sábado, 21 de julho de 2018
A solidão de Bolsonaro
Cada vez mais a candidatura do deputado federal Jair Bolsonaro a presidente tende a ser apenas muito barulho por nada. Bem cotado em pesquisas de intenção de voto, Bolsonaro, no entanto, é pré-candidato por um partido minúsculo, o PSL, e não está conseguindo um candidato a vice, nem mesmo em outras legendas de igual porte. Com isso, Bolsonaro, provavelmente, terá de formar uma "chapa pura", denominação que se dá a uma candidatura apenas com integrantes do próprio partido. Se essa hipótese se confirmar, as chances de Bolsonaro na eleição serão quase nulas, pois ele terá muito pouco tempo de rádio e tevê. A solidão de Bolsonaro mostra que, em vez de um candidato viável, ele deverá virar uma versão tropical de Jean Marie Le Pen, o radical de direita francês que sempre surgia bem cotado nas pesquisas para as eleições presidenciais de seu país e, invariavelmente, fracassava nas urnas.
quinta-feira, 19 de julho de 2018
Um jogo nivelado por baixo
Um jogo com muitos gols e alternâncias no placar dá a ideia de que tenha sido uma boa partida. Não foi esse o caso de Atlético Paranaense 2 x 2 Inter, hoje, na Arena da Baixada, pelo Campeonato Brasileiro. Mesmo com quatro gols, e várias outras chances desperdiçadas, o jogo foi de baixo nível técnico. O Inter saiu na frente no placar, o Atlético virou, mas acabou cedendo o empate. O resultado não foi bom para ninguém. O Inter saiu do grupo dos quatro primeiros colocados do Brasileirão, e o Atlético Paranaense segue afundado na zona de rebaixamento. Foi um jogo nivelado por baixo, no qual a limitação técnica dos dois times ficou evidente. Pelo que se viu em campo, o Atlético tem poucas chances de reagir na competição, e o Inter não dá muitas esperanças de terminar a disputa na zona de classificação para a Libertadores.
Bom retorno
Havia curiosidade sobre como o Grêmio retornaria após a parada para a Copa do Mundo. Não bastasse a campanha abaixo do esperado nas doze primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro, o Grêmio ainda perdeu Arthur, que foi para o Barcelona seis meses antes do que estava previsto. A vitória por 2 x 0 sobre o Atlético Mineiro, ontem, na Arena, dissipou essas preocupações. O primeiro tempo parecia apontar na continuidade do que se vira no período pré-Copa. Afinal, o Grêmio dominava o jogo inteiramente, mas pouco chutava em gol, e consequentemente, não conseguia abrir o placar. Seria mais um empate em 0 x 0 na Arena, tudo levava a pensar. No segundo tempo, no entanto, o panorama se alterou. O Grêmio marcou um gol cedo, e sua superioridade em campo ficou ainda maior. Veio o segundo gol, e o terceiro só não aconteceu porque Luan desperdiçou um pênalti. Foi uma vitória sólida, consistente. Afora a boa produção coletiva, o Grêmio teve destaques individuais. Geromel e Maicon tiveram grandes atuações, e André foi mais participativo, encerrando um longo período sem marcar gols. Foi um bom retorno do Grêmio, o que dá confiança para o prosseguimento do ano.
terça-feira, 17 de julho de 2018
A dura volta à realidade
O inchado calendário do futebol brasileiro gera situações absurdas. O Campeonato Brasileiro só parou na véspera da abertura da Copa do Mundo. Pior do que isso, já no dia seguinte à decisão da Copa, foram realizados dois jogos atrasados pelas oitavas de final da Copa do Brasil. Portanto, é uma enxurrada de jogos que não permite ao torcedor se preparar para assistir a Copa, nem se adaptar para a volta do futebol brasileiro, depois que ela termina. Nos dois jogos de ontem, foi duro suportar o retorno ao baixo nível do futebol do país. O jogo Cruzeiro 1 x 1 Atlético Paranaense, por exemplo, foi chato e arrastado, com os dois gols saindo só no final. O Cruzeiro não forçou o jogo, pois o empate lhe bastava para se classificar, e o Atlético não mostrou o impeto necessário para obter a vitória, única opção de que dispunha para chegar nas quartas de final. A torcida do Cruzeiro, que foi em grande número ao Mineirão, vaiou o time, no final. No outro jogo da noite, não faltou emoção. O Vasco precisava reverter uma goleada sofrida no primeiro jogo contra o Bahia para seguir adiante na Copa do Brasil. Conseguiu abrir 2 x 0 no placar, o que lhe deixava a um gol de levar a decisão da classificação para a disputa de tiros livres da marca do pênalti. Porém, o terceiro gol não veio e o jogo terminou com expulsões de ambos os lados e confusão entre os torcedores. A torcida do Vasco, que teve uma presença significativa em São Januário, apoiou o time, após o jogo reconhecendo o esforço demonstrado em campo. Após o jogo, o técnico do Vasco, Jorginho, reclamou da cera excessiva do Bahia. O técnico do Bahia, Enderson Moreira, rebateu, dizendo que isso era do jogo, pois estava claro que não lhe interessava acelerar o ritmo da partida. O mau futebol do Mineirão e os acontecimentos pós-jogo de São Januário foram amostras realistas do que virá pela frente para quem acompanha o futebol brasileiro. A dura volta à realidade. O encanto único da Copa do Mundo já ficou para trás.
segunda-feira, 16 de julho de 2018
O fim de uma falsa verdade
O Brasil é um país que cultiva, como poucos, o gosto por cultuar e transmitir, por várias gerações, pretensas verdades absolutas que não passam de conversa fiada. Uma delas é a de que os brasileiros dão uma importância ao futebol maior do que a de outros países mais evoluídos ou civilizados. O retorno das seleções de França, Croácia e Bélgica aos seus países, após suas participações na Copa do Mundo, na Rússia, determinou o fim de uma falsa verdade, tantas vezes repetida. As recepções de franceses, croatas e belgas às suas seleções foram apoteóticas. Multidões acorreram às ruas para saudar, efusivamente, as delegações que brilharam na Copa. Os franceses comemoraram a conquista do seu segundo título mundial, com os vitoriosos desfilando em carro aberto. Os croatas se mostraram orgulhosos do vice-campeonato, maior campanha do país na história da competição. O mesmo júbilo exibiram os belgas pelo terceiro lugar, igualmente o melhor desempenho de sua seleção em todas as Copas. A associação de governantes com comemorações desse tipo, sempre criticada como outra deformação brasileira, também se verificou nessas celebrações europeias. Na França, o presidente e a primeira dama, que se fizeram presentes ontem na decisão da Copa do Mundo, em Moscou, recepcionaram a delegação e, todos juntos, cantaram a Marselhesa à capela. Na Bélgica, a família real também se juntou à recepção da delegação que representou o país na Copa. A paixão pelo futebol ocorre no mundo inteiro, nos mais diversos países, de diferentes graus de desenvolvimento. A ideia de que o brasileiro se ocupa demais com o futebol, enquanto outros países se importam com assuntos mais "sérios", é uma lorota que não se sustenta mais.
domingo, 15 de julho de 2018
Campeã pragmática
A França é a campeã da Copa do Mundo de 2018. Não se trata de uma surpresa. Antes do início da competição a França estava incluída em todas as listas de favoritos para o título. Sua equipe é jovem e conta com grandes valores individuais, como Mbappe, Pogba e Griezmann. Porém, mesmo contando com esses atributos, a França não apresentou um futebol brilhante. Ainda que com méritos, a França foi uma campeã pragmática. Até chegar à decisão, a França só teve uma grande atuação contra a Argentina, pelas oitavas de final, quando venceu por 4 x 3. Hoje, na decisão, contra a Croácia, ganhou por 4 x 2, mas o placar é enganoso em relação ao que se viu no campo. A Croácia começou melhor no jogo. Sofreu um gol contra decorrente da cobrança de uma falta que não existiu. Empatou a partida com um golaço. Levou o segundo gol em mais uma atitude equivocada da arbitragem, que marcou um pênalti num lance em que mostrou falta de convicção ao decidir. Após mais esse golpe, a Croácia sentiu o cansaço acumulado pelas prorrogações nos três jogos anteriores, e levou mais dois gols. No entanto, uma falha patética de Lloris oportunizou mais um gol para a Croácia. A partir daí, a Croácia, mesmo esgotada, buscou uma reação. Não deu tempo. Mesmo com os reparos feitos, não houve injustiça no título da França, que soube montar sua estratégia para ser campeã, mesmo sem jogar o futebol mais bonito da competição.
sábado, 14 de julho de 2018
O futebol mais bonito
Muitos desdenham da decisão do terceiro lugar na Copa do Mundo. Entendem que não há sentido em realizar um jogo com essa finalidade. Seja como for, ele continua a ser realizado, e está longe de ser desprezível. O jogo de hoje, pela decisão do terceiro lugar na Copa do Mundo da Rússia é uma prova disso. Em primeiro lugar, porque o estádio estava lotado, o que prova que um jogo de Copa sempre tem um alto valor. Obviamente, o público de um jogo desse tipo se porta de maneira mais descontraída, sem o nervosismo de partidas eliminatórias ou da decisão da competição. Também as equipes encaram o jogo sem a mesma tensão, e essa postura, somada com a do público, dá para a partida uma atmosfera mais leve. Foi assim que a Bélgica, praticamente completa, venceu por 2 x 0 uma Inglaterra com alguns desfalques. O resultado não mostra o que foi a superioridade da Bélgica em campo. O placar foi aberto logo aos três minutos do primeiro tempo, e poderia ter se transformado numa goleada ainda no início do jogo, tantas foram as oportunidades perdidas pela Bélgica. As chances não eram concretizadas pela Bélgica por excesso de preciosismo. Sem a pressão do resultado, até toque de calcanhar foi dado pela equipe belga. Mesmo perdendo tantos gols, a Bélgica obteve a vitória de forma afirmativa, e mostrou que o futebol mais bonito não estará na decisão da Copa. Hazard jogou uma excelente partida, coroando sua atuação com um golaço que fechou o placar. Sem falsa modéstia, ele afirmou, após a partida, que o melhor jogador certamente sairá da decisão entre França e Croácia, mas que se pudesse votar, escolheria a si próprio. De Bruyne foi outro que também jogou muito bem. Lukaku perdeu dois gols feitos, mas teve participação importante em outras jogadas. Courtois não foi tão exigido como em outros jogos, mas é forte candidato para ser o melhor goleiro da competição. O terceiro lugar é a melhor colocação da Bélgica em uma Copa do Mundo. Porém, a equipe poderia ter obtido mais. Com um futebol bonito e envolvente, ninguém jogou melhor que a Bélgica na Copa do Mundo de 2018.
sexta-feira, 13 de julho de 2018
A imagem desgastada de Neymar
Neymar é, sem dúvida, um dos melhores jogadores do mundo. Sua vontade de receber o prêmio de melhor entre todos, que Messi e Cristiano Ronaldo já ganharam por cinco vezes cada um, é explícita. A Copa do Mundo era uma excelente oportunidade para Neymar encaminhar a realização do seu objetivo. Porém deu tudo errado. A Seleção Brasileira não fez uma boa Copa, e Neymar nem de longe correspondeu às expectativas em torno do seu futebol. Com suas quedas constantes em campo, e simulações de faltas, Neymar virou motivo de chacotas no mundo inteiro. A situação chegou a um ponto que até o presidente da Fifa, Gianni Infantino, fez comentários jocosos sobre o jogador. A imagem desgastada de Neymar é um efeito da Copa com que não se contava. Esperava-se que Neymar brilhasse intensamente na Copa, como maior expressão técnica da mais mítica das seleções. Porém, Neymar jogou pouco e caiu muito. As gozações com Neymar se espalharam pelo mundo e viralizaram na internet. Neymar fez de seu desempenho na Copa uma reversão de expectativa. A imagem desgastada de Neymar fará com que ele tenha de se reinventar. Será preciso que, a partir de agora, ele jogue muito, tecnicamente, e mude o seu comportamento, evitando as quedas teatrais. Neymar saiu da Copa muito menor do que entrou. Ele foi para o Paris Saint Germain para se tornar a maior estrela do clube, o que não conseguia ser no Barcelona. No entanto, após a Copa, Neymar poderá perder sua condição de maior estrela do Paris Saint Germain para Mbappe. Para quem sonhava em ser escolhido o melhor jogador do mundo, ter ameaçada sua condição de principal destaque de seu clube é um duro revés.
quinta-feira, 12 de julho de 2018
Supremacia europeia
Embora tenha se expandido e popularizado em todos os continentes, levando a Fifa a ter mais países filiados do que a ONU, o futebol, em termos competitivos, é uma disputa entre América do Sul e Europa. Todas as Copas do Mundo, até hoje, foram vencidas por seleções sul-americanas e europeias. Houve, nas últimas décadas, uma visível evolução da qualidade do futebol praticado em outras regiões do mundo, mas nada que permita, por enquanto, a quebra dessa hegemonia. Porém, o que antes era uma competição acirrada se desequilibrou. A supremacia europeia, hoje, é enorme. Com a conquista da Copa do Mundo de 2002 pela Seleção Brasileira, a América do Sul atingiu nove títulos mundiais contra oito da Europa. De lá para cá, todas as demais Copas foram ganhas por equipes europeias, inclusive a de 2018, que só será decidida no domingo, cujas finalistas são, ambas, do Velho Continente. No Campeonato Mundial de Clubes da Fifa, não é diferente. Só clubes sul-americanos e europeus conquistaram o título. No entanto, o último clube sul-americano a ganhar o título mundial foi o Corinthians, em 2011. O que explica tamanho desequilíbrio? A globalização econômica e a malfadada Lei Pelé são as principais razões. Por força desses dois fatores, os clubes sul-americanos não conseguem mais reter os grandes valores que revelam, tornando-se meros fornecedores de matéria-prima para o futebol europeu. O pior é que não há perspectiva de mudança nesse quadro. Com a economia globalizada, não há como os clubes sul-americanos fazerem frente à moeda forte europeia. Associado a esse fato, a Lei Pelé facilita de modo extremo a saída de jogadores para o exterior, enriquecendo empresários e prejudicando os clubes, que são o verdadeiro sustentáculo do futebol. Em termos de qualidade técnica, o futebol sul-americano ainda é muito superior ao europeu, mas isso não basta para que ele se imponha. Seus grandes jogadores vão, muito precocemente, desfilar seu talento na Europa, atraídos pelos salários astronômicos que eles não podem pagar. Resta aos habitantes da América do Sul, lamentavelmente, olhar seus grandes ídolos pela tevê, e assistir à comemoração europeia a cada Copa do Mundo.
quarta-feira, 11 de julho de 2018
Classificação histórica
A Croácia é a segunda finalista da Copa do Mundo de 2018, ao vencer, hoje, a Inglaterra, por 2 x 1, de virada. Por muitos aspectos, é uma classificação histórica. A Croácia é um dos países surgidos com a dissolução da Iugoslávia. Como país independente, existe há menos de 30 anos. Sua população é de apenas 4,2 milhões de habitantes. Disputou sua primeira Copa do Mundo em 1998, e na ocasião já chegou nas semifinais, só sendo eliminada pela França, que sediava a competição e acabou sendo a campeã. A mesma França que será sua adversária na decisão de domingo. Foi o terceiro jogo seguido em que a Croácia empatou em 1 x 1 e teve de jogar uma prorrogação. Mesmo com todo esse desgaste físico, saiu atrás no placar hoje, levando um gol logo aos cinco minutos do primeiro tempo, e teve forças para empatar, forçando a realização da prorrogação, onde conseguiu a virada, e venceu o jogo por 2 x 1. Surpreendida ao sofrer um gol cedo, a Croácia demorou a se encontrar na partida, mas, depois que conseguiu se equilibrar, sua melhor qualidade técnica se mostrou de modo flagrante. Perisic foi o grande nome da reação da Croácia, com uma notável atuação. Mandzukic foi um centroavante que perturbou a defesa adversária o tempo inteiro, e acabou fazendo o gol da vitória. Mais uma vez, a Inglaterra ficou pelo caminho, confirmando uma tendência que se repete a cada edição da Copa. A França é a favorita para a decisão da Copa, pela equipe que tem e por ser finalista da competição pela terceira vez. Porém, está longe de ser uma decisão previamente definida. A Croácia tem grandes chances de ficar com o título, o que, caso venha a acontecer, será um feito extraordinário.
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