sábado, 29 de junho de 2019

Zebra

Um resultado que ninguém esperava fará com que um dos jogos pelas semifinais da Copa América se dê entre dois azarões. A "zebra" passeou pela Arena Fonte Nova, hoje, e, depois de um empate em 0 x 0 no tempo normal, o Uruguai foi eliminado pelo Peru ao perder por 5 x 4 nos tiros livres da marca do pênalti. Se, na terça-feira, Seleção Brasileira e Argentina farão um jogo entre equipes que confirmaram seu favoritismo nas quartas de final, contra Paraguai e Venezuela, respectivamente, a quarta-feira terá uma partida que derrubou os prognósticos. Chile e Peru irão definir um dos participantes da decisão, contrariando as expectativas que apontavam para Colômbia e Uruguai. Numa demonstração da pobreza técnica que caracteriza essa edição da Copa América, só a Argentina, mesmo com uma atuação apagada de Messi, classificou-se com uma vitória no tempo normal de jogo. Os demais semifinalistas foram definidos nos tiros livres da marca do pênalti, após empates sem gols. No jogo de hoje, o Uruguai foi decepcionante. Cavani e Luís Suarez não estavam em uma tarde inspirada e não conseguiram abrir o bloqueio de um Peru que praticamente não atacou, com Guerrero também tendo um desempenho opaco. Agora, o Peru, novamente na condição de azarão, terá pela frente o Chile, atual bicampeão da competição. Será que a experiente base de Alexi Sanchez, Arturo Vidal, Vargas e Aranguiz chegará na decisão pela terceira vez consecutiva, ou o Peru irá apontar outra surpresa? Numa disputa nivelada por baixo, tudo pode acontecer.

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Um jogo de dois gigantes feridos

Poderia ter acontecido nas quartas de final da Copa América, mas será nas semifinais. A Seleção Brasileira jogará contra a Argentina, terça-feira, no Mineirão, e quem vencer se classificará para a decisão da competição. A trajetória das duas equipes, até aqui, não foi satisfatória. O futebol mostrado por ambas deixou muito a desejar. Será um jogo de dois gigantes feridos, pois o mau futebol tem sido a tônica de brasileiros e argentinos há algum tempo. Por jogar em casa, a Seleção é levemente favorita, mas o seu mau desempenho em três das quatro partidas que realizou deixa o torcedor desconfiado. Como se isso não bastasse, a Argentina, embora esteja em péssima fase, tem Messi, o melhor jogador do mundo, enquanto a Seleção está sem o seu maior valor técnico, Neymar. A rivalidade histórica envolvida nesse jogo deverá tornar muito tensa a partida de terça-feira. Porém, seja qual for o vencedor, e mesmo que ele venha a ser campeão diante do classificado no outro jogo pelas semifinais, não estará redimido. A Seleção precisa melhorar muito para ser uma equipe estruturada, e o mesmo vale para a Argentina.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Classificação constrangedora

Foi uma reversão de expectativa. Depois da goleada sobre o Peru, se imaginava que a Seleção Brasileira tinha destravado, e iria ganhar com facilidade do Paraguai. Não foi nada disso. A Seleção sequer venceu. Empatou com o Paraguai em 0 x 0, hoje, na Arena, e obteve uma classificação constrangedora para as semifinais da Copa América, nos tiros livres da marca do pênalti. Contra um adversário que não ganhou nenhum jogo na competição, a Seleção encontrou enormes dificuldades, e não conseguiu marcar um único gol, mesmo ficando com um homem a mais desde os 12 minutos do segundo tempo. Mais uma vez, o técnico da Seleção, Tite, errou na escalação, ao insistir com Gabriel Jesus deslocado pelo lado direito. Philips Coutinho segue sem jogar nada, mas continua titular absoluto. Roberto Firmino, mais uma vez, não disse a que veio na Seleção. Allan é um jogador comum, não poderia ter sido convocado. Arthur, um grande jogador, na Seleção joga um futebol burocrático. Em meio a tanta ineficiência, até Everton, o melhor jogador em atividade no Brasil, sucumbiu, e fez apenas alguns bons lances, sem ter uma boa atuação. Afora a goleada sobre o Peru, o desempenho da Seleção na Copa América, contr adversários fracos, é decepcionante. O trabalho de Tite é ruim, e nada aponta no sentido de que possa melhorar. A Seleção é desoladora no presente, e não dá esperança de que terá, sob a atual orientação, um futuro melhor.

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Um poço sem fundo

O governo Jair Bolsonaro não tem limites na sua propensão de gerar situações chocantes, incompatíveis com a administração de um país. A presença num avião da comitiva presidencial de um sargento da Aeronáutica transportando 39 quilos de cocaína, é constrangedora para o país no contexto internacional, e um e um exemplo definitivo do nível de degradação a que chegou o Brasil sob o atual governo. Pior do que a situação em si, é a tentativa de minimizar o fato. O vice-presidente, Hamilton Mourão, diz que tendo transportado tamanha quantidade de droga, o sargento é, inegavelmente, uma mula do tráfico, e que as Forças Armadas não estão livres do envolvimento com essas atividades. Outros se apressam em argumentar que o militar em questão também serviu a governos anteriores, como se isso amenizasse o que ocorreu. Não há como tornar minimamente aceitável o que aconteceu. Um militar da comitiva presidencial ser preso na Espanha por transportar droga para outro país é escandaloso e inaceitável. O governo Jair Bolsonaro é um poço sem fundo. Não tem condições éticas nem administrativas de prosseguir sua trajetória. Só há uma saída natural para essa sucessão de horrores a que os brasileiros vêm sendo submetidos, e ela é o impeachment de Bolsonaro.

terça-feira, 25 de junho de 2019

Nenhuma surpresa

A decisão de hoje, da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, por três votos a dois, de manter preso o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva já era esperada. Não houve, portanto, nenhuma surpresa. Cada vez fica mais claro que Lula é um preso político, contra o qual não foram apresentadas provas de seus supostos crimes. A prisão de Lula é parte de um plano de tomada do poder pela direita que incluiu a deposição de uma presidente legitimamente eleita para um segundo mandato consecutivo, que foi retirada do cargo sob alegações que não justificavam uma medida tão extrema. O Brasil está entregue ao caos, com um governo de extrema direita, sem projeto para o país. Os indicadores sociais e econômicos são péssimos, e nada aponta para uma recuperação. O país vive um presente aterrador, e não tem qualquer perspectiva de futuro. A causa desse quadro desolador foi o conluio que reuniu a direita golpista, a grande imprensa, os setores conservadores do Congresso, e o poder Judiciário. Tudo para impedir que Lula voltasse a ser presidente. O mundo reconhece que Lula foi vítima de uma ação política, não de um julgamento justo. Cedo ou tarde, entretanto, a justiça há de ser feita. Lula terá de ser solto.  A verdade virá a tona, destruindo os falsos heróis. Não há golpe que dure para sempre.

segunda-feira, 24 de junho de 2019

A Copa América não é um fracasso

A imprensa brasileira demonstra má vontade com a Copa América. A baixa presença de público em alguns jogos é usada como um argumento de que a competição tem pouco valor e não desperta interesse. Não é verdade. Mesmo com. o elevado preço dos ingressos, há jogos com muito bom número de espectadores. Afora os jogos da Seleção Brasileira, que naturalmente levam muitas pessoas aos estádios, outras partidas alcançam um público muito significativo. Uruguai 2 x 2 Japão, na Arena, teve um público total de 39 mil pessoas. Argentina 2 x 0 Catar, no mesmo estádio, teve 41 mil espectadores. Chile 0 x 1 Uruguai, hoje, no Maracanã, foi assistido por 57 mil pessoas. São números expressivos para a fase de grupos. Os jogos com equipes de pouca tradição, como Venezuela e Bolívia, reuniram pouco público, o que é compreensível. Porém, a Copa América não é um fracasso. Mais antiga competição de seleções do mundo, ela merece respeito. Achar que só o futebol europeu tem valor, como faz a maior parte da crônica esportiva brasileira, é uma demonstração do famoso complexo de vira-latas celebrizado pelo genial Nelson Rodrigues. Com a chegada das fases eliminatórias, a Copa América terá outros jogos com público numeroso. O saldo final, nesse aspecto, certamente, será positivo.

domingo, 23 de junho de 2019

Eliminação

O óbvio aconteceu, e a Seleção Brasileira de futebol feminino foi eliminada da Copa do Mundo da modalidade. Perdeu para a França, hoje, por 2 x 1. Uma derrota que era previsível. Afinal, a França é a equipe do país sede da competição, e possui uma seleção forte. Ao terminar em terceiro lugar no seu grupo, na primeira fase, a equipe brasileira evidenciou sua fragilidade e teve de enfrentar uma seleção de maior porte, o que não aconteceria se tivesse obtido uma posição melhor. As precariedades da Seleção feminina são muitas. A equipe depende de veteranas como Marta e Formiga, que não vão jogar para sempre. O técnico Osvaldo Alvarez, o Vadão, já havia ocupado o cargo antes, sem brilho. Não há o porquê de ter voltado. No jogo de hoje a atuação até foi digna, saindo atrás no placar, empatando, e forçando a prorrogação. No entanto, a eliminação aconteceu, mesmo assim. Há um longo e árduo caminho para que o Brasil possa ter uma Seleção feminina capaz de competir em igualdade de condições com as grandes potências da modalidade. Um (a ) técnico (a) de capacidade reconhecida, uma preparação física mais qualificada, melhor estruturação das categorias inferiores, para a revelação de novas jogadoras, e mais apoio ao futebol feminino no país, são medidas que precisam ser tomadas o quanto antes. Sem isso, o futebol feminino no Brasil irá, apenas, acumular frustrações.

Classificação com mau futebol

 A Argentina está classificada para as quartas de final da Copa América. Hoje, venceu o Catar por 2 x 0, na Arena, e acabou em segundo lugar no seu grupo. Com isso, não irá enfrentar a Seleção Brasileira nas quartas de final, como era a expectativa quase geral, pois a tendência é que ficasse em terceiro lugar. Porém, o Paraguai perdeu por 1 x 0 para a equipe reserva da Colômbia, o que permitiu que a Argentina subisse de posição. Dessa forma, a Argentina irá enfrentar a Venezuela. Não se pense, no entanto, que será um jogo fácil para a Argentina. A Venezuela está invicta na Copa América,  e empatou com a Seleção Brasileira. No último jogo entre as duas seleções, a Venezuela ganhou da Argentina por 3 x 1. Afora isso, a Argentina conseguiu sua classificação com mau futebol. Messi é uma estrela solitária, os demais jogadores chafurdam na mediocridade. A equipe está prosseguindo de arrasto na competição mas, com o futebol que tem jogado, não deverá ir longe.

sábado, 22 de junho de 2019

Grande atuação

A paciência do torcedor com a Seleção Brasileira havia se esgotado. O empate com a Venezuela foi a gota d'água. Dessa forma, o jogo contra o Peru, hoje, no Itaquerão, pela Copa América, era de grande pressão sobre o técnico Tite e os jogadores. A resposta da Seleção foi melhor do que o esperado. A Seleção goleou o Peru por 5 x 0, e ainda desperdiçou um pênalti. A goleada, em si, nem foi o mais relevante, e sim o fato de que a Seleção teve uma grande atuação. A Seleção dominou o jogo do início ao fim. Abriu o placar aos 11 minutos do primeiro tempo, e aos 32 já chegava ao terceiro gol.  Um dos fatores principais para o belo desempenho da Seleção foi Everton, que foi escalado desde o começo, atendendo à expectativa geral. Everton fez um gol, o seu segundo em três jogos na competição, e se mostrou um jogador agudo e atrevido que preocupou a defesa adversária durante toda a partida. Porém, a equipe, como um todo,
jogou bem, mostrando um futebol que há muito tempo a Seleção não proporcionava para quem a assistisse. Foi um resultado para dar um novo ânimo ao torcedor, e tirar uma enorme carga dos ombros de Tite.  A Seleção retomou a sua condição de maior favorita para o título da Copa América.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Uma década e meia sem Brizola

O tempo transcorre muito rapidamente. Não parece, mas hoje se completam quinze anos da morte de Leonel Brizola. Um homem controvertido, que despertou paixões e ódios quase na mesma proporção, e que foi, sem dúvida, uma das maiores expressões políticas do Brasil em todos os tempos. Aliás, não é por acaso que o Brasil apresenta, historicamente, um panorama político tão desolador, pois uma figura tão relevante como Brizola não conseguiu chegar ao cargo de presidente, que foi exercido por nulidades como José Sarney, Fernando Collor de Melo, Michel Temer e Jair Bolsonaro. Uma década e meia sem Leonel Brizola representa um país diminuído politicamente, sem um dos seus nomes mais proeminentes. Um homem cheio de idealismo e destemor, que liderou a Campanha da Legalidade, garantindo a posse de João Goulart como presidente, e sempre sonhou com um Brasil melhor e mais justo. Brizola faz muita falta para o país.