terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Luta ideológica

Uma das tantas mentiras que tentaram impingir à  opinião pública, após a queda da maioria dos regimes comunistas, liderados pela extinta União Soviética, era de que as ideologias tinham acabado. Conforme os defensores do argumento em questão, os conceitos de esquerda e direita não faziam mais sentido. As pessoas estariam desinteressadas de se moverem em torno de causas, privilegiando a busca de metas pessoais. Mentira deslavada. A luta ideológica está mais encarniçada do que nunca. As redes sociais, que deram espaço de manifestação para quem antes não o tinha, mostram a clara divisão entre os que defendem uma sociedade mais humana e justa e os que bradam a favor da repressão e do autoritarismo. Enquanto uns defendem uma sociedade com oportunidades iguais para todos, outros propõem a "meritocracia", que cronifica a injustiça. A disputa que se verifica, no momento, no Brasil, entre os que prezam a democracia e os que pretendem golpea-la, deixa a situação muito clara. Os conceitos de esquerda e direita nunca estiveram tão vivos e atuais. Movido por reações a problemas circunstanciais, o eleitorado brasileiro, no pleito de 2014, apoiou nas urnas candidatos defensores da "austeridade". Também no exterior isso se fez, com os argentinos elegendo um presidente de direita. Lá como aqui, as consequências negativas ja se fazem sentir. A esquerda pode ter seus problemas, mas a direita nunca será a solução para eles.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

As agruras do temporal

O temporal que se abateu sobre Porto Alegre na noite de sexta-feira teve efeitos devastadores. Falta de energia elétrica e de água, telefonia fixa interrompida,  ausência de sinal de tevê a cabo, internet com problemas de conexão. Nas ruas, milhares de árvores caídas, impedindo a passagem de carros e pedestres. Um panorama desolador, parecido com o de uma cidade que houvesse sido bombardeada. Nem todo a engenhosidade humana consegue fazer frente à natureza. A ocorrência de fatos desse tipo faz com que se perceba o quanto somos frágeis perante às forças naturais. Sem contar que parte da responsabilidade por tais transtornos climáticos é do próprio homem com suas constantes agressões ao meio ambiente. Desastres como o de sexta-feira, antes esporádicos, vem se tornando mais frequentes, o que é uma evidência de que é preciso repensar a relação da humanidade com a natureza que a cerca.

domingo, 31 de janeiro de 2016

Virada

O Grêmio estreou vencendo no Campeonato Gaúcho de 2016. O jogo, contra o Brasil de Pelotas, no Francisco Stédile, em Caxias do Sul, teve um Grêmio hesitante, no começo, o que levou-o a sair atrás no placar. O time tinha muita dificuldade para concluir ao gol. Porém, no final do primeiro tempo, o Grêmio obteve o empate. Logo no início do segundo, veio a virada. A partir daí, o Grêmio teve o controle do jogo, e ainda marcou mais um gol, fechando o resultado num confortável 3 x 1. Os maiores destaques do Grêmio foram os garotos. Luan foi o grande nome do jogo, com Everton logo a seguir. Pedro Rocha, de má atuação contra o Avaí, marcou um gol. Wallace Oliveira teve uma estreia promissora. Por outro lado, Kadu, mais uma vez, não teve boa atuação. A experiência com Maicon na meia não deu certo, e já foi abandonada na volta do intervalo. Tendo como adversário um dos times mais fortes do interior, o Grêmio passou no primeiro teste do campeonato estadual, cujo título ganhou pela última vez em 2010. Um jejum que já está mais do que na hora de acabar.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Displicência

A displicência de Bobô ao bater um pênalti já próximo do final do jogo custou caro ao Grêmio, hoje, contra o Avaí, em Chapecó, pela primeira rodada da Copa Sul-Minas-Rio. O Grêmio esteve duas vezes na frente do placar, e poderia ter feito 3 x 1, mas Bobô cobrou fraco, facilitando a defesa do goleiro. Nem mesmo o fato de o Grêmio ter jogado com um time misto serve de desculpa para o mau resultado. Primeiro porque essa foi uma opção do próprio Grêmio. Em segundo lugar, porque o Avaí é muito fraco. Não há nada de novo no Grêmio de 2016. O grupo de jogadores é, basicamente, o mesmo. Portanto, os desempenhos e resultados insuficientes se repetem. Não poderia ser diferente.

Vaias

O primeiro jogo do Inter no Beira-Rio, em 2016, teve vaias do torcedor após o seu final. O empate em 0 x 0 com o modesto time do Coritiba pela primeira rodada da Copa Sul-Minas-Rio, frustrou a torcida do Inter. A imprensa considerou que o Inter, no primeiro tempo, teve muito boa atuação. No segundo, teria cansado. Porém, para o torcedor, o que fica é o resultado, que, em casa, e contra um adversário de qualidade inferior, não foi bom. Afora isso, é evidente que a torcida do Inter não aprova Argel como técnico, pois entende que ele está abaixo das necessidades do clube. Seja como for, foi apenas o primeiro jogo, e o futuro de Argel vai depender do que acontecer daqui para a frente.

Percalços

A vida é feita, entre outros fatores, de percalços e imprevistos. Assim, depois de reiniciar meus textos nesse espaço, deparei-me, no mesmo dia, com uma pane em meu computador. Dessa forma, tive de suspender, novamente, a publicação de textos. Ainda em busca de uma solução definitiva para o problema, elas, mais uma vez, retornam, pois assunto é o que não falta.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

A explosão dos lanches rápidos

Basta que nos ausentemos de onde moramos por algum tempo, principalmente na passagem de um ano para o outro, para que, na volta, nos deparemos com mudanças. Foi assim quando, hoje, ao caminhar pelas proximidades do local onde resido, verifiquei que um elegante boteco da região, aberto há pouco mais de um ano, fechou. O prédio está sendo reformado para dar lugar a uma nova unidade de uma rede de lanches rápidos, os chamados "fast foods". Com isso, haverá no local, futuramente, três unidades de diferentes redes do ramo, coladas uma à outra. A troca do boteco pela lanchonete não me parece nada vantajosa. Perde-se um espaço agradável, de ambiente convidativo e cardápio variado. Os preços, é verdade, não eram muito baixos, mas a qualidade tem seu ônus. Agora, surgirá no local, a mesmice de uma lanchonete com suas opções multicalóricas e pouco criativas. A crise financeira, que afetou o bolso de parte significativa da população, e a pressa que caracteriza os tempos atuais, no entanto, levou a uma explosão dos lanches rápidos como alternativa de alimentação para um grande número de pessoas. Ao que parece, os alertas de médicos e nutricionistas sobre os perigos desses lanches para a saúde tem sido ignorado. Os "fast foods" continuam sendo uma aposta certeira no ramo gastronômico, em quase todos os lugares.

Perdas

Entre os tantos fatos que podem ser abordados das ocorrências do período em que estive ausente desse espaço, duas perdas no meio musical me parecem de maior destaque. A morte de Natalie Cole, no final de 2015, e a de David Bowie, nos primeiros dias de 2016, deixam enormes lacunas na música. Natalie, filha de um cantor notável, Natr King Cole, mostrou ter brilho próprio, e não se escudar apenas no sobrenome ilustre. Com um estilo mais pop que o de seu pai, alcançou sucesso e reconhecimento público. Chegou a fazer um dueto virtual com seu falecido pai, interpretando "Unforgettable", um dos maiores sucessos de Nat King Cole. Nos últimos anos, com sérios problemas de saúde, esteve um pouco afastada dos holofotes, mas não será esquecida. A morte de David Bowie, mais do que o desaparecimento de um artista talentoso, é a saída de cena de um revolucionário. Bowie rompeu paradigmas, redefiniu conceitos, jamais se acomodou. Artista pop por excelência, sua atuação envolvia, principalmente nos primeiros anos de sua carreira, um forte apelo visual e performático. Ele não era um apreciador de fórmulas fáceis. Buscou sempre a inovação. Sua obra, muitas vezes, não pareceu palatável para o público médio, mas abriu novos horizontes musicais e obteve o reconhecimento de seus pares. Foi um ícone da música, e tem seu lugar garantido na história.

Retorno

Um espaço como esse deve ter, se possível, uma atualização diária, ainda mais levando-se em conta os recursos da informática, que permitem que se permaneça conectado de, praticamente, qualquer lugar, dada a portabilidade e agilidade dos meio cibernéticos. Um longo período sem férias dignas do nome, apenas com pequenas folgas, a cada fim de ano, fizeram, no entanto, que eu interrompesse as postagens diárias, mesmo num período rico em fatos para serem analisados. No retorno da publicação de textos, farei referências a alguns fatos ocorridos nesses dias de ausência, e, logo a seguir, retomarei à análise do que ocorre na realidade diária.

sábado, 26 de dezembro de 2015

Críticas pertinentes

O texto divulgado ontem pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, José Aquino Flores de Camargo, com duras críticas ao governo do Estado, expressa uma triste realidade. São críticas pertinentes. Camargo condenou a articulação do governo para adiar a votação na Assembleia Legislativa de projetos de reajustes de servidores, de outros referentes à redefinição do vale-alimentação e a instituição da data base. A nota tem por título "Mensagem do presidente: o Judiciário e os projetos legislativos". Entre vários fatos analisados, Camargo critica a convocação extraordinária da Assembleia no apagar das luzes do ano legislativo, sem diálogo, incluindo na pauta várias dezenas de projetos, muitos deles polêmicos. O presidente do Tribunal de Justiça fez menção direta à proposta de criação da Lei de Responsabilidade Fiscal Estadual, que atingirá todos os poderes, vinculando a concessão de reajuste real a 25% da receita excedente. Para Camargo, a convocação extraordinária é "um perigoso caminho, porque viola regras da vida democrática, abreviando o processo legislativo e tangenciando o necessário debate público". A nota também destaca a desorganização de um Estado sem projeto de crescimento econômico e social, e que, de forma subjacente, insiste na política de desvalorizar seu manancial humano, justamente o maior patrimônio dos gaúchos. As palavras de Camargo foram duras, e extremamente fiéis à verdade dos fatos. O Rio Grande do Sul, por culpa da irreflexão da maioria do eleitorado, está entregue a um governo caótico e demofóbico. Vindas do chefe de um dos poderes do Estado, as críticas ganham mais relevância. Elas não podem cair no vazio. Devem servir para que haja uma mobilização que vise alterar essa rota administrativa tão prejudicial aos interesses da população.