quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Pensamento simplista

O ano de 2016 foi tão cheio de acontecimentos ruins que as pessoas, principalmente nas redes sociais, pediam que ele acabasse de uma vez. O pensamento simplista era o de que bastaria ocorrer a troca de ano para tudo melhorar. Evidentemente, essa é uma ideia sem base na realidade. O ano mudou, mas o quadro de horrores não. O país continua sendo governado por um bando de golpistas e corruptos, o novo presidente do Senado tem uma biografia tão ou mais comprometedora que a do que está deixando o cargo, os índices de desemprego só fazem aumentar. No plano internacional, Donald Trump, como presidente dos Estados Unidos, mergulha o mundo numa era de obscurantismo. A direita deita e rola, aqui e lá fora, e o machismo, a homofobia, o racismo e o desprezo aos pobres atingem níveis galopantes. Seria muito bom se a simples entrada de um novo ano pusesse fim às iniquidades e trouxesse consigo tempos melhores. Não é assim. O pesadelo está longe de acabar, e para enfrentar 2017 será preciso tanta resistência quanto a que foi empregada no ano anterior.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Penúria permanente

O vice-presidente de futebol do Grêmio, Odorico Roman, disse que o clube precisa arrecadar R$ 60 milhões em vendas de jogadores durante o ano de 2017 para cumprir com o orçamento. Como a venda de Walace só levou R$ 20 milhões para os cofres do clube, faltam R$ 40 milhões, o que tornará necessário realizar outras vendas até o final do ano. Após a declaração de Roman, o presidente do Inter, Marcelo Medeiros, revelou que o clube também precisa de R$ 60 milhões em vendas de jogadores para fechar o seu orçamento. Afinal, o que explica essa penúria permanente dos dois clubes? Grêmio e Inter recebem polpudas verbas de tevê pelos direitos de transmissão de seus jogos, e possuem quadros sociais numerosos que lhes proporcionam uma expressiva receita fixa. Por quê, então, estão sempre premidos por dívidas? Não há como fugir da ideia de que isso é resultado de más administrações. A falta de critério na contratação de jogadores, certamente, é uma parte da explicação. Contratações como as de Kléber Gladiador pelo Grêmio, e Anderson, no Inter, ambas com salários altíssimos e período de duração longo, são extremamente lesivas aos cofres dos clubes. Seja como for, algo precisa ser feito. Não há razões objetivas, fora da incompetência administrativa, para que Grêmio é Inter não alcancem a saúde financeira.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

A venda de Walace

O Grêmio vendeu Walace. Mais uma vez, um jogador jovem e promissor sai do país por muito menos do que vale, consequência de uma lei iníqua que sacrifica os clubes e enriquece os chamados "empresários". A venda de Walace prejudica o Grêmio tecnicamente, é não garante um grande aporte financeiro para o clube. O valor do negócio, 10 milhões de euros, é muito baixo para um jogador jovem e de Seleção Brasileira. Há, ainda, o agravante de que o Grêmio só detinha 60% dos direitos de Walace. Com isso, a quantia que irá para os cofres do clube será de apenas 20 milhões de reais, irrisória para uma transação internacional. Como costuma acontecer nesses casos, Walace pressionou o clube para que fosse vendido, em nome da busca da sua "independência financeira". Nem mesmo o fato de ir jogar no Hamburgo, clube que está na zona de rebaixamento do Campeonato Alemão, foi levado em conta por Walace. Algo precisa ser feito para pôr fim nesse tipo de situação. Os clubes brasileiros não podem ser constrangidos a vender suas grandes revelações a um preço vil. A Lei Pelé tem que acabar.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Estreia morna

O desempenho do Inter nos jogos-treinos da pré-temporada não autorizavam grandes expectativas para a estreia no Campeonato Gaúcho. Mesmo que se saiba disso, o empate em 1 x 1 com o Veranópolis, no Antônio David Farina, frustra o torcedor, e lhe traz preocupações, a partir do que se viu em campo. Foi uma estreia morna, com atuação modesta. Depois de um primeiro tempo em que o Veranópolis foi melhor e teve mais chances de gol, o Inter abriu o placar logo no início do segundo. Porém, não conseguiu sustentar a vantagem, sofrendo o gol de empate logo a seguir. O gol do Veranópolis, por sinal, ocorreu em uma falha individual de Eduardo, mostrando que a defesa continua sendo um problema sério no Inter. Danilo Fernandes, mais uma vez, fez muitas grandes defesas que impediram um resultado pior. O ataque segue ineficiente, tanto que o gol do Inter foi marcado por Rodrigo Dourado, um volante. Pelo que se viu hoje, o trabalho de reconstrução do time do Inter será muito árduo.

sábado, 28 de janeiro de 2017

Os campeonatos estaduais estão de volta

Alguns campeonatos estaduais já haviam iniciado, mas é a partir desse fim de semana que o país será tomado por essas competições. O Campeonato do Estado Rio de Janeiro já tivera a estreia do Botafogo no meio da semana. Hoje, o Botafogo voltou a jogar, e o Flamengo estreou na competição. Amanhã, Vasco e Fluminense já farão o primeiro clássico da disputa. O Campeonato Mineiro começou hoje. O Gaúcho iniciará amanhã. No próximo fim de semana, será a vez do Campeonato Paulista. Os campeonatos estaduais estão mais enxutos,  mas, ainda assim, são pouco atrativos. O Botafogo, por exemplo, jogou suas duas primeiras partidas no campeonato estadual com times mistos, pois está priorizando a disputa da Pré-Libertadores. Outros clubes poderão fazer o mesmo, em algum momento de paralelismo de competições. Os campeonatos estaduais tem cada vez menos relevância, e não atraem os torcedores para os estádios. Sua realização com a participação dos grandes clubes, que aspiram títulos mais significativos, faz cada vez menos sentido. Porém, os campeonatos estaduais estão de volta. Resta desejar que eles possam ter um mínimo de qualidade, mas essa parece ser uma hipótese muito pouco provável.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Estupidez

A nota da Fifa afirmando que só reconhece como campeões mundiais os clubes vencedores das competições que ela organizou é uma rematada estupidez. Desde os anos 60, os campeões sul-americanos e europeus se enfrentavam em jogos de ida e volta para definir um campeão mundial. Essa estrutura de disputa durou até 1979. A partir de 1980, a disputa passou a ocorrer em jogo único, no Japão, sob o patrocínio da montadora de veículos Toyota. Não faltará quem alegue que esses confrontos não poderiam ser considerados como a decisão de um título mundial, pois não contavam com representantes da África, Ásia e Oceania. O argumento é admissível, em termos conceituais, mas, na prática, a força do futebol sempre se concentrou na América do Sul e na Europa. Tanto isso é verdade que, até hoje, todas as Copas do Mundo foram ganhas por seleções sul-americanas ou europeias. A mesma situação ocorre no Campeonato Mundial de Clubes da Fifa, onde só sul-americanos e europeus ficaram com os títulos. Nada, nem ninguém, vai deslustrar as conquistas do Santos de Pelé, do Flamengo de Zico, do Grêmio de Renato, do São Paulo de Raí, todas elas anteriores á organização da competição pela Fifa. São, todos eles, campeões mundiais, reconhecidos pelo campo e pela História. O resto é conversa fiada.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Monstruosidades

A simples cogitação de que instituições como o Banrisul e a Corsan possam ser privatizadas é um descalabro. Essas privatizações, caso se efetivassem, se constituiriam em monstruosidades contra os interesses do Rio Grande do Sul. Embora o secretário da Fazenda, Giovani Feltes, negue, enfaticamente, a venda do Banrisul, dois membros do governo federal ilegítimo e golpista acenam com a possibilidade. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que a privatização do banco estará na mesa da renegociação das dívidas do Rio Grande do Sul. No mesmo tom, o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, declarou que o Banrisul é a "jóia da Coroa" do Estado, e que cabe ao governador José Ivo Sartori decidir pela sua venda ou não. Fiel ao seu estilo golpista e antipopular, Padilha finge desconhecer que o Banrisul só pode ter sua venda autorizada mediante a realização de um plebiscito. O mandato de governador, ainda que obtido nas urnas, não é um cheque em branco para que o ocupante do cargo aja do modo como quiser. Para tornar a situação ainda mais repugnante, os veículos da RBS, a maior rede de comunicação do Estado, historicamente atrelados ao ideário neoliberal, começam a estimular a hipótese da venda do banco. A privatização do Banrisul é, sob qualquer argumento, inaceitável. Para impedi-la, os gaúchos não podem medir esforços e, se preciso for, devem pegar em armas para defender a instituição. O mesmo vale para a venda da Corsan. Como pode se cogitar vender a companhia de abastecimento de água da população? A água é um direito de todos, não é um "produto". O governo Sartori está destruindo o Rio Grande do Sul, e permanecer complacente diante disso é inaceitável. O povo do Rio Grande do Sul precisa dar um basta nessa situação de qualquer maneira, até mesmo, partindo para a rebelião.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Os 90 anos de Tom Jobim

Na data de hoje, se vivo fosse, Tom Jobim completaria 90 anos. Tom, que se chamava Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, trazia, como se vê, a nacionalidade estampada no próprio nome. Ele é um dos maiores brasileiros de todos os tempos, mas não tem, em seu país, um reconhecimento equivalente à sua importância. "Garota de Ipanema", que compôs em parceria com Vinícius de Moraes, é a segunda música de maior sucesso na História, só atrás de "Yesterday", dos Beatles. Em 1964, no mesmo ano da explosão da Beatlemania, "Garota de Ipanema" ganhou o Grammy de melhor canção do ano. A obra de Tom Jobim, no entanto, não se resumiu a esse megasucesso. Com diferentes parceiros, ou sozinho, Tom criou outras pérolas como "Desafinado", "Eu sei que vou te amar", "Insensatez", "Águas de março", entre tantas outras. Tom Jobim é um ícone da música, cuja obra merece ser, sempre, reverenciada.

O jogo da solidariedade

A Seleção Brasileira, formada apenas com jogadores que atuam no país, venceu a Colômbia por 1 x 0, hoje, no Engenhao, em jogo amistoso cuja renda será destinada às famílias das vítimas da queda do avião que transportava a delegação da Chapecoense, em novembro. Foi o jogo da solidariedade, antes de tudo. O resultado e o desempenho das equipes pouco importavam. Ainda assim, não foi um "jogo de compadres", pois teve um vencedor. O fato negativo foi que o estádio não lotou. Por sua localização, numa zona insegura e não servida por metrô, o Engenhao não era o estádio ideal para a realização da partida. A arrecadação, que foi de pouco mais de um milhão de reais, poderia ter sido bem maior em outro estádio. Valeu pelo gesto das duas seleções, que deram continuidade a uma corrente de auxílio aos familiares das vítimas do desastre aéreo que há de prosseguir com outras ações.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Começou

Para os grandes clubes do país, o futebol valendo pontos, em 2017, começou hoje. A segunda edição da Primeira Liga teve início com o Fluminense vencendo o Criciúma por 3 x 2, de virada. Primeiro campeão da competição, o Fluminense saiu perdendo, mas virou o placar, ampliou o marcador e, depois, sofreu outro gol. Foi o começo das competições envolvendo os maiores clubes do país, que se intensificará, no fim de semana, com o início dos principais campeonatos estaduais. Depois das férias e da pre-temporada, chegou a hora do futebol para valer, como gostam os torcedores. O trabalho de formação dos grupos de jogadores, feito pelos dirigentes durante o período de recesso do futebol, será, a partir de agora, posto à prova. Para quem gosta de futebol, não faltarão emoções ao longo do ano, pois o calendário dos grandes clubes terá muitas disputas, e a Seleção Brasileira jogará suas últimas partidas pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018, na Rússia. Prepare o seu fôlego, e divirta-se.