quarta-feira, 18 de maio de 2016
Extinção emblemática
A anunciada extinção do Ministério da Cultura, e sua absorção pela pasta da Educação, é emblemática em relação aos propósitos do governo do presidente interino Michel Temer. Num governo que optou pelo obscurantismo de maneira flagrante, acabar com o Ministério da Cultura é bem coerente. Um governo que chega ao poder pela via de um golpe, sem o respaldo das urnas, não pode, mesmo, ter nenhum apreço pela cultura. Para governos como o de Temer, o senso crítico representado pela cultura é uma ameaça constante. Afora isso, fiel ao figurino neoliberal, o governo de Temer prioriza o "pragmatismo" político e econômico, no qual uma área como a cultura é considerada supérflua. A repercussão da extinção do ministério foi extremamente negativa junto á classe artística. Declarações e protestos de artistas surgiram em grande volume. Surpreendido pelo impacto negativo da medida, Temer já cogita a sua revogação. Porém, o estrago já está feito. O governo Temer mal começou e já criou áreas de atrito com vários segmentos da sociedade. Se prosseguir assim, com ações desastradas em pouco tempo, sua duração poderá ser muito breve.
terça-feira, 17 de maio de 2016
Fracasso imediato
O governo do presidente interino Michel Temer conseguiu a façanha de mostrar-se um fracasso imediato. Com menos de duas semanas no poder, avolumam-se os protestos nas ruas, as críticas na imprensa Internacional, o anúncio de vários países de que não reconhecerão o novo governo, as recusas de muitos convidados para ocuparem cargos. Uma série de medidas impopulares estão sendo anunciadas, por parte de um governo que não teve o respaldo das urnas. Os tempos são outros, e a população não se dispõe a aceitar passivamente um golpe. O início do novo governo é tão desastrado que gera a curiosidade de como conseguirá evitar que sua duração seja meteórica. Os protestos do último domingo, durante a exibição de uma entrevista de Michel Temer ao programa "Fantástico", da Rede Globo, deixam evidente que muitos dos que queriam a queda da presidente Dilma Rousseff não desejavam sua simples substituição pelo vice-presidente. Para essas pessoas, a solução seria a realização de novas eleições. Pressionado dentro e fora do país, Michel Temer terá de tirar vários coelhos da cartola para que seu governo não acabe antes que tenha, efetivamente, começado. O apoio servil e lacaio da imprensa conservadora não é o bastante para isso. Será preciso muito mais.
segunda-feira, 16 de maio de 2016
Cauby Peixoto
O Brasil perdeu, ontem, o talento de Cauby Peixoto, um dos grandes cantores da história do país. Cauby faleceu aos 85 anos, vítima de uma pneumonia. Cauby foi um personagem único na música brasileira. Dono de um vozeirão, Cauby sempre foi reconhecido por sua excelência como cantor. Ainda que, por vezes, fosse um tanto caricato e mostrasse um certo histrionismo em suas apresentações, nunca lhe faltou o reconhecimento do público e da comunidade artística. Cauby se manteve em atividade até os últimos dias de sua vida, numa carreira de mais de 60 anos. Seu maior sucesso foi "Conceição", gravada em 1956. Viveu o auge de sua trajetória nos anos 50, perdendo espaço com o surgimento da Bossa Nova. No entanto, se não era mais o ídolo popular que provocava histeria nas fãs, Cauby nunca foi esquecido pelo público e pela imprensa. Mesmo cantando sentado, nos últimos anos, devido á saúde frágil, Cauby nunca deixou de se apresentar em shows. Seu estilo é inconfundivel e lhe garantirá um lugar na memória do público.
domingo, 15 de maio de 2016
Fora do reino encantado
Para o senso comum, o empate do Inter com a Chapecoense em 0 x 0, hoje, no Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro, foi uma surpresa. Não é verdade. Ainda que o Inter seja um clube de porte bem maior que a Chapecoense, e estivesse jogando em casa, o resultado está longe de ser surpreendente. O Inter tem um time fraco e um técnico limitado. No Campeonato Gaúcho, com as peripécias do presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Francisco Novelleto, e seus árbitros de "erros humanos", tudo de torna bem mais fácil para o Inter. Apenas uma semana após a conquista do hexacampeonato gaúcho, o Inter saiu de campo, hoje, vaiado por sua torcida. Fora do seu reino encantado, a vida é muito mais dura para o Inter.
O Grêmio continua o mesmo
Olhado de uma forma genérica, o empate do Grêmio em 0 x 0 com o Corinthians, hoje, no estádio do adversário, pelo Campeonato Brasileiro, parece um bom resultado. Afinal, o Grêmio vem de duas eliminações em poucos dias, houve mudanças no seu departamento de futebol e o jogo foi fora de casa. A impressão é enganosa. O Grêmio não apresentou nenhuma mudança na sua produção em campo, e, sendo assim, sinaliza para a continuidade da sua rotina de fracassos. A incapacidade do time de chutar no gol é absolutamente irritante. Os jogadores do Grêmio costuram demasiadamente os lances, e transferem a responsabilidade na hora do chute. Nesse item, por sinal, ninguém supera Giuliano. Ele sempre procrastina a jogada de finalização. Sem evolução dentro de campo, e com reforços contratados ou especulados que não entusiasmam ninguém, o Grêmio mostra que não aprende com os seus erros. Pelo contrário, segue repetindo-os indefinidamente. Portanto, que ninguém se iluda com o aparente bom resultado de hoje. Na prática, o Grêmio continua o mesmo.
sexta-feira, 13 de maio de 2016
Os protestos já começaram
No primeiro dia de um governo espúrio e golpista, os protestos já começaram. Em Porto Alegre, hoje, cinco mil pessoas realizaram o enterro da democracia. No Rio de Janeiro, milhares de pessoas se manifestaram contra o golpe, na Cinelândia. Ontem, em Porto Alegre, um protesto contra o governo ilegítimo de Michel Temer foi reprimido pelo batalhão de choque da Brigada Militar, que fez uso de gás lacrimogêneo. A sociedade brasileira não é a mesma de 1964. Ela não se comporta mais com passividade diante de golpes políticos. Michel Temer está fadado ao fracasso com o seu governo interino. Não há possibilidade realista de êxito para a sua administração. O correr dos dias irá demostrar o quanto esse governo é inviável. O Brasil mergulhou num túnel escuro, sem que se vislumbre a perspectiva de uma saída.
quinta-feira, 12 de maio de 2016
A democracia sem povo
O Brasil é um país de singularidades. Há no país uma fruta que só é encontrada em seu território, a jabuticaba. O saudoso cantor e compositor Tim Maia também destacava outras peculiaridades brasileiras, como a prostituta que se apaixona, o gigolô que tem ciúme, o traficante que se vicia e o pobre que é de direita. Não política, existe uma outra singularidade brasileira que é a democracia sem povo. Os arautos do neoliberalismo, com suas propostas excludentes, se dizem defensores da democracia. A autêntica democracia é chamada por tais figuras de "populismo". O partido denominado Democratas é o antigo PFL , surgido do ventre da antiga Arena, legenda de sustentação da ditadura militar. O Partido Progressista é a própria Arena com outro nome. São partidos cuja principal característica é a demofobia, mas se autoproclamam "democrata" e "progressista". Diante disso, verifica-se uma outra característica marcante no Brasil, ainda que não seja uma exclusividade do país, que é a desfaçatez. Nesse aspecto, decididamente, somos insuperáveis.
quarta-feira, 11 de maio de 2016
O pior está por vir
Consumado o golpe, e o afastamento da presidente Dilma Rousseff por 180 dias, o Brasil se prepara para o governo interino de Michel Temer. Para quem acha que a situação do país está ruim, e com base nesse argumento apoiou o golpe, é prudente se preparar, pois o pior está por vir. O Brasil está prestes a ser governado por um presidente sem voto, que jamais obteria o cargo se dependesse do veredito das urnas. Sua "tropa de choque", ou seja, seus auxiliares mais próximos, serão figuras nefastas da política brasileira, como Eliseu Padilha, Romero Juca, Moreira Franco e Gedel Vieira Lima. As ideias que já circulam como sendo as diretrizes da administração de Temer apontam para medidas que atentam contra interesses fundamentais dos trabalhadores, e contemplam as aspirações do grande empresariado. A estultice de uma parte considerável da classe média brasileira levou-a a, mais uma vez, apoiar uma ação golpista. O resultado não será diferente. Em pouco tempo, os incautos que se deixaram levar pelo discurso da direita perceberão que foram, novamente, logrados. Só lhes restará, então, chorar pelo leite derramado, o que, como se sabe, de nada adianta.
terça-feira, 10 de maio de 2016
O soldado do golpe
O Supremo Tribunal Federal, instância máxima da Justiça brasileira, tem entre seus integrantes uma figura infecta, um canalha na sua pior expressão, cujo nome é Gilmar Mendes. Único entre os onze membros do tribunal a ter sido indicado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Mendes adota um comportamento incompatível com a natureza do cargo que ocupa. Em vez da discrição que se espera de um magistrado, Mendes está em constante exposição na mídia. Age como o soldado do golpe que está em curso no país, manifestando abertamente sua oposição ao atual governo, legitimamente eleito. Diante da tentativa do governo de barrar o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, Mendes faz comentários sarcásticos e debochados, assegurando que qualquer medida nesse sentido está fadada ao fracasso. A presença de Gilmar Mendes no Supremo Tribunal Federal é um escárnio ao povo brasileiro, e evidencia a necessidade de se reverem os critérios para o preenchimento das cadeiras da mais alta corte do país.
segunda-feira, 9 de maio de 2016
Turbulência política
A decisão do presidente em exercício da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP/MA) de anular a sessão da casa que determinou a admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, no dia 17/04, colocou mais lenha na fogueira da longa crise política que se abate sobre o país. A medida parecia pouco viável em termos práticos, o que acabou se confirmando no decorrer do dia. Seja como for, o anúncio da decisão causou enorme impacto e revelou que a turbulência política no Brasil está longe do fim. A imprensa conservadora insiste em apresentar o impeachment como um fato consumado, com Michel Temer assumindo como presidente na próxima quarta-feira e Dilma Rousseff sendo afastada do cargo para não mais voltar. Há quem diga, até, que surgirá uma solução para diminuir o período de afastamento legal da presidente, de 180 dias, para um prazo menor. Tudo pela ânsia de se livrar de Dilma Rousseff. Houve quem, tempos atrás, defendesse a ideia absurda de que a presidente renunciasse ao cargo, compactuando com o golpe. O que fica do gesto de Waldir Maranhão é a convicção de que muita água ainda irá rolar debaixo da ponte antes da consumação do golpe. Seja qual for o desfecho, não faltará resistência em defesa da democracia.
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