domingo, 30 de outubro de 2016
Confirmação
O segundo turno da eleição para prefeito de Porto Alegre não apresentou surpresa. Nélson Marchezan Júnior (PSDB) venceu o pleito, numa confirmação do que as pesquisas indicavam. Ainda mergulhado numa irracional onda antiesquerdista movida pela imprensa conservadora, o eleitorado resolveu eleger a raposa para cuidar do galinheiro. Ao escolher Marchezan Júnior, o eleitor entrega a administração da cidade ao herdeiro de uma figura proeminente da Arena, partido de sustentação do regime militar, o falecido Nélson Marchezan. Mais do que isso, Marchezan Júnior é um neoliberal e privatista. Os próximos quatro anos tendem a ser desalentadores para Porto Alegre. Diante desse quadro, o incompreensível é que nem mesmo a catastrófica escolha de José Ivo Sartori para governador do Rio Grande do Sul, em 2014, serviu de alerta. O eleitor gaúcho parece tomado por um impulso de autoflagelação. Resta esperar que nas eleições de 2018 essa tendência autodestrutiva tenha sido superada, e o eleitor volte a votar com consciência, concedendo o poder a quem tem compromisso com as demandas sociais.
sábado, 29 de outubro de 2016
Tropeço inesperado
Ninguém poderia imaginar a hipótese do Inter não vencer o Santa Cruz, hoje, no Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro. O empate em 1 x 1 foi um tropeço inesperado, e que pode complicar muito a vida do Inter na reta final do Brasileirão. O Inter abriu o placar logo aos seis minutos do primeiro tempo, o que reforçou a ideia de que ganharia com facilidade. O tempo, no entanto, foi transcorrendo, os outros gols não vieram. Para piorar, o Santa Cruz empatou, e o volante Eduardo Henrique, do Inter, foi expulso. A partir daí, mesmo tendo boa parte do primeiro tempo, e todo o segundo, para vencer o jogo, o Inter não conseguiu o desempate. A fuga do rebaixamento, que parecia tranquila após vencer o Flamengo e empatar com o Grêmio, voltou a ficar dramática para o Inter. A agonia da luta para não cair talvez se estenda até a última rodada.
Empate chocho
Um jogo de muito baixo nível técnico, com poucas emoções, foi o que se viu em Figueirense 0 x 0 Grêmio, hoje, no Orlando Scarpelli, pelo Campeonato Brasileiro. Um empate chocho entre um clube que luta para fugir do rebaixamento e outro que foi para o campo com os reservas. Para quem tenta escapar de um rebaixamento cada vez mais provável, o Figueirense mostrou pouco, seja porque o time é fraco ou por não acreditar mais na possibilidade de evitar a queda para a Segunda Divisão. O Grêmio, jogando, mais uma vez, com um time reserva fora de casa, tornou a empatar, mas sem mostrar a mesma boa atuação da partida contra o Santos. Foi um jogo que se arrastou até o final. O resultado não foi bom para ninguém. O Figueirense continuou afundado na zona de rebaixamento, e o Grêmio não conseguiu ingressar na faixa de classificação para a Libertadores.
sexta-feira, 28 de outubro de 2016
Uma lista sem pé nem cabeça
A revista inglesa "Four Four Two" elaborou uma lista com, no seu entender, os 50 melhores times de futebol de todos os tempos. Embora relacione grandes equipes da história do futebol, é uma lista sem pé nem cabeça. O primeiro, e fundamental, erro da lista, é misturar clubes e seleções. São elementos absolutamente distintos, não podem ser comparados. O que já começa errado não poderia ter um bom resultado. A colocação das equipes na lista é risível, para dizer o mínimo. O primeiro lugar da lista é ocupado pelo time do Ajax, da Holanda, liderado por Cruyff, que foi tricampeão da Europa em 1971/1972/1973. A Seleção Brasileira de 1970 aparece em segundo lugar. Convenhamos, essa avaliação é absurda. A Seleção de 70 é apontada como a melhor equipe da história do futebol pela maioria dos rankings feitos no mundo inteiro. A lista sequer inclui a Seleção Brasileira de 1958, tão boa ou melhor que a de 1970. No entanto, a Seleção Brasileira de 1982, uma grande equipe, mas muito inferior á de 1958, foi colocada no trigésimo-oitavo lugar. O time do Flamengo de Zico, campeão mundial em 1981, ficou oito posições acima, em trigésimo lugar, em outra avaliação aberrante, pois embora sua inegável qualidade não pode ser considerado superior a uma Seleção de tão alto nível. Por outro lado, a maravilhosa seleção da Hungria de Puskas ficou num modesto décimo lugar. Entre os times de clubes são poucos os que, no mundo inteiro, não consideram o Santos de Pelé o melhor de todos os tempos. Porém, na lista em questão, ele aparece em nono lugar. O Real Madrid de Di Stefano ficou em quarto. Definitivamente, o ranking da revista inglesa não pode ser levado a sério. Num levantamento criterioso, seleções e clubes teriam de ser avaliados separadamente. Caso isso fosse feito, uma das listas teria o seu primeiro lugar disputado pelas seleções brasileiras de 1958 e 1970. No levantamento de clubes, o Santos de Pelé viria em primeiro lugar, e, logo a seguir, estaria o Real Madrid de Di Stefano. Toda a lista do gênero envolve um certo grau de subjetividade, mas a da revista inglesa contraria o bom senso de maneira irremediável.
quinta-feira, 27 de outubro de 2016
Alienação
Causou muito má impressão o fato de que dentre os atuais jogadores da Seleção Brasileira só Gabriel Jesus tenha usado as redes sociais para fazer referência a morte de Carlos Alberto, um dos grandes mitos do futebol brasileiro, falecido anteontem. Os demais jogadores não se manifestaram. Eis aí o retrato da alienação e do egocentrismo dos jogadores de futebol na atualidade. Com a independência financeira conquistada ainda muito cedo, tornam-se mimados e autocentrados. O maior nome da Seleção Brasileira nos dias de hoje, Neymar, é um exemplo disso. Neymar não é mais um menino, tem 24 anos, e até já é pai de um garotinho. Porém, se comporta como um eterno adolescente. Deslumbrado com o que o dinheiro pode proporcionar, usufrui uma vida de festas, carrões e mulheres bonitas. Não se posiciona sobre temas polêmicos, nem revela preferências políticas. Seu estilo de vida é claramente hedonista, voltado para a satisfação dos próprios prazeres. Gabriel Jesus tem apenas 19 anos, não viu Carlos Alberto jogar, mas, por estar bem informado sobre quem ele foi, ou tendo sido bem orientado pelos seus assessores, portou-se adequadamente diante da perda de um ícone do futebol brasileiro. Os demais jogadores da Seleção Brasileira, por desinformação ou desinteresse, hipóteses igualmente execráveis, nada referiram sobre a morte de Carlos Alberto. O futebol não é uma ilha. Ele é um microcosmo de uma sociedade mergulhada na vacuidade e no individualismo exacerbado. Uma sociedade frívola e consumista, onde impera o imediatismo e se despreza a memória. A tarefa de recuperar a combalida imagem da Seleção Brasileira não se resume ao futebol dentro do campo. Será preciso reformar a postura de seus jogadores como cidadãos.
quarta-feira, 26 de outubro de 2016
Resultado lógico
Recuperado em sua autoestima, pelos bons resultados que vem alcançando em seus últimos jogos, o Inter conseguiu, mesmo com um time reserva, fazer um bom enfrentamento com o Atlético Mineiro, hoje, no Beira-Rio, pelas semifinais da Copa do Brasil, mas perdeu por 2 x 1. O Atlético abriu o placar logo aos dois minutos do primeiro tempo. O Inter só obteve o empate no segundo tempo, com um gol de pênalti, e esbarrou no goleiro Victor, que fez grandes defesas. Porém, no momento em que buscava o gol de desempate, o Inter sofreu um contra-ataque mortífero, e o Atlético venceu o jogo. Embora o Inter também pudesse ter ganho a partida, foi um resultado lógico. O Atlético Mineiro era o favorito no confronto, e ao vencer o primeiro jogo fora de casa ampliou ainda mais essa condição.
Atuação brilhante
Os defensores do futebol de resultados sustentam que o importante é vencer, não importa como. O Grêmio, no entanto, não seguiu essa linha de pensamento, hoje, e venceu o Cruzeiro por 2 x 0, no Mineirão, pelas semifinais da Copa do Brasil, com uma atuação brilhante. O desempenho do Grêmio chegou quase ao nível da perfeição, mantendo o controle do jogo durante todo o tempo, não permitindo nenhuma oportunidade concreta para o adversário, explorando bem os contra-ataques, e, principalmente, fazendo dois belos gols. Belo Horizonte parece fazer bem ao Grêmio. Algumas de suas melhores atuações tem ocorrido na capital de Minas Gerais. Foi assim, por exemplo, quando venceu o Atlético Mineiro no Campeonato Brasileiro de 2015 por 2 x 0, e na atual edição da competição, quando goleou o mesmo adversário por 3 x 0. No jogo de hoje, nenhum jogador do Grêmio esteve mal. O jogo coletivo, em função disso, atingiu uma grande desenvoltura. Com o resultado obtido no Mineirão, o Grêmio está com a faca e o queijo na mão para voltar a disputar uma decisão de Copa do Brasil, e, finalmente, acabar com o seu jejum de títulos.
terça-feira, 25 de outubro de 2016
Carlos Alberto
O Brasil perdeu, hoje, Carlos Alberto, um dos grandes mitos do seu futebol. Carlos Alberto era o lateral direito e, principalmente, o capitão da magnífica Seleção Brasileira campeã da Copa do Mundo de 1970, a maior equipe já formada na história do futebol. Curiosamente, embora tenha jogado 59 partidas com a camisa da Seleção, foi a única Copa do Mundo de que ele participou. Em sua exitosa carreira, jogou no Fluminense, Santos, Botafogo, Flamengo e New York Cosmos. Como técnico, foi campeão brasileiro pelo Flamengo, e da Copa Conmebol, pelo Botafogo. Nos últimos anos, participava como comentarista no canal a cabo SporTV. Também integrava um grupo formado pela CBF para sugerir mudanças estruturais no futebol brasileiro. Tecnicamente brilhante, e com uma capacidade de liderança que o levou á condição de capitão da Seleção, Carlos Alberto pertence ao panteão dos maiores jogadores brasileiros de todos os tempos. Entre os seus pares, em especial os seus companheiros de Seleção, ele era o "Capita". Por toda a sua trajetória, obteve respeito e admiração por onde esteve. Autor do último gol da Copa de 70, e um dos mais célebres da história da competição pela beleza de sua construção coletiva, Carlos Alberto será sempre lembrado pelos amantes do futebol, nos quais deixa, desde já, uma imensa saudade.
segunda-feira, 24 de outubro de 2016
Oportunismo
Bastou que ocorresse uma arbitragem polêmica no Gre-Nal de ontem, na Arena, para que a "isenta" imprensa esportiva do Rio Grande do Sul, historicamente identificada com a defesa dos interesses do Inter, insinuasse que um árbitro gaúcho teria uma atuação melhor. Acostumada com os "erros humanos" dos árbitros locais, que, curiosamente, sempre favorecem o Inter, a crônica esportiva gaúcha gostaria que eles estendessem seus tentáculos aos grenais do Campeonato Brasileiro. O mote para essa defesa da arbitragem doméstica foi a suposta má atuação de Francisco Carlos do Nascimento (AL) no Gre-Nal de ontem. Esse argumento não resiste a uma análise mais atenta do que aconteceu no jogo. A celeuma toda em torno do árbitro se deu pelo fato de que ele teria expulsado Rodrigo Dourado, do Inter, injustamente. Se é verdade que Rodrigo Dourado não merecia ser expulso, Vitinho deveria ter levado o cartão vermelho, o que não foi feito. Ademais, o árbitro não influiu no resultado do jogo, pois não marcou pênaltis inexistentes, nem validou gols em impedimento. Os mesmos que agora berram contra a expulsão de Rodrigo Dourado acharam que a criminosa agressão de William que resultou numa dupla fratura de mandíbula em Bolanos, no Gre-Nal realizado em março, na Arena, foi um "acidente". Não é á toa que o Inter tem vantagem no número de vitórias em grenais, mas fica atrás quando se levam em conta apenas os válidos pelo Campeonato Brasileiro. Respondendo, objetivamente, a pergunta deixada no ar pela imprensa gaúcha, um árbitro local não se sairia melhor ontem. Basta, para constatar isso, verificar que Anderson Daronco, um dos árbitros preferidos da imprensa gaúcha, influiu no resultado de Flamengo 2 x 2 Corinthians, ao validar o primeiro gol do clube carioca em flagrante impedimento. Se Francisco Carlos do Nascimento teve falhas no aspecto disciplinar, não cometeu nenhum erro técnico grave, o que é muito mais importante. O estrilar da imprensa gaúcha foi puro oportunismo de quem não sabe tratar os fatos com isenção.
domingo, 23 de outubro de 2016
Futebol frustrante
Havia uma enorme expectativa em torno do Gre-Nal de hoje, pelo Campeonato Brasileiro. A evidência disso está no fato de que o recorde de público da história da Arena foi quebrado. Num estádio com capacidade para 55 mil pessoas, mais de 53 mil se fizeram presentes. Porém, o jogo não correspondeu a tamanha mobilização do público. O placar de 0 x 0 foi fiel ao que se viu em campo. Um futebol frustrante, pobre tecnicamente, sem chances claras de gol, enfadonho. O Grêmio escalou o seu time titular, com exceção de Douglas, mas vários jogadores tiveram atuações insuficientes. Walace esteve péssimo, errando passes a todo o momento, o que é extremamente preocupante em se tratando do volante que fica logo á frente dos zagueiros. Luan, como de costume, errou quase todas as jogadas em que tentou obter vantagem sobre seus marcadores. Bolanos, que finalmente teve a chance de jogar na posição em que diz se sentir melhor, teve um desempenho decepcionante. Pedro Rocha, mais uma vez, esteve muito apagado, e já não é possível entender A insistência do técnico Renato em tê-lo como titular. A rigor, os dois únicos destaques do Grêmio foram os zagueiros. Geromel e Kannemann fizeram uma grande partida, com muita raça. O Inter, dentro das suas limitações, conseguiu segurar o Grêmio com uma forte marcação. Nenhum de seus jogadores se destacou na partida, mas coletivamente o time se portou bem. Para o Inter, o empate fora de casa foi bom, ainda mais que a maioria dos resultados paralelos lhe favoreceram na luta para fugir do rebaixamento. Como espetáculo, no entanto, o jogo foi muito fraco. O grande público que esteve na Arena merecia assistir uma partida de melhor qualidade.
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