quarta-feira, 11 de julho de 2018

Classificação histórica

A Croácia é a segunda finalista da Copa do Mundo de 2018, ao vencer, hoje, a Inglaterra, por 2 x 1, de virada. Por muitos aspectos, é uma classificação histórica. A Croácia é um dos países surgidos com a dissolução da Iugoslávia. Como país independente, existe há menos de 30 anos. Sua população é de apenas 4,2 milhões de habitantes. Disputou sua primeira Copa do Mundo em 1998, e na ocasião já chegou nas semifinais, só sendo eliminada pela França, que sediava a competição e acabou sendo a campeã. A mesma França que será sua adversária na decisão de domingo. Foi o terceiro jogo seguido em que a Croácia empatou em 1 x 1 e teve de jogar uma prorrogação. Mesmo com todo esse desgaste físico, saiu atrás no placar hoje, levando um gol logo aos cinco minutos do primeiro tempo, e teve forças para empatar, forçando a realização da prorrogação, onde conseguiu a virada, e venceu o jogo por 2 x 1. Surpreendida ao sofrer um gol cedo, a Croácia demorou a se encontrar na partida, mas, depois que conseguiu se equilibrar, sua melhor qualidade técnica se mostrou de modo flagrante. Perisic foi o grande nome da reação da Croácia, com uma notável atuação. Mandzukic foi um centroavante que perturbou a defesa adversária o tempo inteiro, e acabou fazendo o gol da vitória. Mais uma vez, a Inglaterra ficou pelo caminho, confirmando uma tendência que se repete a cada edição da Copa. A França é a favorita para a decisão da Copa, pela equipe que tem e por ser finalista da competição pela terceira vez. Porém, está longe de ser uma decisão previamente definida. A Croácia tem grandes chances de ficar com o título, o que, caso venha a acontecer, será um feito extraordinário.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Foi menos do que se esperava

O primeiro jogo pelas semifinais da Copa do Mundo não correspondeu inteiramente às expectativas. A França venceu a Bélgica por 1 x 0, num jogo que prometia a possibilidade de ter muitos gols. Para uma partida que reunia em campo nomes como De Bruyne, Hazard, Lukaku, Mbappe, Pogba e Griezmann, foi menos do que se esperava. A Bélgica surpreendeu negativamente, pois não só tinha ganho todos os seus jogos anteriores na Copa como possuía o ataque mais positivo, com 14 gols. Diante de uma França pragmática e com um sistema defensivo muito bem ajustado, a Bélgica não conseguiu repetir suas atuações anteriores. De Bruyne e Lukaku, de brilhantes desempenhos contra a Seleção Brasileira, estiveram irreconhecíveis, apenas Hazard manteve o seu nível habitual. Na França, Mbappe teve, novamente, uma exibição de destaque, mas Pogba e Griezmann não corresponderam. No único gol do jogo, o gigante Fellaini perdeu a disputa de cabeça com Untiti, em outro fato inusitado. A França, apontada antes da Copa como uma das grandes favoritas ao título da competição, está classificada para a decisão. Porém, sem um futebol empolgante. Contando, reconhecidamente, com uma das melhores gerações de sua história, a França foi avançando na Copa com um futebol prático, mas sem brilho. Ainda assim, seja qual for o seu adversário na decisão, o que só ficará definido amanhã no jogo entre Croácia e Inglaterra, a França entrará em campo, no domingo, na condição de favorita.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

A continuidade de Tite

Transcorridos três dias desde a desclassificação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, começa a ser feito o balanço do que foi realizado e a projeção do que virá pela frente. Dentro desse processo, há uma tendência pela permanência do técnico Tite. A continuidade de Tite no cargo se daria, entre outras razões, pela falta de nomes qualificados para ocupar o seu lugar, e pela recuperação da Seleção sob o seu comando. Porém, ainda que se concorde, em linhas gerais, com esse posicionamento, não há como deixar de constatar que Tite cometeu muitos erros, que não podem se repetir. Tite recebeu uma carta branca da CBF para agir com plena autonomia, o que sempre é temerário, e acumulou equívocos. Sua equipe de apoio foi formada mais com base na proximidade gerada por trabalhos anteriores em conjunto do que pelo mérito indiscutível dos ocupantes de cada função. A lista de jogadores definitiva para a disputa da Copa apresentou omissões incompreensíveis e convocações inaceitáveis. No campo das omissões, como entender a ausência de Arthur, por exemplo? No tocante aos convocados, Fagner não poderia ter sido chamado, quanto mais se tornar titular. Pesou em seu favor o fato de ter trabalhado por muito tempo com Tite no Corinthians, o que não é argumento suficiente em se tratando da Seleção, que deve prezar a qualidade acima de tudo. As convocações de Fred e Taison também são inexplicáveis. Tite justificou a convocação de Taison pela sua vasta experiência em jogos pelas copas europeias de clubes, mas acabou sem utilizar o jogador em nenhum momento. A manutenção de Fred no grupo, quando a lesão que sofrera apontava para o seu corte como a melhor solução, foi outro erro de Tite. O rodízio de capitães, sem definir um nome específico para a função, foi uma atitude absurda de Tite. Como se vê, se Tite permanecer terá de de revisar os seus critérios, ou caminhará para um novo insucesso. Terá ele a autocrítica necessária para fazer isso? Só o tempo dirá.

domingo, 8 de julho de 2018

Guerra jurídica

O Brasil foi surpreendido, na tarde de hoje, com a concessão de pedido liminar de habeas corpus em favor do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva que determina a sua imediata soltura. O pedido foi acatado pelo desembargador Rogério Favreto, plantonista do Tribunal Regional Federal da Quarta Região. O fato teve enorme impacto, e a notícia logo se espalhou pelo mundo. Como era de se esperar, a soltura de Lula não ocorreu, ainda que o despacho de Favreto seja claro nesse sentido, ordenando que fosse feita de modo imediato. Uma guerra jurídica se instalou no país, de modo a impedir o cumprimento da ordem de Favreto. Não cabe relatar, nesse espaço, as variadas argumentações de teor jurídico sobre a pertinência e a fundamentação do habeas corpus concedido por Favreto. O que chama a atenção é a reação imediata da imprensa buscando desqualificar Favreto, por ter sido filiado ao PT por mais de vinte anos, e exercido cargos nos governos Lula e Dilma. A mesma imprensa, no entanto, não vê nada demais no fato de Sérgio Moro ser ligado ao PSDB. Por se tratar de um jogo de cartas marcadas, Lula permanecerá preso. Porém esse episódio serviu para escancarar, se houvesse alguma dúvida, o golpe político perpetrado no país. Lula não poderia estar preso, mas o Brasil vive um regime de exceção, onde o conluio entre golpistas e os detentores do capital suprimiu a normalidade democrática.

sábado, 7 de julho de 2018

Desempenhos desiguais

O segundo dia de jogos pelas quartas de final da Copa do Mundo apresentou partidas bem diversas nos seus contextos. A classificação de Inglaterra e Croácia para as semifinais se deu com desempenhos desiguais. No primeiro jogo do dia, a Inglaterra venceu a Suécia por 2 x 0, mostrando ampla superioridade durante toda a partida. A Suécia teve chances de gols, e até forçou o goleiro Pickford a fazer algumas defesas difíceis, mas a Inglaterra poderia fazer um placar elástico, se não tivesse desperdiçado várias oportunidades. Não faltou a bravura e combatividade já demonstrada em jogos anteriores pela Suécia, mas a superioridade da Inglaterra foi flagrante, e lhe permitiu uma vitória sem sobressaltos. No segundo jogo do dia, entre Rússia e Croácia, o panorama foi bem diferente. A Rússia saiu na frente no placar, mas logo cedeu o empate, que se manteve até o final do primeiro tempo. No segundo, ambas as equipes diminuíram o seu ritmo, parecendo desejar que o jogo fosse para a prorrogação e, talvez, se decidisse nos tiros livres da marca do pênalti. Foi o que acabou acontecendo. Na prorrogação, a Croácia ficou em vantagem no placar, mas a Rússia empatou. Vieram, então, os tiros livres, e a Croácia acabou vencendo. Não há um favorito claro para o jogo entre Inglaterra e Croácia, pelas semifinais. Porém, enquanto a Inglaterra obteve sua classificação de forma afirmativa, a Croácia não se impôs em campo.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Só restou a Europa

Os dois jogos de hoje pela Copa do Mundo resultaram na eliminação das duas únicas seleções não europeias que ainda estavam presentes na competição. Portanto, só restou a Europa na busca pelo título. No primeiro dia das quartas de final da Copa, Uruguai e Brasil saíram fora da disputa. Na primeira partida, o Uruguai, sem seu principal jogador, Cavani, que estava lesionado, foi presa fácil para a França. Mesmo sem jogar um grande futebol, a França se impôs e venceu por 2 x 0, com um gol de cabeça após a cobrança de uma falta, e outro num peru do goleiro Muslera. Ao Uruguai não faltou o empenho de sempre, mas a limitação técnica da equipe impediu que conseguisse fazer frente ao adversário. O segundo jogo, o mais esperado dessa fase, marcou a desclassificação da Seleção Brasileira. Confiantes na camisa "mais pesada", muitos decretaram o favoritismo da Seleção diante da Bélgica. Levados pelo otimismo exacerbado, ignoraram o fato de a Bélgica ter uma grande equipe, com vários destaques individuais como Courtois, Company, De Bruyne, Hazard e Lukaku. Porém, dentro de campo, a realidade foi outra. Enquanto os principais jogadores da Seleção afundaram, os da Bélgica brilharam. Neymar teve uma atuação patética, Philippe Coutinho esteve apagado, Marcelo jogou muito menos do que pode. De outra parte, Courtois, De Bruyne e Lukaku tiveram grandes atuações. A Bélgica chegou a abrir 2 x 0 no placar, ainda no primeiro tempo. A Seleção só descontou aos 30 minutos do segundo, e esboçou uma reação, mas o placar ficou em 2 x 1, redundando na eliminação. Poucos jogadores se salvaram na Seleção,  hoje. Fernandinho foi calamitoso, fazendo um gol contra e sendo batido por Lukaku na jogada em que a Bélgica ampliou o placar. Alisson teve uma atuação modesta, Fagner escancarou suas limitações, Paulinho e William jogaram muito mal, e Gabriel Jesus repetiu sua ineficiência das partidas anteriores. O técnico Tite, até então uma unanimidade, cometeu muitos erros, que contribuíram para o fim do sonho do sexto título mundial. As convocações de Fagner e Fernandinho foram os principais. A eliminação da Seleção foi justa, mas Tite deverá continuar no cargo, provavelmente, e terá a chance de revisar conceitos.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Contagem regressiva

O que é bom dura pouco, expressa um ditado popular. Ele se aplica, exemplarmente, à Copa do Mundo. Os dois dias sem jogos pela competição, ontem e hoje, geraram uma síndrome de abstinência nos torcedores. A Copa já começa a entrar em contagem regressiva. Depois dos jogos pelas quartas de final, amanhã é sábado, restarão as partidas pelas semifinais e as decisões do terceiro lugar e do título. São quatro longos anos de espera para um acontecimento único, que dura apenas um mês. Amanhã, no inicio das semifinais, ocorrerão dois jogos que tem tudo para serem espetaculares, Uruguai x França, Brasil x Bélgica. Será, provavelmente,  o melhor dia de jogos pela Copa em termos de qualidade. Depois de vários dias com três jogos, e um sábado que chegou a ter quatro partidas, o grande banquete da Copa se aproxima do seu final. Dentro em breve, a Copa do Mundo de 2018 será apenas uma lembrança. Aproveite, portanto, os jogos que restam, pois esse magnífico encontro de países em nome da paixão pelo futebol só voltará a acontecer daqui a quatro anos.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

O futebol como bode expiatório

Não é de hoje que setores da sociedade brasileira identificam o futebol como algo alienante, que distrai a atenção da população do que seria "verdadeiramente importante". Utilizando-se de uma linha de pensamento rasteira, imputam a atenção dada ao futebol pelos brasileiros como fator determinante para a condição caótica da saúde, educação e segurança no pais. Um mínimo de reflexão evidenciaria a estupidez dessa postura, mas ela continua a prosperar. Nas redes sociais, onde o bom senso e a ponderação não costumam se fazer presentes, as postagens com esse conteúdo aparecem com frequência, e se multiplicam em época de Copa do Mundo. Desde que a atual edição da competição começou, proliferam colocações do tipo "O Canadá não se classificou para a Copa, mas seu povo não está nem aí, pois tem saúde, educação e segurança", e "A Argentina perdeu o jogo. O Brasil perdeu o pré-sal". O que isso tem a ver com aquilo? Não há nenhuma relação de causa e efeito entre os fatos. Será que alguém acha que os excelentes indicadores sociais do Canadá estão diretamente relacionados ao desinteresse de sua população pelo futebol? Nesse caso, como explicar que a Alemanha, outro país de notáveis índices de qualidade de vida, seja uma das maiores potências do futebol e tenha o campeonato com a melhor média de público em todo o mundo? O futebol como bode expiatório das mazelas do Brasil é um recurso frequente de cretinos que se acham muito sabidos. Ao contrário do que eles sustentam, no entanto, a trajetória do Brasil no futebol, como único país a ter participado de todas as Copas do Mundo e ser o detentor isolado da condição de maior vencedor da competição, com cinco títulos, é um dos poucos motivos que ainda restam para que se tenha orgulho do país.

terça-feira, 3 de julho de 2018

Pouco futebol

O último dia de jogos pelas oitavas de final da Copa do Mundo não primou pela qualidade. Foram dois jogos muito disputados, mas tecnicamente medíocres, com pouco futebol. Ao contrário de ontem, foram jogos com escassez de gols. O primeiro jogo do dia, Suécia x Suíça, confirmou as suspeitas que existiam sobre a qualidade técnica desse enfrentamento. As duas equipes maltrataram a bola, e fizeram um jogo de muitos cuidados defensivos. Tudo parecia se encaminhar para um 0 x 0 insosso, o que só não se confirmou porque a Suécia conseguiu marcar um gol num chute despretensioso que acabou desviando num jogador adversário, tirando a chance de defesa do goleiro e determinando a sua vitória por 1 x 0.
Durante a partida, foram vários momentos de jogadas bisonhas. Candidata a ser eliminada ainda na fase de grupos, a Suécia segue surpreendendo, e avançando na competição. No segundo jogo do dia, Colômbia e Inglaterra decepcionaram os que esperavam um enfrentamento com um bom nível técnico. A partida só melhorou a partir do momento em que o placar foi aberto, em favor da Inglaterra, com um gol de pênalti, pois a Colômbia se viu obrigada a buscar o empate para não ser eliminada. O jogo cresceu em emoção, que atingiu o auge com o gol da Colômbia nos acréscimos. Veio, então, a prorrogação, e o resultado de 1 x 1 se manteve até o final, levando a decisão para a cobrança de tiros livres da marca do pênalti. Numa disputa com reviravoltas, a Inglaterra acabou vencendo. Agora, Suécia e Inglaterra irão se enfrentar pelas quartas de final. A tendência é que sobre transpiração, mas com pouca inspiração.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Dois jogos bem diferentes

A Copa do Mundo apresentou hoje dois bons jogos, mas com dinâmicas distintas. Foram dois jogos bem diferentes, ainda que, em ambos, os gols só tenham ocorrido no segundo tempo. No primeiro jogo do dia, a Seleção Brasileira viu o México exercer um domínio inicial, mas sem levar um perigo efetivo ao seu gol. O 0 x 0 frustrava o torcedor brasileiro, mas, aos cinco minutos do tempo final de partida, a Seleção abriu o placar. A partir daí, a já conhecida superioridade da Seleção sobre o México ficou mais evidente. Era claro, aos olhos de todos, que o México não teria forças para reagir,  e que a ampliação do placar em favor da Seleção era o mais provável. Foi exatamente o que aconteceu. Pela terceira vez em quatro jogos na Copa, a Seleção venceu, e, em todas elas, por 2 x 0. A vitória foi consistente, natural, de uma equipe que parece estar madura. Mesmo sem a equipe ter um desempenho espetacular, houve destaques individuais. Neymar e William foram os grandes artífices da vitória. A Seleção não chegou a jogar um futebol empolgante em nenhuma das quatro partidas que fez, mas mostra uma solidez que lhe permite almejar o título. O segundo jogo, entre Japão e Bélgica teve características bem diferentes. A partida se mostrava equilibrada, o que, por si só, já era surpreendente, já que a Bélgica era amplamente favorita. Para espanto geral, o Japão abriu o placar no inicio do segundo tempo, fez mais um gol logo a seguir, mas não conseguiu evitar a virada por 3 x 2, que teve requintes de crueldade, pois ocorreu nos acréscimos, quando o jogo já se encaminhava para a prorrogação. Agora, Seleção Brasileira e Bélgica se enfrentarão nas quartas de final. Com jogadores de qualidade em ambas as equipes, tem tudo para ser uma grande partida, de resultado imprevisível.