terça-feira, 22 de dezembro de 2015
Muito azar no sorteio
A Libertadores de 2016 não começou bem para o Grêmio. Ontem, a partir de um ranking com critérios esdrúxulos, não foi concedida ao Grêmio a condição de cabeça de chave para o sorteio dos grupos da competição. Hoje, o Grêmio teve muito azar no sorteio. Coube-lhe o grupo mais difícil, com San Lorenzo, LDU e Toluca (MÉX). San Lorenzo e LDU já foram campeões da Libertadores, e o Toluca representa a necessidade de fazer uma viagem longa. Enfim, antes mesmo da bola rolar, o Grêmio se vê cercado de adversidades, o que é histórico na trajetória de 112 anos do clube. Some-se a isso o fato de que o Grêmio não está conseguindo, até agora, fazer as contratações necessárias para reforçar o seu time, e as perspectivas do clube para o próximo ano já não parecem animadoras. Em suas últimas participações na Libertadores, o Grêmio não tem ido adiante das oitavas de final. Dessa vez, corre um grande risco de não passar da fase de grupos.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
Os mensalões
Na semana passada, a juíza Melissa Pinheiro Costa Lage determinou a condenação do ex-governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo, a 20 anos de prisão em regime fechado por seu envolvimento em um esquema de desvio de dinheiro público para financiar sua campanha á reeleição em 1998, mal sucedida, por sinal. O esquema ficou conhecido como "mensalão tucano", dado que Azeredo é filiado ao PSDB, sendo, também, ex-presidente nacional do partido, que tem essa ave como símbolo. Em sua "Carta ao Leitor" da edição dessa semana, a revista "Veja" tenta justificar porque dedicou apenas uma página para abordar o assunto, depois de ter feito uma cobertura massiva do chamado "mensalão do PT". Conforme a revista, é uma questão de "senso de proporção". Para "Veja", o único dado relevante que há em comum entre os dois "mensalões" é a presença, no núcleo da engrenagem de ambos, do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza. Porém, em termos de volume de recursos desviados, alega a revista, a diferença é enorme. Ele seria de 170 milhões de reais no "mensalão petista", e de 3,5 milhões no tucano. Afora isso, "Veja" destaca que 25 dos 38 réus do "mensalão petista" foram condenados de forma definitiva, enquanto Azeredo poderá recorrer da sentença em liberdade. Desculpa esfarrapada. "Se "Veja" dá tratamento desigual aos dois fatos, é por uma questão meramente ideológica, pois a revista faz franca oposição ao PT e simpatiza com o PSDB. O argumento do volume de recursos desviados é patético. A ética não se mensura em cifras. O "mensalão tucano" não é menos grave que o petista por ter movimentado quantias menores de dinheiro, apenas beneficiou-se de uma incrível morosidade da Justiça para julgá-lo. Uma morosidade que acabará por beneficiar Azeredo, já que ele completará 70 anos em 2018, e dessa forma os prazos para a prescrição dos crimes pelos quais foi condenado se reduzirão pela metade. Por mais que "Veja" queira sustentar o contrário, tanto a revista como a Justiça usaram pesos diferentes para tratar casos criminalmente análogos. Essa é a verdade que nenhum exercício retórico poderá encobrir.
domingo, 20 de dezembro de 2015
Disputa desigual
A decisão do Campeonato Mundial de Clubes, hoje, em Yokohama, no Japão, confirmou o que já se esperava. A goleada de 3 x 0 do Barcelona sobre o River Plate foi uma disputa desigual. O River Plate teve a bravura e atitude típicas dos argentinos, e sua torcida nunca parou de incentivá-lo e de cantar. Porém, tecnicamente, a diferença entre os dois times é muito grande. Para piorar a situação do River Plate, Messi e Neymar, que não participaram do primeiro jogo do Barcelona, por problemas clínicos, hoje entraram em campo. O primeiro gol do Barcelona até que custou a sair, foi aos 36 minutos de jogo. No entanto, logo no início do segundo tempo, o Barcelona ampliou o placar, beneficiado por uma postura mais agressiva do River Plate, em busca do empate, que lhe concedeu espaços generosos. A partir daí, o Barcelona empilhou chances de gol, e ainda marcou mais um. Foi uma vitória tranquila, como não poderia deixar de ser, dada a superioridade do Barcelona sobre qualquer time sul-americano, atualmente. Os europeus ganharam as três últimas edições da competição, e nada sugere que isso possa se alterar nos próximos anos. Sem conseguir segurar seus principais jogadores, a América do Sul tornou-se uma exportadora de talentos, e uma espectadora da festa alheia.
sábado, 19 de dezembro de 2015
A força de Lula
Uma pesquisa do Instituto Datafolha sobre as intenções de voto para as eleições presidenciais de 2018 revela a expressividade que o nome do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva ainda possui no eleitorado.. Nos dois principais cenários sugeridos, Lula ficou em segundo lugar em ambos. No primeiro cenário, com Aécio Neves como candidato do PSDB, Lula tem 20% das intenções de voto. Nessa simulação, Aécio tem 26%, e Marina Silva, 19%. No segundo cenário, com Geraldo Alckmin concorrendo pelo PSDB, Lula tem 21% das intenções de voto. Nessa hipótese, Marina lidera com 24%, e Alckmin tem 14%. Embora não seja o primeiro colocado em nenhum dos cenários, Lula iria para o segundo turno em ambos. Esse é um dado notável, em se tratando de um nome que vem sendo vilipendiado impiedosamente pela imprensa conservadora. Por mais que os veículos de comunicação se esforcem para convencer a totalidade da opinião pública de que Lula é um corrupto que deve ir para a cadeia, seu apelo eleitoral permanece. O empenho de muitos pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff tem como motivação maior o temor de ter que encarar Lula nas eleições de 2018. Numa transição normal de governo, com Dilma cumprindo integralmente o seu mandato, as chances de vitória de Lula são muito significativas. Esse é a perspectiva que tira o sono da oposição e da grande imprensa. A diferença em favor de Aécio no primeiro cenário é pouco significativa e pode ser revertida. No segundo cenário, Alckmin sequer chegaria ao segundo turno, que seria disputado entre Marina e Lula. Como se pode perceber pela pesquisa, a força de Lula junto aos eleitores continua considerável. Para a inquietação de seus detratores.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
A queda de Levy
A saída de Joaquim Levy do cargo de ministro da Fazenda, hoje anunciada, era uma questão de tempo. Na verdade, a pergunta em relação a Levy não deve ser a de porque ele saiu, mas quais as razões de ter entrado. Levy sempre foi um corpo estranho no governo. Sua visão da economia em nada se coaduna com a do PT, partido da presidente Dilma Rousseff. Desde o início, sua indicação para o cargo causou profundo desconforto nas hostes governistas, ao mesmo tempo em que era visto pelos mais conservadores como um nome que despertaria confiança nos investidores e no "mercado". Se o governo fosse liderado pelo PSDB, a nomeação de Levy para ministro da Fazenda seria muito natural. Numa administração encabeçada pelo PT, sua presença no cargo era, no mínimo, um exotismo. A comprovação dessa situação insólita se deu logo após o anúncio de sua queda. Diversos nomes da oposição, principalmente do PSDB, criticaram duramente a saída de Levy, e fizeram previsões catastrofistas para o futuro, enquanto lideranças do PT saudaram o fato e revelaram uma expectativa de recuperação da economia do país com o novo ocupante do cargo, Nélson Barbosa. A situação econômica do Brasil é delicada, mas não há porque imaginar que a queda de Levy vá agravá-la. Afinal, em quase um ano como ministro, o receituário aplicado por Levy em nada colaborou para a recuperação econômica do país. Como é sabido, os "remédios amargos" preconizados pelo neoliberalismo, corrente a qual Levy pertence, geram recessão e desemprego. Em vez de recuperarem o paciente, tais remédios o encaminham para a morte. Embora o mau humor da imprensa conservadora e da oposição possam levar alguém a pensar o contrário, não há razões para lamentar a saída de Levy. Ela deve gerar alívio, não inquietação.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
A reviravolta no STF
Desde que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), concedeu a admissibilidade de abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o país vive fortes emoções no campo político. Até agora, as ações pró-impeachment pareciam em grande vantagem sobre os que são contra o golpe. Essa impressão foi reforçada ontem, no Supremo Tribunal Federal, quando o relator do rito do processo de impeachment, ministro Luiz Fachin, acolheu as principais medidas tomadas na Câmara dos Deputados para a instauração do mesmo, todas elas francamente desfavoráveis ao governo. Hoje, no entanto, houve a reviravolta no STF. Submetido ao plenário, o relatório de Fachin foi derrotado em suas proposições. O plenário rejeitou a formação de uma comissão alternativa, estabelecendo que ela deve ter sua constituição determinada pelas lideranças partidárias. O voto secreto dentro da comissão também foi vetado. Ele terá de ser aberto. A ideia de que, a partir da instauração do processo de impeachment na Câmara o Senado seria obrigado a julgá-lo, também foi rejeitada. Dessa forma, o Senado poderá, até mesmo, arquivar o processo, se assim entender que deva ser feito. As decisões de hoje no STF, na prática, fazem com que o processo de impeachment volte à estaca zero. Com isso, a hipótese de suspensão do recesso parlamentar para que ele fosse julgado foi praticamente afastada. A questão deverá ser retomada, apenas, em fevereiro. Até lá, o governo ganha tempo para se articular e buscar o número de votos necessário para barrar o impeachment. Nada está definido, e a situação do governo ainda é bastante problemática, mas é inegável que as decisões de hoje no STF deram um novo fôlego para os que defendem a continuidade democrática e rejeitam o golpe.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
Um modelo a ser revisto
A partir de 2005, após uma primeira experiência frustrante em 2000, a Fifa tomou para si, de modo definitivo, a organização do Campeonato Mundial de Clubes. Anteriormente, de 1960 a 1979, a disputa do título mundial se dava entre os campeões da Libertadores e da Copa dos Campeões da Europa (atual Champions League) em dois jogos, na casa de cada um. A partir de 1980, a disputa passou a ser feita em jogo único, tendo o Japão como sede fixa. A Fifa, ao assumir a organização da competição, resolveu que, por ser mundial, ela precisava ter os campeões de cada continente, e, também, o do país sede, pois esse deixou de ser o Japão de modo permanente. O país asiático voltou a sediar edições do Mundial, inclusive nesse ano, mas ele também já foi realizado no Brasil, nos Emirados Arábes Unidos, e no Marrocos. Porém, esse é um modelo a ser revisto. Com mais jogos, os estádios tem tido pouco público. Afinal, o Auckland City, da Nova Zelândia, Mazembe, do Congo, Al Ahli, do Egito, e América, do México, alguns dos clubes que já participaram da disputa, estão longe de serem atrações de bilheteria. A inclusão do clube campeão do país sede não se justifica do ponto de vista técnico, é uma tentativa demagógica de atrair o público local. Uma competição que vise apontar o campeão mundial de clubes não pode mostrar imagens de estádios com baixa ocupação. Por ser de abrangência mundial, tem mesmo de contar com campeões de todos os continentes. No entanto, é preciso pensar numa solução para que o público prestigie a totalidade dos jogos, não só aqueles mais decisivos ou que contem com a presença do campeão europeu. Uma alternativa talvez fosse fazer as fases preliminares em dois jogos, um na casa de cada clube, reservando-se a sede fixa apenas a partir das semifinais, quando os campeões da Libertadores e da Champions League ingressam na competição. Seja como for, o modelo atual precisa ser modificado, pois deslustra um campeonato cujo título deveria, por óbvio, ser considerado o de maior magnitude no mundo em se tratando de confrontos entre clubes.
terça-feira, 15 de dezembro de 2015
Reforços modestos
O Inter apresentou hoje suas duas primeiras contratações para 2016, os volantes Fernando Bob e Fabinho. Os nomes não causaram impacto positivo junto ao torcedor, pois são, inegavelmente, reforços modestos Fernando Bob, de 28 anos, veio da Ponte Preta. Fabinho, de 29 anos, estava no Figueirense. São dois jogadores de currículo pouco expressivo e, pela idade, não se encaixam mais na condição de promessas. O melhor momento da carreira de Fernando Bob, até aqui, foi no Fluminense, onde participou do vice-campeonato da Libertadores em 2008, enquanto Fabinho nunca jogou por um grande clube. Esse tipo de contratação não é, no entanto, exclusividade do Inter. Os grandes clubes brasileiros, em geral, estão contratando pouco, e nenhum dos nomes anunciados é de grande expressão. O Palmeiras trouxe, até agora, três novos jogadores, o goleiro Vágner, do Avaí, o zagueiro Róger Carvalho, do Botafogo, e o volante Rodrigo, do Goiás, todos de pouco ou nenhum renome. O Flamengo fez duas contratações de nível médio, o lateral direito Rodinei, da Ponte Preta, e o volante William Arão, do Botafogo. Os demais grandes clubes sequer apresentaram reforços até o momento, ainda estão apenas na fase das especulações. Esse quadro reflete a escassez de recursos financeiros vivida pelos maiores clubes brasileiros. Para piorar a situação, alguns dos principais jogadores do país poderão tomar o rumo do exterior, em breve, como é o caso do goleiro Alisson, do Inter, que interessa a dois clubes italianos, Juventus e Roma, e do meia Jádson, do Corinthians, que poderá ir para o Tianjin Songjiang, da segunda divisão da China, onde já está o técnico Vanderlei Luxemburgo. Acostumado, em outros tempos, a ver um desfile de craques pelos campos do país, resta, hoje, para o torcedor dos grandes clubes brasileiros, a opção de assisti-los pela televisão, jogando no exterior. Por aqui, ficam as jovens promessas, que vão embora assim que se afirmam, e os jogadores medianos, que não empolgam ninguém. Pelo visto até aqui, o torcedor brasileiro não terá nenhum motivo para entusiasmo em 2016.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
O novo eldorado do futebol
Não se passa um dia sem que os noticiários esportivos anunciem que o futebol chinês está interessado em técnicos e jogadores do futebol brasileiro. Entre os técnicos, Cuca já esteve na China, Felipão está por lá, Vanderlei Luxemburgo e Mano Menezes acabam de ser contratados. Muitos jogadores brasileiros já seguiram para a China, e outros tantos deverão ir em breve. Como se vê, a China, de uma hora para outra, tornou-se o novo eldorado do futebol. O futebol brasileiro, que já sofria com o assédio de clubes da Europa e de países árabes, agora tem mais um centro a lhe sugar a mão de obra dos gramados. Tecnicamente, o futebol chinês ainda é inexpressivo no contexto mundial. No entanto, técnicos e jogadores, ávidos por engordarem suas contas bancárias, não levam esse aspecto em consideração. Seria natural que técnicos como Felipão e Luxemburgo, em baixa na carreira, aceitassem de bom grado a chance de forrar os bolsos na China, mas até mesmo um treinador que está longe da aposentadoria, e que, portanto, teria metas esportivas a serem alcançadas, como Mano Menezes, não pensou duas vezes e abandonou um trabalho que iniciava com êxito no Cruzeiro para tornar-se um milionário por lá. Entre os jogadores que foram para a China, muitos ainda estão no ápice de sua forma física e técnica, como Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart, por exemplo, mas não hesitaram em ir para um país ainda irrelevante no contexto do futebol, seduzidos pelos altos salários. O futebol virou um grande negócio que se expande por todos os cantos, até mesmo em países onde antes tinha pouca expressão. Bom para os profissionais do futebol, do ponto de vista financeiro. Muito ruim para o torcedor brasileiro, especificamente, que vê, a cada dia, surgirem mais países e clubes para carregar os bons jogadores para longe dos estádios locais. O futebol brasileiro, tristemente, já perde seus talentos até mesmo para quem não tem tradição no esporte das multidões.
domingo, 13 de dezembro de 2015
Fiasco
Um fiasco. Não há outra definição para as manifestações realizadas hoje, em várias cidades do país, favoráveis ao impeachment da presidente Dilma Rousseff. As imagens de televisão não deixaram dúvidas. Em todas as localidades onde ocorreram manifestações, a adesão popular foi baixíssima. Aliás, a cada novo dia de concentrações pró-impeachment, o número de participantes diminui significativamente. Afinal, elas não traduzem um anseio popular autêntico. São fruto de uma ação golpista de grupos bem determinados, de orientação demofóbica. Por sinal, a data de hoje não poderia ser mais exemplificativa das aspirações de tais grupos, pois foi num 13 de dezembro que o país passou por um de seus momentos mais traumáticos, com a edição, por parte da ditadura militar, do Ato Institucional nº 5, que jogou o Brasil nas trevas do autoritarismo e da suspensão dos direitos civis mais basilares. O movimento pró-impeachment não tem sustentação popular, é uma iniciativa de elites fracassadas e ressentidas, incapazes de acatar resultados eleitorais desfavoráveis. Assim, um dos argumentos que se costumam usar para justificar ações de deposição de um governante, o da vontade popular, caiu por terra para os que pretendem a queda de Dilma Rousseff. O povo não é tão incauto como muitos julgam. Nem o imenso esforço de manipulação da opinião pública por parte de veículos de comunicação da grande imprensa foi capaz de inflar as manifestações em favor do impeachment. Se quiserem levar adiante a espúria tentativa de golpe contra uma presidente legitimamente eleita, os promotores dessa canalhice não poderão contar com a voz das ruas. O que se tenta tramar é um abjeto golpe palaciano, sem eco no coração do povo. A maioria dos brasileiros já assimilou que a democracia é inegociável. Golpe, nunca mais.
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