domingo, 4 de novembro de 2018
O chororô surtiu efeito
Após os supostos prejuízos de arbitragem sofridos no empate em 1 x 1 com o Vasco, em São Januário, os dirigentes do Inter abriram o berreiro, esquecendo-se, convenientemente, dos inúmeros favorecimentos recebidos pelo seu clube por parte dos homens do apito. O chororô surtiu efeito. Na vitória por 2 x 1, de virada, sobre o Atlético Paranaense, hoje, no Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro, um erro grotesco de arbitragem, com a marcação de um pênalti que não existiu, definiu o resultado em favor do Inter. Como sempre, o Inter jogou pouco, mesmo diante de um adversário que estava com um time inteiramente reserva. A exemplo do que aconteceu contra o Paraná, também no Beira-Rio, o apito amigo agiu já nos acréscimos do jogo. Com bravura, o Atlético Paranaense ainda foi ao ataque, e quase empatou o jogo. Não satisfeito em marcar um pênalti inexistente, o árbitro terminou a partida quando o Atlético Paranaense teria um escanteio para ser cobrado, sem que o tempo de acréscimos houvesse se esgotado. O Inter e o apito amigo continuam andando de mãos dadas.
sábado, 3 de novembro de 2018
Resposta rápida
Superar uma desclassificação dolorosa como a de terça-feira, quando foi eliminado da Libertadores, não parecia ser uma tarefa fácil para o Grêmio. Porém, em seu primeiro jogo após o duro golpe, o Grêmio deu uma resposta rápida ao baque que sofreu, e venceu o Atlético Mineiro por 1 x 0, hoje, no Independência, pelo Campeonato Brasileiro. O gol surgiu logo no inicio do jogo, marcado por Geromel, e o Grêmio conseguiu sustentar a vantagem até o final. Geromel, por sinal, teve mais uma excelente atuação, justificando plenamente o conceito de que desfruta junto ao torcedor. A vitória manteve o Grêmio em quinto lugar, apenas um ponto atrás do São Paulo, contra quem ainda terá um confronto direto, no Morumbi. O Grêmio busca chegar pelo menos em quarto lugar no Brasileirão para se classificar de forma direta para a próxima Libertadores. Afora Geromel, outros jogadores também tiveram atuações dignas de destaque. Um deles foi Paulo Miranda, que, novamente, teve um desempenho muito seguro. Foi, verdadeiramente, uma lástima que tenha deixado o jogo contra o River Plate por ter sentido câimbras, aos 26 minutos do segundo tempo. Se tivesse permanecido até o fim do jogo, o resultado, certamente, seria outro. Mostrar capacidade de superação era essencial para o Grêmio, hoje, e isso foi obtido. O ano não acabou para o Grêmio, que ainda têm objetivos a serem alcançados. Se o título ficou inalcançável, pois o Palmeiras disparou na pontuação, o Grêmio ainda pode ultrapassar os outros clubes que estão à sua frente.
sexta-feira, 2 de novembro de 2018
Desfaçatez
O governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) nem tomou posse e o país, estarrecido se vê diante de uma série de anúncios desencontrados, medidas democraticidas sendo aventadas, entre outras barbaridades. Porém, nada é pior e mais carregado de desfaçatez do que a indicação do juiz Sérgio Moro para ser o futuro superministro da Justiça e Segurança. Moro, tido por "herói" pela direita brasileira, não teve o menor constrangimento em aceitar o convite, escancarando o que todas as pessoas lúcidas desse país já sabiam, ou seja, que o julgamento e a condenação do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva foi um episódio político e não jurídico. Agora, ficou evidente em troca de quê Moro condenou Lula. Seu papel era impedir que Lula concorresse na eleição presidencial, que certamente venceria. Em troca, Moro torna-se um superministro e, em 2020, quando Celso de Melo for atingido pela aposentadoria compulsória, ganhará uma cadeira no Supremo Tribunal Federal. Um negócio da China, pois, por ser jovem, Moro poderá ficar décadas no Supremo. A direita, mais uma vez, mostrou o quanto é despudorada. Não se importa em exibir seu desrespeito para com a ética. O governo nem começou, e já desperta, nas pessoas que tem senso crítico, o desejo de que o tempo transcorra rapidamente, para que esse pesadelo acabe.
quarta-feira, 31 de outubro de 2018
A decisão que a Conmebol queria
A Libertadores será decidida entre River Plate e Boca Juniors. Uma despedida com chave de ouro para as edições com dois jogos na decisão, já que, a partir de 2019 a competição será definida num jogo único, em local previamente designado, como ocorre na Champions League. Nunca antes a Libertadores teve dois finalistas da Argentina, e, quando isso acontece a disputa será entre os dois clubes de maior rivalidade no país. Sem dúvida, quando ficaram definidos os semifinalistas, essa tornou-se a decisão que a Conmebol queria. Não se verificaram erros monstruosos de arbitragem contra Grêmio e Palmeiras, os outros participantes das semifinais, mas é óbvio que o charme de uma decisão entre os dois gigantes argentinos era algo que fascinava a Conmebol. Será uma decisão sem favoritismo, pois é um clássico de enorme rivalidade. O River Plate tem mais qualidade que o Boca Juniors, mas isso não lhe concede vantagem, pois, numa decisão desse nivel, o esforço e a superação podem nivelar tudo.
terça-feira, 30 de outubro de 2018
Castigo doloroso
Uma eliminação dura, com requintes de crueldade. Assim foi a derrota do Grêmio por 2 x 1, de virada, para o River Plate, hoje, na Arena, que resultou na sua desclassificação da Libertadores. Foi um castigo doloroso, mas uma consequência natural para um clube cujo técnico insistiu em desafiar o bom senso, escalando jogadores que não possuem condições de jogar pelo Grêmio. Renato, depois das várias falhas de Bressann em jogos pelo Campeonato Brasileiro, não o escalou hoje, e escolheu Paulo Miranda para compor a dupla de zaga com Geromel. Paulo Miranda fazia uma grande partida, quando teve de sair por lesão. Aí, tudo começou a se complicar para o Grêmio. Bressan não saiu jogando, mas estava no banco, e entrou no lugar de Paulo Miranda. Antes mesmo de tocar na bola, Bressan levou um cartão amarelo. Pouco depois, o Grêmio sofreu o gol de empate. No final do jogo, quando a classificação parecia garantida, Bressan cometeu um pênalti absurdo, que não foi percebido pelo árbitro, mas foi captado pelo VAR. O River Plate fez o seu segundo gol, que tirou o Grêmio da Libertadores. Ainda que o Grêmio tenha queixas a fazer da Conmebol, as declarações de Renato e do presidente Romildo Bolzan Júnior não traduzem a realidade. O Grêmio não foi roubado, como afirmou Renato. O "subterrâneo"a que se referiu Romildo Bolzan Júnior também não foi o fator que decidiu a partida. Se é verdade que Everton perdeu um gol feito quando o jogo estava 1 x 0 para o Grêmio, o que poderia ter decidido tudo, nada foi pior do que os erros de Bressan, um jogador que já comprovou de forma exaustiva que não tem condições de vestir a camisa do Grêmio. Todos sabiam disso, só Renato insiste em negar o óbvio. Mais cedo ou mais tarde, a conta viria. Ela veio de uma forma terrível, fazendo escapar uma classificação que estava quase garantida. Em respeito à torcida do Grêmio, Bressan não pode mais jogar pelo clube.
segunda-feira, 29 de outubro de 2018
Uma receita fadada ao fracasso
Um presidente que admite nada entender de economia, e que por isso vai comer na mão do seu ministro da Fazenda, já é, por si só, algo assustador. Se esse ministro for adepto do ultraliberslismo, torna-se apavorante. Esse é o caso do presidente eleito Jair Bolsonaro e seu futuro ministro da Fazenda, Paulo Guedes. O receituário econômico de direita, como meio de debelar crises, jamais deu certo em lugar algum, é uma receita fadada ao fracasso. O exemplo mais recente disso é a Argentina, do presidente Maurício Macri. A Argentina está quebrada, e, em consequência, teve de recorrer ao FMI. Essa situação o Brasil conhece muito bem. No último governo da ditadura militar, o do general João Batista de Oliveira Figueiredo, o Brasil quebrou, e teve, depois de três décadas, de recorrer ao FMI. A crise se prolongou pelo governo seguinte, de José Sarney, já na redemocratização, com a inflação atingindo níveis galopantes. As receitas econômicas clássicas de direita só funcionam na teoria. Na prática, só geram desemprego e recessão. A fidelidade do eleitor acaba quando o seu bolso fica vazio. A lua de mel de Bolsonaro com o seu eleitorado vai durar muito pouco. A crise, em vez de ser mitigada, vai se agudizar. O temor que paira no ar é o de que o governo recorra a um golpe para se manter no poder. Dentro das regras democráticas, o futuro governo não terá como evitar um colapso, e a abreviação do seu mandato.
domingo, 28 de outubro de 2018
O pesadelo está só começando
O avanço nas pesquisas verificado nos últimos dias não foi suficiente para Fernando Haddad (PT) obter uma virada na eleição presidencial. Com pouco mais de 55% dos votos, Jair Bolsonaro (PSL) é o novo presidente do Brasil. Haddad recebeu pouco mais de 44% dos votos. A diferença em favor de Bolsonaro não chegou a 11% dos votos, enquanto no início da campanha do segundo turno as pesquisas apontavam uma vantagem de 18%. Esse dado revela o quanto o país está dividido. Bolsonaro tem ao seu lado uma maioria circunstancial, não uma avalanche de apoiadores, como muitos tentaram fazer crer. Sua eleição se assemelha com a de dois outros presidentes brasileiros, Jânio Quadros e Fernando Collor de Melo. Em comum com ambos, Bolsonaro tem o discurso moralista e o fato de ter concorrido por um partido sem expressão. Jânio renunciou sete meses depois de empossado. Collor sofreu impeachment na metade de seu mandato. A menos que recorra a um golpe, pois tem os militares ao seu lado, Bolsonaro não deverá ter melhor sorte. A política não perdoa os aventureiros. Porém, o pesadelo está só começando. Os brasileiros terão muito sofrimento pela frente, como consequência de uma desatinada escolha. Os que votaram em Bolsonaro, no entanto, não poderão se queixar quando a realidade bater à sua porta. Afinal, como expressa um ditado popular, quem corre por gosto não cansa.
sábado, 27 de outubro de 2018
Ainda há tempo de evitar um desastre
Amanhã será realizado o segundo turno da eleição presidencial. Dois candidatos absolutamente antagônicos estarão disputando o voto dos eleitores brasileiros. De um lado, favorito para o pleito, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL). De outro, o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT). Bolsonaro e Haddad são como água e azeite, não se misturam. O candidato do PSL é racista, adepto da homofobia, misógino e defensor da ditadura militar que tanto mal fez ao país. Haddad é professor, um homem culto, sereno, equilibrado e capacitado. Ainda há tempo de evitar um desastre, que seria a eleição do tresloucado Bolsonaro. O antipetismo de parcelas do eleitorado brasileiro não pode servir de justificativa para colocar no poder um homem despreparado e violento, que não tem compromisso com a democracia. Um governo de Bolsonaro seria uma aventura funesta. O caminho estaria aberto para uma nova ditadura militar, Um governo de Haddad seria de conciliação, de busca de superação da polarização ideológica que se estabeleceu no país. Mais uma vez, é hora da esperança vencer o medo. Em vez de armas, escolha os livros. Aposte na democracia, não no autoritarismo.
sexta-feira, 26 de outubro de 2018
Um sonho cada vez mais distante
Mais uma vez, o Inter esteve na frente no placar e,novamente, deixou a vitória escapar. O empate em 1 x 1 com o Vasco, hoje, em São Januário, fez da conquista do título do Campeonato Brasileiro um sonho cada vez mais distante para o Inter. No jogo de hoje, a exemplo do que aconteceu nas derrotas de virada para Chapecoense e Sport, o Inter enfrentou um adversário nitidamente inferior, saiu na frente no placar, mas não conseguiu a vitória. O desempenho do Inter no primeiro tempo foi sofrível. No segundo, os doía times mostraram mais ambição. O Vasco foi quem teve mais chances de gol, mas foi o Inter que abriu o marcador, com um gol aos 42 minutos. A vitória parecia certa, pois faltava pouco para o jogo terminar. Porém, três minutos depois do gol do Inter, o Vasco teve um pênalti marcado em seu favor, e estabeleceu o resultado final da partida. A chiadeira dos dirigentes do Inter em relação à arbitragem foi exagerada, pois o clube foi muito beneficiado pelo apito amigo, ao longo do Brasileirão. Ao Inter parece restar, apenas, a luta para permanecer entre os clubes que irão se classificar de forma direta para a Libertadores. A conquista do título, ainda é possível, matematicamente, mas tornou-se improvável.
quinta-feira, 25 de outubro de 2018
Debate desigual
O último debate antes das eleições costuma ter pouca influência no resultado das urnas. Na eleição para governador do Rio Grande do Sul, tanto faz, também, pois os dois candidatos que foram para o segundo turno são do mesmo espectro ideológico. Ainda assim, o que se viu, hoje à noite, foi um debate desigual. Afinal, poucas vezes um candidato mostrou tamanho despreparo quanto o atual governador José Ivo Sartori (MDB), que concorre à reeleição. Sartori, cuja derrota é praticamente certa de acordo com as pesquisas, mostrou-se tenso e inseguro o tempo inteiro, e preso ao roteiro que seus assessores lhe impuseram. Seu adversário, Eduardo Leite (PSDB), não deixou escapar esse detalhe, e, em dado momento, chegou a dizer que, ao contrário do seu oponente, não iria ler um texto previamente elaborado. Nada disso deve surpreender ninguém. O espantoso não é que Sartori esteja muito abaixo de Leite nas pesquisas, mas sim que tenha conseguido chegar ao segundo turno da eleição. Nunca, em tempo algum, o Rio Grande do Sul teve um governador pior do que Sartori. Nenhum outro foi tão inepto e incapaz. Na verdade, o que Sartori fez foi um desgoverno. Durante todo o seu mandato limitou-se a pagar o funcionalismo público com atraso e reclamar das condições financeiras precárias que encontrou quando assumiu o cargo. Afora praticar crueldades contra o funcionalismo e queixar-se da falta de recursos financeiros, Sartori nada fez em termos práticos para resolver qualquer um dos muitos problemas do Estado. Seu adversário, Eduardo Leite, cuja vitória é praticamente certa, não representa nenhum alento, pois segue a mesma cartilha neoliberal de Sartori, mas nada é pior que o atual governador. No debate, Leite mostrou uma fala articulada, ao contrário de Sartori, que tinha dificuldade para se expressar e só dizia o que o roteiro que lhe foi dado estabelecia. Leite não traz nenhuma esperança de dias melhores para o Rio Grande do Sul, mas a saída de cena de Sartori, por si só, será um alívio para o Estado.
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