sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

O pesadelo que se tornou realidade

Donald Trump tomou posse, hoje, como presidente dos Estados Unidos. O pesadelo que se tornou realidade é a melhor definição que se pode dar para esse fato. Trump é a expressão do que a política pode gerar de pior, pois é racista, xenófobo, machista e arrogante. Sua chegada ao poder representa um enorme retrocesso para a democracia de seu país, e é uma ameaça para o mundo. Mais uma vez, o estapafúrdio sistema americano, que se utiliza de um colégio eleitoral em vez da maioria simples de votos para eleger seu presidente, gera um resultado desastroso Trump teve menos votos totais que Hillary Clinton, mas venceu a eleição, repetindo o que ocorreu quando George Walker Bush se elegeu presidente, em detrimento de Al Gore. Na ocasião, Gore fez 500 mil votos a mais que o seu oponente, mas perdeu a eleição. Dessa vez, o descalabro foi ainda maior, pois Hillary Clinton fez três milhões de votos a mais que Trump. O exótico sistema eleitoral americano se sustenta na alegação de que busca evitar a escolha de um aventureiro ancorado no voto da maioria. Conversa fiada. O princípio que norteia um sistema como esse é o preconceito em relação às escolhas populares, o que põe por terra a ideia amplamente disseminada de que os Estados Unidos possuem a maior democracia do mundo. Tudo o que esse método consegue gerar é a eleição de energúmenos como George Walker Bush e Donald Trump, com consequências desastrosas para o mundo inteiro. Com a posse de Trump, convém se preparar para anos turbulentos e sombrios, dentro e fora dos Estados Unidos.

Carlos Alberto Silva

O Brasil perdeu hoje um dos seus grandes técnicos de futebol, Carlos Alberto Silva, que faleceu aos 77 anos. Ele era um ilustre desconhecido do grande público quando, em 1978, aos 38 anos, levou o Guarani de Campinas ao título de campeão brasileiro, o único de um clube do interior até os dias de hoje. Montou um time de grande qualidade, com destaques como o veterano volante Ze Carlos, os meias Renato "Pé Murcho" e Zenon, e um dos maiores centroavantes brasileiros de todos os tempos, Careca, então com apenas 17 anos. Depois dessa fulgurante aparição, Carlos Alberto Silva trabalhou em grandes clubes brasileiros como São Paulo, Cruzeiro, Palmeiras e Atlético Mineiro. Teve uma passagem exitosa pelo Porto, num raro caso de sucesso de um técnico brasileiro no exterior. Na Seleção Brasileira foi vítima de uma grande injustiça, pois fazia um trabalho muito bom que foi interrompido com a sua demissão após perder a disputa da medalha de ouro nas Olimpíadas de 1988, em Seul. Seu substituto, Sebastião Lazaroni, era de capacidade muito inferior, e levou a Seleção a um desempenho decepcionante na Copa do Mundo de 1990. Carlos Alberto Silva deixa uma trajetória digna e bem sucedida no futebol.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Suspeitas

A morte do ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki, ocorrida hoje na queda do avião em que viajava próximo a Paraty (RJ) despertou, imediatamente uma série de suspeitas. Muitos estão convencidos de que sua morte foi uma "queima de arquvo", pois Zavascki era o relator da Operação Lava-Jato no STF, e preparava-se para homologar a delação premiada de ex-executivos da construtora Odebrecht. O ministro pretendia, inclusive, antecipar o ato, do início de fevereiro para o final de janeiro. Com o falecimento de Zavascki, o processo sob sua guarda terá de ser redistribuído para outro membro da corte, ou ficará com o magistrado que vier a substitui-lo. Nesse último caso, seria uma situação extremamente conveniente para o presidente Michel Temer, que poderia postergar por um longo tempo a indicação do novo ministro, afora o fato que o nome escolhido deverá ser o de alguém afinado com os seus interesses, um dos quais é o de abafar a Lava-Jato. O Brasil vive um momento político muito delicado, e a morte de Zavascki, pelas suspeitas que desperta, contribui para colocar mais lenha na fogueira. Se a queda do avião não tiver sido um acidente, estaremos no pior dos quadros. Seria a confirmação de que o poder no país foi tomado por corruptos inveterados e criminosos. No Brasil dos tempos atuais nada é tão ruim que não possa piorar.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Solução modesta

Para quem alardeou que traria um "fazedor de gols", a contratação de Jael, hoje anunciada pelo Grêmio, é uma solução modesta. Afinal, Jael é um jogador rodado, de 28 anos, e cujo último clube, o Joinville, foi rebaixado para o Campeonato Brasileiro da Terceira Divisão. A contratação foi feita a pedido do técnico do Grêmio, Renato, que treinou Jael no Bahia. Seja como for, a média de gols de Jael ao longo da sua carreira é satisfatória. Diante de tantos nomes de jogadores estrangeiros que vem sendo especulados, todos eles quase anônimos, a vinda de Jael é uma opção por um jogador bastante conhecido no mercado brasileiro. Não é um nome capaz de empolgar a torcida, mas seus números são, no mínimo, razoáveis. Como jogador de grupo, poderá ser útil.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Exportando talentos

O futebol brasileiro, nos últimos anos, vem exportando talentos de forma constante, que saem do país ainda muito jovens. Sem conseguir competir com as fortunas pagas pelo futebol europeu, os clubes brasileiros perdem suas grandes revelações e, o que é pior, por quantias muito abaixo do que verdadeiramente valem. O midiático futebol da Europa obtém sua força usando esse expediente vil proporcionado pela globalização econômica, levando, ainda em tenra idade, os melhores jogadores não só do Brasil, mas também de outros países sul-americanos como Argentina, Uruguai, Colômbia e Peru. Valendo-se do seu poderio econômico, cumprimenta com o chapéu alheio. Algo precisaria ser feito para pôr fim nessa situação, que desequilibrou o futebol mundial. Porém, isso é improvável, pois a Fifa tem sua sede na Suíça , e desde a saída do brasileiro João Havelange do cargo, vem sendo presidida por europeus. Os presidentes da Fifa só levam em conta os interesses financeiros que giram em torno do futebol, pouco se importando com o que não se relacione com a possibilidade de obter muitos ganhos. A maior revelação do futebol brasileiro nos últimos anos, Gabriel Jesus, deixou o país com apenas 19 anos para jogar no Manchester City. Agora, Vinicius, grande talento surgido no Flamengo, de apenas 16 anos, já vem sendo assediado por clubes espanhóis e ingleses. Os clubes brasileiros, enquanto isso, tem repatriado veteranos para se reforçar. Não é a primeira vez que abordo o tema nesse espaço. Por certo, também não será a última. Não aceito passivamente esse descalabro. Algo precisa ser feito para modificar esse quadro. O dinheiro não pode ser o único balisador das relações, no futebol ou fora dele.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

A volta de Felipe Massa

Confirmando o que já vinha sendo especulado, Felipe Massa retornou para a Fórmula 1. A volta de Felipe Massa ocorre menos de dois meses após o anúncio de sua despedida da categoria. Massa continuará na mesma equipe em que estava, a Williams, e o contrato será de apenas um ano. Massa só foi recontratado porque Valteri Bottas deixou a equipe e foi para a Mercedes. Como a Williams ficaria sem nenhum piloto experiente, trouxe Massa de volta. O acordo estava condicionado com a saída de Bottas. Se o piloto finlandês não fosse para a Mercedes, a contratação de Massa seria automaticamente desfeita. Não é um retorno grandioso, é é pouco provável que Massa obtenha bons resultados nas corridas. O lado bom do fato é de que o Brasil não ficará sem um representante na principal categoria do automobilismo mundial.

domingo, 15 de janeiro de 2017

A fase ruim de Guardiola

O meio futebolístico se caracteriza por despertar polêmicas e paixões em doses fartas. Também por idolatrias que, muitas vezes, tomam conta da imprensa. Esse é o caso do técnico espanhol Josep Guardiola. Seu trabalho no Barcelona fez com que muitos jornalistas o colocassem num pedestal, pois conquistou todos os títulos possíveis e imagináveis. Mais tarde, ao se transferir para o Bayern de Munique, continuou prestigiado, embora sem o mesmo desempenho. Agora, no Manchester City, Guardiola vive a sua pior fase como técnico. O seu time não consegue engrenar, os resultados ruins se sucedem. Tido por muitos como o melhor técnico do mundo, atualmente, Guardiola enfrenta seus primeiros revezes. Hoje, o Manchester City foi goleado pelo Everton por 4 x 0, em jogo válido pelo Campeonato Inglês. A expressão de Guardiola, sentado no seu reservado, era de total abatimento. A fase ruim de Guardiola talvez se explique pelo fato de que o Manchester City, embora dispondo de excepcional estrutura, não tem a grandeza histórica de Barcelona e Bayern de Munique. Nos seus dois clubes anteriores, Guardiola somou a sua capacidade com a vocação permanente para a conquista de títulos que eles reconhecidamente possuem. O Manchester City é um clube de poucas conquistas que subiu de patamar nos últimos anos, após ter sido adquirido pelo milionário russo Roman Abramovich. Dessa vez, Guardiola não tem o respaldo de uma camisa de peso, está num clube emergente. Precisa contar, fundamentalmente, com o próprio talento para que venha a obter êxito. Até agora, isso não tem se mostrado suficiente.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Urdidura maquiavélica

A cada dia fica mais evidente que o impeachment da presidente legitimamente eleita Dilma Rousseff foi um golpe, e que obedeceu a uma urdidura maquiavélica. Todas as peças vão se encaixando, demonstrando se tratar de uma ação orquestrada dos setores conservadores da sociedade, que foi cuidadosamente planejada. Não é coincidência, por exemplo, o fato de que o golpe tenha sido aplicado exatamente quando o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, foi alçado a condição de presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Afinal, durante o mandato do atual presidente do órgão poderia ser julgada a anulação da chapa Dilma-Temer. Caso a chapa fosse invalidada, o presidente ilegítimo Michel Temer teria de deixar o cargo. Gilmar Mendes, como se sabe, é um antipetista raivoso e um permanente aliado da direita em suas causas. O conluio ficou explicitado, para algum incauto que ainda tivesse dúvida, com a "carona" aérea que Michel Temer concedeu a Gilmar Mendes no avião presidencial em sua viagem para Portugal. Absurdamente, um réu e seu julgador compartilham o mesmo vôo, a convite do primeiro. O despudor da situação só evidencia o quanto os agentes golpistas estão confiantes de que ninguém lhes tirará as rédeas do poder, que obtiveram por meio de uma usurpação. Com o apoio dócil e indecente da grande mídia, os salteadores que se adonaram do governo federal se sentem à vontade para implantar sua agenda carregada de demofobia. Outra prova dessa ação premeditada foi a contrapartida exigida pelo governo federal para renegociar as dívidas do Rio Grande do Sul com a União, de que três estatais gaúchas, cujas vendas dependem de um plebiscito que as autorize, sejam privatizadas. Essa exigência vem a calhar para o governo do Estado, que deseja privatizar as empresas, pois serviria de chantagem sobre os deputados estaduais para que aprovem a emenda que dispensa a necessidade da realização de um plebiscito para a venda das mesmas. O golpe em curso na política brasileira é ainda mais vil que o da ditadura militar, pois ao contrário da explicitude daquele, se disfarça sob uma capa de normalidade institucional. O país está entregue a um grupo de corruptos da pior espécie, travestidos de governantes. As perspectivas para o futuro do Brasil, a curto e médio prazo, são muito sombrias.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Retorno tímido

O Grêmio apresentou-se hoje para o início dos trabalhos de 2017. Foi um retorno tímido. A base do time foi mantida, mas, até o momento, não foram feitas contratações significativas. Apenas três novos jogadores foram acrescentados ao grupo, nenhum capaz de gerar entusiasmo no torcedor. São eles os laterais direitos Leonardo Moura e Léo Gomes e o volante Michel, todos em nível de grupo. O tão falado "fazedor de gols" ainda não chegou, pois as contratações de Kaike e Gabriel Fernandez, depois de encaminhadas, foram desfeitas. As lacunas do time do Grêmio seguem sem serem preenchidas. Afora o tão necessário goleador que tanta falta faz, é incompreensível que um lateral esquerdo para ser titular ainda não tenha sido contratado. O Grêmio terá um calendário muito cheio em 2017, no qual se destaca a Libertadores. Porém, sem agregar qualidade ao seu time, não poderá ambicionar grandes conquistas. As poucas contratações feitas são apostas. Para conquistar grandes títulos é preciso muito mais do que isso.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

O inchaço da Copa do Mundo

A Copa do Mundo, a partir de 2026, terá 48 seleções. A duração da competição, de um mês, é o número máximo de sete jogos para quem chegar até a fase decisiva da disputa não sofrerão alteração. O inchaço da Copa do Mundo, no entanto, não é positivo para o futebol, ainda que isso não implique numa ampliação do tempo de sua realização. O aumento no número de participantes levará a um aviltamento do nível técnico da Copa. A justificativa de que é preciso dar chance a um maior número de seleções de participar de uma Copa do Mundo encobre as verdadeiras razões, que são políticas e econômicas. Políticas porque compra a simpatia de africanos e asiáticos, que poderão retribuir com votos em futuras eleições da Fifa, e econômicas porque o futebol tornou-se um grande negócio e é preciso incentivar sua expansão por todos os cantos do Mundo. A contínua expansão do número de participantes da Copa, iniciada a partir de 1982, não é positiva tecnicamente. A medida tomada pela Fifa só demonstra, de forma clara, que, no futebol atual, os interesses financeiros estão em primeiro lugar.