segunda-feira, 4 de março de 2019
Carnaval revigorado
O Carnaval parecia estar perdendo força a cada ano, em termos de apelo popular. Os blocos de rua, as manifestações populares mais espontâneas, minguavam, enquanto os desfiles das escolas de samba monopolizavam as atenções. Não é mais assim. As ruas voltaram a ser ocupadas por inúmeros blocos, cheios de descontração e irreverência. Cidades que não possuíam tradição carnavalesca foram tomadas por multidões de foliões em espaços ao ar livre, como Belo Horizonte, por exemplo. Numa época de crise política e econômica, o Carnaval volta a ocupar o seu lugar de crítica social, sem abrir mão do bom humor. Resistir, mais do que nunca, é preciso, e o Carnaval está fazendo a sua parte. A cultura popular, que tem no Carnaval uma das suas grandes representações, continua viva e pulsante. O recado das ruas está sendo dado, aliando divertimento e cidadania. O que se vê é um Carnaval revigorado, que debocha dos poderosos e combate a caretice, resgatando o seu papel histórico.
sexta-feira, 1 de março de 2019
Crueldade
A polarização política que tomou conta do país atinge níveis cada vez mais absurdos. O vale tudo das redes sociais leva a que se façam postagens de conteúdo torpe, mostrando o quanto o ser humano pode ser abjeto. Hoje, a crueldade motivada pelo ódio político atingiu um nível repugnante. A morte de Arthur, neto do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, de apenas sete anos, foi saudada em muitas postagens nas redes sociais. A possibilidade de Lula ser liberado para comparecer ao enterro do neto também foi motivo de iradas manifestações contrárias. O Brasil está num poço sem fundo ético e civilizatório. Os mais básicos princípios humanitários foram deixados de lado. A degradação moral do país aumenta numa escalada galopante. No dia em que esse pesadelo acabar, o Brasil terá que ser reconstruído do zero, pois o país está sendo aniquilado na sua dignidade.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019
Convocação irregular
O técnico da Seleção Brasileira, Tite, anunciou, hoje, os jogadores convocados para os amistosos contra Panamá e República Tcheca, em março. Foi uma convocação irregular, pois se a presença na lista de jogadores como Lucas Paquetá, Everton e Vinicius Júnior, jovens e muito talentosos, deve ser efusivamente saudada, outros nomes que a integram não deveriam ter sido chamados. Não há sentido, faltando três anos para a próxima Copa do Mundo, em convocar Daniel Alves, de 36 anos, Miranda, 35, Thiago Silva, 34, e Filipe Luís, 33, já que eles não deverão estar presentes no Catar, em 2022. Portanto suas convocações são uma perda de tempo, já que os jogadores com perspectiva de presença na competição deveriam estar sendo testados desde agora. Afora isso, jogadores como Danilo, Alexsandro, Alan e Felipe Anderson são insuficientes tecnicamente para a Seleção. A única tentativa de explicação para Tite convocar veteranos que não estarão presentes na Copa do Mundo seria a de que estaria preocupado em ganhar a Copa América, que se realizará no Brasil daqui a quatro meses, para garantir-se no cargo. A hora, no entanto, é ideal para Tite promover uma ampla renovação na equipe. A Seleção não teve um desempenho satisfatório na Copa do Mundo de 2018. Esse fato, somado a idade avançada de alguns jogadores remanescentes daquela disputa, justificariam uma mudança mais acentuada nos nomes convocados. Outro fato a ser observado é a convocação de apenas dois jogadores que atuam em clubes brasileiros. Estar jogando por um clube do exterior não é, necessariamente, um atestado de qualidade. Os critérios de convocação de Tite continuam sendo muito discutíveis, e isso poderá lhe render novos insucessos como técnico da Seleção.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019
Efetividade
A goleada de 3 x 0 que o Real Madrid levou do Barcelona hoje, em pleno Santiago Bernabeu, pela Copa da Espanha, se explica, fundamentalmente, pelas atuações de Vinicius Júnior e Luís Suarez. O jogador brasileiro, mais uma vez, mostrou sua grande qualidade técnica, mas lhe faltou a precisão no toque final para marcar gols. Suarez, por sua vez, foi cirúrgico, e marcou todos os gols do Barcelona, um deles de pênalti, com cavadinha. Em síntese, Suarez teve a efetividade que faltou para Vinicius Júnior. O jogador brasileiro possui um talento incontestável, e tem tudo para se tornar um grande destaque do futebol mundial nos próximos anos. Para que atinja o topo, no entanto, terá de aprimorar o acabamento dos lances de gol. Vinicius Júnior tem apenas 18 anos, e já é titular do Real Madrid, o que não é pouco. Porém, ainda lhe falta a consciência de que há momentos em que o brilhantismo deve ser trocado pela eficácia. Não é necessário tentar fazer apenas belos gols. Vencer dando espetáculo é o ideal, mas antes de pensar em brindar o público com lindas jogadas há que construir a vitória. Suarez sabe disso há muito tempo, e por isso, diante de uma chance clara de gol, não costuma desperdiçar a oportunidade.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2019
Lua de mel meteórica
O que era inevitável aconteceu mais rápido do que se poderia imaginar. Com menos de dois meses no cargo, o presidente Jair Bolsonaro apresenta um índice de popularidade de apenas 38,9%, o mais baixo no período desde o primeiro governo de Luís Inácio Lula da Silva. O dado apenas reforça o desatino cometido por milhões de brasileiros, que levaram ao poder um homem totalmente despreparado. A lua de mel meteórica do eleitorado com Jair Bolsonaro coloca o país na trágica situação de ter como presidente alguém que já perdeu o respaldo popular no início do seu governo. O que será do Brasil daqui para a frente? Parece claro que a falta de condições mínimas de Bolsonaro para exercer o cargo irá abreviar a sua permanência no posto. O problema é o que virá depois. O governo Bolsonaro é respaldado pelos militares, o que significa que a queda do presidente não representaria o fim do projeto golpista de poder que o levou à vitória nas urnas. A insensatez dos que se deixaram manipular pelas forças de direita já está cobrando um alto preço ao país. Agora, para quem caiu no conto do falso "mito", não adianta chorar pelo leite derramado. Como expressa um ditado popular, o que é de gosto regala a vida.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019
Dever cumprido
Um jogo protocolar, com um vencedor óbvio. Assim pode ser considerado o jogo Grêmio 2 x 0 Veranópolis, hoje, na Arena, pelo Campeonato Gaúcho. Afinal, como não esperar uma vitória do líder isolado da competição contra o lanterna absoluto? Portanto, foi dever cumprido. O Grêmio nem precisou fazer força para ganhar. Fez o suficiente para vencer, com um gol em cada tempo, ambos de Marinho, que, ao que parece, é mais um caso de recuperação de um jogador feita pelo técnico do Grêmio, Renato. Agora, o Grêmio só voltará a jogar na estreia da Libertadores, contra o Rosario Central, no Gigante de Arroyto. Ainda que o Gauchão não sirva de parâmetro, por ter um nível técnico muito baixo, o futebol mostrado pelo Grêmio até aqui dá razões para que a torcida possa sonhar com grandes conquistas em 2019.
domingo, 24 de fevereiro de 2019
As surpresas do Oscar
A cerimônia de entrega do Oscar teve algumas mudanças, como a ausência de um apresentador fixo, por exemplo, mas que não alteraram a essência da sua estrutura. As surpresas do Oscar ocorreram nas premiações. Pelo menos duas das principais categorias não foram ganhas pelos favoritos. Olivia Colman ganhou o Oscar de melhor atriz por "A Favorita", embora a mais cotada fosse Glenn Close, de "A Esposa". No Oscar de melhor filme, o vencedor foi "Green Book, o Guia", contrariando as opiniões que davam "Roma" como o ganhador do Prêmio. Nos demais prêmios de atuação, prevaleceram os mais cotados. Regina King ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante por "Se a Rua Beale Falasse". Mahershala Ali foi o vencedor do Oscar de melhor ator coadjuvante, por "Green Book, o Guia". O Oscar de melhor ator foi para Rami Malek, por "Bohemian Rhapsody". Aliás, "Bohemian Rhapsody" foi o grande vencedor da noite, pois das cinco indicações que recebeu, ganhou em quatro. Mesmo nas premiações inesperadas, não houve injustiças. Olivia Colman teve um grande desempenho, tanto quanto Glenn Close, e "Green Book, o guia" é muito bom filme. O Oscar de melhor diretor foi para Alfonso Cuaron, por "Roma", como já era esperado.
Repetição nauseante
Como de costume, o Inter teve marcado a seu favor um pênalti inexistente. Dessa vez, foi na vitória por 1 x 0 sobre o Avenida, hoje, nos Eucaliptos, pelo Campeonato Gaúcho, ainda que o lance não tenha sido determinante para o resultado, pois Neilton desperdiçou a cobrança. Porém, a cada jogo, acumulam-se os "erros" de arbitragem em benefício do Inter. Ao longo dos anos, é uma repetição nauseante. No entanto, o que determinou a derrota do Avenida foi a pouca ambição de seu técnico, Fabiano Daitx, que próximo ao final do jogo resolveu garantir o empate, trocando um atacante por um volante. O castigo veio rápido, com o Inter, pouco depois, marcando o gol que lhe deu a vitória. Ao abdicar de tentar vencer, visando manter o empate, Fabiano Daitx perdeu o jogo, e colocou o Avenida diante da possibilidade de entrar na zona de rebaixamento, caso o Brasil de Pelotas ganhe a partida de terça-feira contra o São José, no Passo da Areia. O jogo de hoje foi muito fraco tecnicamente. O Avenida mostrou pouco poder ofensivo, e quase não chutou contra o gol do Inter. O Inter, novamente, teve uma atuação modesta, e continua a vencer sem convencer.
sábado, 23 de fevereiro de 2019
Rejeição correta
A CBF propôs aos clubes mudanças para o próximo Campeonato Brasileiro. A melhor de todas, e que foi aprovada, é a utilização do árbitro de vídeo em todos os jogos da competição. Antes tarde do que nunca! Porém, nem todas as propostas foram aceitas. Umas das ideias que foram recusadas é a limitação de apenas uma demissão de técnico por clube durante a disputa. Alguns profissionais da imprensa esportiva, com sua visão edulcorada do que deveria ser o futebol, condenaram o posicionamento dos clubes nessa questão. Não há razão para isso. Foi uma rejeição correta por parte dos clubes. Esse é um assunto interno dos clubes, não é da alçada da CBF. Como se poderia forçar um clube a permanecer com um técnico contra a sua vontade e a dos seus torcedores? A Europa, antes apontada como um exemplo de estabilidade dos técnicos, já não é mais assim. Também lá os maus resultados implicam em demissões, mesmo que o técnico esteja há pouco tempo no cargo. A adoção do árbitro de vídeo em todos os jogos deve ser saudada. Restrições como a limitação de demissões de técnicos, e do número de jogadores inscritos para 40 nomes, nada trariam de positivo, seriam apenas uma ingerência indevida da CBF nos seus filiados. Os clubes elevaram o número de inscritos para 45, retirando dessa lista os jogadores das categorias inferiores, no que fizeram muito bem, já que isso amplia o leque de opções para os técnicos. Os clubes agiram muito bem em relação às propostas da CBF, pois aprovaram o essencial e rejeitaram o descabido.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019
Soberania
A Venezuela está prestes a sofrer uma intervenção do "xerife do mundo", que é o papel que os Estados Unidos se autoatribuem. Ávidos por colocarem as mãos nas enormes reservas de petróleo da Venezuela, os americanos apelam para a comoção popular diante das precariedades enfrentadas pelos habitantes daquele país como meio de obter apoio para suas pérfidas intenções. Ninguém desconhece os problemas vividos pela população da Venezuela. No entanto, isso não dá o direito a nenhum país, seja qual for, de intervir em seus assuntos internos. Caso se configurasse a necessidade de uma intervenção de qualquer natureza, ela teria de ser proposta e liderada pela ONU, não por um país em particular. Aliás, convém lembrar que quando os Estados Unidos invadiram o Iraque e depuseram o seu presidente, Saddam Hussein, o fizeram a revelia da ONU. O motivo alegado para a invasão, a existência de armas químicas secretas no Iraque, era falso. Tanto num caso como no outro, não há qualquer motivação humanitária por trás das intenções americanas, apenas a cobiça pelas reservas de petróleo alheias. Porém, independentemente das motivações de uma possível intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, ela seria um acinte aos mais basilares princípios democráticos. As questões internas da Venezuela devem ser decididas pelos seus habitantes. A soberania da Venezuela, bem como a de qualquer outro país, não pode ser violada.
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