quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Contraste

Os jogos dos semifinalistas brasileiros da Libertadores nessa semana foram marcados pela diferença de desempenho. Houve um sensível contraste entre as atuações de Grêmio e Palmeiras contra River Plate e Boca Juniors, respectivamente. Se, ontem, o Grêmio surpreendeu até os seus torcedores e venceu o River Plate, com merecimento, em pleno Monumental de Nunez, o Palmeiras decepcionou. Hoje, na Bombonera, o Palmeiras perdeu para o Boca Juniors por 2 x 0. Os dois gols saíram no final do jogo, um aos 38 minutos e outro aos 43, do segundo tempo. Até então, o jogo se arrastava num 0 x 0 com muita pouca inspiração dos dois times. O Palmeiras acabou punido por sua falta se ambição. Dispondo de um grupo de jogadores qualificado, o Palmeiras poderia ser mais ofensivo, mas, parecendo satisfeito com um empate, praticamente não atacou durante a partida inteira. No futebol, tudo é possível, e o Palmeiras ainda poderá reverter o confronto, mas o Boca Juniors está com um pé na decisão da competição.

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Classificação encaminhada

Foi muito melhor do que qualquer expectativa. O Grêmio venceu o River Plate por 1 x 0, hoje, no Monumental de Nunez, pelas semifinais da Libertadores. O resultado deixa a classificação encaminhada, já que bastará um empate no segundo jogo, na Arena, para o Grêmio disputar mais uma decisão de Libertadores. Claro, nada está decidido. O River Plate é um clube de grande tradição, e pode reverter o confronto. Até porque, Kannemann não jogará na Arena, por ter recebido o terceiro cartão amarelo, e o Grêmio não dispõe de um reserva satisfatório. A vitória de hoje, no entanto, deve ser devidamente  valorizada. Para quem entrou em campo sem dois de seus melhores jogadores, Everton e Luan, foi mais um grande feito. O maior destaque do jogo foi, sem dúvida, Michel que, depois de um longo afastamento por lesão, fez sua segunda partida, com muito boa atuação, e marcou o gol da vitória. O sonho do Grêmio de conquistar o seu quarto título de Libertadores começa a ficar próximo de se realizar.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Empate em hora errada

As vitórias de Palmeiras e Flamengo na rodada do Campeonato Brasileiro, tornavam obrigatório que o Inter vencesse o Santos, hoje, no Beira-Rio. O cenário era favorável, jogando em cada com o apoio de 43 mil pessoas. O Inter chegou a estar vencendo por duas vezes, mas o resultado final foi 2 x 2. Um empate em hora errada para o Inter. Faltando apenas oito rodadas para o término do Brasileirão, o Inter caiu para o terceiro lugar, e ficou cinco pontos atrás do líder, o Palmeiras. O sonho do título começa a ficar distante. O resultado de hoje não foi injusto. O Santos teve mais chances de gol do que o Inter ao longo do jogo, e poderia ter vencido. O Inter teve um gol anulado de forma correta. Claro que levar sete minutos para decidir sobre o lance, como fez a arbitragem, é inadmissível, mas a anulação foi justa. Portanto, o resultado da partida não teve a influência da arbitragem. A classificação está traduzindo a diferença entre postulantes ao título. Palmeiras e Flamengo possuem times e grupos melhores que os do Inter, e é natural que estejam melhor classificados.  Ao Inter parece restar, a partir de agora, a luta para permanecer entre os quatro primeiros colocados e, dessa forma, garantir classificação direta para a Libertadores .

domingo, 21 de outubro de 2018

A consumação do golpe

A máscara caiu de vez. A desfaçatez tomou conta do país. A omissão do Tribunal Superior Eleitoral diante das fake news disparadas no Whatsapp por empresários apoiadores do candidato a presidente pelo PSL, Jair Bolsonaro, é a consumação do golpe. Como a fala do senador Romero Jucá (MDB-RR), num vídeo que se tornou célebre, deixou claro, houve "um acordo com o Supremo, com tudo". A postura do Tribunal Superior Eleitoral eliminou qualquer dúvida que ainda houvesse de que o Poder Judiciário brasileiro fez parte do golpe que derrubou uma presidente legitimamente eleita. O ódio irracional ao PT levou a magistratura brasileira a abdicar de uma postura que deveria ser obrigatoriamente equidistante, para se aliar, despudoradamente e sem disfarces, com uma candidatura fascista que, caso chegue ao poder, será um retrocesso na história do país, afundando-o nas trevas. A Justiça é o último recurso da sociedade contra as atrocidades que a perseguem. No momento em que ela anda de mãos dadas com o fascismo, nada mais resta ao povo, só o desespero de quem se vê cercado pelo caos.

sábado, 20 de outubro de 2018

Erros repetidos

O técnico do Grêmio, Renato, não volta atrás em suas decisões, por mais equivocadas que sejam. Os erros repetidos de Renato estão custando preciosos pontos ao Grêmio no Campeonato Brasileiro. Hoje, contra o América Mineiro, no Independência, Renato, mais uma vez escalou Bressan e Marcelo Oliveira, mesmo eles tendo sido os dois piores jogadores em campo contra o Palmeiras, e responsáveis diretos pela derrota. Pior do que isso, Renato deu a braçadeira de capitão para Marcelo Oliveira, e quando ele foi substituído, no segundo tempo, ela foi repassada para Bressan. Atitudes como essa são uma tentativa infantil de Renato de defender seus jogadores das críticas da imprensa. Porém, o maior prejudicado é o Grhêmio. O jogo terminou empatado em 1 x 1, e mais dois pontos foram desperdiçados pelo Grêmio numa partida que poderia vencer. O América Mineiro abriu o placar no primeiro tempo numa falha de Marcelo Oliveira. No segundo, o Grêmio conseguiu empatar, e tomou conta do jogo, parecendo que o gol da vitória viria a qualquer momento. Aí, Renato cometeu mais um erro. Retirou Kaio, que dava consistência defensiva no meio campo, e colocou Douglas em seu lugar. A presença de Douglas fragilizou o Grêmio, e cortou a reação que era demonstrada em campo. Renato está privilegiando a defesa de jogadores que lhes são leais, em detrimento dos interesses do Grêmio. No futebol altamente profissionalizado da atualidade, não há lugar para a ação entre amigos. Está na hora do departamento de futebol do Grêmio fazer Renato ver que o clube está acima de tudo, pois é ele que paga, e bem, ao técnico e aos jogadores. Sendo assim, Renato tem de perceber que ele tem de fazer, sempre, o melhor para que o clube obtenha vitórias, e isso implica, muitas vezes, barrar jogadores que não estão correspondendo. No futebol, não há lugar para o compadrio.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Nada será como antes

O título acima, lamentavelmente, não é uma referência a belíssima composição de Beto Guedes e Milton Nascimento, imortalizada na voz de Elis Regina. Ele remete ao que será a vida de cada brasileiro após a eleição presidencial. Nunca, em toda a sua história, o país esteve tão dividido. O problema é que essa divisão não se dá entre grupos fechados e desconectados. O conflito entre os apoiadores do fascista Jair Bolsonaro e os defensores da democracia se dá dentro das famílias, entre parentes e amigos, colegas de trabalho. O antagonismo dessas posições é tão grande que, seja qual for o resultado da eleição, a recomposição de relações abaladas será muito difícil, senão impossível. Afinal, não se trata de uma discussão sobre quem é melhor, se Pelé ou Maradona. O que está em questão é muito maior. Autoritarismo e violência, de um lado, humanismo e tolerância, do outro. A inconformidade com o resultado, por parte de quem for derrotado, será gigantesca. Amizades serão desfeitas, famílias ficarão cindidas, parentes irão romper relações, vizinhos se tornarão beligerantes. A disputa que está ocorrendo no Brasil é entre civilização e barbárie. Não há entendimento possível entre os que possuem posições tão díspares. Por isso é que nada será como antes. Relações que pareciam sólidas, construídas ao longo de uma vida, irão se esfarinhar. Certas fraturas são definitivas, não podem ser reconstituídas.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Escândalo eleitoral

O Brasil está vivendo a eleição presidencial mais suja da sua história. A coligação que apoia o candidato Jair Bolsonaro  (PSL), de acordo com reportagem do jornal "Folha de São Paulo", está se beneficiando de um esquema de caixa dois montado por empresários para disparar "fake news" contra o PT e seu candidato no Whatsapp. Um escândalo eleitoral que não pode ficar por isso mesmo. O Poder Judiciário, tão desgastado na sua imagem por sucessivos desmandos, precisa fazer a sua parte. No caso, corresponde ao Tribunal Superior Eleitoral o papel de cassar a candidatura de Bolsonaro por abuso de poder econômico. O pedido nesse sentido já foi protocolado pelo PT e outros partidos que tomaram parte na eleição, pois o esquema já estava atuante no primeiro turno. Os fatos revelados pela reportagem são mais do que suficientes para cassar a candidatura de Bolsonaro. Se vier a se omitir em tão grave momento, o Judiciário mostrará que é parte integrante do conluio que pretende tomar o poder a qualquer preço. A imagem de candidato honesto e contra a corrupção, apresentada por Bolsonaro, caiu por terra. A cassação de sua candidatura é uma imposição legal e ética. Cabe ao Tribunal Superior Eleitoral fazer o que é seu dever, sem ceder diante de pressões ou ameaças.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

O recordista de títulos

Confirmando a expectativa geral, o Cruzeiro é o campeão da Copa do Brasil de 2018. O título veio com uma nova vitória sobre o Corinthians, dessa vez por 2 x 1, hoje, no Itaquerão. O Cruzeiro saiu na frente no placar, no primeiro tempo. No segundo, sofreu o empate num pênalti discutível, mas foi beneficiado com a anulação de um gol do Corinthians. Para não deixar dúvidas sobre o mérito da conquista, chegou ao desempate com um golaço de Arrascaeta. Dessa forma, o Cruzeiro tornou-se o recordista de títulos da Copa do Brasil, com seis, e é o primeiro clube a ganhar a competição por dois anos consecutivos, ou seja, é bicampeão. O seu técnico, Mano Menezes, mostrou, novamente, ser um especialista em competições eliminatórias. Seu futebol pragmático, sem brilho, concedendo a posse de bola ao adversário, mais uma vez, se mostrou eficaz. O título ficou com quem soube como ganhar, mesmo que sem um grande desempenho técnico ao longo da competição.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

O gol que salvou o jogo

Foi um jogo ruim, arrastado, sem grandes atrativos. Esse é o resumo de Brasil 1 x 0 Argentina, hoje, no King Abdullah Stadium, em Jeddah. Um único fato fez a diferença, e ele ocorreu já nos acréscimos da partida. O gol que salvou o jogo e deu a taça que estava em disputa, para a Seleção Brasileira. Diante de uma Argentina descaracterizada, sem os seus principais jogadores, a Seleção não desenvolveu um bom futebol, e venceu sem maior merecimento. O gol pelo menos poupou a todos do constrangimento de assistir a uma disputa de tiros livres da marca do pênalti para a definição de quem ficaria com a taça. A Seleção segue sem convencer sob a orientação do técnico Tite. Depois da magnífica reação nas Eliminatórias, a Seleção treinada por Tite, desde a Copa do Mundo, joga um futebol previsível e sem brilho. Não se nota evolução no trabalho do técnico. Tite obteve um voto de confiança da CBF, que renovou o seu contrato mesmo depois do decepcionante rendimento da Seleção na Copa. Porém, se o futebol da equipe não melhorar muito, e se o título da Copa América, que será sediada pelo Brasil em 2019, não for conquistado, Tite não deverá continuar no cargo. No futebol, tudo depende dos resultados.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

O desapreço pela democracia

O que explica a adesão de tantos brasileiros a candidatura presidencial de um homem claramente desequilibrado e que faz questão de bradar seus preconceitos, que propõe a violência e faz a apologia da tortura? O principal motivo é o desapreço pela democracia que caracteriza grande parte da população brasileira. Por ignorância histórica e despolitização, um enorme contingente de brasileiros não preza a democracia. São pessoas que acham que o golpe militar de 1964 "salvou o Brasil do comunismo", que as torturas e assassinatos ocorridos no período são invenção de esquerdistas, que naquela época não havia corrupção, e que gostariam de ver implantada a pena de morte no país. A execrável censura aos meios de comunicação que ocorria na ditadura militar não as incomodava. Afinal, é preciso evitar a disseminação de "imoralidades". A todo esse caldeirão de boçalidade se junta o obscurantismo religioso, com sua "defesa da família e dos valores". A combinação de todos esses fatores levou um significativo número de brasileiros a votar no candidato a presidente pelo PSL, Jair Bolsonaro, o que demonstra que partilham de seus preconceitos e posicionamentos discriminatórios. Caso Bolsonaro ganhe a eleição no segundo turno, o Brasil irá ingressar num período de medievalismo cujas consequências serão imprevisíveis. Porém, para os brasileiros que votam nele isso parece não importar. Se não aprenderam o valor da democracia depois do espúrio golpe militar, dificilmente algo fará com que o percebam.