sexta-feira, 30 de agosto de 2019
Desgoverno
A situação vivida pelo Brasil, no momento, é desalentadora. O país sofre as consequências de um desgoverno, uma administração caótica que, em termos práticos, acabou menos de um ano depois de sua posse. Não há como imaginar qualquer futuro para o governo Jair Bolsonaro. O presidente é um desequilibrado que cria crises a cada declaração desastrada que faz. As medidas econômicas só aprofundam uma crise que parece não ter fim. A educação está sendo sucateada. O setor cultural é perseguido pelo governo. Um quadro assim justificaria a instauração de um processo de impeachment. Porquê, então, isso não acontece? Porque o conluio que levou Bolsonaro ao poder se nega a jogar a toalha. Seus integrantes estão a serviço dos interesses do grande capital, e tentam dar sustentação ao governo. Porém, é evidente que o Brasil caiu num abismo do qual não sairá sem a queda dos atuais ocupantes do poder. O prolongamento dessa situação só irá agravar o desastre, e fazer com que a ruptura, quando ocorrer, seja muito mais traumática do que já se desenha.
quinta-feira, 29 de agosto de 2019
Um quarteto de gigantes
Hoje, ficaram definidos os quatro semifinalistas da Libertadores. Na busca do título, ficou um quarteto de gigantes. Em conjunto, Grêmio, Flamengo, River Plate e Boca Juniors já foram campeões da competição quatorze vezes. A decisão da Libertadores desse ano será, forçosamente, um confronto entre Brasil e Argentina, já que Grêmio e Flamengo farão uma das semifinais e a outra será entre River Plate e Boca Juniors. Com quatro clubes de tão alto nível nas semifinais, já está garantido que a decisão da atual edição da Libertadores será uma das maiores da história. Não há um favorito que já possa ser antecipado, pois são todos clubes de muita tradição. Em termos de nomes, o Flamengo tem o melhor time, mas, entre os semifinalistas, é o clube que tem o retrospecto mais modesto na competição, com apenas um título conquistado. O Grêmio é um clube copeiro, recordista, entre os clubes brasileiros, em número de títulos e participações na Libertadores. Divide o primeiro item com Santos e São Paulo, com três títulos, e o segundo com São Paulo e Palmeiras, com dezenove participações. O River Plate é o atual campeão, e venceu a disputa por quatro vezes. O Boca Juniors foi vice-campeão na edição anterior, e é o segundo maior vencedor da Libertadores, com seis títulos. Com currículos tão expressivos, os quatro semifinalistas geram a expectativa de jogos espetaculares. A lamentar, apenas, que, a partir desse ano, a Libertadores seja decidida num jogo único, em campo neutro, numa ridícula e descabida imitação do que acontece na Champions League.
quarta-feira, 28 de agosto de 2019
Faltou ousadia
O que já era esperado, se confirmou. Hoje, mesmo com o maior público do Beira-Rio depois que foi reformado, o Inter não conseguiu evitar o fim do sonho de ir adiante na Libertadores. Precisando reverter a derrota sofrida no primeiro jogo, no Maracanã, o Inter empatou em 1 x 1 com o Flamengo, e foi eliminado nas quartas de final da competição. Ainda que se soubesse que a classificação do Flamengo ficara encaminhada pela vitória de 2 x 0 na primeira partida, o técnico do Inter, Odair Hellmann, não saiu ileso dessa eliminação. Para quem precisava obter um resultado épico, faltou ousadia para o Inter. Hellmann repetiu a mesma escalação que não funcionou no Maracanã, num jogo em que precisava fazer pelo menos dois gols e não sofrer nenhum. O resultado prático dessa atitude foi que, no primeiro tempo, o Flamengo criou várias chances de gol, e o Inter apenas uma. A falta se bom senso de Hellmann persistiu, e o Inter voltou do intervalo com a mesma escalação. Ainda assim, o Inter conseguiu exercer uma maior pressão sobre o Flamengo, e abriu o placar aos 16 minutos do segundo tempo. Porém, o Inter jogava, também, contra o relógio. Na ânsia de fazer pelo menos mais um gol e levar a decisão da classificação para a cobrança de tiros livres da marca do pênalti, Hellmann começou a retirar jogadores de defesa e empilhar atacantes. O efeito prático disso foi que, num contra-ataque, o Flamengo chegou ao empate, acabando com as chances do Inter. Por enquanto, Hellmann não corre riscos de demissão, pois o Inter está com a classificação para a decisão da Copa do Brasil encaminhada. Porém, mesmo que tenha sido eliminado da Libertadores por um adversário superior tecnicamente, sua postura tática tímida nos dois jogos contra o Flamengo não será assimilada pelo torcedor que, por sinal, nunca teve simpatia pelo seu trabalho. Resta agora, para Hellmann, como meio de permanecer no cargo, a conquista do título da Copa do Brasil. Se permitir que o Cruzeiro reverta a desvantagem nas semifinais da competição, ou se chegar na decisão e não for campeão, seu período como técnico do Inter deverá terminar. Afinal, grandes clubes vivem de títulos, não de boas campanhas.
terça-feira, 27 de agosto de 2019
Mais um feito épico
Decididamente, não se pode duvidar do Grêmio. Nós momentos em que tudo parece estar perdido, que uma classificação se apresenta como improvável, o Grêmio mostra a sua força e prossegue adiante. Hoje foi assim, novamente. O Grêmio venceu o Palmeiras por 2 x 1, de virada, no Pacaembu, pelas quartas de final da Libertadores, em mais um feito épico na sua gloriosa história. Everton foi o melhor jogador em campo, marcando um gol, e participando da jogada do segundo, e levando muito perigo à defesa do Palmeiras durante todo o jogo. Geromel também teve uma atuação magnífica. Com exceção de Paulo Victor, que esteve numa noite ruim, e André, que, mais uma vez, nada produziu, todos jogaram bem. A reação do Grêmio ao ver o Palmeiras abrir o placar foi imediata, e poucos minutos depois, a virada aconteceu. Com a classificação obtida para as semifinais da Libertadores, e outra bem encaminhada para a decisão da Copa do Brasil, o Grêmio comprova que é um clube de chegada, sempre disposto a conquistar títulos. O Palmeiras que teve um bom desempenho no primeiro tempo, desandou no segundo com a troca de William por Deyverson. Agora, faltam só três jogos para o Grêmio tentar vencer a Libertadores pela quarta vez.
Remédio errado
A ideia de combater a homofobia é, mais do que correta, obrigatória. Porém, sua aplicação no futebol brasileiro escolheu um caminho equivocado. Como quase sempre ocorre no Brasil, usa-se um mecanismo coercitivo injusto para tentar solucionar uma atrocidade. A orientação aos árbitros, a partir de agora, é para que relatem nas súmulas dos jogos a eventual prática das torcidas de bradar frases com conteúdos homofóbicos. A partir do relato em súmula, o clube cuja torcida tiver esse comportamento, poderá ser punido com a perda de pontos. A homofobia é um mal que precisa ser combatido, mas, nesse caso, está se buscando fazer isso aplicando o remédio errado. Não se mudam comportamentos coletivos editando leis ou regras. Esse é um equívoco no qual os brasileiros incidem costumeiramente. A índole de uma população, ou de partes dela, não será modificada por instrumentos de natureza jurídica. Afora isso, o resultado de um jogo dentro de campo não pode ser alterado por fatos acontecidos do lado de fora. Primeiramente, por que é injusto para com os jogadores, que nada tem a ver com o mau comportamento dos torcedores. Em segundo lugar, por que os clubes não têm como controlar as manifestações de suas torcidas. Na tentativa de atacar um grave problema que assola os estádios brasileiros, o que se está propondo é uma medida que vai interferir em resultados de campo e apatifar o andamento de competições. Com os recursos existentes atualmente, os torcedores que se comportam inadequadamente nos estádios podem ser facilmente identificados. Pois então, que eles sejam devidamente punidos. Deixem os resultados dos jogos e os clubes fora disso.
domingo, 25 de agosto de 2019
Derrota cruel
Perder jogos é inevitável no futebol, nenhum clube vive só de vitórias. Porém, há revezes que são mais duros do que outros. Esse é o caso do Inter, que perdeu, com os reservas, por 2 x 1 para o Goiás, de virada, hoje, no Serra Dourada, pelo Campeonato Brasileiro. Pelas circunstâncias em que ocorreu, foi uma derrota cruel. O Inter abriu o placar muito cedo, e ainda foi beneficiado pela expulsão de um jogador adversário antes de a bola voltar ao centro do campo, após o gol. Diante de um time limitado, que não ganhava há sete jogos, e que sofreu as duas maiores goleadas do Brasileirão, até aqui, o Inter voltou do intervalo muito apático, e permitiu que o Goiás virasse o jogo. Nem o forte calor da tarde em Goiânia justifica uma atuação tão apagada do Inter no segundo tempo. O vice-presidente de futebol do Inter, Roberto Melo, classificou a derrota, do modo como ocorreu, de inaceitável. O Inter segue com uma péssima campanha em jogos fora de casa. Como visitante, só ganhou do Fortaleza. O requinte de crueldade do jogo de hoje foi que o gol da vitória do Vasco foi marcado aos 50 minutos do segundo tempo. Perder de virada para um adversário nitidamente inferior, e tendo um jogador a mais durante quase toda a partida, é inadmissível. Não há atenuante para um resultado como esse.
sábado, 24 de agosto de 2019
Vitória inadiável
O Grêmio cumpriu com o seu dever. Venceu o Athletico Paranaense por 2 x 1, hoje, na Arena, e obteve uma vitória inadiável pelo Campeonato Brasileiro. Mais uma vez, o Grêmio jogou com um time inteiramente reserva. Nessas condições ainda não havia ganho no Brasileirão. O destaque do jogo foi Luan, que marcou o primeiro gol do Grêmio e teve boa atuação. Thaciano foi outro que apresentou muito bom desempenho, participando da jogada do primeiro gol e marcando o segundo. Pepê mostrou muita vontade. O resultado poderia ter sido mais tranquilo se Diego Tardelli não tivesse cobrado um pênalti bisonhamente, facilitando a defesa do goleiro. Porém, o Grêmio conseguiu segurar a vitória, e agora terá a tranquilidade necessária na preparação para os jogos decisivos dos próximos dias, por Copa do Brasil e Libertadores.
sexta-feira, 23 de agosto de 2019
O mundo se levanta pela Amazônia
O absurdo da vez do governo Jair Bolsonaro são as queimadas na Amazônia. Produzindo fatos desastrosos em série, o governo do ex- capitão despertou, desde o seu início, a repulsa da opinião pública internacional. Não há, praticamente, um só dia sem que Bolsonaro seja alvo de declarações críticas, charges, protestos e manifestações públicas de todos os tipos em diversos países. As queimadas da Amazônia fizeram esse quadro se intensificar. A reação da comunidade internacional foi imediata, e o mundo se levanta pela Amazônia. O governo brasileiro está sob um fogo cruzado de autoridades de outros países e grandes personalidades estrangeiras que condenam o fato e exigem providências. Bolsonaro, pateticamente, tentou imputar a responsabilidade do ocorrido à ONGs que teriam a intenção de prejudicar a imagem do seu governo. A tresloucada iniciativa não surtiu efeito, e Bolsonaro começou a mudar o seu discurso, admitindo a necessidade de se tomarem providências para conter a expansão das queimadas. A verdade é que o Brasil vive o caos produzido por um governo descomprometido com os interesses do país e de sua população. O que está acontecendo na Amazônia é o exemplo mais impactante do quanto o governo é desastroso. Dessa vez, Bolsonaro mexeu num vespeiro. A preservação da Amazônia é uma causa abraçada no mundo inteiro, e a comunidade internacional não assistirá de camarote à sua destruição. Se tentar enfrentar a ira externa ao que ocorre na Amazônia, Bolsonaro colocará o Brasil num quadro de isolamento com graves consequências para o país. Não há blindagem interna que abafe os rugidos que vem do exterior. Ao pôr em risco a Amazônia, Bolsonaro está sentindo que dessa vez, como expressa a sabedoria popular, o furo é mais embaixo.
quarta-feira, 21 de agosto de 2019
Ficou difícil
O fato de ser muito forte quando joga no Beira-Rio faz com que o Inter, nos confrontos eliminatórios em que realiza a segunda partida em casa, procure apenas empatar como visitante. Contra o Palmeiras, pela Copa do Brasil, deu certo, e o Inter devolveu a derrota por 1 x 0 do primeiro jogo, se classificando para as semifinais nos tiros livres da marvs do pênalti. Hoje, contra o Flamengo, no Maracanã, pelas quartas de final da Libertadores, o Inter tentou fazer o mesmo mas, dessa vez, sua retranca foi punida com uma derrota por 2 x 0. Como a Libertadores tem o critério do gol qualificado, o que não acontece mais na Copa do Brasil, a situação do Inter para o jogo da próxima quarta-feira ficou muito complicada. O Inter terá de ganhar por três gols de diferença para se classificar para as semifinais. Se vencer por dois gols de diferença levará a decisão para a loteria dos tiros livres da marca do pênalti. Se o Inter sofrer um gol, terá de marcar quatro. Nada é impossível no futebol, mas a classificação do Inter parece pouco provável. Se a eliminação do Inter vier a acontecer, será um justo castigo para o técnico Odair Hellmann, que buscou empatar em 0 x 0 para transferir a decisão para o segundo jogo, em casa. Essa não é uma opção inteligente, pois, se o jogo terminasse em 0 x 0 qualquer empate com gols na segunda partida classificaria o Flamengo. Ficou difícil para o Inter, que terá de se desdobrar para seguir adiante na competição, contra um adversário que obteve uma expressiva vantagem no primeiro jogo.
terça-feira, 20 de agosto de 2019
Atuação frustrante
Uma reversão de expectativa. O grande público que esteve presente, hoje, na Arena, esperava bem mais do Grêmio no primeiro jogo pelas quartas de final da Libertadores, contra o Palmeiras. O Grêmio não soube superar o tradicional esquema de forte marcação do técnico do Palmeiras, Felipão. Como consequência, o Grêmio perdeu por 1 x 0. Foi uma atuação frustrante do Grêmio. Embora tenha tido muito maior posse de bola, o Grêmio não conseguiu criar chances claras de gol. No aspecto individual, Geromel e Kannemann mais uma vez, tiveram excelentes desempenhos. Porém, Matheus Henrique, Jean Pyerre e Everton, de quem muito se esperava, estiveram apagados no jogo. A derrota dificultou muito a possibilidade de classificação do Grêmio para as semifinais da Libertadores. Se quiser ter alguma chance de reverter a situação, o técnico do Grêmio, Renato, precisará encontrar um jeito de o time ser mais incisivo, sem se submeter à marcação adversária e, principalmente, terá que fazer com que os jogadores chutem mais a gol. No entanto, com o resultado de hoje, o São Paulo é o. grande favorito pra prosseguir na Libertadores. Só uma atuação estupenda do Grêmio poderá modificar essa tendência.
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