quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Resultado surpreendente

O Nacional de Medellín atraiu a simpatia dos brasileiros pela solidariedade demonstrada com a Chapecoense no desastre aéreo que vitimou sua delegação. Os dois clubes decidiriam entre si a Copa Sul-Americana. Em função do trágico acontecimento, o Nacional solicitou à Conmebol que a Chapecoense fosse oficializada como campeã da competição que não pôde ser decidida, sugestão que foi acatada. Os belos gestos do clube colombiano fizeram com que ele ganhasse o apoio dos brasileiros na sua participação no Campeonato Mundial de Clubes. Hoje, no entanto, a torcida pelo Nacional transformou-se em frustração. Num resultado surpreendente, o Nacional foi goleado por 3 x 0 pelo Kashima Antlers, atual campeão japonês, e está fora da decisão do Mundial. O jogo será lembrado, também, pelo pênalti que resultou no primeiro gol, marcado após a observação do lance no vídeo. Esse lance, provavelmente, desestabilizou o Nacional, que dominava o jogo e perdia muitas chances de gol. Com o clube colombiano fora da decisão, a conquista do Mundial deverá ficar ainda mais fácil para o Real Madrid, que, amanhã, enfrentará o América do México na outra semifinal, num jogo em que a possibilidade de ocorrer uma surpresa é quase nula. Por outro lado, o atual formato da competição deveria ser repensado pela Fifa. Não há sentido na participação de um clube na condição de campeão do país sede, como é o caso do Kashima Antlers. Uma disputa que define o campeão mundial de clubes só deveria contar com a participação dos campeões continentais.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Recomeço

O Inter não tem tempo a perder. Por isso, embora o presidente eleito do clube, Marcelo Medeiros, só vá tomar posse no dia 3 de janeiro, sua administração, na prática, já começou. Hoje, o Inter apresentou o seu novo técnico, Antônio Carlos Zago. Não se trata de uma unanimidade, pois Zago sofre restrições de boa parte da torcida, que gostaria de um técnico de maior nome. Porém, Zago está longe de ser um erro, pois veio do Juventude, e disputou o Campeonato Brasileiro da Terceira Divisão, onde enfrentou uma realidade bem próxima da que irá encarar na Série B. Sua contratação demonstra que o Inter soube assimilar rapidamente o contexto que o espera em 2017. Ninguém pode garantir que vá dar certo, mas é uma aposta válida.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Pobreza técnica

As tradicionais premiações entregues ao final de cada edição do Campeonato Brasileiro, revelaram, em 2016, a pobreza técnica que caracteriza o futebol do país na atualidade. A "Bola de Prata", promovida pelos canais ESPN, e a premiação oficial da competição, realizada pela CBF, apresentaram uma seleção final com maioria acentuada de jogadores do Palmeiras, o que é natural pela grande campanha que o clube realizou na conquista do título, mas a listagem, em si, não apresenta nomes de um nível superior de qualidade. Com exceção de Gabriel Jesus, nenhum dos jogadores premiados exibe a condição de craque. Na "Bola de Prata", por exemplo, ao longo dos 46 anos de existência do prêmio, foram agraciados jogadores como Renato, Zico, Ancheta, Figueroa, Paulo Isidoro, Falcão, Marinho Chagas, Leão, Paulo César Caju, entre outros. Na seleção de 2016, aparecem nomes como o do goleiro Jailson, do Palmeiras, que, aos 35 anos, participou pela primeira vez de um Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão. Os volantes Tche-Tche e Moisés, também do Palmeiras, eram dois ilustres desconhecidos até pouco tempo. Marinho, que teve um excelente desempenho pelo Vitória, esteve em alguns clubes grandes, e não se firmou. O Campeonato Brasileiro, pelo número de grandes clubes que dele participam, é, sempre emocionante. Porém, se há emoção, falta qualidade. Seja como for, parabéns aos jogadores premiados, com destaque para o zagueiro Geromel, do Grêmio, ganhador da Bola de Prata pelo segundo ano consecutivo.

domingo, 11 de dezembro de 2016

Rebaixado

O Inter está rebaixado para a Segunda Divisão. Era um fato esperado, mas nem por isso dói menos no torcedor. Afinal, a torcida sempre acredita que algo mágico vai acontecer e o pior será evitado. O empate em 1 x 1 com o Fluminense, no Giulite Coutinho, determinou a queda do Inter, inapelavelmente. O empate entre Sport e Figueirense, que perdurou durante todo o primeiro tempo, dava ao Inter a condição de, vencendo o Fluminense, escapar do rebaixamento. Porém, o Fluminense é que pressionava em busca do gol, e, inclusive, desperdiçou um pênalti. Logo no início do segundo tempo, o Sport abriu o placar na Ilha do Retiro, o que tirava do Inter qualquer chance de classificação. Para consumar a queda do Inter, o Fluminense também fez um gol. Ainda aconteceria o empate do Inter, mas ele ocorreu no final do jogo, e de nada serviu em termos práticos. Os dirigentes do Inter, depois de todas as manobras possíveis fora de campo para evitar o rebaixamento, admitiram a culpa pelo que ocorreu. Agora, o Inter terá de recomeçar em outra perspectiva. Seu novo técnico, tudo indica, será Antônio Carlos Zago, que estava no Juventude. Será a sua primeira chance num grande clube. Uma aposta, mas que poderá ser bem sucedida. O período de férias, que agora se inicia, veio bem a calhar para o Inter, que terá um tempo para assimilar a dor da queda. Depois, quando a bola voltar a rolar, não haverá tempo para lamentações, e o retorno á Primeira Divisão será uma obrigação.

sábado, 10 de dezembro de 2016

Massacre eleitoral

Poucas vezes um recado vindo de uma votação foi tão claro. A eleição para presidente do Inter, hoje, constituiu-se num massacre eleitoral. O candidato de oposição, Marcelo Medeiros, venceu com mais de 12 mil votos, superando 94% do total. Seu adversário na eleição, Pedro Afatatto, candidato da situação, fez menos de 700 votos, pouco mais que 5% do total. O torcedor do Inter, amargurado pelo péssimo desempenho do time em campo, que poderá levá-lo ao rebaixamento no Campeonato Brasileiro, amanhã, deixou evidente a sua aversão pela atual administração do clube. Marcelo Medeiros, que sofreu uma derrota fragorosa para Vitório Piffero em 2014, quando o torcedor ainda comprava a ideia de que o atual presidente era um vencedor que levaria o Inter a conquistar grandes títulos novamente, agora surge como solução para retirar o clube do atoleiro. Na verdade, o resultado da eleição era previsível. Pedro Afatatto poderia ter tido o bom senso de retirar sua candidatura. Ao não fazê-lo, submeteu-se a uma derrota vexatória. A responsabilidade de Marcelo Medeiros, por outro lado, é enorme. Não será fácil corresponder a uma preferência tão grande como a que obteve junto aos associados do Inter.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Pesadelo

O Brasil está vivendo um pesadelo. A cada dia, novas e devastadoras notícias se abatem sobre a população. O governo golpista e ilegítimo de Michel Temer resolveu atacar todos os direitos sociais e adotar o neoliberalismo na sua forma mais cruel e radical. As medidas propostas para a Previdência Social, na prática, acabarão com a aposentadoria. Sob o argumento falso de que a Previdência é deficitária, o governo quer, na verdade, forçar as pessoas a contratarem planos privados. A proposta da emenda do corte de gastos comprometerá o futuro do país nas áreas mais essenciais. No plano institucional, o descalabro é total, pois os três poderes estão agindo de forma contrária aos interesses do país e da população. Figuras como Michel Temer, no Executivo, Renan Calheiros, no Legislativo, e Gilmar Mendes, no Judiciário, fazem da vida dos brasileiros um filme de terror. O Brasil está nas mãos de um grupo de golpistas e corruptos, voltados, apenas, para a satisfação de seus interesses particulares. O país se encaminha para a mais grave crise social de sua história. Resta saber se o povo irá reagir, ou se aceitará, passivamente, medidas que destroem com o seu futuro. O cidadão brasileiro precisa sair em defesa de suas conquistas. Não é hora de passividade.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Arquivamento

O que o bom senso e a lógica indicavam acabou se confirmando, e o STJD decidiu pelo arquivamento da notícia de infração interposta pelo Inter visando a retirada de pontos do Vitória pela suposta inscrição irregular do zagueiro Victor Ramos, com o intuito de manter-se na Primeira Divisão. Na verdade, as ditas "novas provas" alegadas pelo Inter para reabrir a questão, que teve igual decisão em março, quando o Bahia entrou com ação semelhante, não existiam, eram apenas tecnicalidades irrelevantes. O Inter ainda pode recorrer da decisão, mas, convenhamos, essa será uma atitude meramente protocolar, sem nenhuma chance de êxito. Só resta ao Inter tentar evitar o rebaixamento dentro do campo, o que é difícil porque não depende mais de suas próprias forças. Precisa vencer o Fluminense e torcer por resultados paralelos. Caso contrário, terá, mesmo, de disputar a Segunda Divisão, como já aconteceu com outros grandes clubes. Ser rebaixado, é claro, não é bom. Porém, pior é a falta de dignidade e esportividade de quem tenta evitar a qualquer preço a consumação de um desfecho que é a consequência natural de um péssimo desempenho ao longo do Campeonato Brasileiro.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Campeão

Acabou o jejum. Depois de 15 anos sem conquistar um grande título, o Grêmio é o novo campeão da Copa do Brasil. O empate em 1 x 1 com o Atlético Mineiro, hoje, na Arena, levou o Grêmio a ganhar a competição pela quinta vez em sua história. Com isso, o Grêmio tornou-se o recordista de títulos da Copa do Brasil e, também, é o novo líder do ranking nacional de clubes. A Arena bateu o seu recorde de público, recebendo 55. 300 pessoas, pouco menos que a capacidade máxima do estádio. Foi um título merecido e que ficaria ainda melhor se o Grêmio tivesse vencido o jogo, sem sofrer o empate nos acréscimos. Renato, o maior ídolo do Grêmio em todos os tempos, reforçou ainda mais a sua condição de mito, ao ser campeão pelo clube como jogador e técnico. O torcedor do Grêmio tirou um peso das costas, após tantos anos de frustrações. Resta desejar que esse título possa ser o primeiro de muitos, e não somente um feito isolado. Parabéns, Grêmio!

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Nova realidade

A vida é carregada de situações contraditórias, algumas até perturbadoras. A tragédia ocorrida com o vôo da Chapecoense é uma prova disso. O clube, abalado pelo desastre com o maior número de vítimas fatais envolvendo uma delegação de futebol, se encaminha, a partir dele, para um outro patamar. Com a decisão, ontem anunciada pela Conmebol, de declarar a Chapecoense campeã da Copa Sul-Americana, o clube viverá uma nova realidade. Com o título que lhe foi conferido, a Chapecoense já está classificada para a fase de grupos da próxima edição da Libertadores, irá decidir a Recopa Sul-Americana contra o Nacional de Medellín, e receberá um significativo aporte financeiro em premiações. Num verdadeiro paradoxo, o momento mais triste da trajetória da Chapecoense está lhe abrindo uma perspectiva de engrandecimento. Se os profissionais da Chapecoense falecidos na queda do avião tiveram sua ascensão na carreira cruelmente interrompida, o clube obteve, desde então, uma projeção que talvez ainda levasse muitos anos para alcançar. Com esse impulso recebido, e o trabalho sério e responsável que a caracteriza, a Chapecoense tem tudo para se firmar de vez no cenário do futebol brasileiro e sul-americano.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O preço alto de um golpe

A determinação expedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Melo, de que o presidente do Senado, Renan Calheiros, seja afastado do cargo, mostra o abismo em que o país foi colocado a partir do golpe que resultou no impeachment de uma presidente legitimamente eleita. Por motivos torpes, quebrou-se a normalidade institucional do país, colocando no poder um presidente sem legitimidade nem competência para ocupar a função. Seu "governo" é um fiasco absoluto, com uma equipe formada  por medíocres e corruptos. A impopularidade do presidente golpista é altíssima, o que o faz temer e evitar, sempre que possível, a exposição pública. A economia só faz piorar, a taxa de desemprego se amplia, medidas carregadas de demofobia são encaminhadas para votação no Congresso Nacional, conquistas históricas dos trabalhadores são ameaçadas. O país está, na prática, acéfalo no poder, entregue ao mais absoluto desgoverno. Para quem tenha um mínimo de lucidez, as perspectivas do Brasil são terríveis. O presente é caótico, e o futuro, uma incógnita. O Brasil corre o risco de uma ruptura institucional, de consequências imprevisíveis. Esse é o preço alto de um golpe, perpetrado por canalhas, e apoiado por uma massa de incautos e analfabetos políticos.