sábado, 11 de novembro de 2017

A queda de Guto Ferreira

A cada novo tropeço do Inter, ficava mais improvável a permanência do técnico Guto Ferreira para 2018. Porém, ninguém cogitava de que ele pudesse sair ainda antes do fim do ano. Afinal, faltam poucos jogos para o término do Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão. O quarto jogo consecutivo sem vitória, sendo três em casa, no entanto, acabaram selando a sorte do técnico. Hoje, no Beira-Rio, com um público de 33 mil pessoas, o Inter apenas empatou em 1 x 1 com o Vila Nova (GO), num jogo em que, se vencesse, se classificaria matematicamente para a Primeira Divisão. Para piorar ainda mais o quadro, o América Mineiro ganhou do Figueirense, e assumiu a liderança da Série B. Diante de situação tão negativa, a queda de Guto Ferreira acabou sendo inevitável. O auxiliar técnico Odair Helmann assumirá como interino até o final do ano. Ao Inter basta fazer um ponto, dos nove que ainda irá disputar, para alcançar a classificação matemática. Os sucessivos maus resultados, no entanto, geram inquietação no torcedor. Seja qual for o técnico que o Inter traga para o próximo ano, terá muito trabalho para recolocar o clube no seu patamar de grandeza habitual.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

O choro de Neymar

Não resta dúvida de que Neymar é o melhor jogador brasileiro da atualidade, nem de que está entre os principais de todo o mundo. Fora de campo, no entanto, Neymar está num nível bem menor. Embora já tenha 25 anos, Neymar se comporta como um eterno adolescente, temperamental e mimado. Com reações explosivas em campo, e atitudes polêmicas fora dele, costuma entrar em confronto com a imprensa. Se a qualidade de seu futebol é inegável, sua postura está longe da exibida por outros grandes craques brasileiros, de épocas anteriores. Hoje, Neymar extrapolou todos os limites, chorando numa entrevista coletiva. O choro de Neymar ocorreu após uma fala do técnico da Seleção Brasileira, Tite, que exaltou o seu caráter, boa índole e grande coração. Foi uma cena de novela mexicana, da qual o torcedor brasileiro poderia ser poupado. Tite, mais uma vez, deu sua demonstração de bom mocismo, um papel ao qual sempre se dedicou com muito gosto. A combinação do discurso politicamente correto de Tite com as lágrimas de Neymar só podem gerar como efeito a sensação de vergonha alheia.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Reações implacáveis

O momento convulsivo que vive o país e o poder esmagador das redes sociais estão mudando a postura das pessoas em relação a comportamentos que, em outros tempos, eram tolerados. Assédio sexual e racismo, por exemplo, são fatos que que geram reações implacáveis. Dois profissionais da Rede Globo sentiram na própria pele as consequências de comportamentos desse tipo. O primeiro a ser vitimado foi o ator José Mayer. Após uma denúncia de assédio sexual, feita por uma funcionária da Globo, Mayer sofreu os efeitos de uma campanha que mobilizou atrizes da casa e que resultou no seu afastamento por tempo indeterminado, decidido pela empresa. Agora, foi o jornalista William Waack que amargou os efeitos de uma atitude execrável. Um vídeo que captou um comentário racista de Waack antes de uma entrada no ar durante a eleição para presidente dos Estados Unidos, em 2016, foi divulgado, ontem, na internet. O efeito foi imediato, e levou ao seu afastamento do Jornal da Globo, onde atuava como âncora. Em nota na qual explicava a decisão tomada, a Rede Globo declarou repudiar qualquer forma de racismo, e deixou o futuro profissional do jornalista na empresa em aberto e passível de uma definição em conjunto pelas duas partes. Sem entrar a fundo no mérito das duas situações, é de se ressaltar a singularidade desse momento no país. Pela primeira vez na história do Brasil, gestos ou comentários que atentam contra a ética e a dignidade estão gerando consequências drásticas para os seus autores. As chamadas "minorias" não mais se encolhem diante das agressões sofridas. Suas vozes, ao contrário de outros tempos, ecoam fortemente na sociedade. Os casos de Mayer e Waack sinalizam que se está diante de uma nova época, em que o machismo, o racismo, e tantas outras manifestações de preconceitos contra segmentos sociais não serão mais encarados passivamente pelos atingidos. Em meio a tantas notícias desalentadoras nos últimos tempos, esse é um fato a ser saudado.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Vitória inesperada

Depois de feita a divulgação da escalação do Grêmio para o jogo contra a Ponte Preta, os prognósticos, com razão, eram bastante pessimistas. Afinal, o Grêmio decidiu colocar em campo um time muito descaracterizado, com apenas três titulares. Uma dupla de zaga com Rafael Thyere e Bressan, o calamitoso Marcelo Oliveira na lateral esquerda, um meio de campo com quatro volantes e Jael, centroavante que ainda não marcou gols pelo Grêmio, eram fatores para afastar qualquer possibilidade de um bom resultado. Porém, o Grêmio venceu a Ponte Preta por 1 x 0, hoje, no Moisés Lucarelli, pelo Campeonato Brasileiro. Foi, pelos motivos já expostos, uma vitória inesperada. O Grêmio não teve uma grande atuação, como era de se esperar, mas fez o suficiente para ganhar o jogo. A Ponte Preta, por sua vez, nada mostrou afora a violência, o que fez com que, aos 14 minutos do primeiro tempo, já tivesse Fernando Bob expulso com cartão vermelho direto, após uma entrada desleal sobre Ramiro. Marcelo Grohe, mais uma vez, teve uma atuação extraordinária. Ramiro, mesmo com sua baixa estatura, fez o gol da vitória com uma cabeçada. Everton, jogando desde o início, teve um desempenho discreto, como a maioria do time. O ponto negativo, novamente, foi Marcelo Oliveira, de péssima atuação. Com a vitória, o Grêmio encaminhou a classificação direta para a Libertadores. Por outro lado, a Ponte Preta afundou ainda mais na zona de rebaixamento. A lamentar, apenas, o fato de que o Corinthians poderia ter ficado somente cinco pontos na frente do Grêmio, caso houvesse perdido para o Atlético Paranaense, que teve um pênalti a seu favor e o desperdiçou. O Corinthians acabou vencendo a partida, e, agora, é o virtual campeão brasileiro.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Opção equivocada

A cada rodada do Campeonato Brasileiro fica mais evidente o erro de avaliação do Grêmio na disputa da competição. Com Copa do Brasil e Libertadores transcorrendo paralelamente ao Brasileirão, o Grêmio priorizou as competições eliminatórias, numa opção equivocada. Com isso, deixou escapar um título que, se houvesse encarado o campeonato com a devida seriedade, poderia conquistar até com certa facilidade. Essa constatação já ultrapassa o âmbito local. Ela foi feita por, entre outros, Fábio Sormani, comentarista dos canais Fox, e Mano Menezes, técnico do Cruzeiro. O Grêmio perdeu 16 pontos no Campeonato Brasileiro em jogos nos quais escalou times reservas. Na terceira rodada, por exemplo, jogou contra o Sport, na Ilha do Retiro, com o seu terceiro time. Obviamente, perdeu o jogo. Como bem destacou Fábio Sormani, era plenamente possível para o Grêmio ganhar o Brasileirão e a Libertadores concomitantemente, sem sacrificar uma competição pela outra. Não se pode tratar com desdém uma disputa de tamanha magnitude. Por agir assim é que o Grêmio tem apenas dois títulos de campeão brasileiro, enquanto Flamengo, Corinthians e São Paulo, os maiores vencedores da competição, possuem seis, cada um. Se o Grêmio for campeão da Libertadores, esse erro será abafado pela euforia da conquista. Porém, em caso contrário, não faltarão cobranças pela maneira negligente com que o clube tratou uma competição na qual tinha amplas condições de ser o vencedor.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Segue o jejum de vitórias

Dessa vez, os gols apareceram, mas isso não foi suficiente para o Inter vencer. O Inter empatou em 2 x 2 com o Luverdense, no Passo das Emas, pelo Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão. Portanto, segue o jejum de vitórias do Inter, o que vai adiando a confirmação matemática de sua volta á Primeira Divisão. Foi um jogo franco, que poderia ter um placar muito mais amplo. O Luverdense esteve duas vezes na frente no placar, e teve várias chances para marcar mais gols, esbarrando em erros nas conclusões e em grandes defesas de Danilo Fernandes. O Inter também exigiu bastante de Diego Silva, que, igualmente, realizou defesas difíceis. A importância de Leandro Damião para o Inter ficou, mais uma vez, evidenciada, pois foram dele os dois gols do time. Se o ataque voltou a funcionar, a defesa do Inter, novamente, se mostrou falha. Sem vencer há três jogos, e adiando a confirmação de seu retorno para a Série A, o Inter continua decepcionando o seu torcedor,  e demonstrando que terá de fazer muitas mudanças se quiser ter um 2018 em condições de brigar por grandes títulos.

domingo, 5 de novembro de 2017

Teimosia

No futebol, muitas vezes, a convicção se transforma em teimosia. Esse é o caso do técnico do Grêmio, Renato, em relação ao atacante Everton. Durante muito tempo, Everton disputou com Pedro Rocha a titularidade como atacante pela esquerda. Pedro Rocha acabou ganhando a disputa. Com sua saída do clube, a condição de titular deveria, ser dada, automaticamente, para Everton. Não para Renato. Ele entendia que Everton deveria ser centroavante, o que é um equívoco gigantesco já que o jogador não possui "cacoete" nem compleição física para atuar na posição. Foi preciso que o próprio Everton dissesse para Renato que não gostava de jogar pelo meio para que o técnico abandonasse sua desarrazoada proposição. Everton deixou claro que gostaria de jogar pela esquerda, mas Renato o preteriu, mais uma vez, em favor de Fernandinho, contrariando o desejo da torcida e de boa parte da imprensa. Hoje, essa situação chegou ao limite. O Grêmio jogou na Arena, contra o Flamengo, pelo Campeonato Brasileiro. Fernandinho fazia uma partida pífia, e o Grêmio não saía do empate em 0 x 0. Mesmo com a atuação insatisfatória no primeiro tempo, Renato voltou do intervalo com a mesma escalação. Saltava aos olhos de todos que Fernandinho, Jael e Marcelo Oliveira eram as peças destoantes do time, mas Renato resistia em fazer substituições, mesmo depois de sofrer um gol logo no primeiro minuto do segundo tempo e estar perdendo o jogo. Até que, finalmente, o técnico do Grêmio se rendeu. Retirou Fernandinho e Jael, e colocou em seus lugares, respectivamente, Everton e Beto da Silva. A mudança foi da água para o vinho. Com apenas três minutos em campo, Everton já havia feito dois gols, e virado o jogo. Beto da Silva foi o autor da jogada do terceiro gol do Grêmio, marcado por Luan. A vitória por 3 x 1, de virada, fez o Grêmio subir para o terceiro lugar no Brasileirão, e praticamente garantir sua classificação para a Libertadores diretamente na fase de grupos. Espera-se que, depois de um exemplo tão eloquente como o do jogo de hoje, Renato se renda ao óbvio, e dê a condição de titular para Everton. A torcida não aceitará nada diferente disso.

sábado, 4 de novembro de 2017

Polarização ideológica

Ainda faltam 11 meses para a eleição presidencial, e, portanto, qualquer previsão sobre o seu resultado é muito prematura. Porém, chamam a atenção as pesquisas de intenção de voto que apresentam o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva e o deputado federal Jair Bolsonaro como os preferidos do eleitorado. Esse quadro revela uma polarização ideológica, e a ausência de um nome "moderado" com capacidade de seduzir o eleitor. A batalha entre "petralhas" e "coxinhas" ainda persiste. Nenhum dos demais pré-candidatos a presidente parece ter capacidade de atrair eleitores ao ponto de se tornar uma terceira alternativa. O país seguirá dividido entre dois pólos ideológicos, o que poderá levar a uma campanha eleitoral extremamente tensa, e a um resultado que não seja devidamente assimilado pela parte perdedora. Estamos quase em 2018, mas, politicamente, 2016 ainda não acabou. Por outro lado, os dois nomes mais destacados nas intenções de voto não estão equilibrados na preferência dos eleitores. Os índices de Lula representam quase o dobro dos de Bolsonaro. Não se sabe, no entanto, se o ex-presidente poderá concorrer, ou se será preso antes da eleição. Um pleito sem que o candidato favorito possa participar tende a criar uma situação explosiva em termos de tensão social. O Brasil segue em plena tempestade, sem que se vislumbre a perspectiva de uma bonança.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Outro tropeço

Depois da derrota para o Ceará, em pleno Beira-Rio, com vaias da torcida e uma reação explosiva de D'Alessandro, esperava-se que o Inter, jogando novamente em casa, hoje, contra o CRB, tivesse um desempenho bem superior. Até porque, o adversário, ao contrário do Ceará, que disputa as primeiras posições do Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão, estava em décimo-sexto lugar na competição. Porém, não foi isso o que aconteceu. O Inter voltou a jogar muito mal, e ficou num empate em 0 x 0 que gerou novas vaias da torcida. Embora a diretoria do Inter sinalize pela permanência do técnico Guto Ferreira para 2018, ela fica cada vez mais ameaçada depois desse outro tropeço. O torcedor está convencido de que Guto Ferreira não tem o nível necessário para ser o técnico do Inter. Ainda que a ansiedade em obter a classificação matemática para a Primeira Divisão possa estar afetando o Inter, nada justifica que ele perca tantos pontos em casa para adversários tão modestos. Seja como for, o Inter voltará para a Série A. O que preocupa a torcida é perceber que, para ter alguma ambição na sua volta à elite do futebol brasileiro, o Inter terá de fazer mudanças numerosas e muito profundas.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

O assunto do dia

Causou impacto, hoje, o pedido feito pela ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois (PSDB), para que lhe fosse permitido extrapolar o teto salarial do funcionalismo federal, de 33,7 mil reais, e acumular seus ganhos com os de desembargadora aposentada, o que lhe proporcionaria um salário de 61 mil reais. Foi o assunto do dia. A ministra disse que, na atual situação, realiza um "trabalho escravo", e entre outras justificativas para o seu pedido, argumentou que precisa se vestir com dignidade. Depois da enorme repercussão negativa do fato, Luislinda voltou atrás em sua reivindicação. Como se vê, o governo golpista não se cansa de fornecer motivos para estarrecer qualquer pessoa que ainda se paute pela ética e seriedade. O Brasil está sendo governado por uma malta de corruptos e desavergonhados. O cinismo e a desfaçatez marcam as atitudes dos que se beneficiam do poder, em contraste com a terrível crise que afeta os brasileiros  comuns. No governo golpista e ilegítimo, nada é tão ruim que não possa piorar. Aguardemos, então, o próximo escândalo ou declaração desastrada envolvendo a máfia que governa o país, já que isso é tudo o que ela pode ofertar.