terça-feira, 3 de abril de 2018
Fascismo despudorado
O dia de hoje, véspera do julgamento do pedido de habeas corpus preventivo do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva serviu para a exposição do que o país tem de mais abjeto. Foi um dia de fascismo despudorado. Militares da ativa e da reserva fizeram ameaças ao Poder Judiciário se Lula não for preso. O Jornal Nacional, da Rede Globo, insuflou a negação do habeas corpus, e encerrou sua edição com a leitura de uma postagem no Twitter de um militar insinuando uma intervenção das Forças Armadas se a defesa de Lula obtiver êxito em seu pedido. O Supremo Tribunal Federal está sendo pressionado e chantageado pelas figuras mais pútridas do país. Será uma desmoralização completa do STF se ele ceder às invectivas fascistas. Amanhã estará sendo decidido se o Brasil retomará o caminho da justiça, ou se irá chafurdar no pântano do arbítrio. O habeas corpus de Lula há de ser concedido, para desespero dos golpistas, impedindo a prisão de um homem condenado sem provas. Será um dia de fortes emoções, mas em que, ao final, espera-se a vitória da justiça sobre os que a pisoteiam.
segunda-feira, 2 de abril de 2018
O rigor da lei
Dentre as tantas opiniões disparatadas sobre a expulsão do lateral direito Éder Sciola, do Brasil de Pelotas, no jogo de ontem contra o Grêmio, nenhuma supera a do ex-árbitro Márcio Chagas da Silva. Comentarista de arbitragem da RBS TV, Márcio Chagas disse que o árbitro Anderson Daronco, agiu certo dentro do rigor da lei, mas que se ele estivesse apitando o jogo, não teria expulsado Éder Sciola, levando em consideração o momento da partida. Esse tipo de declaração revela muito do que o Brasil é como país. Um ex-árbitro confessa que agiria em desacordo com o rigor da lei, para não causar um desequilíbrio no jogo. Não cabe a um árbitro esse tipo de ponderação, embora muitos cronistas defendam essa mesma postura. O árbitro tem que agir estritamente de acordo com o que dispõem as regras do futebol. As consequências de uma expulsão dentro de um jogo não são problema dele. A expulsão de Éder Sciola foi corretíssima. A absurda polêmica em torno do fato transformou o algoz em vítima. O jogador do Brasil de Pelotas não foi injustiçado, pois praticou uma falta grave e já tinha um cartão amarelo. Aliás, é curiosa a postura de cronistas "isentos" em relação ao lance. Em 2015, quando Anderson Daronco expulsou Geromel no primeiro Gre-Nal da decisão do Campeonato Gaúcho, na Arena, por uma entrada "temerária" em D'Alessandro, sua decisão foi festejada. Geromel sequer encostou em D'Alessandro, mas sua expulsão foi considerada correta pelos "imparciais" cronistas. Os mesmos que costumeiramente constituem a tropa de choque que defende os "erros humanos" de arbitragem quando eles favorecem o Inter, agora abrem o berreiro sobre um suposto benefício ao Grêmio, num jogo em que seu clube do coração sequer era um dos participantes. Sua indignação com a "injustiça" sofrida pelo clube pelotense nada mais é do que a manifestação da frustração e do ressentimento de quem foi barrado da festa.
domingo, 1 de abril de 2018
Com a mão na taça
O Grêmio é o virtual campeão gaúcho de 2018. Hoje, na Arena, goleou o Brasil de Pelotas por 4 x 0, e praticamente inviabilizou uma reversão no segundo jogo, domingo que vem, no Bento Freitas. O primeiro tempo terminou empatado em 0 x 0, já que o Brasil jogava inteiramente retrancado, buscando obter um empate que transferisse a definição do título para a segunda partida. Porém, um lance, ocorrido aos 45 minutos do primeiro tempo, mudaria a história do jogo. Éder Sciola, do Brasil, que já tinha recebido cartão amarelo, fez uma falta forte sobre Luan, levou o segundo e, consequentemente, foi expulso. Com um homem a menos, o Brasil levou o primeiro gol logo aos 50 segundos do tempo final de jogo. A partir daí, as chances foram se sucedendo, e o Grêmio goleou ao natural. Os grandes destaques do Grêmio foram Jael, que deu dois passes para gols, um deles de calcanhar, e Everton, que balançou as redes duas vezes. O Grêmio está com a mão na taça do Campeonato Gaúcho, que não ganha desde 2010. Mais um jejum que está sendo desfeito por Renato, seu mítico técnico.
sábado, 31 de março de 2018
Um governo em ruínas
A prisão de amigos próximos do presidente golpista e ilegítimo Michel Temer, em ação que foi determinada na última quinta-feira pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso, e hoje revogada pelo próprio acolhendo pedido da Procuradoria Geral da República, expôs um quadro insustentável em qualquer outro país. O Brasil está entregue a um governo em ruínas. A continuidade de Temer no poder é um escândalo que se agrava a cada dia. Temer até poderá prosseguir no cargo, pois no Brasil tudo é possível em termos políticos, mas sua imagem foi, definitivamente, comprometida. Temer, há poucos dias, revelou sua intenção de concorrer à reeleição. A ideia, que já era estapafúrdia, agora tornou-se um delírio. Há a possibilidade de Temer sofrer uma nova denúncia, que seria a terceira, por parte da Procuradoria Geral da República. Se isso vier a se confirmar, Temer não terá o mesmo poder de fogo junto ao Congresso Nacional para que ela seja rejeitada, pois em ano eleitoral os parlamentares estão mais preocupados com a renovação de seus próprios mandatos. A "tropa de choque" de Temer afirma que a prisão de seus amigos foi uma manobra para evitar sua candidatura à reeleição. Outras teorias da conspiração que circulam pelo país sustentam que os acontecimentos dos últimos dias são parte de um plano que visa afastar Michel Temer do cargo, colocar o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) no seu lugar, e suspender as eleições. Assim, Maia terminaria de implantar a agenda desejada pelo "mercado", prosseguindo com a destruição de direitos dos trabalhadores e com o entreguismo ao capital estrangeiro. Seja como for, politicamente, o país está à deriva, sem perspectivas de alcançar um porto seguro para ancorar.
sexta-feira, 30 de março de 2018
As surpresas de uma fórmula absurda
A fórmula de disputa do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro desse ano chamou a atenção por ser extremamente confusa e injusta, tornando pior uma competição que já era ruim. Disputado em dois turnos, o campeonato não oferece maiores vantagens para quem vence cada uma de suas fases. O natural seria que o regulamento previsse que, no caso de um mesmo clube ganhar os dois turnos, ele seria o campeão, ou, havendo um vencedor de cada fase, que eles disputassem o título entre si. No "criativo" campeonato em questão, isso não acontece. Os ganhadores de cada turno obtém como vantagem apenas a possibilidade de jogarem pelo empate nas semifinais que, afora eles, ainda reunem dois outros clubes de melhor campanha no cômputo geral da competição. Foi isso que aconteceu com o Flamengo, que ganhou a Taça Guanabara, e o Fluminense, que venceu a Taça Rio, nomes dados ao primeiro e segundo turnos da competição, respectivamente. Numa das semifinais, o Flamengo jogou contra o Botafogo bastando-lhe o empate para se classificar à decisão do campeonato. O mesmo ocorreu com o Fluminense, na outra partida pelas semifinais, contra o Vasco. Flamengo e Fluminense perderam os jogos e, assim, a competição será decidida por Botafogo e Vasco, clubes que não venceram nenhuma fase da disputa. No caso do Fluminense, a eliminação se deu com requintes de crueldade. O Vasco saiu na frente, o Fluminense virou o placar, e em nova reviravolta do marcador, o clube da Cruz de Malta fez o gol da vitória aos 49 minutos do segundo tempo. São as surpresas de uma fórmula absurda. Em competições nas quais se adota o formulismo, o mérito não é recompensado adequadamente. Toda uma campanha pode ir por água abaixo num único jogo. Tudo em nome da "emoção", nivelando artificialmente os participantes. A verdade é que, quanto mais mirabolante for a fórmula de um campeonato, menos atraente ele se torna para o torcedor. Não é à toa que o campeonato estadual do Rio de Janeiro apresenta um fracasso na frequência aos estádios, com públicos baixíssimos nos últimos anos.
quinta-feira, 29 de março de 2018
Classificação protocolada
Depois da goleada imposta pelo Grêmio no primeiro jogo contra o Avenida, nos Eucaliptos, ficou claro que um dos finalistas do Campeonato Gaúcho já estava definido. Assim, na segunda partida, ontem, na Arena, haveria, simplesmente, um cumprimento de tabela. Essa impressão se confirmou e, com o empate em 1 x 1, o Grêmio teve sua classificação protocolada para a decisão do Gauchão. Os dois clubes colocaram times mistos em campo, numa prova de que ambos consideravam irreversível o resultado do primeiro jogo. O Grêmio dominou amplamente o jogo, desde o início, fez um gol no primeiro tempo, e apenas administrava a partida. Porém, no segundo tempo, o ritmo do Grêmio em campo caiu, e o Avenida começou a ser mais insinuante, até que obteve o empate. Mesmo com bastante tempo pela frente para buscar a vitória, o Grêmio não a conseguiu. Pela disparidade de qualidade entre os times, o normal seria o Grêmio ter vencido, e ficou claro o aborrecimento do técnico Renato com o resultado final. Seja como for, o Grêmio irá decidir a competição contra o Brasil de Pelotas, para tentar conquistar um título que não obtém desde 2010. Por ter melhor campanha, o Brasil de Pelotas fará o segundo jogo no Bento Freitas, mas o Grêmio é o favorito para ser o campeão.
terça-feira, 27 de março de 2018
Estatística reveladora
Era apenas um amistoso, e a Alemanha jogou com uma equipe mista. Ainda assim, a vitória da Seleção Brasileira sobre a Alemanha por 1 x 0, hoje, no Estádio Olímpico de Berlim, tem a sua importância. A goleada humilhante de 7 x 1 sofrida para a Alemanha, dentro de casa, na Copa do Mundo de 2014, será uma mancha permanente na história da Seleção Brasileira, mas o resultado de hoje reforça uma estatística reveladora. Agora, são treze vitórias da Seleção sobre a Alemanha, que venceu a equipe brasileira apenas cinco vezes. Alguns poderão dizer que a maioria dos jogos entre as equipes foram amistosos, mas elas já se enfrentaram numa decisão de Copa do Mundo, em 2002, e a Seleção Brasileira venceu ao natural, por 2 x 0. A goleada de 7 x 1 foi resultado de uma série de equívocos na Seleção. Um técnico que não era o mais indicado para o momento, uma equipe mal escalada para o jogo, entre vários outros fatores. Ao longo da história, no entanto, é clara a superioridade da Seleção sobre a Alemanha, como, de resto, sobre todas as outras equipes. Afinal, só ela ganhou cinco copas do mundo.
segunda-feira, 26 de março de 2018
O disparate de Sampaoli
O técnico da seleção da Argentina, Jorge Sampaoli, irá lançar, no mês de abril, o livro "Meus Latidos", no qual coloca suas ideias sobre o futebol. Na obra, Sampaoli tece considerações honrosas sobre o futebol argentino. Até aí, tudo bem, pois a qualidade do futebol argentino é inegável. Porém, o disparate de Sampaoli ocorre quando ele afirma que o futebol do seu país é o melhor dentre todos, e o que revelou os melhores jogadores da história. Sampaoli cita nomes como Maradona, Messi, Di Stefano, Sivori, Kempes, e até alguns menos votados como Bochini, Alonso e Madurga. A declaração de Sampaoli não condiz com a realidade. A Argentina ganhou apenas duas Copas do Mundo, enquanto o Brasil venceu cinco. Em termos de jogadores, o melhor de todos os tempos, Pelé, é brasileiro. Em se tratando de grandes nomes, o futebol brasileiro é imbatível em qualidade e quantidade. Garrincha, Leônidas da Silva, Zizinho, Didi, Nílton Santos, Gérson, Rivelino, Tostão, Dirceu Lopes, Ademir da Guia, Zico, Romário, Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo, Neymar, são muitos os craques e grandes jogadores revelados pelo futebol brasileiro ao longo do tempo. Sampaoli é um bom técnico, e o futebol argentino é muito qualificado, mas não pode existir dúvida sobre quem é o maior no contexto mundial. O Brasil é o maior vencedor da Copa do Mundo, e nenhum outro país revelou tantos craques. A qualidade do futebol brasileiro é inigualável.
domingo, 25 de março de 2018
Tranquilidade
O favoritismo do Grêmio diante do Avenida, no confronto pelas semifinais do Campeonato Gaúcho, é óbvio. Porém, a facilidade com que o Grêmio encaminhou sua classificação para a decisão do Gauchão, já no primeiro jogo, foi surpreendente. Com apenas nove minutos de jogo, o Grêmio já vencia por 2 c 0, o que lhe deu grande tranquilidade para conduzir a partida de acordo com seus objetivos. O resultado final foi uma goleada de 3 x 0, que, praticamente, já coloca o Grêmio na decisão da competição contra o vencedor da outra semifinal. Cabe salientar, no entanto, que mesmo tendo sido goleado, o Avenida criou chances ofensivas, e obrigou Marcelo Grohe a fazer, pelo menos, duas grandes defesas, uma delas depois de uma linda bicicleta de Welder. A bola aérea mostrou-se, mais uma vez, uma deficiência defensiva do Grêmio, ainda que não tenha redundado em gols do adversário. O grande destaque do Grêmio foi Arthur, autor do terceiro gol, que, com outra grande atuação, escancarou o equívoco do técnico Renato em não lhe escalar como titular no Gre-Nal de quarta-feira, no Beira-Rio. O longo jejum de títulos gaúchos do Grêmio está muito próximo de acabar.
sábado, 24 de março de 2018
Disputa histórica
Na madrugada de sábado para domingo, pelo horário brasileiro, começará o Campeonato Mundial de Fórmula 1 de 2018, com o Grande Prêmio da Austrália, em Melbourne. A ausência de um piloto brasileiro na categoria, pela primeira vez desde 1970, reduz o interesse de muitos pela competição, mas não deveria ser assim. Afinal, a Fórmula 1 continua a contar com grandes pilotos e, particularmente nesse ano, terá uma disputa espetacular. Lewis Hamilton, da Mercedes, e Sebastian Vettel, da Ferrari, possuem quatro títulos mundiais cada um, o que os levou a alcançarem o ex-piloto Alain Prost no terceiro lugar entre os maiores campeões da Fórmula 1. Como a disputa pelo título tende, mais uma vez, a se concentrar entre os dois, um deles deverá alcançar cinco campeonatos, se igualando a Juan Manuel Fangio, e ficando atrás, apenas, de Michael Schumacher, que obteve sete conquistas. Com ou sem brasileiros, a Fórmula 1 continua sendo uma atração das mais interessantes.
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