sexta-feira, 6 de abril de 2018

A coveira do Brasil

Se há uma figura que personifica todo o descalabro que vive o Brasil nesse momento, ela é, sem dúvida, a da presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Carmen Lúcia. Agindo em nome dos interesses das elites predatórias do país, Carmen Lúcia executou uma manobra, denunciada pelo ministro Marco Aurélio Melo, de colocar em votação o habeas corpus preventivo do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva sem que antes fossem julgadas as ações diretas de constitucionalidade sobre a prisão após a segunda instância. Carmen Lúcia agiu de caso pensado, pois sabia que, caso as adcs fossem julgadas, o voto da ministra Rosa Weber seria contrário à prisão após a segunda instância, o que favoreceria Lula. Agora, numa demonstração de sua obstinação em prejudicar Lula, Carmen Lúcia concedeu a relatoria de um novo pedido de habeas corpus mais uma vez ao ministro Édson Fachin, em vez de a entregar a Marco Aurélio Melo, como esperado. Carmen Lúcia sabe que Édson Fachin rejeitaria o pedido, e que Marco Aurélio Melo o concederia. Com sua postura servil às elites, agindo como uma estafeta da direita brasileira, Carmen Lúcia ajuda a cavar um poço cada vez mais fundo para o país. Pela maneira covarde e premeditada como agiu em favor das forças do atraso, Carmen Lúcia é a coveira do Brasil.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

A rapidez de Moro

A determinação da prisão do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, feita, hoje, pelo juiz Sérgio Moro, escancara ainda mais o quão arbitrária e infundada é a sua condenação. A rapidez de Moro, ou celeridade, no linguajar jurídico, na expedição da ordem de prisão de Lula, surpreendeu a todos, dentro e fora do meio em que atua, pois, de acordo com a normalidade, a medida só deveria ocorrer na próxima semana, ou até mais adiante. No texto da ordem de prisão, Moro argumenta contra a "patologia protelatória" na execução da pena. Porém, quem parece acometido de severa patologia é o próprio Moro. Transformado em "herói" da direitalha boçal brasileira, Moro tornou-se uma "celebridade" entrando para o mundo dos famosos pela porta dos fundos. Na verdade nua e crua dos fatos, Moro é um inexpressivo juiz de primeira instância, de currículo medíocre, que "levou bomba" repetidas vezes no exame da OAB, e que, conforme foi visto numa recente edição do programa "Roda Viva", da TV Cultura, de São Paulo, costuma agredir o idioma pátrio impiedosamente. Escolhido a dedo pela plutocracia brasileira e seus fiéis servidores para a tarefa de destruir Lula e impedir sua líquida e certa volta ao cargo de presidente, Moro assumiu a causa de maneira obstinada, e logo contou com a adesão da classe média imbecilizada, que apoia a volta da ditadura e desfila ao lado de patos amarelos. No entanto, a história, nesses casos, é implacável. Lula já tem seu lugar assegurado na posteridade. Por mais que lhe apedrejem, é um vulto histórico, com uma biografia brilhante e singular, de um operário que chegou ao mais alto posto do país. A condição de "celebridade" de Moro, ao contrário, terá a mesma duração da de um integrante do "Big Brother Brasil".

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Vergonha jurídica

O Supremo Tribunal Federal não se cansa de agir de maneira casuística. Hoje, em julgamento que avançou noite adentro, perpetrou outra vergonha jurídica. O habeas corpus para o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva foi negado, por 6 votos a 5. A ministra Rosa Weber, de quem se esperava uma postura favorável à concessão do habeas corpus, foi contra, num voto absolutamente confuso e contraditório. O Supremo cedeu às absurdas pressões da imprensa e das Forças Armadas, autorizando a prisão de um homem condenado sem provas. O Brasil caminha para o abismo e o seu órgão máximo do Poder Judiciário tem muita responsabilidade nisso. O que virá pela frente, depois de tão nefasta decisão, é imprevisível, mas as perspectivas para o país não são nada animadoras. Os efeitos do golpe são cada vez mais deletérios, e as eleições que se aproximam não deverão melhorar em nada esse quadro.

Nova goleada

O Grêmio está se caracterizando por ganhar jogos com placares largos. Hoje, ocorreu uma nova goleada. A vítima da vez foi o Monagas (VEN), na Arena, pela Libertadores. O resultado final, de 4 x 0, poderia ter sido ainda mais amplo. No primeiro tempo, com um futebol burocrático, o Grêmio não conseguiu sair do 0 x 0. Porém, a partir da saída de Leonardo Moura e da entrada de Alisson, no intervalo, tudo mudou. Ramiro foi para a lateral direita, onde Leonardo Moura não estava bem. O Grêmio cresceu de produção e, logo aos cinco minutos do segundo tempo, abriu o placar. Os gols foram se sucedendo, diante de um Monagas que já não opunha resistência. A modificação inicial feita pelo técnico do Grêmio, Renato, foi a mesma de domingo, contra o Brasil de Pelotas, com idêntico efeito, ou seja, saindo de um 0 x 0, no primeiro tempo, para uma goleada de 4 x 0, no segundo. Dessa vez, sem que o adversário tivesse um jogador expulso, o que prova que não foi esse fato que determinou a grande vantagem sobre o Brasil de Pelotas. A fase do Grêmio segue muito favorável.

terça-feira, 3 de abril de 2018

Fascismo despudorado

O dia de hoje, véspera do julgamento do pedido de habeas  corpus preventivo do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva serviu para a exposição do que o país tem de mais abjeto. Foi um dia de fascismo despudorado. Militares da ativa e da reserva fizeram ameaças ao Poder Judiciário se Lula não for preso. O Jornal Nacional,  da Rede Globo, insuflou a negação do habeas corpus, e encerrou sua edição com a leitura de uma postagem no Twitter de um militar insinuando uma intervenção das Forças Armadas se a defesa de Lula obtiver êxito em seu pedido. O Supremo Tribunal Federal está sendo pressionado e chantageado pelas figuras mais pútridas do país. Será uma desmoralização completa do STF se ele ceder às invectivas fascistas. Amanhã estará sendo decidido se o Brasil retomará o caminho da justiça, ou se irá chafurdar no pântano do arbítrio. O habeas corpus de Lula há de ser concedido, para desespero dos golpistas, impedindo a prisão de um homem condenado sem provas. Será um dia de fortes emoções, mas em que, ao final, espera-se a vitória da justiça sobre os que a pisoteiam.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

O rigor da lei

Dentre as tantas opiniões disparatadas sobre a expulsão do lateral direito Éder Sciola, do Brasil de Pelotas, no jogo de ontem contra o Grêmio, nenhuma supera a do ex-árbitro Márcio Chagas da Silva. Comentarista de arbitragem da RBS TV, Márcio Chagas disse que o árbitro Anderson Daronco, agiu certo dentro do rigor da lei, mas que se ele estivesse apitando o jogo, não teria expulsado Éder Sciola, levando em consideração o momento da partida. Esse tipo de declaração revela muito do que o Brasil é como país. Um ex-árbitro confessa que agiria em desacordo com o rigor da lei, para não causar um desequilíbrio no jogo. Não cabe a um árbitro esse tipo de ponderação, embora muitos cronistas defendam essa mesma postura. O árbitro tem que agir estritamente de acordo com o que dispõem as regras do futebol. As consequências de uma expulsão dentro de um jogo não são problema dele. A expulsão de Éder Sciola foi corretíssima. A absurda polêmica em torno do fato transformou o algoz em vítima. O jogador do Brasil de Pelotas não foi injustiçado, pois praticou uma falta grave e já tinha um cartão amarelo. Aliás, é curiosa a postura de cronistas "isentos" em relação ao lance. Em 2015, quando Anderson Daronco expulsou Geromel no primeiro Gre-Nal da decisão do Campeonato Gaúcho, na Arena, por uma entrada "temerária" em D'Alessandro, sua decisão foi festejada. Geromel sequer encostou em D'Alessandro, mas sua expulsão foi considerada correta pelos "imparciais" cronistas. Os mesmos que costumeiramente constituem a tropa de choque que defende os "erros humanos" de arbitragem quando eles favorecem o Inter, agora abrem o berreiro sobre um suposto benefício ao Grêmio, num jogo em que seu clube do coração sequer era um dos participantes. Sua indignação com a "injustiça" sofrida pelo clube pelotense nada mais é do que a manifestação da frustração e do ressentimento de quem foi barrado da festa.

domingo, 1 de abril de 2018

Com a mão na taça

O Grêmio é o virtual campeão gaúcho de 2018. Hoje, na Arena, goleou o Brasil de Pelotas por 4 x 0, e praticamente inviabilizou uma reversão no segundo jogo, domingo que vem, no Bento Freitas. O primeiro tempo terminou empatado em 0 x 0, já que o Brasil jogava inteiramente retrancado, buscando obter um empate que transferisse a definição do título para a segunda partida. Porém, um lance, ocorrido aos 45 minutos do primeiro tempo, mudaria a história do jogo. Éder Sciola, do Brasil, que já tinha recebido cartão amarelo, fez uma falta forte sobre Luan, levou o segundo e, consequentemente, foi expulso. Com um homem a menos, o Brasil levou o primeiro gol logo aos 50 segundos do tempo final de jogo. A partir daí, as chances foram se sucedendo, e o Grêmio goleou ao natural. Os grandes destaques do Grêmio foram Jael, que deu dois passes para gols, um deles de calcanhar, e Everton, que balançou as redes duas vezes. O Grêmio está com a mão na taça do Campeonato Gaúcho, que não ganha desde 2010. Mais um jejum que está sendo desfeito por Renato, seu mítico técnico.

sábado, 31 de março de 2018

Um governo em ruínas

A prisão de amigos próximos do presidente golpista e ilegítimo Michel Temer, em ação que foi determinada na última quinta-feira pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso, e hoje revogada pelo próprio acolhendo pedido da Procuradoria Geral da República, expôs um quadro insustentável em qualquer outro país. O Brasil está entregue a um governo em ruínas. A continuidade de Temer no poder é um escândalo que se agrava a cada dia. Temer até poderá prosseguir no cargo, pois no Brasil tudo é possível em termos políticos, mas sua imagem foi, definitivamente, comprometida. Temer, há  poucos dias, revelou sua intenção de concorrer à reeleição. A ideia, que já era estapafúrdia, agora tornou-se um delírio. Há a possibilidade de Temer sofrer uma nova denúncia, que seria a terceira, por parte da Procuradoria Geral da República. Se isso vier a se confirmar, Temer não terá o mesmo poder de fogo junto ao Congresso Nacional para que ela seja rejeitada, pois em ano eleitoral os parlamentares estão mais preocupados com a renovação de seus próprios mandatos. A "tropa de choque" de Temer afirma que a prisão de seus amigos foi uma manobra para evitar sua candidatura à reeleição. Outras teorias da conspiração que circulam pelo país sustentam que os acontecimentos dos últimos dias são parte de um plano que visa afastar Michel Temer do cargo, colocar o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) no seu lugar, e suspender as eleições. Assim, Maia terminaria de implantar a agenda desejada pelo "mercado", prosseguindo com a destruição de direitos dos trabalhadores e com o entreguismo ao capital estrangeiro. Seja como for, politicamente, o país está à deriva, sem perspectivas de alcançar um porto seguro para ancorar.

sexta-feira, 30 de março de 2018

As surpresas de uma fórmula absurda

A fórmula de disputa do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro desse ano chamou a atenção por ser extremamente confusa e injusta, tornando pior uma competição que já era ruim. Disputado em dois turnos, o campeonato não oferece maiores vantagens para quem vence cada uma de suas fases. O natural seria que o regulamento previsse que, no caso de um mesmo clube ganhar os dois turnos, ele seria o campeão, ou, havendo um vencedor de cada fase, que eles disputassem o título entre si. No "criativo" campeonato em questão, isso não acontece. Os ganhadores de cada turno obtém como vantagem apenas a possibilidade de jogarem pelo empate nas semifinais que, afora eles, ainda reunem dois outros clubes de melhor campanha no cômputo geral da competição. Foi isso que aconteceu com o Flamengo, que ganhou a Taça Guanabara, e o Fluminense, que venceu a Taça Rio, nomes dados ao primeiro e segundo turnos da competição, respectivamente. Numa das semifinais, o Flamengo jogou contra o Botafogo bastando-lhe o empate para se classificar à decisão do campeonato. O mesmo ocorreu com o Fluminense, na outra partida pelas semifinais, contra o Vasco. Flamengo e Fluminense perderam os jogos e, assim, a competição será decidida por Botafogo e Vasco, clubes que não venceram nenhuma fase da disputa. No caso do Fluminense, a eliminação se deu com requintes de crueldade. O Vasco saiu na frente, o Fluminense virou o placar, e em nova reviravolta do marcador, o clube da Cruz de Malta fez o gol da vitória aos 49 minutos do segundo tempo. São as surpresas de uma fórmula absurda. Em competições nas quais se adota o formulismo, o mérito não é recompensado adequadamente. Toda uma campanha pode ir por água abaixo num único jogo. Tudo em nome da "emoção", nivelando artificialmente os participantes. A verdade é que, quanto mais mirabolante for a fórmula de um campeonato, menos atraente ele se torna para o torcedor. Não é à toa que o campeonato estadual do Rio de Janeiro apresenta um fracasso na frequência aos estádios, com públicos baixíssimos nos últimos anos.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Classificação protocolada

Depois da goleada imposta pelo Grêmio no primeiro jogo contra o Avenida, nos Eucaliptos, ficou claro que um dos finalistas do Campeonato Gaúcho já estava definido. Assim, na segunda partida, ontem, na Arena, haveria, simplesmente, um cumprimento de tabela. Essa impressão se confirmou e, com o empate em 1 x 1, o Grêmio teve sua classificação protocolada para a decisão do Gauchão. Os dois clubes colocaram times mistos em campo, numa prova de que ambos consideravam irreversível o resultado do primeiro jogo. O Grêmio dominou amplamente o jogo, desde o início, fez um gol no primeiro tempo, e apenas administrava a partida. Porém, no segundo tempo, o ritmo do Grêmio em campo caiu, e o Avenida começou a ser mais insinuante, até que obteve o empate. Mesmo com bastante tempo pela frente para buscar a vitória, o Grêmio não a conseguiu. Pela disparidade de qualidade entre os times, o normal seria o Grêmio ter vencido, e ficou claro o aborrecimento do técnico Renato com o resultado final. Seja como for, o Grêmio irá decidir a competição contra o Brasil de Pelotas, para tentar conquistar um título que não obtém desde 2010. Por ter melhor campanha, o Brasil de Pelotas fará o segundo jogo no Bento Freitas, mas o Grêmio é o favorito para ser o campeão.