavam hábitos de vida saudáveis. Outra afirmação falsa travestida de verdade é de que a letalidade da doença é de pouco mais de 2%. No Brasil, com os dados colhidos até hoje, ela é de quase 5%. Portanto, é preciso encarar o fato de que o coronavírus é "democrático", pois atinge a todos, sem distinção de idade, condição de saúde, etnia, nível de renda, ou qualquer outro fator. O isolamento vertical, em que só idosos e pessoas com comorbidades ficam em confinamento é sem eficácia, e estigmatiza cruelmente dois segmentos populacionais. O coronavírus é uma ameaça a todos, sem exceção, e é assim que deve ser enfrentado.
segunda-feira, 6 de abril de 2020
Mandetta fica
Foi um dia de muitas especulações. O presidente Jair Bolsonaro convocara uma reunião, no final da tarde, em que poderia ser determinada a demissão do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Seria uma medida absurda no momento em que o país enfrenta a pandemia de coronavírus e a população aprova amplamente o trabalho do ministro. A divergência de Mandetta e Bolsonaro sobre o uso da cloroquina nos doentes de coronavírus, desejada pelo segundo e considerada precipitada pelo primeiro por falta de comprovação científica de seus benefícios, esteve por implicar na saída do ministro. A tendência só não se concretizou porque figuras influentes se puseram contra a demissão de Mandetta. Os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, respectivamente, são do mesmo partido de Mandetta, o DEM, e deixaram clara a contrariedade do Congresso Nacional diante dessa possibilidade. O Supremo Tribunal Federal também se manifestou a favor do ministro. Os ministros militares do governo Bolsonaro, da mesma forma, apoiaram Mandetta. Com isso, Mandetta fica e, ao que parece, com bastante solidez, o que se traduziu numa explanação pós-reunião em que se mostrou muito seguro e assertivo. Melhor assim. Mudar o ministro da Saúde em meio à pandemia poderia ter efeitos desastrosos na estratégia para conter o avanço da doença. O foco dos brasileiros deve estar direcionado, unicamente, para derrotar o vírus que tanto sofrimento tem trazido ao país e ao mundo.
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