terça-feira, 9 de outubro de 2018

Polarização

Está sendo muito destacado o fato de que a sociedade brasileira vive uma fase de intensa polarização, o que teria ficado mais evidente com a disputa da eleição presidencial em segundo turno entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). Na verdade, não é bem assim. Não há dúvida de que Bolsonaro é de extrema direita. Porém, Haddad e o PT não são de extrema esquerda. A esquerda orgânica é representada pelo PSOL. A extrema esquerda é constituída por PSTU e PCO. O PT é um partido de esquerda, obviamente, mas não é sectário, dialoga com diversas correntes ideológicas. O perfil dos dois candidatos é muito distinto. Bolsonaro é racista, apologista da tortura, misógino e adepto da homofobia. Haddad é culto, calmo, ponderado e afável. A polarização, portanto, não é entre direita e esquerda, mas do fascismo contra o humanismo.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

O absurdo segundo turno do Rio Grande do Sul

A cada eleição, o Rio Grande do Sul afunda mais profundamente na despolitização e boçalidade. Não bastasse o fato de, em 2014, ter sido eleito governador José Ivo Sartori (MDB), o pior ocupante do cargo em todos os tempos, há a possibilidade de que venha a ser reeleito, pois foi para o segundo turno. O quadro de horror não para pôr aí. O absurdo segundo turno do Rio Grande do Sul terá Sartori contra Eduardo Leite  (PSDB), outro candidato de direita. Sim, isso mesmo, uma disputa entre dois candidatos do mesmo espectro político. Uma disputa entre iguais no segundo turno é algo que não faz nenhum sentido. Sartori e Leite são, ambos, privatistas, defensores da redução do Estado, privilegiam os interesses dos poderosos em detrimento dos mais vulneráveis, e apoiam o candidato do PSL a presidente, o fascista Jair Bolsonaro. Não há critério pelo qual se possa escolher entre um ou outro como sendo melhor ou menos pior. Os dois são péssimos, por tudo o que representam. Seja quem for o vencedor da eleição, o Rio Grande do Sul é, desde já, o grande derrotado. A situação econômica do Estado, que já é precária, só tende a piorar, pois continuará a aplicação do receituário neoliberal, que só gera mais crise, com venda de patrimônio público, desemprego crescente, redução do consumo e isenções fiscais para os grandes empresários. Enquanto os estados do Nordeste deram um exemplo notável de consciência política, elegendo governadores do campo da esquerda e garantindo a presença de Fernando Haddad (PT) no segundo turno da eleição presidencial, o Rio Grande do Sul afunda politicamente, optando pelo obscurantismo da direita. Diante desse quadro deplorável, só resta, à porção lúcida desse Estado, morrer de vergonha.

Vai ter segundo turno

Embora o esforço concentrado dos setores reacionários da sociedade brasileira em sentido contrário, haverá segundo turno na eleição presidencial. Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) irão para o embate direto. Bolsonaro teve uma vantagem folgada no primeiro turno, o que lhe concede o favoritismo, mas não é garantia de que irá vencer. Os votos de Ciro Gomes, que ficou em terceiro lugar, deverão ir, em grande parte, para Haddad. O próprio Ciro já afirmou que não apoiará Bolsonaro. A grande incógnita é como irão se comportar os eleitores de  Geraldo Alckmin no segundo turno. Afinal, o candidato do PSDB adotou um discurso igualmente hostil em relação a Bolsonaro e Haddad, sem deixar espaço para a construção de um entendimento numa fase posterior da eleição. Para os candidatos, o segundo turno é uma oportunidade para o entendimento em torno de aspirações comuns que geram alianças. Para o eleitor, uma nova chance de reflexão para fazer a melhor escolha possível entre os que permanecem na disputa. Mais do que tudo, é a hora em que o bom senso deve se sobrepor às picuinhas políticas.

sábado, 6 de outubro de 2018

Tropeço inaceitável

Se o Grêmio tivesse vencido o Bahia, hoje, na Arena, seria vice-líder do Campeonato Brasileiro. Porém, o Grêmio apenas empatou em 2 x 2 com o Bahia, e chegou a estar perdendo por 2 x 0. Um tropeço inaceitável na reta final do Brasileirão. Um jogo que se pareceu com o realizado contra o Ceará, só que, dessa vez, não surgiu o terceiro gol para que o Grêmio obtivesse a vitória. Não há como aceitar que o Grêmio leve quatro gols em casa de dois times tão modestos. A oportunidade de assumir a vice-liderança não poderia ser desperdiçada contra um adversário que luta apenas para não ser rebaixado. Se tivesse ganho, o Grêmio poderia igualar o Palmeiras em pontos no confronto direto, no próximo domingo, no Pacaembu. Agora, se perder esse jogo, sua diferença para o clube paulista subirá para oito pontos, e faltarão apenas mais nove rodadas para o fim da competição. Nenhuma explicação soará convincente para o resultado de hoje. Mais uma vez, o Grêmio praticamente perdeu a chance de conquistar um título que estava ao seu alcance.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Derrota inesperada

Perder nunca é bom, mas há derrotas que são particularmente dolorosas. O Inter perdeu, hoje, para o Sport por 2 x 1, de virada, na Ilha do Retiro, pelo Campeonato Brasileiro. Uma derrota inesperada, que compromete muito a campanha de quem sonha com o título do Brasileirão. Não será fácil para o Inter assimilar esse revés. O favoritismo do Inter era amplo, diante de um adversário que é vice-lanterna da competição e que ainda jogou muito desfalcado. Depois de um péssimo primeiro tempo de ambos os times, o Inter abriu o placar aos 22 minutos do segundo. Era de se esperar que o Inter mantivesse o resultado, ou até marcasse mais gols. No entanto, a exemplo do que aconteceu contra a Chapecoense, na Arena Condá, o Inter permitiu a virada do Sport, com gols aos 34 e aos 43 minutos. A queda de rendimento do Inter é visível. Nos últimos quatro jogos, só venceu o Vitória, no Beira-Rio, com a ajuda do apito amigo. Com pontos desperdiçados contra adversários fracos, o Inter começa a deixar escapar a chance de ganhar um título que não conquista desde 1979.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Bolsonaro fugiu da raia

O debate final dos candidatos a presidente não contou com o primeiro colocado nas pesquisas, Jair Bolsonaro  (PSL). Consciente das suas limitações intelectuais e culturais, Bolsonaro fugiu da raia. O argumento de que o candidato não compareceu por razões médicas é risível. Afinal, Bolsonaro concedeu uma entrevista para a Rede Record, que foi exibida paralelamente ao debate. Mesmo sem a presença de Bolsonaro, o debate foi importante pelo que revelou de cada candidato. O destaque negativo foi, sem dúvida, Álvaro Dias  (Podemos). Confuso e atrapalhado, Dias tentou ser agressivo, mas foi apenas grosseiro, o que lhe valeu ser devidamente enquadrado por Fernando Haddad (PT) num dos grandes momentos do encontro. Geraldo Alckmin (PSDB), como sempre, foi insosso, assim como Henrique Meirelles (MDB). Ciro Gomes (PDT) não teve a sua incisividade habitual, pareceu preocupado em se mostrar simpático. Consciente de que, assim como acontece com Bolsonaro, é um alvo preferencial dos outros candidatos, Haddad adotou uma postura firme, mas num tom ameno. Marina Silva (Rede) só foi mais assertiva nas considerações finais, quando afirmou que só ela pode pacificar o país. O maior destaque do debate foi Guilherme Boulos (Psol). Em pelo menos três momentos, Boulos brilhou. Diante de uma resposta mais agressiva de Meirelles, que disse que trabalhou muito em sua vida, algo que talvez ele não soubesse o que é, Boulos não se abalou e declarou:"Você falou que trabalhou muito, Meirelles. Você é banqueiro. Banqueiro não trabalha, Meirelles." Outra manifestação marcante de Boulos foi quando afirmou que não quer que suas filhas cresçam numa ditadura.  O melhor momento de Boulos, no entanto, foi quando ele afirmou: " Ao contrário do que diz a Globo, o agro não é pop. O agro é tóxico, e mata", arrancando aplausos de pessoas presentes ao estúdio. Agora, a hora da eleição se aproxima. O eleitor tem de pensar muito bem em quem irá votar. O Brasil não pode cair no abismo de um governo autoritário e estimulador da violência. O caminho da retomada de melhores tempos está bastante claro.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

O que o debate mostrou

Hoje à noite ocorreu o último debate televisivo entre os candidatos a governador do Rio Grande do Sul. A estrutura engessada desse tipo de programa não favorece grandes embates, o que faz com que, na maioria das vezes, sua característica principal seja a atmosfera morna. O que o debate mostrou, no entanto, foi suficiente para avaliar cada candidato. Naturalmente, quem está na frente nas pesquisas é mais visado, e procura fugir de questões mais espinhosas. Miguel Rosseto (PT ) e Roberto Robaina (PSOL) foram os mais incisivos, Eduardo Leite (PSDB ) exibiu sua tradicional postura de bom moço, que não eleva o tom, o governador e candidato a reeleição José Ivo Sartori  (MDB) repetiu seu discurso inconsistente e cheio de tergiversações, e Jairo Jorge (PDT) foi o mais opaco de todos, desperdiçando a chance de mostrar um tom mais combativo. Em geral, o último debate tem pouco efeito sobre a escolha do voto, pois faltando tão poucos dias para a eleição, as preferências estão, em grande parte, sedimentadas. Porém, para aqueles que ainda permanecem indecisos, o debate, certamente, foi bastante esclarecedor. Sendo assim, não há desculpa para fazer a recondução de um governo que já provou ser desastroso, nem para eleger a carinha nova da vez. Só se deixa enganar quem quer, depois não adianta se queixar.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Classificação confirmada

Aquilo que todos esperavam, aconteceu. O Grêmio teve a sua classificação confirmada para as semifinais da Libertadores, hoje à noite, na Arena. Não podia ser diferente, já que o Grêmio ganhou o primeiro jogo do Tucumán, fora de casa, por 2 x 0, só não se imaginava que, no jogo de hoje, ocorresse uma goleada de 4 x 0. Nos primeiros 20 minutos de jogo, o Grêmio enfrentou dificuldades, pois o adversário não lhe permitia ter a posse de bola. Porém, após abrir o placar, o Grêmio se impôs na partida, e acabou chegando à goleada sem maior esforço. O segundo gol, marcado numa cobrança de pênalti, cometido pelo goleiro, que acabou expulso, eliminou qualquer possibilidade de reação do Tucumán. Depois de várias atuações apagadas, o maior nome do jogo foi Luan. Alisson também teve um grande desempenho. Nas semifinais, no entanto, o Grêmio será muito mais exigido. Afinal, seu adversário será o River Plate. A vantagem do Grêmio é que o segundo jogo, mais uma vez, será na Arena.

domingo, 30 de setembro de 2018

A enésima ajuda do apito amigo

O Inter, ao longo da sua história, foi muitas vezes beneficiado por erros de arbitragem. No Campeonato Brasileiro desse ano, no entanto, isso se agudizou. Os erros em favor do Inter se repetem a cada rodada. Hoje, no jogo contra o Vitória, no Beira-Rio, ocorreu a enésima ajuda do apito amigo para o Inter no Brasileirão. O gol da vitória do Inter por 2 x 1 resultou de uma absurda marcação de pênalti, em que um jogador do Vitória coloca a mão na bola visivelmente fora da área. Há poucos dias, o Inter arrancou um empate com o Corinthians, no Itaquerão, com um gol em que quatro jogadores estavam impedidos. Dessa forma, não há como deixar de destacar o fato de que muitos dos pontos que o Inter obteve na competição, onde está em segundo lugar, no momento, foram alcançados por erros grosseiros de arbitragem. Essa situação mancha a disputa, na medida em que desequilibra a relação do Inter com os demais competidores. Em campo, o Inter apresentou, novamente, um futebol fraco e sem imposição, mesmo jogando contra um adversário frágil, que luta apenas para fugir do rebaixamento. Num campeonato que apresenta uma luta pelo título acirrada entre pelo menos cinco clubes, os constantes erros de arbitragem em benefício do Inter, alteram deslealmente a disputa. Os erros são tantos e tão grosseiros que não podem mais ser relativizados. Eles não são apenas um detalhe da campanha do Inter, constituem um fator decisivo para que o clube se mantenha nas primeiras posições. Os demais clubes deveriam se rebelar contra tal situação. Uma disputa tão emocionante como a que ocorre esse ano, não pode ser conspurcada por decisões da arbitragem que beneficiam tão escancaradamente um dos postulantes à conquista do título.

sábado, 29 de setembro de 2018

Vitória no último momento

Um golaço quando o 0 x 0 parecia definitivo. Assim foi Fluminense 0 x 1 Grêmio, hoje, no Engenhão, pelo Campeonato Brasileiro. Ao contrário do que se anunciava, Everton não começou o jogo, ficou no banco. O time reserva do Grêmio e o Fluminense fizeram um mau primeiro tempo. No segundo, o Grêmio voltou com maior ímpeto, mas também cedeu mais espaços para o Fluminense, o que tornou o jogo um "lá e cá", e fez com que a partida ganhasse em emoção. Porém, mesmo com esse desempenho dos dois times, o placar parecia que não ia ser movimentado. Foi quando, aos 47,5min, Everton, que havia entrado quando o jogo já se aproximava do final, fez um golaço de calcanhar. A vitória  no último  momento fez o Grêmio ficar em terceiro lugar na classificação, e confirmar que é candidato ao título. Everton, por sua vez, mostrou, novamente, que é um jogador diferenciado, capaz de de decidir uma partida com sua técnica. Atualmente, Everton é o melhor jogador em atividade no futebol brasileiro. Com o resultado, o Grêmio segue vivo nas duas competições que disputa. O final do ano promete ser muito bom para os gremistas.