sábado, 1 de julho de 2017
As escolhas de Renato
O técnico do Grêmio, Renato, possui reconhecidos méritos nessa que é a terceira vez em que exerce o cargo. Foi ele que acrescentou competitividade ao jogo de toques estabelecido pelo técnico anterior, Roger Machado, no time do Grêmio. Também foi Renato quem devolveu ao Grêmio a conquista de um grande título, depois de 15 anos, levando o clube a ganhar a Copa do Brasil de 2016. Porém, as escolhas de Renato, por vezes, estão longe de ser as mais corretas. No jogo de hoje, em que o Grêmio perdeu para o Palmeiras por 1 x 0, no Pacaembu, pelo Campeonato Brasileiro, isso ficou evidente, mais uma vez. Ao contrário do que a imprensa informou durante toda a semana, dando conta de que ele escalaria Bruno Grassi no gol e Bruno Rodrigo na zaga, Renato os preteriu por Léo e Bressan, respectivamente. A escolha de Renato, nos dois casos, é incompreensível. Léo, em todas as vezes que jogou, mostrou-se um goleiro tecnicamente fraco e emocionalmente inseguro. Bressan, sabidamente, é um jogador abaixo da crítica, de desempenho comprometedor. Hoje, não foi diferente. O gol contra que determinou a derrota do Grêmio, num carrinho de Machado, que recém entrara em campo, só ocorreu porque a bola raspou em Bressan, desviando-a do alcance de Léo. Exatamente como aconteceu na eliminação do Grêmio no Campeonato Gaúcho de 2016, quando o clube foi desclassificado pelo saldo qualificado mesmo vencendo o Juventude por 3 x 1, na Arena, devido a um gol contra involuntário de Bressan. Como se vê, Bressan, afora sua constrangedora insuficiência técnica, coloca-se muito mal e é azarado. A torcida do Grêmio, com razão, não suporta Bressan, mas Renato insiste com ele. Perguntado, após o jogo, de porque escalara Bressan em vez de Bruno Rodrigo, Renato alegou que ele está "mais jogado" que o ex-zagueiro do Cruzeiro, e que o jogador teve um bom desempenho no seu trabalho anterior como técnico do Grêmio, quando o clube foi vice-campeão brasileiro, em 2013. Faltou alguém lembrar para Renato que o campeão brasileiro de 2013 foi o Cruzeiro, e que Bruno Rodrigo era titular do time. Com equívocos como esse, o Grêmio não poderia ter melhor sorte contra o Palmeiras. O jogo não foi bom, e talvez o empate em 0 x 0, que persistiu quase até o final, fosse o resultado mais justo, mas o futebol não aceita desaforo. Enquanto o Palmeiras escalou um time misto reforçado por titulares importantes, o Grêmio entrou em campo apenas com reservas. Nas substituições que fez durante a partida, o Palmeiras colocou jogadores como William, Roger Guedes e Raphael Viana. O Grêmio, de sua parte, colocou em campo Nicolas Careca, Machado e Lima. Com mais essa derrota ocasionada pela escalação de um time reserva, como já havia acontecido contra o Sport, na Ilha do Retiro, o Grêmio permitiu a aproximação do Palmeiras, e corre o risco de ficar sete pontos atrás do Corinthians, se o clube paulista vencer o Botafogo. O Grêmio possui plenas condições de ganhar a competição, mas parece não desejar que isso aconteça.
sexta-feira, 30 de junho de 2017
Escárnio
A devolução do mandato de senador para Aécio Neves, determinada pelo ministro Marco Aurélio Melo, do Supremo Tribunal Federal, é um escárnio. O Brasil transformou-se num pesadelo permanente, em que o dia seguinte é sempre pior que o anterior. Até onde irá a degradação do país? Lamentavelmente, é impossível saber, pois o poço em que o Brasil mergulhou parece não ter fundo. Cada vez mais, evidencia-se que o golpe que derrubou uma presidente legitimamente eleita foi um grande conluio entre políticos e membros da magistratura. O Brasil vive um presente tenebroso, e as projeções para o seu futuro são as piores possíveis. O ódio de classes e o antipetismo colocaram o país nessa situação deprimente, mas os que foram para as ruas apoiar o impeachment e bateram panelas, insistem em permanecer de braços cruzados diante do caos.
Preferem sofrer todas as consequências do seu desatino, do que reconhecer seu erro e voltar atrás.
Preferem sofrer todas as consequências do seu desatino, do que reconhecer seu erro e voltar atrás.
quarta-feira, 28 de junho de 2017
Uma atuação de luxo
O temor de alguns de que o Grêmio fosse se mostrar afetado pela derrota de domingo para o Corinthians não se confirmou. O Grêmio goleou o Atlético Paranaense por 4 x 0, hoje, na Arena, pelas quartas de final da Copa do Brasil. Mais do que o placar, que poderia ter sido maior, o que deve ser exaltado é que o Grêmio teve uma atuação de luxo. Pedro Rocha e Lucas Barrios foram os grandes destaques individuais do Grêmio, mas o time, como um todo, jogou muito bem. A exibição de hoje lembrou a de nove dias atrás contra o Cruzeiro, no Mineirão, num jogo que muitos consideraram o melhor do ano no país, até aqui. O futebol jogado pelo Grêmio apresentou desenvoltura e fluidez, envolvendo o adversário. No segundo tempo, quando já estava goleando por 3 x 0, o Grêmio pôs o Atlético Paranaense na roda. O resultado, ainda que dilatado, portanto, não traduz a enorme superioridade do Grêmio em campo. Com a ampla vantagem obtida no primeiro jogo, o Grêmio está virtualmente classificado para as semifinais da competição. Agora, na terça-feira, será a vez de o Grêmio jogar pela Libertadores, contra o Godoy Cruz, em Mendoza. Mudam as competições, mas o futebol do Grêmio segue sendo envolvente e, por vezes, encantador.
terça-feira, 27 de junho de 2017
Declarações vazias
Num pronunciamento ao país, embora tenha rejeitado o termo por considerar que ele poderia soar pretensioso, o presidente golpista e ilegítimo Michel Temer, o primeiro ocupante do cargo a ser denunciado por crime comum no exercício de suas funções, partiu para o ataque contra o procurador geral da República, Rodrigo Janot. Temer, no entanto, não fez mais do que declarações vazias, qualificando a denúncia de "peça de ficção", nada dizendo que fosse esclarecedor ou substancial. As declarações de Temer se limitaram a bravatas e invectivas contra quem lhe denunciou por corrupção passiva. Não faltou, é claro, o discurso demagógico do "querem parar o país e impedir as reformas". A fala de Temer foi orientada por um marqueteiro. O presidente golpista tentou mostrar-se enfático e resoluto, mas não convenceu ninguém, com exceção de seus apoiadores. Por sinal, entre os parlamentares que prestigiaram o discurso de Temer só havia integrantes do chamado "baixo clero", ou seja, nenhum nome de grande expressão. Em qualquer país minimamente civilizado, Temer já teria caído há muito tempo. Num país tão lamentavelmente singular como o Brasil, o desfecho dessa história continua sendo obscuro.
segunda-feira, 26 de junho de 2017
Os 75 anos de Gilberto Gil
No dia de hoje, Gilberto Gil completa 75 anos. Gil é um artista de enorme talento. Sua revelação, em termos nacionais, ocorreu há 50 anos, num dos famosos festivais da Record, quando interpretou "Domingo no Parque", acompanhado pelos Mutantes. Em 1968, com Caetano Veloso, Tom Zé, e outros, Gilberto Gil integrou a Tropicália, um dos três grandes movimentos musicais brasileiros, junto com a Bossa Nova e a Jovem Guarda. Nesse meio século, Gil sempre esteve na linha de frente da música brasileiro. O sucesso nunca o abandonou. Compôs vários clássicos como "Aquele Abraço", "Expresso 2222", "Superhomem - a canção", "Drão", alternando músicas de um ritmo contagiante com outras de profundo lirismo. Com uma carreira sólida e bem sucedida, Gil não temeu colocá-la, temporariamente, em segundo plano, para ser ministro da Cultura do governo do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. Gil é um dos ícones da década dourada da música brasileira, a de 60, ao lado de Caetano Veloso, Chico Buarque de Holanda, Roberto Carlos, Milton Nascimento. Em comum, são, todos eles, septuagenários, compositores inspirados, e de permanente êxito nesse largo período de tempo. Depois de enfrentar, recentemente, problemas de saúde, Gilberto Gil prepara-se para iniciar uma nova excursão e lançar um disco com músicas inéditas, numa demonstração de que é um artista infatigável. Parabéns, Gilberto Gil!
domingo, 25 de junho de 2017
Tendência
Sim, ainda faltam 28 rodadas para o fim do Campeonato Brasileiro. No entanto, a competição já apresenta uma tendência. Com a vitória de 2 x 0 sobre o Grêmio, hoje, na Arena, o Corinthians já se credencia como o grande favorito para a conquista do título. Afinal, o Corinthians livrou quatro pontos de vantagem para o segundo colocado, que é o próprio Grêmio, e nove sobre o terceiro, o Flamengo. Num campeonato de pontos corridos, essa margem de pontos é substancial. Afora isso, os próximos dois jogos do Corinthians serão em casa, contra Botafogo e Ponte Preta, o que lhe dá boas perspectivas de obter mais seis pontos. Uma vitória do Grêmio, hoje, não favoreceria apenas o clube, mas a competição, que ficaria mais embolada na sua classificação. Um empate manteria tudo como estava. Com a derrota, o Grêmio tende a cair na tabela, pois, agora, terá de dividir suas atenções com jogos pela Copa do Brasil e Libertadores, e Flamengo e Palmeiras começaram a reagir no Brasileirão. O grande vilão da derrota do Grêmio foi, sem dúvida, Luan. Foi ele que errou um passe e entregou a bola no pé de Paulo Roberto na jogada do gol do Corinthians. Também foi Luan que errou um gol na pequena área e desperdiçou um pênalti chutando muito fraco na cobrança. Marcelo Grohe pode até ter cometido alguma falha no gol do Corinthians, mas os erros de Luan foram muito mais decisivos.
sábado, 24 de junho de 2017
Um jogo sob suspeita
O Brasil de Pelotas atraiu sobre si a mancha da desconfiança. A definição que pode ser dada para Brasil de Pelotas 0 x 1 Inter, hoje, no Bento Freitas, pelo Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão, é a de um jogo sob suspeita. Por alegadas lesões ou razões disciplinares, o Brasil entrou em campo desfalcado de vários titulares. Num jogo que gerou enorme expectativa, com o estádio lotado, o fato caiu como uma ducha de água fria sobre o torcedor do Brasil. Nas redes sociais, o clube pelotense está sendo duramente atacado, por ter, supostamente, vendido o jogo. Nada será comprovado, é claro, mas o Brasil já está marcado pela suspeita, o que afetará a imagem quase sempre simpática que o clube desperta nos apreciadores do futebol. Em campo, reforçando as desconfianças, o Brasil, que vinha de duas vitórias consecutivas, uma delas por goleada, teve uma atuação fraca, sendo dominado pelo Inter, e sem levar maior perigo para o adversário. O Inter, por outro lado, comprova a sua vocação para o envolvimento em nebulosos casos extracampo. Explicitamente, ou de forma velada, o clube costuma agir fortemente nos bastidores para obter vantagens. Não se sabe se isso aconteceu, verdadeiramente, dessa vez, mas cabe a suspeita. Afinal, ações desse tipo estão no DNA do Inter.
sexta-feira, 23 de junho de 2017
A gangorra
Alguns cronistas esportivos do Rio Grande do Sul estão impressionados com a diferença entre Grêmio e Inter no momento. A "gangorra", segundo eles, nunca esteve tão desequilibrada em favor de um dos clubes, no caso, o Grêmio. O futebol é dinâmico, e, por isso, momentos assim tendem a ser breves. Porém, não há como negar que o desequilíbrio em favor do Grêmio está muito acentuado. O Grêmio encanta no Campeonato Brasileiro e luta pelo primeiro lugar na competição. O Inter emenda várias más atuações, e é o sexto colocado na Segunda Divisão. Os grandes clubes costumam alternar períodos prolongados de êxito e de fracasso. O Grêmio depois de uma longa seca de grandes títulos, que foi quebrada com a conquista da Copa do Brasil de 2016, parece se encaminhar para um novo período de glórias. O Inter, ao contrário, depois de muitas conquistas nos últimos anos, amarga um rebaixamento pela primeira vez na sua história, e dá sinais de que a volta aos bons tempos vai demorar. A atual situação da dupla Gre-Nal já está gerando reações curiosas. Um cronista, assumidamente colorado, escreveu que o Grêmio deveria usufruir o seu bom momento e deixar de lado as gozações com o maior rival. Sem dúvida, é um pedido estapafúrdio, pois o que qualquer torcedor deseja é uma situação de grande desequilíbrio em relação ao seu principal oponente, que lhe permita fazer muitas brincadeiras e provocações. No futebol, como na vida, a banca paga e recebe. Portanto, é preciso saber enfrentar as consequências das fases de "vacas magras", entre elas as chacotas dos adversários.
quinta-feira, 22 de junho de 2017
Tudo dentro do previsto
Não houve alteração na disputa pela liderança do Campeonato Brasileiro, na rodada do meio de semana. Ficou tudo dentro do previsto. Grêmio e Corinthians venceram seus jogos, como era esperado, e o clube paulista segue em primeiro lugar, com um ponto a mais que o único representante do Rio Grande do Sul no Brasileirão. O Grêmio venceu o Coritiba por 2 x 0, na Arena, hoje, com um gol no início do jogo e outro no final da partida. Foi uma atuação irregular do Grêmio, mas o resultado é o que fica de mais importante, pois no domingo, novamente em casa, haverá o confronto direto com o Corinthians, e uma vitória lhe fará assumir a liderança. O técnico do Grêmio, Renato, surpreendeu ao começar o jogo com Fernandinho no time. Ele teve uma atuação regular, mas marcou o segundo gol, que foi fundamental para garantir a vitória. Lucas Barrios retornou ao time depois de uma lesão, mas mostrou-se um tanto sem ritmo e foi substituído no segundo tempo. Agora, todos os pensamentos no Grêmio se voltam para o jogo de domingo, contra o Corinthians. A Arena estará lotada, na busca de que o Grêmio ultrapasse o Corinthians e assuma o primeiro lugar na classificação. O jogo tem tudo para ser emocionante e inesquecível, e poderá marcar a arrancada do Grêmio para o título.
quarta-feira, 21 de junho de 2017
Agonia
O Brasil está vivendo em agonia. O país tem um presidente meramente formal, inteiramente desmoralizado pelas gravações que revelam seus atos corruptos. Sua equipe ministerial é composta, na grande maioria, por investigados da Operação Lava-Jato. Diante de tão exasperante quadro, o Poder Judiciário brasileiro concede sobrevida a esse simulacro de governo, com decisões de cunho meramente político, em total desacordo com as evidências dos fatos. Dessa forma, a crise política brasileira se arrasta indefinidamente, mergulhando o país na falta de perspectivas. As forças conservadoras que perpetraram o espúrio golpe do impeachment resistem a sair de cena antes de completarem sua tarefa de realizar as "reformas", que irão destruir os direitos dos trabalhadores. O grande capital está por trás de tudo isso, financiando os parlamentares que tentam levar as reformas adiante. O desmonte do Estado brasileiro é uma velha aspiração da plutocracia do país. Em nome desse objetivo, sob o argumento risível de que "as instituições estão funcionando", um presidente golpista e ilegítimo segue no cargo, apoiado por um Congresso infestado por corruptos. O presente do país é aterrador, e o futuro se mostra como uma interrogação. Só há uma saída para um quadro tão desolador, que é a população abandonar sua letargia e ocupar as ruas, protestando e exigindo mudanças. Esperar sentado para ver o que irá acontecer não é uma alternativa.
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