sexta-feira, 21 de outubro de 2016
Competição inchada
A Copa Sul-Minas-Rio terá na sua segunda edição, em 2017, a participação de 16 clubes. Entre eles, estará o Brasil de Pelotas. Competição que nasceu como embrião de uma futura liga nacional de clubes, a Copa Sul-Minas-Rio teve em 2016 uma primeira edição razoável, mas sem que se pudesse apostar no seu sucesso a longo. A disputa é curta e em poucas datas, já que os participantes são divididos em grupos. Ainda assim, o número de 16 participantes é excessivo e torna a competição inchada. A inclusão de vários clubes pequenos e médios diminui o nível técnico da competição, o que deverá repercutir negativamente na afluência do público. Com o calendário do futebol brasileiro cada vez mais apertado, a Sul-Minas-Rio, mesmo com poucas datas, terá dificuldades para a sua realização, e, espremida entre outras competições, poderá se mostrar de baixa atratividade. A Sul-Minas-Rio deveria apostar na qualidade dos participantes, não em aumentar sua quantidade.
quinta-feira, 20 de outubro de 2016
Prisão tardia
A prisão do deputado federal cassado Eduardo Cunha (PMDB/RJ), ontem efetuada, é mais uma evidência do descalabro jurídico que se instalou no Brasil. Os motivos para prender Cunha são vários, e já existiam, comprovadamente, desde 2015. Portanto, é uma prisão tardia. Porque Cunha permaneceu solto por tanto tempo se os motivos para colocá-lo no cárcere, e as provas correspondentes, já existiam anteriormente? A resposta é óbvia. Cunha ficou solto para levar adiante o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Os golpistas precisavam de Cunha, como presidente da Câmara dos Deputados, para fazer o serviço sujo. Cumprido esse papel, a prisão de Cunha serve, agora, para que o juiz Sérgio Moro, que a ordenou, demonstre que a Operação Lava-Jato não é seletiva, que ela pune igualmente todos os corruptos, independentemente de sua ideologia ou filiação partidária. Porém, só os muito ingênuos, ou irrecuperavelmente estúpidos, podem se deixar enganar por essa encenação. Prender Cunha também seria um meio, por idênticas razões, de justificar que se fizesse o mesmo procedimento com o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. Ao contrário do que sustenta a imprensa conservadora, que tenta lhe dar a condição de herói, Moro é um mau juiz, que não age de acordo com o interesse público, mas a serviço de um grupo político que, inconformado com as sucessivas derrotas nas urnas, perpetrou um golpe de Estado, depondo, sob alegações inconsistentes, uma presidente legitimamente eleita. A prisão de Cunha era algo que se impunha, e não poderia ter demorado tanto tempo para ocorrer. Se estivéssemos num país em que a Justiça agisse de acordo com o que dela se espera, o próprio Sérgio Moro, por seus atos abusivos é sectários, também deveria ser preso.
quarta-feira, 19 de outubro de 2016
Façanha inesperada
Depois de vencer o Flamengo pelo Campeonato Brasileiro, o Inter aprontou outra surpresa. Hoje, no Beira-Rio, jogando com os reservas, ganhou do Santos por 2 x 0, e se classificou para as semifinais da Copa do Brasil. Sem dúvida, foi uma façanha inesperada, contra um adversário que podia se classificar com um empate, e que estava com seu time titular. Nas semifinais, o Inter irá enfrentar o Atlético Mineiro, novamente na condição de zebra, mas, diante do que aconteceu nos seus dois últimos jogos, não se pode duvidar de que seja capaz de contrariar a lógica, mais uma vez. As nuvens negras que ainda rondam o Inter, ameaçado de rebaixamento no Brasileirão, parece que começam a se dissipar.
Classificação sofrida
Ao longo de sua história, o Grêmio caracterizou-se pela dramaticidade que envolve muitos de seus jogos. Hoje, não foi diferente. No empate em 1 x 1 com o Palmeiras, no Allianz Parque, pelas quartas de final da Copa do Brasil, o Grêmio não teve uma grande atuação, chegou a estar atrás no placar, o que lhe eliminaria da competição, mas acabou obtendo uma classificação sofrida. Mais uma vez, o Grêmio sofreu um gol de bola aérea. A eliminação parecia certa, mas a expulsão de Allione, do Palmeiras, aos 19 minutos do segundo tempo, mudou a face do jogo. Logo depois, o Grêmio empatou a partida, e ficou com o domínio do jogo. O Grêmio poderia, inclusive, ter vencido o Palmeiras, pois teve oportunidade para isso em três excelentes contra-ataques, que, no entanto, foram todos desperdiçados, o que é preocupante. O técnico do Grêmio, Renato, disse que irá dar um puxão de orelhas em seus jogadores, pois essas chances não concretizadas poderiam ter custado caro para o clube, resultando numa eliminação. Porém, mesmo com percalços, a classificação para as semifinais da Copa do Brasil foi obtida. Agora, o Grêmio irá enfrentar o Cruzeiro, no confronto dos dois clubes que mais ganharam a competição, com quatro títulos cada um. Será uma disputa emocionante. Se eliminar o Cruzeiro, o Grêmio estará a dois jogos da possibilidade de dar um fim ao seu jejum de títulos. Os próximos dias prometem grandes emoções para o torcedor do Grêmio.
terça-feira, 18 de outubro de 2016
Atitude absurda
Foi noticiado, hoje, que o Grêmio teria decidido jogar o Gre-Nal do próximo domingo com reservas, caso venha a se classificar para as semifinais da Copa do Brasil, amanhã, eliminando o Palmeiras. Se isso se confirmar, será uma atitude absurda e indesculpável. Não é possível que, em nome de um suposto senso prático, se desconheça que, para o torcedor do Grêmio a possibilidade de contribuir para o rebaixamento do Inter para a Segunda Divisão é mais importante do que a conquista de um título. Afora isso, quem garante que, caso se classifique para as semifinais, o Grêmio será campeão da Copa do Brasil? O Gre-Nal de domingo será na Arena, onde, nas duas últimas edições do Brasileirão, o Grêmio goleou o Inter. Afora isso, a esmagadora maioria do público será formada por torcedores do Grêmio. O time titular do Grêmio é claramente superior ao do Inter. O fato de ter de jogar, possivelmente, uma partida pela Copa do Brasil três dias depois não é justificativa para se poupar jogadores. Na verdade, a ideia de colocar reservas no Gre-Nal é uma postura covarde, de quem teme que o seu maior rival inicie uma recuperação nesse jogo. São atitudes como essa que explicam porque o Grêmio vive um enorme jejum de títulos. Campeões não temem nada, nem ninguém.
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
Campanha violenta
O segundo turno das eleições para prefeito de Porto Alegre tinha tudo para ser insosso, pois os dois candidatos são da mesma vertente ideológica, e seus partidos atuavam coligados na atual administração. Porém o embate entre Nélson Marchezan Júnior (PSDB) e Sebastião Melo (PMDB) tem sido muito tenso. Melo tem feito uma campanha com fortes ataques contra Marchezan Júnior. Nos diversos debates realizados com os candidatos, o clima tem sido muito tenso. Agora, com a morte, provavelmente por suicídio, do coordenador geral de campanha de Melo, Plínio Zalewski, e ataques a sede municipal do PSDB, o nível de belicosidade em torno dos dois candidatos parece muito alto. Poucas vezes se viu um quadro tão desalentador numa eleição, pois nenhum dos candidatos representa uma opção inovadora para a cidade. Uma campanha violenta é apenas o reflexo da deterioração política que o país vive. Com candidatos ruins, de discursos ocos, num clima de disputa marcado pela beligerância, o futuro de Porto Alegre não é nada promissor.
domingo, 16 de outubro de 2016
A saida da zona
O que o Inter tanto queria aconteceu, e, por enquanto, o clube está fora da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. A saída da tão temida região da tabela se deu ao vencer o Flamengo por 2 x 1, de virada, hoje, no Beira-Rio. Depois de um primeiro tempo que terminou empatado em 0 x 0, o Flamengo marcou um gol logo no início do segundo, mas, curiosamente, isso não abateu o Inter que, a partir daí, partiu com ímpeto para buscar a virada, o que acabou conseguindo. Nada está decidido ainda, mas o resultado traz um alento para o Inter, pois, dos adversários que lhe restavam em casa, o Flamengo era o mais difícil. A esperança de escapar do rebaixamento renasceu no Inter.
Agradável surpresa
O torcedor ficou sabendo de última hora que o Grêmio jogaria com o seu time reserva contra o Santos, a fim de poupar os titulares para o jogo decisivo contra o Palmeiras, quarta-feira, pela Copa do Brasil. O que poderia ser considerado uma temeridade acabou se revelando uma agradável surpresa. O Grêmio empatou em 1 x 1 com o Santos, na Vila Belmiro, pelo Campeonato Brasileiro, jogando num estádio onde historicamente tem dificuldades, mesmo quando coloca em campo o que tem de melhor. Everton fez 1 x 0 para o Grêmio logo no início do jogo, mas o time não segurou o resultado por muito tempo, logo sofrendo o gol de empate. A partir daí, no entanto, o jogo foi marcado pelo equilíbrio e pela tentativa incessante dos times em vencer a partida. Everton teve a chance de marcar o gol que colocaria o Grêmio novamente na frente no placar, mas foi individualista e desperdiçou a oportunidade duas vezes no mesmo lance, quando poderia dar a bola para Bolanos, que estava livre na grande área, sem marcação. O resultado, ainda assim, foi bom, o que mantém a confiança do grupo em alta para os difíceis jogos que virão pela frente, na Copa do Brasil e no Campeonato Brasileiro.
sábado, 15 de outubro de 2016
Candidaturas
Estão definidas as candidaturas ao cargo de presidente do Grêmio, cuja primeira etapa da eleição, no Conselho Deliberativo, ocorrerá ainda no mês de outubro. Como já era esperado, o presidente Romildo Bolzan Júnior concorrerá á reeleição. Com a mudança estatutária recentemente aprovada, caso vença, ficará mais três anos no cargo, não dois como ocorria até o atual mandato. O candidato que concorrerá pela oposição será Raul Mendes da Rocha, ex-jogador do clube nos anos 80. Chama a atenção, na chapa de Raul, o nome de Fábio Koff Júnior, filho do padrinho político de Romildo no Grêmio, o ex-presidente do clube, Fábio Koff. Na eleição para a renovação de metade do Conselho Deliberativo, há poucas semanas, a chapa que apoiava a atual administração foi vitoriosa. Esse dado, e o fato de que a oposição só anunciou um candidato na última hora, depois da recusa de nomes mais conhecidos, indicam que Romildo deverá ser reeleito, o que é preocupante. No futebol, razão de ser do clube, Romildo, até agora, só colheu fracassos. Sendo assim, dar-lhe mais três anos de mandato é uma temeridade. Por sinal, essa modificação estatutária é mais um dos atentados ao bom senso que tem caracterizado a política do Grêmio nos últimos anos, a exemplo do que aconteceu quando as eleições para presidente, que ocorriam no período de férias do futebol, foram antecipadas, realizando-se paralelamente às competições, desfocando o clube do seu objetivo primordial, que é a conquista de títulos. Não há razão para que o mandato de presidente tenha sido ampliado, nem para que a eleição deixasse de ser realizada após o encerramento dos jogos oficiais do ano. As pretensas vantagens de tais mudanças são mínimas, e os prejuízos causados por elas ao clube são por demais evidentes.
sexta-feira, 14 de outubro de 2016
O Prêmio Nobel de Bob Dylan
A escolha de Bob Dylan para receber o Prêmio Nobel de Literatura de 2016 causou surpresa em todo o mundo. Dylan é cantor e compositor, não um literato na acepção do termo. Como letrista, no entanto, Bob Dylan apresenta características muito próprias. Suas letras são longas, carregadas de mensagens e questionamentos, não um mero complemento para uma melodia. Algumas de suas composições tornaram-se hinos de várias gerações, como "Blowin in the Wind" e "Like a Rolling Stone". Sem dúvida, a qualidade e a profundidade de suas letras estão muito acima da média de outros compositores do pop e do rock. Evidentemente, não serão poucos os que irão se rebelar contra a premiação, pois a escolha fugiu ao convencional. Particularmente, acho um tanto discutível dar um prêmio de literatura para um compositor. Seja como for, Bob Dylan é um artista brilhante, um ícone. O Nobel é mais um prêmio que se soma a uma série de troféus ganhos por Dylan durante sua longa e prolífica carreira. Pelo alto nível de sua obra, a premiação pode ser inusitada, mas não é injusta.
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