quinta-feira, 12 de abril de 2018
O país do faz de conta
A desfaçatez tornou-se institucional no Brasil. O golpe e seus desdobramentos criaram o país do faz de conta. O poder judiciário age com dois pesos e duas medidas, de maneira escancarada. Como esse procedimento vai ao encontro do que desejam as elites empresariais e a imprensa, fica tudo por isso mesmo. A retirada do nome do ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, da alça de mira da Operação Lava-Jato é um exemplo claro disso. O golpe não foi feito de improviso. Foi longamente estruturado. Seu objetivo foi pôr fim a série de vitórias da esquerda nas urnas, colocando no poder os defensores do "mercado", com suas propostas carregadas de demofobia. Como perceberam que, pela via democrática, jamais ganhariam uma eleição presidencial novamente, apelaram para o golpe. O Brasil é um barco à deriva. A Justiça, que deveria ser o ponto de equilíbrio nas tensões que dividem o país, é parte ativa do grande conluio que depôs uma presidente legitimamente eleita, sob alegações inconsistentes. Sem um poder judiciário altivo, nada resta ao país, apenas o caos.
quarta-feira, 11 de abril de 2018
Frango decisivo
Depois de três semanas apenas treinando, o Inter mostrou que nada mudou no nível do seu futebol. Hoje, no Beira-Rio, o Inter venceu o Vitória por 2 x 1, pela quarta fase da Copa do Brasil, mas não mereceu o resultado. Na verdade, o Inter só ganhou em função do frango decisivo sofrido pelo goleiro Caique, do Vitória, já nos acréscimos do jogo. O Inter teve uma atuação fraca, saiu na frente no placar, mas logo cedeu o empate. Ao final do primeiro tempo, vaias foram ouvidas no estádio. No segundo tempo, o panorama não se mostrou melhor. O desempenho do Inter continuou fraco, e o empate parecia o resultado final. Foi então que Caique tomou um dos maiores frangos da história do Beira-Rio. A torcida do Inter ficou aliviada, é claro, mas, mesmo podendo jogar por um empate na segunda partida, na próxima semana, no Barradão, não há nenhuma garantia de que o Inter será bem sucedido na busca da classificação para as semifinais da competição. O futebol apresentado pelo Inter não há nenhuma segurança ao seu torcedor de que o futuro lhe reserve boas notícias.
terça-feira, 10 de abril de 2018
Aceita que dói menos
Há expressões que caracterizam determinadas épocas, sendo muito usadas, até que sejam esquecidas e substituídas por outras. Atualmente, é muito empregada a expressão "aceita que dói menos". Ela costuma ser utilizada quando alguém não assimila uma situação que lhe seja desfavorável. O Inter, seus torcedores, e os defensores assumidos ou enrustidos do clube na imprensa, estão vivendo um momento assim. A estupenda fase do Grêmio, com títulos em sequência, enquanto o Inter ainda tenta se recompor depois de um rebaixamento para a Segunda Divisão do futebol brasileiro, e de uma volta sem brilho para a Série A, faz com que os nervos dos seus adeptos estejam muito sensíveis. As "cornetas" e os "memes" de jogadores e torcedores do Grêmio com o seu maior rival estão gerando inconformidade no Inter. O curioso é que, dois anos atrás, quando o jogador Eduardo Sasha, atualmente emprestado ao Santos, dançou a valsa dos 15 anos do Grêmio sem a conquista de grandes títulos, todos pareceram achar o gesto provocativo como algo normal, uma simples brincadeira. Agora, quando jogadores e torcedores do Grêmio pedem "um minuto de silêncio para o Inter que está morto", a revolta do clube e de seus adeptos toma conta dos espaços na imprensa. No futebol, como na vida, a banca paga e recebe. O Grêmio e seus torcedores estão, apenas, exercendo o saudável direito de "tocar flauta" nos adversários. No futebol, o êxito e o fracasso são cíclicos. O momento é amplamente favorável ao Grêmio, e é natural que ele tire proveito disso gozando e provocando o seu maior rival. Para o Inter cabe, então, o conselho da expressão em evidência referida no início do texto, ou seja, aceita que dói menos.
segunda-feira, 9 de abril de 2018
Auxílio externo
Há situações específicas que servem para reflexões de cunho geral. O polêmico pênalti desmarcado na decisão do Campeonato Paulista entre Palmeiras e Corinthians, é um desses casos. O brasileiro, mais do que qualquer outro povo do mundo, adora a visão "pragmática" do maquiavelismo, de que os fins justificam os meios. No fato em questão, ao voltar atrás no pênalti que marcou em favor do Palmeiras, o árbitro acertou, pois a infração não ocorreu. Porém, ficou mais do que evidente de que o árbitro contou com auxílio externo para modificar sua decisão, o que não é permitido. Para muitas pessoas esse é um preciosismo irrelevante, mas isso não é verdade. Na ausência do árbitro de vídeo, que já deveria ter sido instituído há muito tempo em todas as competições, a arbitragem não pode se valer de informações externas para tomar ou rever decisões. Embora não tenha sido admitido pelo árbitro, foi exatamente o que aconteceu ontem. Numa sociedade civilizada não pode haver lugar para se fazer "justiça por linhas tortas". A justiça, no futebol ou na vida em geral, não pode ser feita de modo tortuoso. Ela precisa seguir normas de procedimento. O árbitro errara ao marcar um pênalti inexistente em favor do Palmeiras, mas falhou ainda mais ao rever sua decisão por um meio não previsto na legislação do futebol.
domingo, 8 de abril de 2018
Campeão
O Campeonato Gaúcho estava virtualmente decidido desde o último domingo, após o Grêmio golear o Brasil de Pelotas por 4 x 0, na Arena. Hoje, no Bento Freitas, houve a confirmação do esperado, de modo incontestável. O Grêmio tornou a golear o Brasil de Pelotas, dessa vez por 3 x 0, e é, com todos os méritos, o campeão gaúcho de 2018. Os gols, curiosamente, aconteceram apenas no final do jogo, marcados por Cícero, que acabara de entrar em campo, Alisson e Leonardo Moura. Mais uma vez, a exemplo do que ocorrera na partida anterior, o Brasil de Pelotas teve um jogador expulso. Leandro Leite, que já tinha um cartão amarelo, agarrou Jael de forma acintosa, recebeu o segundo e, consequentemente, o vermelho. Com sete gols marcados e nenhum sofrido nos dois jogos, o Grêmio mostrou sua superioridade sobre o Brasil de Pelotas de forma inequívoca. O placar já poderia ter sido favorável ao Grêmio desde o primeiro tempo, quando Luan perdeu dois gols feitos e Everton errou uma conclusão em vez de dar a bola para Jael, que estava sozinho de frente para a meta adversária. Após o jogo, mais uma boa notícia para a torcida do Grêmio, com a declaração do técnico Renato de que permanecerá no clube. Esse, no entanto, talvez seja o único fato a merecer um reparo na merecidamente festiva tarde gremista. Se sua decisão era de continuar no Grêmio, Renato não precisava postergar o anúncio por quatro dias, desde o final do jogo contra o Monagas (VEN), pela Libertadores, angustiando a torcida que tanto o idolatra. Afora isso, o Grêmio segue no seu período de conquistas em série. O ano ainda está em seu começo, e o Grêmio já ganhou dois títulos. Com um time qualificado e ajustado, o Grêmio tem tudo para acrescentar mais taças à sua sala de troféus até o final de 2018.
sábado, 7 de abril de 2018
O deprimente jornalismo brasileiro
O que fica de toda a perseguição ao ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, que culminou com sua prisão no dia de hoje, é o péssimo estágio em que se encontra a imprensa brasileira. O deprimente jornalismo brasileiro da atualidade não tem nenhum compromisso com o país e sua população. Não houve na cobertura do caso Lula nenhum vestígio de isenção ou imparcialidade, fatores essenciais na prática do bom jornalismo. Veículos como "Veja", "O Globo", "Folha de São Paulo" e o "O Estado de São Paulo" realizaram uma cobertura panfletária, tentando condenar Lula a qualquer preço. Hoje é o Dia do Jornalista, mas, no Brasil, não há motivos para qualquer comemoração. Os jornalistas combativos e independentes, com raras exceções, ficaram no passado. As redações brasileiras estão tomadas, na sua maioria, por dóceis ventríloquos de seus patrões, cujos interesses colidem com os do povo brasileiro. Uma imprensa livre e independente é um fator essencial para a construção de um país melhor. Lamentavelmente, não é esse o quadro que se verifica no Brasil atual.
sexta-feira, 6 de abril de 2018
A coveira do Brasil
Se há uma figura que personifica todo o descalabro que vive o Brasil nesse momento, ela é, sem dúvida, a da presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Carmen Lúcia. Agindo em nome dos interesses das elites predatórias do país, Carmen Lúcia executou uma manobra, denunciada pelo ministro Marco Aurélio Melo, de colocar em votação o habeas corpus preventivo do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva sem que antes fossem julgadas as ações diretas de constitucionalidade sobre a prisão após a segunda instância. Carmen Lúcia agiu de caso pensado, pois sabia que, caso as adcs fossem julgadas, o voto da ministra Rosa Weber seria contrário à prisão após a segunda instância, o que favoreceria Lula. Agora, numa demonstração de sua obstinação em prejudicar Lula, Carmen Lúcia concedeu a relatoria de um novo pedido de habeas corpus mais uma vez ao ministro Édson Fachin, em vez de a entregar a Marco Aurélio Melo, como esperado. Carmen Lúcia sabe que Édson Fachin rejeitaria o pedido, e que Marco Aurélio Melo o concederia. Com sua postura servil às elites, agindo como uma estafeta da direita brasileira, Carmen Lúcia ajuda a cavar um poço cada vez mais fundo para o país. Pela maneira covarde e premeditada como agiu em favor das forças do atraso, Carmen Lúcia é a coveira do Brasil.
quinta-feira, 5 de abril de 2018
A rapidez de Moro
A determinação da prisão do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, feita, hoje, pelo juiz Sérgio Moro, escancara ainda mais o quão arbitrária e infundada é a sua condenação. A rapidez de Moro, ou celeridade, no linguajar jurídico, na expedição da ordem de prisão de Lula, surpreendeu a todos, dentro e fora do meio em que atua, pois, de acordo com a normalidade, a medida só deveria ocorrer na próxima semana, ou até mais adiante. No texto da ordem de prisão, Moro argumenta contra a "patologia protelatória" na execução da pena. Porém, quem parece acometido de severa patologia é o próprio Moro. Transformado em "herói" da direitalha boçal brasileira, Moro tornou-se uma "celebridade" entrando para o mundo dos famosos pela porta dos fundos. Na verdade nua e crua dos fatos, Moro é um inexpressivo juiz de primeira instância, de currículo medíocre, que "levou bomba" repetidas vezes no exame da OAB, e que, conforme foi visto numa recente edição do programa "Roda Viva", da TV Cultura, de São Paulo, costuma agredir o idioma pátrio impiedosamente. Escolhido a dedo pela plutocracia brasileira e seus fiéis servidores para a tarefa de destruir Lula e impedir sua líquida e certa volta ao cargo de presidente, Moro assumiu a causa de maneira obstinada, e logo contou com a adesão da classe média imbecilizada, que apoia a volta da ditadura e desfila ao lado de patos amarelos. No entanto, a história, nesses casos, é implacável. Lula já tem seu lugar assegurado na posteridade. Por mais que lhe apedrejem, é um vulto histórico, com uma biografia brilhante e singular, de um operário que chegou ao mais alto posto do país. A condição de "celebridade" de Moro, ao contrário, terá a mesma duração da de um integrante do "Big Brother Brasil".
quarta-feira, 4 de abril de 2018
Vergonha jurídica
O Supremo Tribunal Federal não se cansa de agir de maneira casuística. Hoje, em julgamento que avançou noite adentro, perpetrou outra vergonha jurídica. O habeas corpus para o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva foi negado, por 6 votos a 5. A ministra Rosa Weber, de quem se esperava uma postura favorável à concessão do habeas corpus, foi contra, num voto absolutamente confuso e contraditório. O Supremo cedeu às absurdas pressões da imprensa e das Forças Armadas, autorizando a prisão de um homem condenado sem provas. O Brasil caminha para o abismo e o seu órgão máximo do Poder Judiciário tem muita responsabilidade nisso. O que virá pela frente, depois de tão nefasta decisão, é imprevisível, mas as perspectivas para o país não são nada animadoras. Os efeitos do golpe são cada vez mais deletérios, e as eleições que se aproximam não deverão melhorar em nada esse quadro.
Nova goleada
O Grêmio está se caracterizando por ganhar jogos com placares largos. Hoje, ocorreu uma nova goleada. A vítima da vez foi o Monagas (VEN), na Arena, pela Libertadores. O resultado final, de 4 x 0, poderia ter sido ainda mais amplo. No primeiro tempo, com um futebol burocrático, o Grêmio não conseguiu sair do 0 x 0. Porém, a partir da saída de Leonardo Moura e da entrada de Alisson, no intervalo, tudo mudou. Ramiro foi para a lateral direita, onde Leonardo Moura não estava bem. O Grêmio cresceu de produção e, logo aos cinco minutos do segundo tempo, abriu o placar. Os gols foram se sucedendo, diante de um Monagas que já não opunha resistência. A modificação inicial feita pelo técnico do Grêmio, Renato, foi a mesma de domingo, contra o Brasil de Pelotas, com idêntico efeito, ou seja, saindo de um 0 x 0, no primeiro tempo, para uma goleada de 4 x 0, no segundo. Dessa vez, sem que o adversário tivesse um jogador expulso, o que prova que não foi esse fato que determinou a grande vantagem sobre o Brasil de Pelotas. A fase do Grêmio segue muito favorável.
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