domingo, 1 de dezembro de 2019

Frango decisivo

Um jogo tecnicamente horroroso, melancólico. Essa é a definição que pode ser dada para o jogo entre Botafogo e Inter, ontem, no Engenhão, pelo Campeonato Brasileiro. Na verdade, não se poderia esperar um panorama muito melhor de um jogo entre um time, o Botafogo, muito limitado, e outro, o Inter, em crise técnica. O jogo se encaminhava para um pavoroso 0 x 0, quando aconteceu o lance que definiu o resultado da partida. Um frango decisivo. Sim, como a "coroar" um jogo tão deprimente, a partida foi decidida com um frangaço de Gatito Fernandez, que deu a vitória ao Inter. Com o resultado, o Inter, mesmo sem jogar bem, encaminhou sua classificação para a Pré-Libertadores. No momento, é o que há para ser buscado. A classificação direta para a Libertadores ainda é possível, mas é pouco provável.

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Uma inusitada troca de técnicos

O futebol brasileiro não prima por pruridos éticos. Hoje, isso ficou ainda mais claro, com uma inusitada troca de técnicos em clubes que lutam contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro. O Cruzeiro demitiu o técnico Abel Braga, e contratou para o seu lugar Adílson Batista, que estava no Ceará até o último fim se semana. O Ceará, por sua vez, contratou Argel Fucks que, até ontem treinava o CSA. Com isso, criou-se uma situação, no mínimo, estranha. Até o último domingo, Adílson Batista lutava para livrar o Ceará da queda para a Segunda Divisão. Agora, para evitar o rebaixamento do Cruzeiro, Adílson precisará torcer pela queda do Ceará,.  O mesmo ocorre com Argel Fucks que, até ontem buscava manter o CSA na Primeira Dvisão. No Ceará, Argel terá o CSA como um adversário na busca pela permanência na elite do futebol brasileiro. Essa troca de papéis, ainda que nada tenha de ilegal, não é algo que dignifique o futebol. Como é possível "virar a chave", em tão pouco tempo, na busca para evitar  o rebaixamento? Na Europa, certamente, algo assim não seria tolerado. Porém, no Brasil, em nome do interesse financeiro e profissional, Adílson e Argel aceitaram mudar de lado rapidamente. Não cometeram um crime, mas contribuíram para desgastar a imagem, já abalada, do futebol brasileiro.

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Sete títulos

Uma questão irritante no futebol brasileiro é a interminável discussão sobre quem é o verdadeiro campeão do país de 1987, se o Flamengo ou o Sport. A disputa correu durante anos nos tribunais, até que o Supremo Tribunal Federal decidiu que o título pertence ao Sport. A decisão pode até estar alicerçada no embasamento jurídico mas, esportivamente, é um absurdo. Organizado pelo Clube dos 13, o Brasileirão daquele ano teve dezesseis participantes, os tradicionais doze maiores clubes do país e mais Bahia, Coritiba, Santa Cruz e Goiás. Paralelamente, a CBF realizou um campeonato com outros clubes do país, e propôs que, ao término das duas competições, seus finalistas se enfrentassem para definir quem seria o campeão brasileiro daquele ano. Eurico Miranda, em nome do Clube dos 13, teria concordado com a proposta, o que legitimaria a posição do Sport. No aspecto estritamente jurídico, pode até ser. Porém, esportivamente, é um absurdo. Como pode um clube que enfrentou a elite do futebol do país ter de decidir o título de campeão brasileiro, em igualdade de condições com outro que venceu uma disputa com adversários de segundo e terceiro escalões? Para os amantes do futebol dentro do campo, não pode haver nenhuma dúvida de que o Flamengo é o campeão brasileiro de 1987 e que, portanto, ao ganhar o mesmo título em 2019, tornou-se sete vezes campeão brasileiro. Com os sete títulos, o Flamengo igualou o Corinthians, e ambos ostentam a condição de maiores vencedores da competição. Os que contestam esse fato o fazem por clubismo e inveja.

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Descida em queda livre

O Inter, ao que parece, desandou de vez. A derrota por 2 x 1 para o Goiás, hoje, no Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro, indica uma descida em queda livre de um time que ainda não conseguiu se recuperar da perda do título da Copa do Brasil, ocorrida há mais de dois meses. O Goiás chegou a estar vencendo por 2 x 0, e o único gol do Inter aconteceu em função de um erro de arbitragem, pois resultou de um escanteio mal marcado. Afora os gols que fez, o Goiás teve dois outros anulados e uma bola que foi salva sobre a linha. Com a vitória, o Goiás se aproximou do próprio Inter, e entrou na briga pela classificação para a pré-Libertadores. Enquanto isso, o Inter se encaminha para um final de ano melancólico, em que poderá ter de se contentar com a classificação para a Copa Sul-Americana.

Repetição

Parecia um teipe do segundo jogo entre os dois clubes pelas semifinais da Copa do Brasil. A derrota do Grêmio por 2 x 0 para o Athletico Paranaense, hoje, na Arena da Baixada, pelo Campeonato Brasileiro, foi uma repetição daquele jogo, até no placar. O Grêmio, como ocorreu naquela ocasião, não viu a cor da bola, foi totalmente envolvido pelo adversário. O técnico do Grêmio, Renato, mais uma vez, custou a mexer no time. Como de costume, Renato não alterou o time no intervalo, mesmo com o Grêmio jogando mal. Só quando o placar já estava em 2 x 0, Renato resolveu fazer substituições, colocando Pepê e Darlan. Porém, quando eles entrariam, Diego Tardelli fez uma falta violenta em Nikão e foi expulso. Pepê entrou, mesmo assim, mas, com um jogador a menos, o Grêmio não conseguiu reagir, e o Athletico dominou a partida inteiramente. A derrota não deverá impedir a classificação direta do Grêmio para a Libertadores. No entanto, levar "banhos de bola" do mesmo adversário num espaço de dois meses é preocupante. Renato tem de rever alguns posicionamentos e ser mais ágil nas mudanças durante os jogos, buscando a reversão de maus resultados parciais. Afora isso, alguns reforços devem ser contratados com urgência. Um jogador como Galhardo, por exemplo, não pode vestir a camisa de um clube da grandeza do Grêmio.

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Fascismo explícito

O presidente Jair Bolsonaro já não disfarça mais a natureza autoritária de seu governo. O Brasil está vivendo sob um fascismo explicito. Bolsonaro pretende usar o excludente de ilicitude na Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para conter protestos nas ruas. Cinicamente, Bolsonaro disse que protestos são permitidos, de acordo com a Constituição, mas que é preciso combater atos de "vandalismo", e "terrorismo". Está claro que Bolsonaro vê como provável a ocorrência, no Brasil, de protestos semelhantes aos acontecidos em outros países da América do Sul, todos eles insatisfeitos com governos de direita. Cada vez mais, torna-se óbvio que o Brasil está num regime de exceção, ainda que tenha se originado de uma eleição. Uma prova de que a democracia foi suprimida no país é a complacência para com as declarações e atos fascistas de Bolsonaro por parte dos outros poderes, o Legislativo e o Judiciário, evidenciando o conluio, no qual também está a imprensa, que estabeleceu a atual situação política. Em relação aos protestos em outros países sul-americanos, é de se perguntar porque eles ainda não ocorreram no Brasil. A possível resposta é a de que amplos setores da sociedade brasileira, ao contrário de países próximos, não estão em busca de justiça social. Estão preocupados é com a cotação do dólar e o impacto que isso gera nos seus planos de viagens e gastos no exterior. Em circunstâncias normais, os brasileiros já deveriam ter tomado as ruas com manifestações contra o governo Bolsonaro. Se ainda não o fizeram, é porque o apreço pela democracia é pequeno no país. Grande parte dos brasileiros tem uma índole fascista. Por causa disso, Bolsonaro foi eleito. Pelo mesmo motivo, não se articulou o seu impeachment, para o qual já há razões mais do que suficientes. Chocante realidade de um país cuja classe média é frívola e alienada, voltada apenas para os próprios interesses, e indiferente às mazelas sociais.

domingo, 24 de novembro de 2019

Tropeço

Foi mais uma decepção que o Inter causou no seu torcedor. Em pleno Beira-Rio, o Inter, hoje, apenas empatou em 2 x 2 com no Fortaleza, pelo Campeonato Brasileiro, e só não perdeu porque Marcelo Lomba defendeu um pênalti aos 45 minutos do segundo tempo. O Inter repetiu os erros de sempre, e seu técnico, Zé Ricardo, fez as mesmas substituições de outros jogos na busca de soluções. Foi um resultado frustrante para o torcedor, mas que não terá consequências tão graves. Devido aos resultados paralelos, o tropeço do Inter não lhe causará maiores danos. Com o título da Libertadores ganho pelo Flamengo e o Athletico Paranaense entre os primeiros colocados do Brasileirão, o Inter está quase garantido na pré-Libertadores, e tem chances, até mesmo, de obter classificação direta para a competição. Porém, por tudo o que tem se visto, o Inter terá muito trabalho para montar um bom time em 2020. 

Classificado

O Grêmio, no mínimo, estará na pré-Libertadores em 2020. Com a vitória por 2 x 1 sobre o Palmeiras, hoje, no Allianz Parque, pelo Campeonato Brasileiro, o Grêmio está matematicamente classificado para a competição, ao menos em sua fase prévia. Porém, a classificação direta do Grêmio para a Libertadores é apenas uma questão de tempo, pois, com os resultados de hoje, consolidou-se ainda mais no quarto lugar, abrindo cinco pontos de vantagem sobre o São Paulo, com três vitórias a mais. Afora isso, Grêmio e São Paulo ainda terão um confronto direto, na Arena. Será a vigésima participação do Grêmio na Libertadores, a quinta consecutiva. Em relação ao jogo contra o Palmeiras, não foi uma boa partida. O primeiro tempo foi fraquíssimo e sonolento. No segundo, o jogo teve mais intensidade, e dois pênaltis, um para cada lado, movimentaram o placar. O empate, no entanto, era injusto com o Grêmio, que saiu na frente, e jogava melhor. O golaço de Pepê, já nos acréscimos, impediu que essa injustiça se consumasse. Depois de eliminado da Copa do Brasil e da Libertadores, o Grêmio soube se recompor rapidamente e buscar o objetivo que ainda lhe restava no ano. Vai conseguir, com sobras.

sábado, 23 de novembro de 2019

Titulo merecido

 O Flamengo é o campeão da Libertadores, com mérito. Venceu o River Plate por 2 x 1, de virada, hoje, no Estádio Monumental, em Lima (PER). O Flamengo não jogou bem. Depois de um início promissor na partida, o Flamengo sofreu um gol aos 15 minutos e, a partir daí, enfrentou enormes dificuldades para realizar o seu jogo. Os gols da virada só vieram no final do jogo, com um espaço de dois minutos entre um e outro. Mesmo sem o Flamengo ter tido uma boa atuação, foi um título merecido, porque uma campanha tem de ser vista no seu todo, não apenas por um último jogo.  O River Plate tomou conta do jogo após sair na frente no placar, e sua vitória parecia ser inevitável. Porém, a partir da metade do segundo tempo, foi visível o declínio físico do River Plate. Afora isso, o técnico do River Plate, Marcelo Gallardo, fez substituições equivocadas. A vitória, da maneira como ocorreu, foi carregada de emoção. O futebol do Flamengo não apresentou o encantamento de outros jogos, mas isso. pouco importa. O. favoritismo do Flamengo se confirmou, ainda que o River Plate tenha sido dominante durante a maior parte do jogo. Tentar desmerecer o feito do Flamengo com base no desempenho de hoje, é demonstração de inveja. Pela campanha realizada, o título do Flamengo é incontestável.

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Projeto despótico

O presidente Jair Bolsonaro não se cansa de exibir sua truculência e desapreço pelos mais básicos conceitos de civilidade. Bolsonaro defende o armamento da população, é racista, machista, homofóbico e defensor da ditadura militar que tanto mal causou ao país. Para melhor defender suas ideias, Bolsonaro deixou o PSL, partido pelo qual se elegeu, para fundar a sua própria legenda, a Aliança pelo Brasil. O número escolhido por Bolsonaro para representar o partido, 38, não poderia ser mais representativo.  Afinal, esse é o número de calibre de revólver mais conhecido, sendo chamado, popularmente, de "trezoitão". Bolsonaro segue,  fazendo, portanto, sua exaltação da violência, incentivando o confronto entre "homens de bem" e "bandidos", em vez de propor a conciliação entre os brasileiros. O ex-capitão age assim por se sentir respaldado por um séquito de imbecis que, tomados por uma cegueira ideológica irracional, aceitam todas as suas atrocidades. O que mais espanta não é isso, pois a cooptação de grandes contingentes da população pelo fascismo é recorrente na história. O mais chocante é que um indivíduo tão incompetente e despreparado siga levando adiante o seu projeto despótico de poder com a complacência da imprensa e dos grandes grupos empresariais. Tomados por um antipetismo fóbico, esses setores ajudam a colocar o país num abismo ao dar sustentação a um presidente que, em apenas dez meses no cargo, já deu motivos de sobra para sofrer um processo de impeachment. A cada dia, novos protestos eclodem em países da América do Sul, insatisfeitos com seus governos neoliberais. Agora, foi a vez da Colômbia. O efeito cascata é evidente. Cedo ou tarde, o Brasil se somará a esses países. Como reagirá um governo que já se mostrou incapaz? Vai apelar para a repressão em massa? Não é possível fingir que o país vive uma normalidade democrática e esperar pelas urnas para mudar o atual quadro. O impeachment de Bolsonaro é a única saída para o Brasil.