quarta-feira, 22 de março de 2017

Comemoração constrangedora

O futebol, vez por outra, apresenta situações inusitadas, ou despropositadas. Foi o que aconteceu com o Inter, hoje. O Inter apenas empatou em 1 x 1 com o Ypiranga de Erechim, no Colosso da Lagoa e, novamente, jogando muito mal. O jogo, no entanto, valia, também, pela decisão da Recopa Gaúcha. O Ypiranga estava com a mão na taça, mas sofreu o gol de empate no final da partida. Com isso, a disputa do título teve de ir para a cobrança de tiros livres da marca do pênalti. O Inter venceu a disputa por 4 x 3, e tornou-se bicampeão da Recopa Gaúcha. A comemoração do título por parte do Inter e de sua torcida foi efusiva. Não foi levado em conta o fato de que o Inter apenas empatara contra um time modesto, que está na zona de rebaixamento do Campeonato Gaúcho. Também ignorou-se o fato de ter sido o quinto empate do Inter em nove jogos pelo campeonato estadual. O clube e seus torcedores festejaram a conquista animadamente. Convenhamos, diante de todo o contexto em que o título foi obtido, essa é uma comemoração constrangedora para um clube do porte do Inter.

terça-feira, 21 de março de 2017

A valorização do Campeonato Brasileiro

A CBF anunciou, hoje, o prêmio que será pago ao campeão brasileiro de 2017. A quantia estabelecida foi de R$ 20 milhões. A cada ano, a CBF tem aumentado o prêmio. Em 2016, ele foi de R$ 17 milhões. São números irrisórios se comparados ao R$ 132 milhões que serão pagos ao campeão inglês da temporada 2016/2017, mas apontam para a valorização do Campeonato Brasileiro. Nada mais justo, já que se trata da principal competição do futebol brasileiro. Depois que passou a ser disputado na fórmula de pontos corridos, a partir de 2003, o Campeonato Brasileiro tornou-se muito mais atraente, e com o indispensável equilíbrio técnico. Essa é a forma como são jogados os principais campeonatos do mundo. No caso brasileiro, há o atrativo especial de que o país possui 12 grandes clubes, o que não se verifica em nenhum outro no mundo. Por mais emocionante que possa ser a Copa do Brasil, por exemplo, em função dos seus confrontos eliminatórios, o Brasileirão é o grande filé do futebol brasileiro. A CBF faz muito bem em valorizar a sua competição mais relevante, e de forma constante, reajustando valores anualmente. Melhor seria, ainda, se a competição ganhasse um espaço maior no calendário, diminuindo-se a duração dos desinteressantes e deficitários campeonatos estaduais.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Sem noção

Há certas expressões que se tornam populares em determinada época, como forma de sintetizar um conceito ou uma situação. Uma dessas expressões, bastante popular em tempos recentes, é "sem noção". Ela serve para se fazer referência a alguém que está fora de sintonia com a realidade, desastrado, que diz asneiras ou comete impropriedades. Nesse sentido, se houvesse um prêmio para o "Sem Noção do Ano" esse deveria ser entregue ao presidente do Inter, Marcelo Medeiros. Perguntado sobre que atitude gostaria que fosse tomada pelo árbitro Diego Real, que admitiu ter marcado um pênalti inexistente contra o Inter, que determinou a derrota por 1 x 0 para o Juventude, no Alfredo Jaconi, no domingo retrasado, pelo Campeonato Gaúcho, Medeiros disse que ele deveria pedir desculpas para a torcida do Inter. Acostumado a ser favorecido pelas arbitragens, dentro e fora do Rio Grande do Sul, o Inter reage histericamente aos prejuízos, reais ou supostos, que sofre nesse terreno. A declaração de Medeiros é um despropósito. O árbitro, ainda que tenha errado, não tem porque pedir desculpas ao torcedor do Inter. Ao fazer essa declaração, Medeiros apenas deixa mais evidente do que nunca a arrogância que caracteriza o comportamento dos dirigentes e torcedores do clube. Não cabe a um árbitro, mesmo que admita ter cometido um erro, pedir desculpas para uma torcida. Medeiros deveria ser mais humilde. Porém, a prepotência que sempre esteve no DNA do clube não permite que isso aconteça. Sua declaração é de uma estultice poucas vezes vista. Porque Diego Real deveria pedir desculpas à torcida do Inter se ele não tem qualquer tipo de dependência com ela ou com o clube? Porque ele deveria ter uma conduta diferente em relação ao Inter do que a adotada com outros clubes? Marcelo Medeiros, como se costuma dizer, perdeu uma ótima chance de ficar calado.

domingo, 19 de março de 2017

Mais um empate inaceitável

O Grêmio está desafiando a paciência do seu torcedor. O time não consegue desenvolver um bom futebol, e acumula resultados insatisfatórios contra adversários de pouca expressão. Hoje, em mais um empate inaceitável, não saiu do 1 x 1 com o Veranópolis, na Arena, pelo Campeonato Gaúcho. Com isso, o número de empates do Grêmio na competição já é superior ao de vitórias. Não faltam desculpas para esses tropeços, mas elas são inconvincentes. As alegações são as mais variadas, como a de que o time perdeu muitos titulares por lesão, de que a saída de Walace ainda não foi reposta, de que os novos reforços precisam de um tempo de adaptação, de que a alternativa de jogar com um centroavante posicionado, como ocorreu no primeiro tempo do jogo de hoje, exige um período de assimilação. No entanto, nada disso explica ou torna admissíveis empates com adversários tão pouco expressivos como São José, Brasil de Pelotas e Veranópolis. Dois desses empates foram na Arena, o que os faz ainda mais constrangedores. Nem mesmo o empate contra o Brasil de Pelotas, por ter sido fora de casa, deve ser tratado com condescendência. Nesses três jogos, era obrigação do Grêmio sair de campo como vencedor. Embora diga que deseja ganhar o campeonato estadual, o Grêmio não parece se esforçar para isso. Até agora, não jogou bem em nenhuma das partidas que disputou. Está mais do que na hora de o Grêmio deixar de ser um time bom no papel, e mostrar isso na prática.

Chuck Berry

Um mito, uma lenda. Essas são as definições que cabem, sem nenhum exagero, para dimensionar Chuck Berry, que faleceu ontem, aos 90 anos. Berry foi um expoente do rock quando esse gênero musical ainda vivia os seus primórdios, no final dos anos 50. Criou grandes sucessos como "Johnny B. Goode" e "Rool Over Beethoven". Foi ídolo de grupos como Beatles e Rolling Stones, que regravaram composições suas. Cometeu excessos e tinha um temperamento difícil, o que não o impediu de ter uma vida longa. Certa vez, John Lennon disse que se quisessem dar outro nome ao rock, esse seria o de Chuck Berry. Como se vê, sua morte não representa apenas a perda de um grande artista, mas o desaparecimento de um ícone. Muitos jovens talvez não tenham a exata proporção do talento e da representatividade de Chuck Berry. Porém, essa é uma lacuna que pode ser reparada ouvindo sua obra, o que é uma recomendação mais do que oportuna.

sábado, 18 de março de 2017

Mais um resultado magro

Era inadiável ganhar, e o Inter o fez. Ao vencer o São Paulo de Rio Grande, hoje, no Beira-Rio, pelo Campeonato Gaúcho, no entanto, o Inter obteve mais um resultado magro, em todos os sentidos. Não foi só o placar que se mostrou escasso, o futebol jogado pelo Inter, também. O gol único do jogo surgiu no primeiro tempo, numa rara falha defensiva do São Paulo. No segundo tempo, o São Paulo saiu em busca do empate, teve, pelo menos, duas chances claras de gol, e obrigou o goleiro Danilo Fernandes a fazer grandes defesas. O desempenho do Inter nos jogos em casa tem ficado abaixo do esperado. Em quatro partidas, perdeu para o Novo Hamburgo, empatou com o Caxias, e ganhou de São Paulo e Brasil de Pelotas. Com o resultado de hoje, o Inter subiu na tabela e ingressou na zona de classificação para a próxima fase do campeonato estadual, mas seu futebol ainda não mostrou a melhora necessária para dar confiança ao seu torcedor.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Pedreiras na Copa do Brasil

As modificações implantadas na Copa do Brasil levaram a uma situação inusitada. A competição ainda está em suas fases iniciais, antes da entrada dos clubes que participam da Libertadores, e já terá a eliminação de pelos menos duas grandes forças do futebol brasileiro. A próxima fase da Copa do Brasil terá, entre outros, os confrontos São Paulo x Cruzeiro e Corinthians x Inter. Na prática, isso significa que dois desses quatro clubes, todos eles entre os maiores do futebol do país, sairão precocemente da disputa. São as pedreiras na Copa do Brasil, que darão uma carga de emoção bem antes da definição do título, mas que implicam numa certa injustiça. Afinal, quando os clubes que estão na Libertadores ingressarem na competição, três outros pré-classificados irão se juntar a eles. Esses agraciados serão o Santa Cruz, campeão da Copa do Nordeste, o Paysandu, por ter ganho a Copa Verde, e o Atlético Goianiense, vencedor do Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão. As conquistas obtidas por esses três clubes justificam que eles tenham esse privilégio enquanto quatro grandes do futebol brasileiro terão de se entredevorar para só dois se classificarem para as fases mais decisivas da disputa? Parece claro que não. Eis um erro que a CBF terá de corrigir para as próximas edições da Copa do Brasil.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Um estranho conceito de liberdade

O "Fórum da Liberdade", iniciativa do Instituto de Estudos Empresariais, realizado anualmente em Porto Alegre, terá a sua trigésima edição em 2017. O referido fórum constitui-se num conjunto de palestras, durante dois dias, em que personalidades convidadas fazem uma ode ao capitalismo, á "livre iniciativa", ao Estado mínimo e às "virtudes" do mercado. O tema da edição desse ano, a ser realizada nos dias 10 e 11 de abril, é "O Futuro da Democracia". Entre os participantes do fórum estarão o prefeito de São Paulo, João Doria Júnior, o ex-ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o filósofo Luiz Felipe Pondé. No lançamento da programação do fórum, o presidente do Instituto de Estudos Empresariais, Rodrigo Tellechea, saiu-se com a seguinte frase: "Entendemos que o futuro da democracia depende justamente da compreensão da sociedade sobre a limitação da sua utilidade como modelo de tomada de decisões coletivas". Fiquei impactado com a frase. Rodrigo Tellechea, que carrega o sobrenome de uma conhecida família de latifundiários gaúchos, quer que a sociedade entenda que as decisões que afetam a coletividade devem ser tomadas por um grupo reduzido de "sábios e iluminados" e não pelo povo? Ah, deve ser aquela história de tomar medidas "amargas e impopulares" que os neoliberais dizem ser tão necessárias para salvar o país. Um estranho conceito de liberdade caracteriza o pensamento de Tellechea e sua turma. Eles desejam liberdade para "empreender". Para isso, sonham com redução de impostos para as empresas, o fim da Justiça do Trabalho, a "livre negociação salarial" entre empregadores e seus funcionários, entre outras "perolas" do pensamento de direita. A liberdade que desejam é a de ganhar muito dinheiro sem serem incomodados, e não tendo de reverter nada para a sociedade. Para que Tellechea e os que partilham de suas ideias alcancem a liberdade que aspiram, o povo deve se tornar escravo.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Realidade maquiada

Os que se informam pela grande mídia tomam como verdadeira uma realidade maquiada. Alinhada desde a primeira hora com as forças golpistas, a imprensa conservadora tenta transmitir a ideia de que a oposição ao governo só existe em minorias barulhentas. As manifestações de hoje, em todo o país, contra a reforma da Previdência, foram minimizadas pela imprensa, principalmente pela Rede Globo. A desinformação só não é pior porque a internet repõe a verdade, e mostra que a Avenida Paulista, por exemplo foi tomada por uma multidão de manifestantes. Os protestos ocorreram em todo o Brasil, e não foram tímidos, como quer fazer crer a imprensa. A guerra do povo  contra o golpe é, também, uma luta contra a informação distorcida e tendenciosa da mídia reacionária.

Um futebol que não convence

Decididamente, o Grêmio joga um futebol que não convence. Se a campanha do Inter no Campeonato Gaúcho é péssima, a do Grêmio está longe de ser boa. Hoje á noite, o Grêmio apenas empatou em 1 x 1 com o Brasil de Pelotas, no Bento Freitas. O Grêmio saiu na frente no placar, mas cedeu o empate e não teve forças para vencer o jogo. Há 23 anos o Grêmio não vence o Brasil de Pelotas no Bento Freitas. Convenhamos, isso é inadmissível. No jogo de hoje, o Grêmio empatou com um adversário cujo time atual é fraquíssimo e cheio de veteranos. O gol do Brasil de Pelotas foi marcado numa bola aérea em cobrança de escanteio, pelo veteraníssimo Gustavo Papa. As deficiências do Grêmio saltam aos olhos. Marcelo Oliveira é muito limitado, Jailson não consegue se firmar, Luan não está jogando nada. Para piorar, Marcelo Grohe sentiu um desconforto muscular antes do jogo e Léo entrou em seu lugar. Léo já havia deixado uma má impressão na inexplicável goleada de 5 x 1 sofrida pelo Grêmio diante do Santa Cruz, no Campeonato Brasileiro. Não foi diferente contra o Brasil de Pelotas. Léo é inseguro e nada confiável. O Grêmio está seis pontos atrás do líder do campeonato, o Novo Hamburgo, o que é inaceitável. Se pretende, mesmo, ser campeão gaúcho, o Grêmio precisa mostrar mais futebol, e não pode aceitar como normais uma derrota para o Caxias e empates com São José e Brasil de Pelotas, independentemente de onde sejam os jogos. Em 2016, o Grêmio jogou fora o título do campeonato estadual por erros seus. Parece que não aprendeu a lição.