domingo, 24 de fevereiro de 2019

Repetição nauseante

Como de costume, o Inter teve marcado a seu favor um pênalti inexistente. Dessa vez, foi na vitória por 1 x 0 sobre o Avenida, hoje, nos Eucaliptos, pelo Campeonato Gaúcho, ainda que o lance não tenha sido determinante para o resultado, pois Neilton desperdiçou a cobrança. Porém, a cada jogo, acumulam-se os "erros" de arbitragem em benefício do Inter. Ao longo dos anos, é uma repetição nauseante. No entanto, o que determinou a derrota do Avenida foi a pouca ambição de seu técnico, Fabiano Daitx, que próximo ao final do jogo resolveu garantir o empate, trocando um atacante por um volante. O castigo veio rápido, com o Inter, pouco depois, marcando o gol que lhe deu a vitória. Ao abdicar de tentar vencer, visando manter o empate, Fabiano Daitx perdeu o jogo, e colocou o Avenida diante da possibilidade de entrar na zona de rebaixamento, caso o Brasil de Pelotas ganhe a partida  de terça-feira contra o São José, no Passo da Areia. O jogo de hoje foi muito fraco tecnicamente. O Avenida mostrou pouco poder ofensivo, e quase não chutou contra o gol do Inter. O Inter, novamente, teve uma atuação modesta, e continua a vencer sem convencer.

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Rejeição correta

A CBF propôs aos clubes mudanças para o próximo Campeonato Brasileiro. A melhor de todas, e que foi aprovada, é a utilização do árbitro de vídeo em todos os jogos da competição. Antes tarde do que nunca! Porém, nem todas as propostas foram aceitas. Umas das ideias que foram recusadas é a limitação de apenas uma demissão de técnico por clube durante a disputa. Alguns profissionais da imprensa esportiva, com sua visão edulcorada do que deveria ser o futebol, condenaram o posicionamento dos clubes nessa questão. Não há razão para isso. Foi uma rejeição correta por parte dos clubes. Esse é um assunto interno dos clubes, não é da alçada da CBF. Como se poderia forçar um clube a permanecer com um técnico contra a sua vontade e a dos seus torcedores? A Europa, antes apontada como um exemplo de estabilidade dos técnicos, já não é mais assim. Também lá os maus resultados implicam em demissões, mesmo que o técnico esteja há pouco tempo no cargo. A adoção do árbitro de vídeo em todos os jogos deve ser saudada. Restrições como a limitação de demissões de técnicos, e do número de jogadores inscritos para 40 nomes, nada trariam de positivo, seriam apenas uma ingerência indevida da CBF nos seus filiados. Os clubes elevaram o número de inscritos para 45, retirando dessa lista os jogadores das categorias inferiores, no que fizeram muito bem, já que isso amplia o leque de opções para os técnicos. Os clubes agiram muito bem em relação às propostas da CBF, pois aprovaram o essencial e rejeitaram o descabido.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Soberania

A Venezuela está prestes a sofrer uma intervenção do "xerife do mundo", que é o papel que os Estados Unidos se autoatribuem. Ávidos por colocarem as mãos nas enormes reservas de petróleo da Venezuela, os americanos apelam para a comoção popular diante das precariedades enfrentadas pelos habitantes daquele país como meio de obter apoio para suas pérfidas intenções. Ninguém desconhece os problemas vividos pela população da Venezuela. No entanto, isso não dá o direito a nenhum país, seja qual for, de intervir em seus assuntos internos. Caso se configurasse a necessidade de uma intervenção de qualquer natureza, ela teria de ser proposta e liderada pela ONU, não por um país em particular. Aliás, convém lembrar que quando os Estados Unidos invadiram o Iraque e depuseram o seu presidente, Saddam Hussein, o fizeram a revelia da ONU. O motivo alegado para a invasão, a existência de armas químicas secretas no Iraque, era falso. Tanto num caso como no outro, não há qualquer motivação humanitária por trás das intenções americanas, apenas a cobiça pelas reservas de petróleo alheias. Porém, independentemente das motivações de uma possível intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, ela seria um acinte aos mais basilares princípios democráticos. As questões internas da Venezuela devem ser decididas pelos seus habitantes. A soberania da Venezuela, bem como a de qualquer outro país, não pode ser violada.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Participação digna

Por um momento, parecia que o Avenida realizaria uma façanha impensável, e eliminaria o Corinthians da Copa do Brasil, hoje, em pleno Itaquerão. Não deu, e o Corinthians acabou vencendo o jogo por 4 x 2. Porém, o Avenida teve uma participação digna na competição, onde já havia eliminado, na fase anterior, o Guarani de Campinas, com um gol aos 45 minutos do segundo tempo, num jogo em que só a vitória lhe servia para se classificar. O Avenida, mesmo tendo perdido para o Corinthians e saído fora da Copa do Brasil, teve muitos ganhos ao tomar parte na competição. Financeiramente, obteve mais de R$ 1milhão pela classificação diante do Guarani, e receberá 40% da renda do jogo de hoje. Com sua histórica atuação, em que aos nove minutos do primeiro tempo estava derrotando o Corinthians por 2 x 0, chamou a atenção de todo o Brasil num jogo transmitido em tevê aberta. Num único jogo, o Avenida conseguiu uma exposição de marca que talvez não imaginasse poder alcançar um dia. A partida também proporcionou ao clube, que completa, em 2019, 75 anos de existência, seu primeiro jogo oficial fora do Rio Grande do Sul. Portanto, não há que lamentar a derrota. O Avenida tem muito a comemorar, pois nunca viveu um período de tanto crescimento em toda a sua história. Agora, resta ao clube afastar a ameaça de rebaixamento no Campeonato Gaúcho, para poder disputar a Série D brasileira de cabeça erguida e buscando continuar a romper limites.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

O caótico futebol carioca

O futebol carioca é, hoje, uma caricatura do que já foi. Seus grandes clubes despertavam paixões pelo Brasil afora, e forneceram a maioria dos jogadores da Seleção Brasileira durante décadas. A sede do poder político do futebol brasileiro segue sendo lá, desde os tempos da antiga CBD até a atual CBF. O Flamengo é o clube de maior torcida no país. O Maracanã foi, por muito tempo o maior estádio do mundo. Tudo isso, no entanto, contrasta com o caótico futebol carioca da atualidade. Botafogo, Fluminense e Vasco debatem-se com gravíssimos problemas financeiros, que se refletem na formação de times fracos e pouco competitivos. O Flamengo recuperou sua saúde financeira, mas as  contratações de impacto que realiza ainda não se traduziram na formação de um grande time e na conquista de títulos expressivos. Afora isso, o incêndio no "Ninho do Urubu", que resultou na morte de dez jogadores das categorias inferiores do clube, manchou a imagem da instituição. No domingo, no jogo Vasco x Fluminense, na decisão da Taça Guanabara, o primeiro turno do campeonato estadual, uma briga entre os dois clubes na Justiça pelo direito de suas torcidas ocuparem o lado sul do Maracanã fez com que só aos 30 minutos do primeiro tempo fosse autorizada a entrada do público no estádio. Hoje, os jogadores do Fluminense negaram-se a treinar, como forma de protesto pelos salários atrasados. O gerente de futebol do Fluminense, Paulo Angioni, admitiu a existência do atraso nos pagamentos, e disse que o clube ainda não sabe como irá resolver o problema. Sendo assim, como se explica que o Fluminense tenha contratado Paulo Henrique Ganso, um jogador caro? A má administração dos grandes clubes, com exceção do Flamengo, está levando o futebol carioca a um momento de acelerada decadência. Um triste presente, para quem teve um passado tão glorioso.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Primeira queda

O governo Jair Bolsonaro supera qualquer previsão em termos de decomposição moral e ineficiência administrativa. Em apenas 48 dias, tem sido uma usina de produção de más notícias, e sua equipe se mostra um ninho de serpentes, vorazes e desarticuladas. O resultado é um circo dos horrores, onde o que menos se faz é governar. Esse quadro dantesco já resultou na primeira queda de um ocupante do alto escalão. Hoje, o Secretário Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, depois de vários dias de "fritura", teve a sua demissão anunciada. O que esperar de um governo que em menos de 50 dias de sua instalação já demite um integrante do círculo de confiança do presidente? O secretário caiu em função de um conflito com um dos filhos do presidente, Carlos Bolsonaro, vereador do Rio de Janeiro. Os detalhes das intrigas envolvendo ambos não precisam ser referidos, o que importa é o desfecho do caso. A demissão de Bebianno é o reflexo de um governo que já está condenado, mesmo que mal tenha começado. A ideia de que, com o andar da carruagem, tudo vá melhorar, só pode ser cogitada pela cegueira ideológica, ou por uma extrema ingenuidade. O governo Bolsonaro é um monstrengo, caótico e inexequível administrativamente. Por mais que grupos poderosos tentem lhe dar sustentação, seu fracasso é inevitável.

domingo, 17 de fevereiro de 2019

O vilão que virou herói

O Inter, mais uma vez, jogou mal, mas venceu o terceiro jogo consecutivo, e já é vice-líder do Campeonato Gaúcho. A vitória por 2 x 1 sobre o Caxias, hoje, no Beira-Rio, valeu apenas pelo resultado, pois o desempenho do Inter; novamente, deixou muito a desejar. O Caxias teve o jogo nas mãos, após empatar a partida e, logo depois, ficar com um homem a mais com a expulsão de Edenilson, do Inter. Porém, o Caxias não mostrou ambição de vencer o jogo, e acabou castigado com um gol aos 43 minutos do segundo tempo, que decretou a vitória do Inter. O autor do segundo gol do Inter, Patrick, foi o vilão que virou herói. Ele foi muito vaiado ao entrar em campo, durante o segundo tempo; mas ao marcar o gol da vitória do Inter acabou sendo aplaudido após o jogo.

Chances desperdiçadas

O Grêmio deu a impressão de não ter levado muito a sério o jogo contra o Brasil de Pelotas, hoje, no Bento Freitas, pelo Campeonato Gaúcho. Afinal, o técnico Renato foi liberado para fazer o curso de treinadores da CBF e, sem que houvesse razão para isso,  alguns titulares foram poupados. Ainda assim, a vitória poderia ter sido alcançada, pois o Grêmio teve o controle do jogo e várias oportunidades de gol. Porém, foram muitas chances desperdiçadas. Pepê, por exemplo, perdeu três gols feitos, que terjiam mudado a história do jogo. O Brasil de Pelotas, que segue na zona de rebaixamento, praticamente não deu trabalho para o goleiro do Grêmio, Júlio César. Só para não sair da rotina, o Grêmio teve um pênalti claríssimo sobre Kannemann que foi ignorado pelo árbitro Jonathan Pinheiro, no primeiro tempo. No segundo tempo, o árbitro expulsou Juninho Capixaba, de forma injusta, por uma suposta simulação. Nem assim o Brasil de Pelotas conseguiu tirar proveito, e o jogo terminou empatado em 0 x 0. Pelo que se viu em campo, será muito difícil o clube pelotense escapar do rebaixamento.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Chinelagem

O presidente Jair Bolsonaro parece se empenhar muito em desmerecer o cargo que ocupa. Bolsonaro é um bronco, desqualificado culturalmente, e o fato de ter sido eleito só demonstra o nível de desatino a que chegou uma parcela da população. Porém, até um rematado imbecil como o ex-capitão deveria saber que o cargo de presidente reveste-se de uma solenidade que precisa ser respeitada. Em seu retorno ao trabalho, depois de uma longa internação, Bolsonaro participou de uma reunião vestindo uma camiseta verde-limão, calça de abrigo esportivo e calçando chinelos. Um presidente não pode participar de reuniões oficiais com esse tipo de vestimenta. Há uma palavra usada popularmente que define situações que ferem o bom gosto e resvalam para a vulgaridade. A palavra é chinelagem. Sem nenhum trocadilho com o tipo de calçado usado por Bolsonaro, essa é a palavra que define com exatidão a postura exibida no encontro. Entre tantas barbaridades que perpetrou desde a sua chegada ao poder, Bolsonaro rebaixou a dignidade do cargo ao apresentar-se de maneira descomposta numa reunião oficial. A cada ato ou gesto, Bolsonaro só reforça o que qualquer pessoa minimamente lúcida sempre soube, ou seja, de que é completamente despreparado para o posto que ocupa. Sendo assim, o que fica como extremamente intrigante é o porquê de um asno como Bolsonaro ter sido escolhido por milhões de brasileiros para ocupar o cargo mais relevante do país.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Bibi Ferreira

Uma trajetória única. Assim pode ser definida a carreira da atriz Bibi Ferreira, que faleceu, hoje, aos 96 anos. Afinal, que outro artista, no Brasil ou no exterior, estrearia no teatro ainda bebê e só anunciaria sua aposentadoria cinco meses antes de sua morte em tão elevada idade? Bibi brilhou em peças e musicais. Cantava brilhantemente, e sua voz não perdia qualidade com o avançar do tempo. Num país onde a maior parte da população não tem acesso às produções culturais, Bibi Ferreira não é um nome de grande popularidade. Seu meio de atuação foi, fundamentalmente, o teatro, ainda que tenha feito incursões pela televisão. Portanto, sua carreira ficou fora da visibilidade das camadas menos privilegiadas da população, para as quais o teatro é uma realidade distante. Por isso, muitos talvez não tenham a dimensão do seu talento e a noção do quanto sua carreira foi magnífica. Bibi foi uma artista superlativa, uma diva. Deixa uma lacuna que será permanente, pois Bibi foi singular, inimitável.