sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

O princípio do fim

O conluio que levou Jair Bolsonaro a se eleger presidente já está fazendo água. A imprensa conservadora, um dos pilares do golpe, começa a se voltar contra o ex-capitão. As grosserias de Bolsonaro, agora agravadas pela quebra de decoro, e sua evidente incapacidade para administrar, estão fazendo muitos saltarem do barco. Veículos de imprensa como os jornais "Folha de São Paulo" e "O Estado de São Paulo", e a revista "Época", já se colocam contra Bolsonaro. A revista, inclusive, pede o seu impeachment. Paralelamente a isso, o dólar chega a mais alta cotação da história, R$ 4,40, a economia patina. O ministro da Economia, Paulo Guedes, aliás, já sinalizou a possibilidade de deixar o cargo. Caso isso ocorra, o empresariado do país, outro dos pilares do golpe, também saltará fora do conluio. Não se pode saber quando tudo isso irá redundar na queda de Bolsonaro, mas os indícios de que não irá concluir seu mandato são cada vez mais fortes. O que estamos vendo parece ser o princípio do fim para o governo, e o renascer da esperança para o país.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Primeiros fracassos


  1. O verão ainda não terminou, o futebol recém retornou das férias, mas já há grandes clubes brasileiros sendo eliminados precocemente de competições. São os primeiros fracassos do ano. Depois de o Corinthians sair da pré-Libertadores já no primeiro confronto, contra o Guarani do Paraguai, Fluminense e Atlético Mineiro fizeram o mesmo na Copa Sul-Americana. Ontem, o Fluminense deixou a disputa, ao empatar em 0 x 0, fora de casa, com o Union La Calera (CHI). Hoje, foi a vez do Atlético Mineiro, mesmo vencendo o Union Santa Fe (ARG), por 2 x 0, no Independência. No caso do Fluminense, a saída da competição se deu pelo saldo qualificado, pois o primeiro jogo, no Maracanã, terminou empatado em 1 x 1. O Atlético Mineiro, por sua vez, foi goleado por 3 x 0 no primeiro jogo, fora de casa, e precisava, no mínimo, devolver o resultado para decidir a classificação nos tiros livres da marca do pênalti, ou ganhar por quatro ou mais gols de diferença para ir de forma direta para a próxima fase. Não conseguiu. Afora o aspecto técnico, com a eliminação para adversários modestos, Fluminense e Atlético Mineiro deixarão de ganhar um bom dinheiro por não prosseguirem na Copa Sul-Americana, o que poderá impactar negativamente as finanças de ambos os clubes. Também em seus campeonatos estaduais, Fluminense e Atlético Mineiro não realizam boas campanhas. Ambos estão com técnicos novos, e talvez aí resida parte dos problemas. Odair Helmann, o técnico do Fluminense, é um adepto fervoroso do defensivismo característico do futebol gaúcho, que joga "por uma bola". No jogo de ontem, em que precisava marcar gols para obter a classificação, o Fluminense quase não atacou e teve poucas conclusões. No Atlético Mineiro, a contratação do técnico venezuelano Dudamel parece mais um efeito do modismo que se verifica no país de trazer treinadores estrangeiros, do que a convicção na qualidade do seu trabalho. O fato é que o calendário do futebol brasileiro em 2020 mal começou e Fluminense e Atlético Mineiro já sentem os efeitos de uma eliminação. Como perspectiva para o restante do ano, tanto no aspecto técnico quanto no financeiro, parece um cenário nada animador.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Faltou futebol

Um jogo ruim, com poucos lances de emoção. Assim se pode resumir Deportes Tolima 0 x 0 Inter, hoje, em Ibagué (COL), pela Pré-Libertadores. Diante de um adversário de enormes limitações técnicas, o Inter jamais se mostrou ousado. Foi um jogo em que, de ambos os lados, faltou futebol. O técnico do Inter, Eduardo Coudet, iniciou o jogo com D'Alessandro no banco e Marcos Guilherme de titular. Porém, a velocidade de Marcos Guilherme não pôde ser explorada, pois não havia quem o acionasse. Boschilia até mostrava qualidade com a bola no pé, mas não conseguia ser o articulador que o Inter necessitava. A estrutura defensiva era excessiva contra o modesto Tolima. Mais uma vez, Coudet escalou Musto e Rodrigo Lindoso juntos, uma dupla de volantes que, comprovadamente, não se harmoniza. Musto joga muito recuado, quase como um terceiro zagueiro. Outro equívoco de Coudet foi a permanência de Bruno Fuchs como titular. O antigo dono da posição, Rodrigo Moledo, está longe se ser um grande jogador, mas é enérgico e eficiente na bola aérea. Fuchs tem se mostrado inseguro, e sua teórica superioridade na saída de bola, alegada por Coudet, não tem sido demonstrada na prática. Ao colocar D'Alessandro no segundo tempo, Coudet retirou Marcos Guilherme. Foi mais um erro. O Inter ganhou um articulador com a entrada de D'Alessandro, mas perdeu o velocista que poderia ser acionado pelo meia argentino com a saída de Marcos Guilherme. A dupla de volantes, no entanto, permaneceu até o fim, talvez porque Coudet estivesse mais preocupado em não perder do que em ganhar. O Tolima não justifica tamanha cautela. Com o segundo jogo no Beira-Rio, o Inter deverá se classificar para a fase de grupos da Libertadores sem maiores dificuldades. Porém, se não melhorar muito o seu desempenho, não deverá ter vida longa na competição. Em todos os jogos que realizou no ano até aqui, o Inter nunca chegou a ter uma grande atuação.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

A certeza da impunidade

Mantendo sua rotina, o presidente Jair Bolsonaro cometeu mais uma grosseria. Dessa vez, fez uma declaração com conotação sexual dirigida à jornalista Patrícia Campos Melo, da Folha de São Paulo. A atitude foi repudiada pela própria Folha de São Paulo, Associação Brasileira de Imprensa, Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, OAB, entre outras instituições mas, como de hábito, Bolsonaro não recuou, e muito menos se retratou. Seu filho, Flávio Bolsonaro, diante dos protestos de deputadas federais contra a atitude misógina do ex-capitão, deu uma "banana" para as parlamentares, repetindo o gesto repulsivo de seu pai. Essas baixezas em sequência não acontecem por acaso. Bolsonaro e seus filhos têm a certeza da impunidade. Sabem que, por pior que façam, nada lhes acontecerá, pois estão blindados pelo conluio que os levou ao poder. O despreparo de Bolsonaro para ocupar o cargo de presidente é evidente. Seu comportamento atenta contra o decoro exigido por tão alta função. Porém, ninguém toma a iniciativa de propor o impeachment de Bolsonaro, dado que está a serviço dos promotores do golpe que derrubou uma presidente legitimamente eleita. Seu único compromisso é atender os interesses do "mercado", ou seja, de banqueiros, industriais, grandes comerciantes, agentes do agronegócio e mineradoras. Claramente, Bolsonaro se diverte com a repercussão das asneiras que diz e das grosserias que comete. Sabe que tem as costas quentes, que os protestos contra seus atos não terão consequência. Resultado de um golpe premeditado promovido pelos setores oligárquicos da sociedade brasileira, o governo Bolsonaro é um absoluto desastre, mas segue inabalável, pois tem o respaldo das Forças Armadas e do imperialismo americano. O país é que paga o preço dessa situação. Não será fácil a sua reconstrução ética e econômica no dia em que esse pesadelo acabar.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Distribuindo bananas

O Brasil se encontra num nível de deterioração ética e civilizatória nunca antes imaginado. O presidente Jair Bolsonaro comete disparates verbais e atitudes indecorosas de forma constante, e o faz porque sabe que conta com o apoio de seu séquito de defensores, formado por milhões de imbecis doutrinados. A postura de Bolsonaro contra a imprensa é um exemplo claro disso. Em poucos dias, Bolsonaro, por duas vezes, deu "bananas" para a imprensa, e chegou a prever que a profissão de jornalista está em extinção. O ex-capitão odeia a imprensa, pois não admite que ela divulgue os atos ilícitos praticados por seus filhos, nem que critique as barbaridades cometidas por sua administração. Como autêntico fascista que é, Bolsonaro não aceita uma imprensa livre, só a cabestreada pelo governo. Um presidente que diverte-se distribuindo "bananas" para jornalistas é algo impensável num país minimamente civilizado, onde tamanha falta de decoro no exercício do cargo seria intolerável. No Brasil, em vez de vaias, essa atitude desvairada é seguida de aplausos. Um país em que grande parte de sua população aceita tamanha baixeza, não tem nenhuma perspectiva de futuro que não seja o fundo do poço.

domingo, 16 de fevereiro de 2020

Decisão fora de casa


  1. O Grêmio esteve muito perto de decidir na Arena o título do primeiro turno do Campeonato Gaúcho. Para isso, seria preciso que não houvesse um vencedor no tempo normal no jogo de hoje entre Caxias e Ypiranga de Erechim, no Francisco Stédile. Tudo se encaminhava de acordo com os interesses do Grêmio pois o jogo ia se aproximando do final sem que o placar fosse aberto, o que levaria a definição do segundo finalista para os tiros livres da marca do pênalti. Porém, aos 46 minutos do segundo tempo, o atacante Silva, curiosamente emprestado pelo Grêmio, fez o gol que deu a vitória ao Caxias, que, agora, decidirá o primeiro turno do Gauchão em casa. No entanto, mesmo com a decisão fora de casa, o Grêmio é o favorito para ficar com o título do primeiro turno. Derrotado pelo Caxias na sua estreia na competição, em plena Arena, o Grêmio tem amplas condições de fazer dessa partida a sua revanche daquele tropeço. Para o planejamento do Grêmio, ganhar o primeiro turno e garantir classificação antecipada para a decisão do campeonato é fundamental. Embora o Caxias seja um bom time, o Grêmio tem de fazer valer a sua superioridade. Um terceiro revés contra um clube do interior em menos de dez jogos no ano, não teria como ser aceito pelo torcedor.

sábado, 15 de fevereiro de 2020

Vitória com um gol nos acréscimos

Um jogo muito disputado, em que cada time dominou um tempo da partida. Assim foi o Gre-Nal de hoje, vencido pelo Grêmio por 1 x 0, no Beira-Rio, pelas semifinais do primeiro turno do Campeonato Gaúcho. O Grêmio foi superior no primeiro tempo, e perdeu uma grande chance de gol logo aos três minutos. Depois, ainda teve outra oportunidade desperdiçada e dois gols corretamente anulados. Antes do intervalo, Musto, do Inter, foi expulso. Curiosamente, com um jogador a menos, o Inter foi superior no segundo tempo, embora o Grêmio levasse perigo nos contra-ataques. O jogo seguia nesse lá e cá, até que o Grêmio obteve a vitória com um gol nos acréscimos. Aos 46 minutos, Diego Souza, escorando, de cabeça, um cruzamento de Everton, fez o gol que definiu o jogo. Diego Souza, aliás, foi o grande destaque do Grêmio. Foi dele, também, um dos dois gols anulados no primeiro tempo. Em três jogos pelo Grêmio, ele já marcou três gols, um em cada partida. Vanderlei foi outro a ter boa atuação no Grêmio, mostrando-se mais seguro em relação aos jogos anteriores. Bruno Cortez, mais uma vez, não esteve bem. No Inter, Victor Cuesta e Edenilson foram os melhores. Guerrero, novamente, decepcionou, e ainda não marcou gol em Grenais. Bruno Fuchs, que entrou no lugar de Rodrigo Moledo, não justificou sua escalação, jogando bem abaixo do, até então, titular. Agora, o Grêmio irá aguardar a definição do outro finalista do primeiro turno do Gauchão entre Caxias e Ypiranga de Erechim, que jogarão amanhã no Francisco Stédile.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

A fala de Guedes

Desde ontem, não há assunto mais comentado no Brasil do que a declaração do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que "dólar alto é bom, porque com dólar a R$ 1,80 empregada doméstica ia para Disney". A fala de Guedes expôs, mais uma vez, seu ódio aos pobres, já demonstrado em outras oportunidades. Numa associação óbvia, Guedes está sendo comparado a Caco Antibes, personagem que o ator Miguel Falabella vivia no extinto programa humorístico "Sai de Baixo", da Rede Globo, que tinha por bordão a frase "Eu tenho horror a pobre". Em uma declaração anterior, Guedes culpou os pobres pela destruição do meio ambiente. Outro de seus alvos são os funcionários públicos, a quem chamou, recentemente, de "parasitas". Assim como o presidente Jair Bolsonaro diz atrocidades porque sua única preocupação é em agradar os seus apoiadores descerebrados, Guedes faz afirmações chocantes porque seu discurso é direcionado aos grandes empresários. Sentindo-se respaldados pelos grupos que os apoiam, Bolsonaro e Guedes não se importam com as críticas dos setores mais conscientes da sociedade, pois não governam para eles. Seu projeto de poder é golpista, excludente, demofóbico e elitista.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Eliminado

O que muitos temiam, aconteceu. O Corinthians venceu o Guarani (PAR) por 2 x 1, hoje, no Itaquerão, mas foi eliminado da pré-Libertadores, repetindo o que ocorreu, em 2015, contra o mesmo adversário, nas oitavas de final da competição. O Corinthians começou jogando bem, e abriu o placar cedo. Ainda no primeiro tempo, já com um jogador a menos, pela expulsão de Pedrinho, o Corinthians marcou mais um gol, fazendo o suficiente para obter a classificação no tempo normal de jogo. Porém, no início do segundo tempo, o Guarani descontou, cobrando uma falta inexistente. O gol marcado era o bastante para o clube paraguaio se classificar, pelo saldo qualificado. Foi o que acabou se confirmando, pois o Corinthians não conseguiu fazer mais um gol. A eliminação precoce na pré-Libertadores, somada à má campanha no Campeonato Paulista, colocam pressão sobre o técnico do Corinthians, Tiago Nunes, mas, por ser recém chegado ao clube e estar iniciando o seu trabalho, ele não deverá correr risco de demissão.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Um adversário melhor do que a encomenda

Uma vitória previsível. Foi o que aconteceu, hoje, no Beira-Rio, quando o Inter venceu a Universidad de Chile por 2 x 0. Como já se havia percebido no primeiro jogo, no Estádio Nacional, o Inter enfrentou um adversário melhor do que a encomenda, pois a Universidad de Chile é muito fraca. Seu goleiro na partida de hoje, Campos, por exemplo, é um jovem de 20 anos que fez sua estreia como profissional, pois o titular teve uma indisposição. O time chileno, ainda por cima, veio desfalcado de seu jogador mais famoso, Montillo, que fou expulso na primeira partida. O Inter até demorou a abrir o placar, aos 42 minutos do primeiro tempo, mas era evidente que, diante de um adversário tão débil, a vitória viria ao natural. Com mais um gol no segundo tempo, o Inter construiu um resultado confortável e, pelo que se viu do seu próximo oponente na pré-Libertadores, o Deportes Tolima (COL), a classificação para a fase de grupos da Libertadores não deverá ser nada difícil.