segunda-feira, 24 de dezembro de 2018
Natal consumista
Mais uma vez, é Natal. Como tem acontecido há muito tempo, o caráter religioso da data fica encoberto pelo apelo do consumo. O Natal transformou-se numa maratona de compras, encerrada por uma ceia farta. Afinal, a data magna da cristandade é, também, a de maior faturamento do comércio em todo ano. Num mundo cada vez mais regido pelo interesse financeiro, o que se tem, atualmente, é um Natal consumista. Claro, ganhar e dar presentes é muito bom. Comer uma ceia variada e saborosa, também. Viajar, aproveitando um feriadão, igualmente. Porém, esse viés festivo tem pouco a ver com um dia que deveria ser de reflexão e recolhimento, e não de expansividade. Num mundo dominado pelo mercado, o Natal tornou-se mais um produto. Diminuído na sua essência, o Natal é comemorado até pelos que não tem fé. Sua figura central, Jesus Cristo, o aniversariante do dia, foi sendo deixado de lado em favor do Papai Noel. Acreditar em Jesus Cristo é uma questão de fé, passível de questionamento. O Papai Noel, por mais simpático que possa ser, é um personagem fictício. Celebração essencialmente familiar, o Natal, agora, é ruidoso. Tudo em nome do fugaz contentamento do consumo desenfreado.
domingo, 23 de dezembro de 2018
O caro preço da insensatez eleitoral
Escolher governantes pelo voto é um direito essencial na democracia. Só a manifestação dos eleitores nas urnas legitima o mandato de quem chefia o Poder Executivo. Esse direito, no entanto, negado aos eleitores brasileiros por um longo tempo, tem de ser exercido com muita consciência. O voto irrefletido, movido pelo ódio, gera consequências desastrosas, que afetam os interesses de toda a coletividade. O fim de mandato do atual governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori, é um exemplo disso. Sartori é, sem dúvida, o pior governador do Estado em todos os tempos. Seu final de mandato é deplorável, pois nada tem para apresentar como realizações de seus quatro anos no poder. O caro preço da insensatez eleitoral fica evidente quando se trata do governo Sartori. O ressentimento com o PT, e uma campanha que apostou na sentimentalidade do eleitor, fez com que Sartori vencesse o pleito em 2014. Sua administração nada fez pelo Estado. Em quatro anos, Sartori maltratou os servidores públicos, parcelando os seus salários, e governou para os poderosos. Extinguiu fundações de grande relevância para o Estado, sem que isso gerasse uma economia significativa para os cofres públicos. Os que escolheram Sartori em 2014 tiveram o bom senso de não o reeleger. Porém, o estrago já está feito. Nada ficou do governo Sartori que possa ser destacado, pois não apresentou projetos para favorecer o desenvolvimento do Estado, limitou-se a aplicar o velho receituário destrutivo neoliberal, propondo a queima de patrimônio público com a venda de estatais. Seu governo não deixará nenhuma saudade. Na verdade, o que há é uma contagem regressiva para que Sartori encerre seu mandato.
sábado, 22 de dezembro de 2018
Rotina
O Campeonato Mundial de Clubes virou uma competição de resultado previsível. O Real Madrid fez da conquista do título mundial uma rotina. Hoje, no Zayed Sports City Stadium, o Real Madrid goleou por 4 x 1 o Al Ain, dos Emirados Árabes Unidos, e conquistou o tricampeonato mundial, e o seu sétimo título da competição em toda a história. O Al Ain teve uma atuação digna, mas não fez frente ao Real Madrid, cuja qualidade técnica é muito superior. Seu maior destaque, mais uma vez, foi o brasileiro Caio, que, provavelmente, despertará o interesse de clubes de maior expressão. Com uma hegemonia estabelecida na Champions League, e diante da fragilidade que vem sendo demonstrada pelos clubes sul-americanos nos campeonatos mundiais mais recentes, o Real Madrid segue empilhando títulos da competição. Escolhido pela Fifa como o maior clube do século anterior, o Real Madrid, pelo visto, quer repetir a dose no atual.
sexta-feira, 21 de dezembro de 2018
Organização criminosa
As investigações que estão sendo conduzidas pelo Ministério Público sobre os desvios financeiros cometidos na administração do ex-presidente do Inter no biênio 2015/2016, Vitório Piffero, alcançaram grande repercussão com a execução de mandados de busca e apreensão nas casas de dirigentes do clube naquele período, ocorrida anteontem. O procurador Marcelo Dornelles classificou o que foi apurado até aqui como o resultado de uma organização criminosa que se instalou no clube. Não bastasse ter rebaixado o Inter para a Segunda Divisão, a diretoria da época saqueou os cofres do clube. O primeiro vice-presidente, Pedro Afatatto, chegou a sacar R$10 milhões na boca do caixa, no período de um ano, para pagamento de obras cuja existência não foi comprovada. O que se espera é que, ao final de toda a investigação, que prossegue e será muito longa, haja a devida punição aos que forem comprovadamente culpados, e que o clube seja ressarcido dos recursos desviados. Para os torcedores do Inter e os apreciadores do futebol, o que mais se destaca nessa situação é ver que a corrupção, um mal que, historicamente, corrói o país, não poupa nem mesmo grandes clubes, com seus milhões de adeptos. O futebol, como qualquer atividade, precisa de credibilidade. Fatos como os ocorridos no Inter mancham a reputação do esporte preferido dos brasileiros. Até por isso, é preciso que as punições aos culpados sejam duras. O país não tolera mais que casos como esse acabem em pizza.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2018
Bebida alcoólica nos estádios
A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul aprovou um projeto que vem em boa hora, ainda que os falsos moralistas de plantão o tenham condenado. O projeto em questão permite a volta da venda de bebida alcoólica nos estádios de futebol, ainda que com restrições, como permitir a comercialização apenas até o final do primeiro tempo e após o jogo. Na verdade, a lei que proibiu a venda de bebidas nos estádios jamais deveria ter existido. Ela fere o direito individual, causa prejuízo financeiros aos clubes e é hipócrita, pois a comercialização no entorno é feita sem restrições. A lei que proíbe o álcool nos estádios entrou em vigor no Rio Grande do Sul em abril de 2008. Em maio de 2009, ficou evidente toda a sua estupidez. Num jogo entre Grêmio e Cruzeiro pelas semifinais da Libertadores houve um tumulto na entrada de torcedores no Olímpico, inclusive com feridos, porque os que ficaram bebendo nos bares do entorno do estádio até pouco antes do horário de início da partida tentaram entrar em grande número. As longas filas que se formaram para a entrada no estádio já com o jogo em andamento causaram revolta nos torcedores, ocasionando o tumulto. Tudo porque a proibição de beber dentro do estádio faz com que as pessoas prolonguem a sua permanência fora dele. Nada disso aconteceria se fosse possível beber dentro do estádio. Não se mudam comportamentos criando leis. Beber nos estádios é um antigo hábito brasileiro, sem que isso gerasse violência em larga escala. Afora isso, nos pequenos clubes do interior, a renda da copa sempre foi um fator economicamente importante. O ideal seria a revogação total da antiga lei, permitindo a venda de bebida nos estádios sem restrições.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2018
Sem surpresa
Ao contrário dos sul-americanos, os europeus não fraquejam no Campeonato Mundial de Clubes. Depois da vexatória derrota do River Plate para o Al Ain, ontem, o jogo de hoje entre Real Madrid e Kashima Antlers foi sem surpresa. O Real Madrid venceu por 3 x 1, ao natural. O primeiro gol só saiu aos 44 minutos do primeiro tempo, mas, a partir daí, o Real Madrid construiu sua vitória sem maiores dificuldades. O grande nome do jogo foi Bale, que marcou os três gols do Real Madrid. Bale custou caríssimo, e ficou longos períodos parado por causa de lesões, mas, agora, vive uma grande fase. Ao que parece, a saída de Cristiano Ronaldo do Real Madrid foi favorável para Bale, que deixou de ser um coadjuvante de luxo para se tornar essencial no time. Com o resultado de hoje, o Real Madrid tem tudo para obter mais um título mundial. Mesmo que não esteja vivendo uma grande fase, a possibilidade de que venha a perder para o Al Ain é pouco mais que uma fantasia.
terça-feira, 18 de dezembro de 2018
Os 75 anos de Keith Richards
Talvez nenhum outro astro do rock seja tão polêmico e controvertido quanto Keith Richards. Guitarrista talentoso e compositor de sucesso em parceria com Mick Jagger, Keith Richards completa, hoje, 75 anos. Consumidor de drogas em larga escala, Richards parecia ser um candidato natural a ter uma morte precoce, mas atingiu uma idade que muitos adeptos de uma vida saudável não conseguem alcançar. Seu grupo, os Rolling Stones, continua em atividade, com mais de 50 anos de carreira. Em co-autoria com Jagger, compôs grandes clássicos como "Brown Sugar", "Angie", "Ruby Tuesday", "Let's Spend Night Together", "Waiting On a Friend", entre outros. Figura irreverente, Richards vai continuar "aprontando" muito, enquanto for possível. Richards demonstra que o corpo envelhece, mas que a mente pode permanecer jovem. Os 75 anos de Keith Richards mostram que o tempo corre célere também para os famosos. No caso de Richards, cada um desses anos foi vivido intensamente.
Vexame histórico
O fosso entre o futebol sul-americano e o europeu só faz aumentar. Antes, havia entre os dois um enfrentamento parelho. As Copas do Mundo apresentavam equilíbrio nas conquistas de cada lado, e nas diversas versões de campeonatos mundiais de clubes, acontecia o mesmo. Não é mais assim. Hoje, pela terceira vez desde que o Campeonato Mundial de Clubes adotou a atual configuração, em 2005, o representante da América do Sul foi derrotado nas semifinais da competição. O vexame histórico foi protagonizado pelo River Plate, atual detentor do título da Libertadores, que empatou em 2 x 2 com o Al Ain, campeão dos Emirados Árabes Unidos, país sede da competição, no tempo normal e na prorrogação, e perdeu nos tiros livres da marca do pênalti por 5 x 4. Antes, o mesmo fiasco havia ocorrido com o Inter, o Atlético Mineiro e o Nacional de Medellín. O Inter, em 2010, perdeu por 2 x 0 para o Mazembe, então campeão africano. O Atlético Mineiro, em 2013, foi derrotado por 3 x 1 pelo Raja Casablanca, campeão do país sede da edição do Mundial de Clubes daquele ano, o Marrocos. O Nacional de Medellín, em 2016, foi goleado por 3 x 0 pelo Kashima Antlers, campeão do pais que sediou o Mundial na ocasião, o Japão. A globalização teve um efeito devastador sobre o futebol sul-americano. Atualmente, a América do Sul é mera fornecedora de mão-de-obra para o futebol da Europa. A disparidade econômica acabou com o equilíbrio histórico entre os dois contendores. O pior é que não há nenhuma perspectiva de que isso possa mudar.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2018
No grupo do campeão
O que D'Alessandro não queria, aconteceu. No sorteio da Libertadores, o Inter ficou no grupo do campeão de 2018, o River Plate. O outro integrante do grupo já definido é o Alianza (Peru), um adversário fraco. Porém, falta conhecer o quarto integrante do grupo, e ele virá da Pré-Libertadores, com a possibilidade considerável de que seja o São Paulo, o que tornaria a disputa bem mais dura. Seja qual for o outro clube do grupo, no entanto, o Inter precisa se qualificar bem mais se não quiser ser eliminado precocemente da competição. A base que possui atualmente, mesmo com a boa campanha no Campeonato Brasileiro, é insuficiente para encarar a Libertadores e um calendário com várias competições paralelas.
Grupo difícil
O sorteio dos grupos da Libertadores de 2019 não foi dos mais favoráveis para o Grêmio. O Grêmio ficou num grupo difícil, junto com Rosário Central, Universidad Católica do Chile, e um clube que sairá da Pré-Libertadores. Na última vez em que se defrontou com o Rosário Central na competição, em 2015, nas oitavas de final, o Grêmio perdeu os dois jogos e foi eliminado da disputa. A estreia do Grêmio ocorrerá justamente contra o clube argentino, no Gigante de Arroyto, um estádio que é um verdadeiro caldeirão. Sem nenhuma contratação, até agora, e com a saída de alguns jogadores, o Grêmio corre o risco de ser eliminado ainda na fase de grupos, o que se constituiria em algo constrangedor para um clube que foi campeão da competição em 2017 e semifinalista em 2018.
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