segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Enterrando o próprio time

A penúltima rodada do Campeonato Brasileiro foi marcada pelo desempenho de dois jogadores que, um por falhas técnicas, outro por uma atitude irresponsável, acabaram enterrando o próprio time. O goleiro Alex Muralha, do Flamengo, com dois erros terríveis, determinou a derrota do seu time para o Santos, por 2 x 1, depois de ter saído na frente no placar. O zagueiro Rodrigo, da Ponte Preta, ao apalpar o atacante Trellez, do Vitória, foi expulso, levando seu time, que ganhava por 2 x 0, a perder por 3 x 2 , o que resultou no rebaixamento do clube para a Segunda Divisão. Num esporte coletivo, como o futebol, o sucesso do grupo depende do bom rendimento das individualidades. Se uma peça erra gravemente, todos pagam um alto preço. Muralha, que já vinha falhando há tempos, não deverá ter mais ambiente para continuar no Flamengo. Rodrigo, pela idade já avançada, talvez decida encerrar sua carreira. A falha de Muralha no lance que resultou no gol do empate do Santos, e o gesto de Rodrigo, foram determinantes para as derrotas de seus clubes. Muralha ainda falhou gravemente no segundo gol. Não há ambiente para que nenhum dos dois permaneça em seu clube atual. Porém, não há motivos para que qualquer um deles seja tratado como vítima.  Muralha e Rodrigo assumiram o risco, e foram extremamente irresponsáveis. Como diria o ex-técnico Muricy Ramalho, a bola pune. Alex Muralha e Rodrigo que o digam.

domingo, 26 de novembro de 2017

Desperdício

Durante sua campanha no Campeonato Brasileiro, o Grêmio caracterizou-se pelo desperdício de pontos, tropeçando contra adversários fracos, e o que é pior, várias vezes jogando em casa. Hoje, não foi diferente. O Grêmio, em plena Arena, não conseguiu mais do que um empate em 1 x 1 com o Atlético Goianiense, o único clube que começou a rodada já rebaixado para a Segunda Divisão. O fato de ter jogado com um time inteiramente reserva não absolve o Grêmio. Diante de um adversário tão fraco, o Grêmio deveria ter força suficiente para vencer. A vitória seria importante, pois praticamente garantiria o vice-campeonato para o Grêmio, e um prêmio de R$ 11 milhões. Porém, o que se viu em campo não foi um Grêmio mobilizado e tentando vencer. Pelo contrário, o Grêmio se mostrou apático, aceitando a proposta de jogo do Atlético Goianiense passivamente, e chegou a estar atrás no placar. O empate veio logo depois, mas o Grêmio não teve forças para obter a virada. Com os constantes tropeços, o Grêmio poderá ser superado por Palmeiras e Santos na classificação. Caso isso venha a acontecer, equivaleria a rasgar dinheiro, deixando de ganhar um prêmio significativo, que ajudaria a aliviar os cofres do clube.

sábado, 25 de novembro de 2017

A efetivação de Odair Hellmann

O título do Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão não foi conquistado, mas o Inter venceu o Guarani de Campinas por 2 x 0, hoje, no Beira-Rio. O campeão da Série B foi o América Mineiro, que ganhou do CRB, por 1 x 0, no Independência, com recorde de público. Depois do jogo, o vice-presidente de futebol do Inter, Roberto Melo, para surpresa da torcida, e contrariedade de uma boa parte dela, anunciou a efetivação de Odair Hellmann como técnico. Até então, Hellmann exercia o cargo como interino. Sem dúvida, não é o tipo de notícia que gere entusiasmo. Porém, nada impede que Hellmann tenha êxito. Um exemplo disso é Jair Ventura, que viveu situação semelhante no Botafogo e hoje é um dos técnicos mais destacados da nova geração. Hellmann tem um bom tempo de clube, e a confiança dos jogadores. Por não ter o lastro dos profissionais famosos, Hellmann será, mais do que normalmente acontece com os técnicos em geral, um refém dos resultados. Não terá como resistir a tropeços em série. O momento não parece propício para apostas, mas o Inter arriscou. Para Odair Hellmann, é a grande oportunidade de sua vida profissional.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

A aposta em Roger Machado

Chama a atenção o prestígio desfrutado pelo técnico Roger Machado junto aos grandes clubes brasileiros. Roger acaba de ser contratado pelo Palmeiras, depois de ter trabalhado em outros dois gigantes do futebol brasileiro, Grêmio e Atlético Mineiro. A carreira de Roger ainda é curta. Antes dos três grandes, esteve em Juventude e Novo Hamburgo. Seu único título, até agora, foi o do Campeonato Mineiro desse ano, o que não impediu que ele fosse demitido, meses mais tarde. Roger ainda não cumpriu contrato em nenhum dos clubes em que trabalhou. Deixou o Novo Hamburgo para ir para o Grêmio, onde pediu demissão antes de terminar o seu contrato, e foi demitido por Juventude e Atlético Mineiro. Não há dúvida de que Roger tem boas ideias, e é um técnico moderno e inovador, mas sua trajetória ainda é curta, e superestimada. A aposta em Roger Machado é uma ação do Palmeiras com alto grau de incerteza quanto ao seu êxito. Para o técnico, é mais uma grande oportunidade para se afirmar definitivamente na carreira, ou para provar que ainda não tem estofo para desafios desse nível.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Arbitragem desastrosa

Não foi uma boa atuação do Grêmio, o gol saiu apenas no final do jogo, mas, ainda assim, o clube tem muito o que reclamar após a vitória por 1 x 0 sobre o Lanus, hoje, na Arena, no primeiro jogo da decisão da Libertadores. Afinal, a arbitragem foi desastrosa. Kannemann recebeu um cartão amarelo injustamente, que lhe deixou fora do segundo jogo da decisão, e Jael sofreu um pênalti escandaloso, que não foi marcado. Afora isso, o árbitro chileno Júlio Bascunan segurou demais o jogo, marcando faltas de forma excessiva, e foi condescendente com a cera do Lanus. A ausência de Kannemann e o pênalti não marcado poderão pesar muito negativamente no segundo jogo. Por isso, o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Júnior, tem toda a razão em dizer que vai tomar providências quanto ao roubo de que o clube foi vítima, por parte da arbitragem. Seja como for, mesmo que a duras penas, o Grêmio venceu o jogo, e agora lhe basta um empate para garantir o seu terceiro título de Libertadores. Será difícil, mas o Grêmio está em vantagem, e isso não é pouco.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Contratações modestas

Se os torcedores do Inter esperavam contratações de impacto para 2018, ano em que o clube estará de volta á Primeira Divisão, parece que suas pretensões serão frustradas. O anúncio da vinda do centroavante Roger, do Botafogo, e os outros nomes de possíveis reforços que vem sendo especulados, apontam para a realização de contratações modestas. O primeiro contratado, Roger, é um centroavante de 32 anos, que rodou por vários clubes, e nunca foi um grande goleador. Os outros nomes especulados também não são capazes de gerar entusiasmo na torcida. São eles o lateral direito Ruan, do Boa Esporte, o volante Gabriel Dias, do Paraná, e o veterano atacante Silvinho, do Criciúma. A diretoria do Inter já havia revelado que o clube enfrenta dificuldades financeiras. O nível do primeiro reforço contratado, e dos outros que estão sendo cogitados, corroboram essa informação. O Inter até poderá ter um bom desempenho nas competições do próximo ano, mas não fará isso com um time de estrelas. Terá de buscar resultados pela força do conjunto, não pelo brilho das individualidades.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

O drone

A exemplo do que fizera em 2014 com o "Caso Aranha", a ESPN volta a lançar mão de uma reportagem para tentar abalar a imagem do Grêmio como instituição. Na antevéspera do primeiro jogo da decisão da Libertadores, a emissora levou ao ar uma matéria que sustenta que o Grêmio, durante todo o ano, utilizou-se dos serviços de um profissional que, usando um drone, espionava os treinos de seus adversários, captando imagens para análise tática. Ouvido a respeito pela ESPN, o diretor jurídico do Grêmio, Nestor Hein, destacou o fato de a emissora fazer a divulgação de uma matéria que estava sendo elaborada há cinco meses, apenas dois dias antes de um jogo tão importante para o clube. Nestor Hein tem razão. O único intuito da veiculação da reportagem parece ser o de causar prejuízo ao Grêmio, sem nenhuma justificativa. O objetivo, no entanto, não foi atingido.  O Lanus, adversário do Grêmio na decisão da Libertadores, desdenhou da "informação", revelando não se importar com ela. Seja qual for o motivo que tenha levado a ESPN a tentar abalar a imagem do Grêmio, ele não será alcançado. A reportagem sobre o drone não terá o impacto esperado pelos que elaboraram a matéria. O Grêmio irá buscar o título da Libertadores sem sofrer abalos por conta de uma reportagem sensacionalista.

domingo, 19 de novembro de 2017

Poderia ter sido melhor

Nem sempre o resultado de um jogo representa fielmente o que aconteceu dentro do campo. Esse é o caso da derrota do Grêmio por 1 x 0 para o Santos, hoje, na Vila Belmiro, pelo Campeonato Brasileiro. Antes do jogo, parecia ser inevitável que o Grêmio perdesse a partida. Afinal, jogaria com um time inteiramente reserva, treinado pelo técnico dos aspirantes, na casa do adversário, que estaria quase completo. Porém, a medida em que o jogo se desenrolava, o Grêmio mostrava estar em condições de vencer, e não fosse a imperícia de Patrick, que perdeu um gol feito, e a falta de sorte de Kaio num chute de fora da área que bateu na trave, o Grêmio teria aberto o placar. O Grêmio fez uma boa partida, e poderia ter tido melhor sorte, não fosse um descuido que permitiu ao Santos um rápido contra-ataque, que redundou no gol que lhe deu a vitória. O Grêmio foi melhor que o Santos na maior parte do jogo, e ainda teve um pênalti sobre Jael que não foi marcado. A verdade é que, diante do que se viu em campo, o resultado poderia ter sido melhor para o Grêmio.

sábado, 18 de novembro de 2017

Apito amigo

Uma das características mais marcantes da longa história do Inter é a constância com que é beneficiado pelo "apito amigo". Poucos clubes são tão favorecidos quanto o Inter por " erros humanos" dos árbitros. Hoje, mais uma vez, essa tendência se fez presente. O Inter venceu o Goiás por 2 x 0, no Serra Dourada, pelo Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão, mas o resultado foi fortemente influenciado pela arbitragem, que anulou, inexplicavelmente, um gol do Goiás, quando o jogo ainda estava empatado em 0 x 0. Menos mal que o jogo pouco valia em termos de classificação, pois o Inter já garantira a sua volta á Primeira Divisão, e o Goiás não corria mais riscos de rebaixamento. O único efeito prático da vitória para o Inter foi manter a chance de obter o título da Série B, pois o América Mineiro, líder da competição, apenas empatou na rodada. Seja como for, o erro do árbitro Héber Roberto Lopes foi tão grosseiro que gerou diversas manifestações pedindo que ele encerre a carreira. Sem dúvida, é uma ótima sugestão.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

A defesa da barbárie

A direita brasileira está deitando e rolando no descalabro em que vive o país. Seus expoentes perderam qualquer inibição, e defendem abertamente o "direito" que julgam ter de discriminar, humilhar, segregar, oprimir e perseguir os que não se encaixem em sua visão elitista e supremacista de sociedade. O advogado Ives Gandra da Silva Martins, notória figura do ultraconservadorismo brasileiro, escreveu, há alguns dias, que não tem culpa de não ser negro, índio, quilombola, homossexual, guerrilheiro ou invasor de terras. Num texto carregado de cinismo, Gandra se apresenta como um homem branco, "modesto" advogado e heterossexual. O mote de sua argumentação é de que pessoas como ele estariam se sentindo um peixe fora d'água numa sociedade que defende os grupos citados. Poucas vezes se viu tanta calhordice! Gandra mistura, no mesmo balaio, origem étnica, opção sexual e postura ideológica para defender seu ponto de vista de homem branco supremacista. Em seu texto, faz referência a "injustiça" do sistema de cotas das universidades, e crítica o fato de que os cidadãos brasileiros tenham de pagar indenizações para guerrilheiros que matavam e tentavam derrubar o governo militar. A ironia grosseira de Gandra é a de que pessoas como ele estariam se sentindo "deslocadas" no Brasil atual, por não pertencerem aos grupos acima arrolados. O resumo do pensamento de Gandra é simples. O que ele e seus pares querem é o "direito" de exibirem abertamente o seu racismo, homofobia, demofobia e ódio visceral contra qualquer ideia de justiça social sem sofrer nenhum constrangimento. Na mesma linha, o não menos notório J. R. Guzzo, em mais um de seus escritos na abominável revista "Veja", reclama que o Brasil está se tornando um país de chatos, devido á ação de uma "patrulha" do pensamento politicamente correto, formada, segundo ele, por pretensas celebridades e falsos intelectuais. O que Guzzo quer, ao protestar contra a situação que descreve, é que ele, e os que partilham das suas convicções, possam continuar a rir abertamente de piadas sobre negros e "viados", manifestarem seu machismo, exercer livremente sua repulsa aos mais pobres e desfavorecidos. A direita brasileira perdeu qualquer resquício de constrangimentos em mostrar sua verdadeira face. Exibe "orgulhosa" toda a sua podridão e, por meio de escritos como os aqui referidos, protesta contra os que se rebelam contra isso. Seus integrantes estão se sentindo á vontade para expressar essas ideias, por julgarem que o momento que vive o país lhes é favorável. Podem continuar fazendo a defesa da barbárie, mas não irão calar os brasileiros que lutam por um país mais justo e igualitário, sem discriminações de cor, gênero, ou condição social.