sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Os tempos são outros

Mesmo que, no plano político, o país viva tempos de obscurantismo, a sociedade não vai andar para trás. Os avanços comportamentais das últimas décadas não vão sofrer um retrocesso, por mais barulho que as forças conservadoras façam. Hoje, ocorreu mais uma prova disso. A jornalista Fernanda Gentil, da Rede Globo, jovem, bonita e de grande popularidade, veio a público para revelar que está namorando uma mulher. Fernanda separou-se de seu marido em abril.
Os dois são país de um menino de 11 meses. A atitude de Fernanda, numa sociedade reacionária e hipócrita, foi corajosa. Ela argumentou, no que tem toda a razão, que só está exercendo o seu direito de ser feliz. Não faltarão cretinos que farão críticas furiosas contra Fernanda, mas ela já recebeu muito apoio. As parcelas da sociedade que eram historicamente oprimidas vem num processo constante de libertação, e não aceitarão voltar ao estágio anterior. Os tempos são outros, e Fernanda Gentil comprovou isso ao bater de frente com a moral instituída e revelar que está se relacionando com outra mulher. Os obscurantistas devem estar espumando de raiva, mas, afora berrar impropérios, nada podem fazer para impedir os avanços na área do comportamento.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Debate morno

O último debate entre os candidatos a prefeito de Porto Alegre antes das eleições, realizado hoje à noite, foi morno. Os candidatos denotavam uma certa insegurança. Nesse sentido, Raul Pont (PT) e Luciana Genro (PSOL) pareciam os mais instabilizados. Afinal, conforme as pesquisas, eles estão tecnicamente empatados com Nélson Marchezan Júnior (PSDB) com quem disputam a presença no segundo turno, já que Sebastião Melo (PMDB) é o líder nas intenções de votos, com boa margem de vantagem. Marchezan Júnior,  por sinal, parecia o mais seguro de todos, exibindo uma postura confiante. Maurício Dziedricki (PTB) mostrou o mesmo que em seus vídeos de campanha, ou seja, um discurso calcado na existência de novas propostas e ideias, mas que é carregado de generalidades e com palavras ocas como "colaborativa". A expectativa para as eleições de domingo é saber quem concorrerá com Sebastião Melo no segundo turno. O melhor a se desejar é que um dos dois candidatos de esquerda chegue ao segundo turno, pois, caso contrário haverá um enfrentamento entre direitistas, o que não é saudável para a democracia. A sorte está lançada. Agora, é tudo com o eleitor.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Melhor do que o esperado

A derrota do Inter para o Santos era previsível, mas, da forma como se deu, acabou sendo melhor do que o esperado. O Inter perdeu para o Santos por 2 x 1, na Vila Belmiro, pelas quartas de final da Copa do Brasil. Com um time quase inteiramente reserva, o Inter resistiu ao Santos no primeiro tempo, que terminou empatado em 0 x 0. Logo no início do segundo tempo, o Santos fez dois gols, mas o Inter encontrou forças para descontar e, assim, se vencer o segundo jogo, no Beira-Rio, por 1 x 0, estará classificado para as semifinais. Nada mau para um clube que vive uma das maiores crises de sua história. Ainda que a prioridade absoluta do Inter seja escapar do rebaixamento no Campeonato Brasileiro, não deixa de ser uma situação alentadora.

Grande jogo

Acima de tudo, foi um grande jogo. Esse é o resumo do que se viu, na noite de hoje, na Arena. O Grêmio venceu o Palmeiras por 2 x 1, pelas quartas de final da Copa do Brasil, numa partida intensamente disputada, que fez jus ao enfrentamento histórico dos dois clubes. Embora o Grêmio tenha chegado a abrir 2 x 0 no placar, o Palmeiras não esmoreceu, descontou logo no início do segundo tempo, e poderia até ter empatado o jogo. O efeito do trabalho do técnico Renato já se faz sentir no Grêmio. O time está mais competitivo e entra na área com frequência, o que não acontecia anteriormente. O fato de marcar dois gols num mesmo jogo também deve ser destacado, pois o Grêmio vinha de um período de grande escassez ofensiva. Ter sofrido um gol preocupa, em função do saldo qualificado e de o segundo jogo ser fora de casa. Porém, a segunda partida com o Palmeiras será só daqui a três semanas. Até lá, os dois clubes irão se dedicar ao Campeonato Brasileiro, e isso poderá ter alguma influência sobre o jogo. Seja como for, o Grêmio ganhou o primeiro jogo, e vai em vantagem para o Allianz Parque. Convenhamos que, para um time que vinha num processo descendente, isso não é pouco.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Onda conservadora

As pesquisas sobre intenções de voto para as eleições municipais, que serão realizadas no próximo domingo, indicam que o Brasil está sendo tomado por uma onda conservadora no campo político. Em várias capitais do país, os candidatos favoritos na eleição para prefeito são de partidos de direita. No Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, como se isso não bastasse, os candidatos que lideram as pesquisas são evangélicos, o que implica numa visão de mundo carregada de preconceitos e defensora de posturas incompatíveis com uma sociedade pluralista. O primeiro colocado nas pesquisas em Curitiba disse que vomitou ao sentir cheiro de pobre. Em Porto Alegre; cidade que já foi administrada pelo PT por 16 anos consecutivos, o segundo turno poderá ter dois candidatos de direita. Pelo visto, o esforço da grande imprensa em associar a esquerda com a escalada da corrupção e a crise econômica deu resultado. O eleitor brasileiro, historicamente pouco politizado, costuma se deixar envolver por artimanhas midiáticas. O pior é que ele parece não aprender com os erros, remotos e recentes, que cometeu por se portar assim. A imagem de "caçador de marajá", que inflou a candidatura de Fernando Collor de Melo, levou o país a ver o seu primeiro presidente eleito após a redemocratização ser deposto do cargo por um impeachment na metade de seu mandato. Uma campanha em que aparecia como um homem simples e bonachão, levou eleitores incautos a escolher José Ivo Sartori para governador do Rio Grande do Sul, que, em consequência, vive a pior administração de toda a sua história. Será que as medidas desastrosas e carregadas de demofobia do governo federal golpista não bastaram para abrir os olhos do eleitor? Como pode o eleitorado, em sua maioria, escolher a direita, com todo o seu rol de maldades, sua "austeridade" que gera arrocho salarial e contração da economia? A se confirmarem, nas urnas, as tendências das pesquisas, será inevitável lembrar do ditado que expressa que quem corre por gosto não cansa. Depois de consumada uma escolha errada, não adiantará se queixar.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

O desespero do rebaixamento

A possibilidade do Inter cair para a Segunda Divisão é cada vez maior. O desespero do rebaixamento iminente já está mostrando a sua face mais sombria. Torcedores fizeram protestos agressivos durante um treino do time, e o diretor executivo de futebol, Newton Drummond, teve sua residência pichada com frases ameaçadoras. São atitudes condenáveis, que não devem ser toleradas, e que só tornam mais tenso o já abalado ambiente do clube. O Inter é um dos cinco clubes brasileiros que nunca foram rebaixados, o que é um motivo especial de orgulho para os seus torcedores, tendo em vista que o seu maior rival, o Grêmio, já caiu duas vezes para a Segunda Divisão. Portanto, é natural que a chance de que isso venha a ocorrer gere grande inquietação nos torcedores do Inter. Nada, no entanto, justifica ações violentas ou de intimidação contra profissionais do clube. Uma situação como a que vive o Inter é potencialmente explosiva, pelas paixões que envolvem o futebol. Por isso mesmo, a imprensa tem de ter muito cuidado na maneira como aborda o assunto. A notícia publicada por um jornal baiano de que o presidente do Grêmio teria pedido ao do Vitória para que lhe ajudasse a rebaixar o Inter, o que já foi desmentido pelo dirigente do clube baiano, é algo que só colabora para exacerbar reações. Ser rebaixado não é uma experiência agradável, mas grandes clubes já a vivenciaram. Se o Inter vier a ser rebaixado, como parece cada vez mais provável, terá de encarar a situação com serenidade. O futebol, como a vida, é feito de altos e baixos, e é preciso enfrentar essas variações sem perder o equilíbrio.

domingo, 25 de setembro de 2016

Afundado na zona de rebaixamento

Não houve surpresa, hoje, no Independência. Todos esperavam que o Atlético Mineiro vencesse o Inter, e isso se confirmou. Alguns previam, até mesmo, uma goleada, o que não aconteceu, mas o Atlético ganhou de forma tranquila, por 3 x 1. Os momentos em que o Inter pareceu crescer no jogo se deveram muito mais a diminuição de ritmo do Atlético Mineiro, que abriu 2 x 0 no placar e acomodou-se, o que lhe proporcionou marcar um gol. Porém, no momento em que voltou a imprimir um ritmo mais forte em campo, o Atlético chegou ao terceiro gol, e ainda poderia ter marcado outros. A situação do Inter no Campeonato Brasileiro, afundado na zona de rebaixamento, é cada vez pior, e nada aponta para uma reversão nesse quadro.

Pequeno progresso

Não foi uma grande apresentação, longe disso, mas o Grêmio venceu a Chapecoense por 1 x 0, hoje, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro, e já mostrou um pequeno progresso. O futebol de troca de passes excessivos dos tempos de Roger Machado vai dando lugar a um estilo mais vertical e objetivo com o novo técnico, Renato. O Grêmio marcou o seu gol cedo, poderia ter ampliado o placar, mas soube manter o resjltado, sem enfrentar maiores sobressaltos. Para um time que não ganhava há sete jogos, e não marcara gols nos últimos quatro, é um avanço. Afora isso, a Chapecoense é uma tradicional "touca" do Grêmio, o que dá um sabor especial ao resultado. Outra consequência positiva foi subir três posições na tabela, indo para o oitavo lugar e mantendo as esperanças de classificação para a Libertadores. Agora, as atenções do Grêmio se voltarão para o jogo de quarta-feira, contra o Palmeiras, na Arena, pela Copa do Brasil. Um jogo dificílimo, mas que poderá ter um resultado favorável se o Grêmio prosseguir na sua mudança de atitude em campo.

sábado, 24 de setembro de 2016

Vantagem situacionista

A eleição para a renovação de metade do Conselho Deliberativo do Grêmio, hoje realizada, teve ampla vantagem situacionista. A chapa 4, representando os atuais detentores do poder no clube, elegeu 81 conselheiros. A chapa 3 elegeu 35 conselheiros, e a 2, outros 34. A chapa 1 não alcançou o índice mínimo de 15% dos votos, e não obteve nenhuma cadeira no Conselho Deliberativo. Fica difícil entender o resultado final dessa eleição. O Grêmio vive um péssimo momento dentro de campo. O clube já está há seis anos sem ganhar nenhum título, e completou 15 anos sem uma conquista de expressão. Em 2016, o Grêmio sequer se classificou para a decisão do Campeonato Gaúcho. Seu presidente, Romildo Bolzan Júnior, só chegou ao cargo por ter sido apadrinhado por seu antecessor, Fábio Koff, figura mítica no clube. A administração de Romildo tem sido um somatório de fracassos. Porém, a maioria dos 6.500 sócios que participaram da eleição, de um total de 30 mil aptos a votar, escolheram a chapa situacionista. Com isso, Romildo Bolzan Júnior se torna o favorito para obter a reeleição no pleito para a escolha do presidente do Grêmio, que se realizará em outubro. Como, a partir de agora, o mandato presidencial no clube será de três anos, Romildo poderá acumular cinco anos consecutivos no cargo. Tendo em vista o que está fazendo no seu primeiro mandato, essa perspectiva se anuncia como desanimadora. Outro fato negativo a envolver a eleição de hoje foi a presença de apenas 2 mil sócios para registrar seu voto. Os outros 4.500 que votaram, o haviam feito pela internet. Comprova-se, assim, uma triste tradição nas eleições em clubes de futebol, no Brasil, que é a baixa participação dos sócios. Os que se omitiram de votar, e aqueles que escolheram a chapa situacionista, não poderão se queixar quando da ocorrência de novos insucessos em campo, pois, por ação ou omissão, terão colaborado para isso.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Fase terrível

O momento de Grêmio e Inter é tão negativo que até em sorteio o resultado é o pior possível. Hoje pela manhã, na definição dos confrontos pelas quartas de final da Copa do Brasil coube a eles adversários muito difíceis. O Inter terá pela frente o Santos, um bom time que se mantém entre os postulantes ao título do Campeonato Brasileiro. O Grêmio, comprovando seu péssimo retrospecto em sorteios da Copa do Brasil, terá de enfrentar o Palmeiras, atual líder do Brasileirão. Para piorar, enquanto seu maior rival irá fazer o segundo jogo contra o Santos no Beira-Rio, o Grêmio começará o confronto com o Palmeiras na Arena, e decidirá sua classificação no Alianz Parque. A tendência é de que Grêmio e Inter sejam eliminados, pois são inferiores aos seus adversários. Porém, caso isso se confirme, as consequências serão bem distintas para cada um. Uma possível eliminação será até benvinda para o Inter, pois lhe permitirá concentrar-se apenas na luta contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Para o Grêmio, uma desclassificação na Copa do Brasil significaria a perda da última chance de obter um título em 2016. O sorteio de hoje apenas deu prosseguimento, fora de campo, a fase terrível que Grêmio e Inter vivem dentro dos gramados.