quinta-feira, 18 de outubro de 2018
Escândalo eleitoral
O Brasil está vivendo a eleição presidencial mais suja da sua história. A coligação que apoia o candidato Jair Bolsonaro (PSL), de acordo com reportagem do jornal "Folha de São Paulo", está se beneficiando de um esquema de caixa dois montado por empresários para disparar "fake news" contra o PT e seu candidato no Whatsapp. Um escândalo eleitoral que não pode ficar por isso mesmo. O Poder Judiciário, tão desgastado na sua imagem por sucessivos desmandos, precisa fazer a sua parte. No caso, corresponde ao Tribunal Superior Eleitoral o papel de cassar a candidatura de Bolsonaro por abuso de poder econômico. O pedido nesse sentido já foi protocolado pelo PT e outros partidos que tomaram parte na eleição, pois o esquema já estava atuante no primeiro turno. Os fatos revelados pela reportagem são mais do que suficientes para cassar a candidatura de Bolsonaro. Se vier a se omitir em tão grave momento, o Judiciário mostrará que é parte integrante do conluio que pretende tomar o poder a qualquer preço. A imagem de candidato honesto e contra a corrupção, apresentada por Bolsonaro, caiu por terra. A cassação de sua candidatura é uma imposição legal e ética. Cabe ao Tribunal Superior Eleitoral fazer o que é seu dever, sem ceder diante de pressões ou ameaças.
quarta-feira, 17 de outubro de 2018
O recordista de títulos
Confirmando a expectativa geral, o Cruzeiro é o campeão da Copa do Brasil de 2018. O título veio com uma nova vitória sobre o Corinthians, dessa vez por 2 x 1, hoje, no Itaquerão. O Cruzeiro saiu na frente no placar, no primeiro tempo. No segundo, sofreu o empate num pênalti discutível, mas foi beneficiado com a anulação de um gol do Corinthians. Para não deixar dúvidas sobre o mérito da conquista, chegou ao desempate com um golaço de Arrascaeta. Dessa forma, o Cruzeiro tornou-se o recordista de títulos da Copa do Brasil, com seis, e é o primeiro clube a ganhar a competição por dois anos consecutivos, ou seja, é bicampeão. O seu técnico, Mano Menezes, mostrou, novamente, ser um especialista em competições eliminatórias. Seu futebol pragmático, sem brilho, concedendo a posse de bola ao adversário, mais uma vez, se mostrou eficaz. O título ficou com quem soube como ganhar, mesmo que sem um grande desempenho técnico ao longo da competição.
terça-feira, 16 de outubro de 2018
O gol que salvou o jogo
Foi um jogo ruim, arrastado, sem grandes atrativos. Esse é o resumo de Brasil 1 x 0 Argentina, hoje, no King Abdullah Stadium, em Jeddah. Um único fato fez a diferença, e ele ocorreu já nos acréscimos da partida. O gol que salvou o jogo e deu a taça que estava em disputa, para a Seleção Brasileira. Diante de uma Argentina descaracterizada, sem os seus principais jogadores, a Seleção não desenvolveu um bom futebol, e venceu sem maior merecimento. O gol pelo menos poupou a todos do constrangimento de assistir a uma disputa de tiros livres da marca do pênalti para a definição de quem ficaria com a taça. A Seleção segue sem convencer sob a orientação do técnico Tite. Depois da magnífica reação nas Eliminatórias, a Seleção treinada por Tite, desde a Copa do Mundo, joga um futebol previsível e sem brilho. Não se nota evolução no trabalho do técnico. Tite obteve um voto de confiança da CBF, que renovou o seu contrato mesmo depois do decepcionante rendimento da Seleção na Copa. Porém, se o futebol da equipe não melhorar muito, e se o título da Copa América, que será sediada pelo Brasil em 2019, não for conquistado, Tite não deverá continuar no cargo. No futebol, tudo depende dos resultados.
segunda-feira, 15 de outubro de 2018
O desapreço pela democracia
O que explica a adesão de tantos brasileiros a candidatura presidencial de um homem claramente desequilibrado e que faz questão de bradar seus preconceitos, que propõe a violência e faz a apologia da tortura? O principal motivo é o desapreço pela democracia que caracteriza grande parte da população brasileira. Por ignorância histórica e despolitização, um enorme contingente de brasileiros não preza a democracia. São pessoas que acham que o golpe militar de 1964 "salvou o Brasil do comunismo", que as torturas e assassinatos ocorridos no período são invenção de esquerdistas, que naquela época não havia corrupção, e que gostariam de ver implantada a pena de morte no país. A execrável censura aos meios de comunicação que ocorria na ditadura militar não as incomodava. Afinal, é preciso evitar a disseminação de "imoralidades". A todo esse caldeirão de boçalidade se junta o obscurantismo religioso, com sua "defesa da família e dos valores". A combinação de todos esses fatores levou um significativo número de brasileiros a votar no candidato a presidente pelo PSL, Jair Bolsonaro, o que demonstra que partilham de seus preconceitos e posicionamentos discriminatórios. Caso Bolsonaro ganhe a eleição no segundo turno, o Brasil irá ingressar num período de medievalismo cujas consequências serão imprevisíveis. Porém, para os brasileiros que votam nele isso parece não importar. Se não aprenderam o valor da democracia depois do espúrio golpe militar, dificilmente algo fará com que o percebam.
domingo, 14 de outubro de 2018
Recuperação
A reabilitação era obrigatória. Depois da vexatória derrota para o Sport, na Ilha do Retiro, o Inter precisava provar que ainda era um postulante ao título do Campeonato Brasileiro. A recuperação veio com uma vitória de 3 x 1 sobre o São Paulo, de virada, hoje, no Beira-Rio. O resultado deixou o Inter apenas três pontos atrás do líder do Brasileirão, o Palmeiras. Portanto, mesmo tendo desperdiçado pontos contra adversários fracos, o Inter segue com grandes chances de alcançar o título. O São Paulo, por sua vez, assim como o Grêmio, deixou de ser um candidato a conquista da competição. Ao que tudo indica, nas nove rodadas restantes, só o Flamengo ainda poderá lutar pelo título com os dois primeiros colocados.
A soberba de Renato
O pior que pode acontecer a um clube, num jogo de futebol, é já entrar em campo previamente derrotado. Por vários fatores, o Palmeiras era favorito diante do Grêmio, hoje, no Pacaembu, pelo Campeonato Brasileiro. Afinal, o Palmeiras lidera o Brasileirão, jogava como mandante, tinha poucos desfalques, e o Grêmio estava sem seis titulares. Porém, o que determinou a derrota do Grêmio por 2 x 0, foi a escalação que colocou em campo. O técnico Renato, cuja autoconfiança não tem limites, escalou um time que retirou do Grêmio qualquer possibilidade de obter um bom resultado. A soberba de Renato faz com que ele não aceite nenhuma contraposição às suas escolhas. Por mais que as partidas demonstrem que determinados jogadores não devam ser escalados, por absoluta deficiência técnica, Renato insiste em contrariar o bom senso. Tendo Paulo Miranda e Juninho Capixaba no grupo, Renato, pela enésima vez, escalou Bressan e Marcelo Oliveira no setor esquerdo de defesa do Grêmio. A consequência não podia ser outra. Os dois tiveram péssimas atuações, é contribuíram decisivamente para a derrota do Grêmio. Bressan foi particularmente desastroso. Ele fez contra o primeiro gol, cometeu um pênalti que o árbitro não marcou, e teve duas falhas patéticas no lance que determinou o placar definitivo do jogo. A torcida e a imprensa há muito já firmaram a convicção de que os dois jogadores não têm condições de vestir a camisa do Grêmio. Renato sustenta o contrário, e mostra irritação quando questionado a respeito. A insistência de escalar Maicon e Cícero juntos no meio de campo, embora os dois nunca tenham mostrado sincronia, é outra teimosia absurda de Renato. Outro erro foi a volta do esquema com um centroavante de referência desde o jogo com o Bahia, quando o sistema com um "falso nove", vinha dando bons resultados. Embora seja esforçado, Jael é muito limitado. Com o revés de hoje, o Grêmio praticamente ficou sem chances de conquistar o título da competição. Renato, que tantas glórias deu ao Grêmio como jogador e técnico, dessa vez foi o grande responsável por esse fracasso.
sábado, 13 de outubro de 2018
Duas faces da mesma moeda
O segundo turno da eleição para governador do Rio Grande do Sul é algo extremamente bizarro. Os "adversários" são duas faces da mesma moeda. O PSDB, partido de Eduardo Leite, foi da base aliada do atual governador e candidato a reeleição, José Ivo Sartori (MDB), até 2017. Ambos apoiam o candidato a presidente pelo PSL, Jair Bolsonaro, e defendem as privatizações como solução para os problemas financeiros do Estado. Essa é a condição dramática da eleição. Não há contraposição, é mais do mesmo. Cabe ao eleitor, apenas, escolher entre o ruim e o pior. Pelas ideias que eles partilham na área econômica, nada irá mudar para os cidadãos, que continuarão a sofrer com o arrocho salarial, o parcelamento nos pagamentos do funcionalismo público, a substituição da Previdência pública pela privada, a venda de patrimônio do Estado. Uma estranha opção do eleitorado pelo masoquismo, pois seja quem for o vencedor, sua vida irá piorar. Leite e Sartori não tem compromisso com os mais necessitados. Tanto um como outro opera em favor dos grandes grupos econômicos. A Argentina de Maurício Macri está aí de exemplo para que se veja o quanto é desastroso o receituário neoliberal. Há um ditado que expressa que quem corre por gosto não cansa. No caso dos eleitores do Rio Grande do Sul, o cansaço chegará logo. Serão mais quatro anos de estagnação para o Estado.
sexta-feira, 12 de outubro de 2018
Acabar com os ativismos
Entre as tantas excrescências que vomita em suas falas, o candidato a presidente pelo PSL, Jair Bolsonaro, disse que vai acabar com todos os ativismos. Essa é uma das tantas declarações que evidenciam a índole fascista de Bolsonaro. Não é de hoje que políticos de direita buscam criminalizar os movimentos sociais. Eles querem uma sociedade amordaçada, que se deixe tratar como gado, sem protestar. Nada é mais típico do discurso de direita do que "o povo ordeiro e trabalhador", ou seja, que labora muito, ganha mal, tem seus direitos pisoteados ou, até, suprimidos, e aguenta passivamente. A pretensão de Bolsonaro não vai se concretizar, caso ele ganhe a eleição. Os tempos são outros. Os movimentos sociais são muito mais fortes e estruturados do que em outras épocas. Se tentar reprimir manifestações, Bolsonaro vai promover um banho de sangue. Os que apostam na repressão sempre perdem. O ser humano nasceu para a liberdade, não para a opressão.
quinta-feira, 11 de outubro de 2018
Um salto no abismo
Faltando 18 dias para o segundo turno da eleição presidencial, é preciso que a sensatez se sobreponha ao antipetismo irracional que se apoderou de vários setores da sociedade brasileira. Com a colaboração criminosa, por ação ou omissão, da imprensa e do Poder Judiciário, o Brasil corre o risco de dar um salto no abismo, elegendo para presidente um homem intelectualmente limitado, culturalmente indigente, apologista da tortura, racista, misógino e adepto da homofobia. Seu candidato a vice defende a realização de uma nova constituição feita por "notáveis" escolhidos pelo presidente, e quer acabar com o décimo-terceiro salário. O Brasil, na hipótese de um candidato tão despreparado e nefasto vir a ganhar a eleição, irá mergulhar no mais absoluto caos. Não é possível que se assista a isso passivamente. O golpe do impeachment custou muito caro, permitindo o surgimento da candidatura de um desequilibrado ao mais alto cargo do país. Chegou a hora de deixar as vaidades e picuinhas políticas de lado para impedir a destruição do futuro do Brasil. Votar em Fernando Haddad no segundo turno não é ser petista, é possuir senso humanitário. Todas as pessoas lúcidas e decentes do país tem a obrigação de dar o seu apoio público para Haddad. Não se trata de uma questão partidária ou ideológica, mas de salvar o Brasil do desastre, de escolher a paz e não a violência, a democracia em vez do autoritarismo. O mal pode ser evitado, basta que cada um ponha a mão na consciência antes de votar.
quarta-feira, 10 de outubro de 2018
A reversão é possível
A primeira pesquisa de intenção de votos para o segundo turno da eleição presidencial, divulgada hoje, pode ser lida de diferentes maneiras. Para alguns, ela mostra que Jair Bolsonaro (PSL) será o vencedor. Para outros, o crescimento percentual de Fernando Haddad (PT), em apenas três dias após o primeiro turno, prova que a vitória é alcançável. A segunda hipótese me parece a mais provável. Vejamos o porquê. Os números apresentados pela pesquisa são de 58% para Bolsonaro e 42% para Haddad. A primeira pesquisa para o segundo turno da eleição anterior apresentava os mesmos números em favor de Aécio Neves (PSDB) contra Dilma Rousseff (PT). Como se sabe, Dilma ganhou a eleição. Afora isso, como já foi demonstrado no primeiro turno das eleições, os institutos de pesquisa cometem erros enormes. Na eleição para senador no Rio Grande do Sul, por exemplo, o candidato apontado em quarto lugar nas pesquisas foi o primeiro colocado nas urnas. O candidato que aparecia em primeiro lugar nos levantamentos foi o quinto colocado. Na eleição para governador do Estado do RJ, o candidato que foi para o segundo turno em primeiro lugar tinha índices de intenções de voto irrisórios nas pesquisas. O fato é que o crescimento percentual de Haddad foi muito significativo num período tão curto como o decorrido desde o primeiro turno. Portanto, a reversão é possível. Bolsonaro é o favorito, mas a eleição não está decidida. Ainda faltam dezenove dias para o segundo turno. Se, em apenas três dias, Haddad cresceu treze pontos, tudo pode acontecer.
Assinar:
Postagens (Atom)