terça-feira, 31 de dezembro de 2019
Balanços
O último dia do ano chegou. Com ele, inevitavelmente, os balanços de prós e contras. No que diz respeito ao país, 2019 foi desastroso. Como não poderia deixar de ser, o primeiro ano do governo Jair Bolsonaro foi um festival de horrores. Só a imprensa conservadora, participante ativa do conluio que levou Bolsonaro ao poder, conseguiu ver aspectos positivos em sua administração. O ex-capitão confirmou, na prática, todas as suas afirmações de campanha, carregadas de ataques ao Estado laico, homofobia e outras atrocidades. Acabou com o futuro dos trabalhadores ao obter a aprovação da Reforma da Previdência. Ampliou a precarização do trabalho iniciada no governo de Michel Temer. Favoreceu o desmatamento da Amazônia. Pôs energúmenos em ministérios importantes, comprometendo a Educação, as Relações Exteriores, entre outros setores. Não há o que festejar no Brasil de 2019. Fora do otimismo institucional dos finais de ano, nada há para projetar de bom para 2020. O que está ruim, tende a ficar pior. Fora dos acadêmicos e da imprensa comprometidos com o governo, ninguém pode ver motivos para acreditar em um ano melhor que o anterior. Por isso mesmo, não é cabível desejar aos brasileiros que suportem por quatro anos até o final desse governo. O melhor presente que 2020 poderia dar aos brasileiros seria o impeachment de Bolsonaro.
segunda-feira, 30 de dezembro de 2019
Cinismo insuportável
Todos os governos tem os seus defensores entre os acadêmicos, e com a administração de Jair Bolsonaro não seria diferente. Ainda assim, é simplesmente repugnante acompanhar as constantes análises sobre o país do professor do Insper, Fernando Schuler. Sua presença nos meios de comunicação é quase permanente, Schuler é um "queridinho" da imprensa. Sua participação no programa "Canal Livre", da Rede Bandeirantes, um bastião do direitismo brasileiro, é frequente. Durante a campanha das eleições presidenciais, Schuler dizia não entender a rejeição de grande parte do que chamou de "academia internacional" ás atrocidades políticas que aconteciam no país, como o golpe que derrubou uma presidente legitimamente eleita, por exemplo, e garantia que as instituições estavam sólidas, e a democracia preservada. Schuler também foi secretário estadual de Justiça e Desenvolvimento Social (!) no governo Yeda Crusius, um dos piores da história do Rio Grande do Sul. Hoje, numa entrevista ao site UOL, Schuler exibe, mais uma vez, o seu cinismo insuportável. O acadêmico direitista diz que a agenda econômica e a segurança pública foram os grandes destaques do primeiro ano do governo Bolsonaro e que poderão lhe garantir a reeleição em 2022! Elogia a repulsiva Reforma da Previdência, uma das maiores abjeções do país em todos os tempos, exalta a suposta expansão na geração de empregos, a baixa taxa de juros, e repete exaustivamente que tudo o que acontece no Brasil está dentro das regras da democracia. Também não vê nenhuma ameaça à laicidade do Estado com a orientação claramente evangélica do governo Bolsonaro. Não é possível levar minimamente a sério as declarações de Schuler. Claramente, Schuler é um instrumento de defesa do atual governo, tutelado por grupos de direita. Um acadêmico de segunda linha que se presta a um papel indigno, mas que, por isso mesmo, conta com o apoio da imprensa que se associou ao golpe. Na verdade, o Brasil não vive uma expansão na geração de empregos, os poucos criados são precários e mal pagos, a política de segurança é a de extermínio de pobres e negros, a Reforma da Previdência roubou o futuro dos trabalhadores, e a democracia foi violada com o golpe que derrubou a presidente Dilma Rousseff. Fernando Schuler é um cínico a serviço de um governo execrável.
domingo, 29 de dezembro de 2019
Visão dolorosa
- Milton Nascimento é um dos maiores nomes da música brasileira. São muitos os clássicos compostos por Milton, grande parte deles em parceria com Fernando Brant. Porém, o tempo é duro com todos, até mesmo os mitos. Pela segunda vez, me deparei com uma visão dolorosa de Milton num programa de televisão, ao zapear canais em busca de algo para assistir. Ao verificar sua presença, detive-me por alguns minutos num programa de que não gosto. No entanto, assim como na primeira vez, o que vi me fez trocar de canal pouco depois. Milton está visivelmente debilitado. A voz já não lembra o que foi em outros tempos. As mãos estão permanentemente trêmulas. O pior de tudo é que o raciocínio e a capacidade de expressão também parecem muito prejudicados. Diante de declarações que lhe são dirigidas, ou perguntas, Milton nada exprime, limita-se a, quando muito, assentir com a cabeça. Continuar trabalhando é um fato positivo, e Milton segue fazendo shows. Particularmente, no entanto, depois das duas últimas vezes em que o vi na televisão, não iria a uma apresentação de Milton. Sua imagem atual, de um homem tão alquebrado, me causa profunda tristeza. A decadência física de um astro, vista pelo público, é uma experiência chocante.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2019
O caos no Cruzeiro
O rebaixamento para a Segunda Divisão já é um fato por demais lamentável, mas o Cruzeiro tem muitos outros problemas para serem solucionados. O caos no Cruzeiro surpreende e choca, pois não se esperaria nada parecido de um clube tão grande. A dívida do Cruzeiro é enorme, o clube deve vários meses de salários aos jogadores, pretende rescindir um contrato recém assinado com a Adidas para o fornecimento de material esportivo e investir numa marca própria, e cogita, até mesmo, declarar falência para ser refundado, o que o obrigaria a voltar ao futebol pelas últimas divisões, tanto em nível estadual quanto nacional. Como pode um clube tão vitorioso chegar nessa situação? A transformação do Cruzeiro em clube-empresa também é cogitada por alguns. Tomara que isso não seja necessário e que o clube consiga sair dessa situação. O Cruzeiro já indicou que não fará contratações no início do ano, e estabelecerá um teto salarial de R$ 150 mil, o que resultará na saída de jogadores que tenham ganhos mais altos, e na dificuldade de encontrar nomes no mercado que desejem se transferir para o clube. O poço do Cruzeiro parece sem fundo mas, para o bem do futebol brasileiro, o clube precisa dar a volta por cima.
quinta-feira, 26 de dezembro de 2019
Contratações
O Grêmio, até agora, anunciou apenas um reforço para 2020, o lateral direito Victor Ferraz. O lateral esquerdo Caio Henrique está em entendimentos avançados com o clube, e o meia Carlos Sanchez, de grande desempenho pelo Santos em 2019, poderá vir. São todos bons nomes, mas uma grande carência do Grêmio não está sendo resolvida com a celeridade que precisa. Um goleiro para ser titular é uma necessidade do Grêmio. A justificativa de que os goleiros que o Grêmio gostaria de contratar não estão disponíveis no mercado, não serve. Começar o ano com Paulo Victor de titular, como já está sendo aventado, constituiria um grande erro da diretoria. Não dá para repetir o que aconteceu com a falta de um zagueiro reserva, que tantos pontos custou ao Grêmio até a chegada de David Braz. Para que esperar a bola rolar, se é possível agir antes e ter um goleiro que dê segurança aos seus companheiros? Um grande time começa por um goleiro de qualidade. Pouco adiantará trazer grandes reforços em outras posições se um goleiro de qualidade não fizer parte das contratações do Grêmio para o próximo ano.
quarta-feira, 25 de dezembro de 2019
Natal
Os anos transcorrem celeremente. Mais um Natal chegou, quando as lembranças do anterior ainda são nítidas. A mesma profusão de presentes e o farto consumo de comidas e bebidas pelos melhor aquinhoados. Também a mesma exclusão de milhões de pessoas a essas celebrações. Durante um dia, discursos exaltando a fé e a paz entre os homens ainda são proferidos por alguns. Outros, no entanto, vêem a data apenas como mais uma festa. Enquanto isso, na realidade dura da vida, os indicadores sociais só fazem piorar. As boas intenções se restringem ao dia de Natal, e logo são esquecidas. Assim seguirá sendo ao longo dos anos, num mundo em que as datas comemorativas perderam o seu conteúdo, e servem apenas para estimular o lazer e o consumo.
segunda-feira, 23 de dezembro de 2019
O abandono das funções básicas
As tarefas basilares de um governo são as de prover a saúde, a educação e a segurança da população. Porém, com a onda direitista que se espalhou por vários países, isso vem sendo deixado de lado. O Brasil, lamentavelmente, é um desses países. O abandono das funções básicas do governo está cada vez mais claro na administração do presidente Jair Bolsonaro. O ex-capitão assinou um decreto extinguindo 27 mil cargos, dos quais 81% são da área da saúde. A educação também vem sendo sucateada pelo governo. Resta a segurança. Nessa área, em vez de priorizar a proteção dos cidadãos, há a autorização para a polícia matar inocentes impunemente. A política de segurança do governo Bolsonaro é permitir que todos possam possuir uma arma. Essa é a visão da direita. Um governo que abre caminho para a privatização da saúde e da educação, e que quer as pessoas armadas, resolvendo seus conflitos de forma violenta. Governos de direita defendem o Estado mínimo, mas renunciar até aos setores mais básicos de qualquer administração é absurdo. Sem prover saúde, educação e segurança, um governo não existe, é uma ficção. Bolsonaro mostra cada vez mais desprezo pelos pobres, governa para os ricos. O sucateamento da saúde visa à extinção do SUS e a privatização dos planos de saúde. Só terá atendimento de saúde quem puder pagar. O mesmo se dará com a educação. Só irá estudar quem puder pagar uma escola ou faculdade privada. Será que se pode chamar algo assim de governo. Claro que não. O que se tem, no lugar de um governo, é apenas um conluio de interesses escusos.
domingo, 22 de dezembro de 2019
O perigo dos modismos
O futebol brasileiro costuma ser assolado por ondas em que vários clubes embarcam ao mesmo tempo. Recentemente, foi a onda dos técnicos emergentes. Numa mesma época Roger Machado, Jair Ventura e Fábio Carile foram técnicos de grandes clubes do país, como Grêmio, Atlético Mineiro, Palmeiras, Botafogo, Santos e Corinthians. Os resultados iniciais de Roger, no Grêmio, e de Jair Ventura, no Botafogo, os levaram para outros clubes de "camisa pesada", mas nenhum dos dois se afirmou. Roger, hoje, está no Bahia, e Jair Ventura se encontra desempregado há mais de um ano
Carile foi o mais bem sucedido dos três. Conquistou um tricampeonato paulista e um título de campeão brasileiro pelo Corinthians. Saiu do clube por um breve período, retornou, mas, após conquistar seu terceiro título de campeão paulista, seu trabalho desandou, ele foi demitido, e ainda não conseguiu um novo emprego. Toda essa explanação visa alertar para o perigo dos modismos. O mais novo deles é o da contratação de técnicos estrangeiros. O Santos por exemplo, após perder o argentino Jorge Sampaoli, está contratando o português Jesualdo Ferreira. O técnico português já está com 73 anos, não trabalha desde abril, e tem como feito maior na sua carreira um tricampeonato português pelo Porto. Não é um currículo que o torne um nome acima de discussões. O Santos corre o risco de estar cedendo a uma tendência de momento, assim como outros clubes. O resultado poderá ser uma grande frustração.
Carile foi o mais bem sucedido dos três. Conquistou um tricampeonato paulista e um título de campeão brasileiro pelo Corinthians. Saiu do clube por um breve período, retornou, mas, após conquistar seu terceiro título de campeão paulista, seu trabalho desandou, ele foi demitido, e ainda não conseguiu um novo emprego. Toda essa explanação visa alertar para o perigo dos modismos. O mais novo deles é o da contratação de técnicos estrangeiros. O Santos por exemplo, após perder o argentino Jorge Sampaoli, está contratando o português Jesualdo Ferreira. O técnico português já está com 73 anos, não trabalha desde abril, e tem como feito maior na sua carreira um tricampeonato português pelo Porto. Não é um currículo que o torne um nome acima de discussões. O Santos corre o risco de estar cedendo a uma tendência de momento, assim como outros clubes. O resultado poderá ser uma grande frustração.
sábado, 21 de dezembro de 2019
Desatino
Muitos anos transcorrerão até que alguém consiga entender o que fez o técnico do Flamengo, Jorge Jesus, ao retirar seus dois articuladores, na decisão do Campeonato Mundial de Clubes, hoje, contra o Liverpool. Foi um verdadeiro desatino. O Flamengo fazia um jogo equilibrado com o Liverpool, não havendo necessidade de nenhuma troca radical. Jorge Jesus argumentou, após o jogo, que precisava de velocidade, e que Arrascaeta e Everton Ribeiro não conduziam mais a bola pois estavam cansados. A justificativa não convence. Ao retirar os dois jogadores, o Flamengo ficou sem articulação e entregou o meio de campo para o Liverpool que, somente a partir daí, começou a dominar o jogo. A partida ainda foi para a prorrogação, mas o Liverpool já era superior em campo. Logo no início da prorrogação, Gabigol vacilou num lance ofensivo e acabou proporcionando um contra-ataque para o Liverpool que redundou no gol da vitória. O erro de Jorge Jesus foi decisivo. O resultado poderia ter sido outro, caso Arrascaeta e Everton Ribeiro continuassem jogando. Depois de muitos jogos em que se mostrou um técnico competente e ousado, dessa vez Jorge Jesus pisou na bola.
sexta-feira, 20 de dezembro de 2019
Simulação
Decididamente, o Brasil vive uma farsa democrática. O que se tem no país é uma grotesca simulação de uma normalidade institucional. Não se pode pensar em nada diferente quando se vê o presidente Jair Bolsonaro cometendo grosserias contra jornalistas e sendo ovacionado por apoiadores, ao mesmo tempo em que imã pesquisa mostra que a rejeição ao seu governo já chega a 53%. O que fazem os demais poderes diante disso? Na verdade, há um grande conluio entre os poderes, às forças armadas, o empresariado e a imprensa para manter Bolsonaro no cargo. O governo é um desastre absoluto, mas está afinado com os interesses imperialistas. Por isso vai sendo mantido. Há razões de sobra para um pedido de impeachment, mas, curiosamente, ninguém levanta essa bandeira. Por isso, o Brasil segue uma nau desgovernada, pronta para se chocar contra a rocha mais próxima. Não é fruto do acaso, mas uma ação cuidadosamente preparada. Só que perde é o povo.
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