sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Racismo

A data de hoje, 20 de novembro, é o Dia da Consciência Negra, comemorado com feriado em várias unidades da federação. O Rio Grande do Sul, no entanto, segue na contramão nessa questão, e, até hoje, todas as tentativas de instituir o feriado no Estado foram rechaçadas. Com isso, a fama de Estado racista atribuída ao Rio Grande do Sul fica reforçada. Há alguns anos, a proposta de se construir um sambódromo no Parque Marinha do Brasil, em Porto Alegre, também foi refutada, e ele foi ser erguido no Porto Seco, numa região periférica da cidade e muito distante de onde se concentram os apreciadores do Carnaval. Fica claro que, entre os gaúchos, a discriminação contra os negros ainda é bem mais acentuada que em outras áreas do país. Os setores brancos e dominantes da sociedade gaúcha insistem em relegar o negro a uma condição subalterna. O 20 de novembro foi escolhido pela própria comunidade negra como uma data mais representativa que o 13 de maio, o Dia da Abolição da Escravatura, e homenageia Zumbi dos Palmares. Para os negros, o 13 de maio é uma data oficialista. Essa postura foi aceita em diversos estados, que instituíram o feriado. A recusa dos gaúchos em fazer o mesmo é vergonhosa.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Derrota previsível

O Inter perdeu para a Chapecoense por 1 x 0, hoje, na Arena Condá, pelo Campeonato Brasileiro. Embora muitos cronistas esportivos do Rio Grande do Sul não conseguissem enxergar isso, era uma derrota previsível. A Chapecoense faz uma grande campanha como mandante, o Inter, por sua vez, tem tido um desempenho péssimo como visitante. Não bastasse isso, o Inter teve seu grupo de jogadores praticamente dizimado por suspensões e lesões, o que diminuiu muito as possibilidades do técnico Argel Fucks poder armar um time de qualidade. Depois de resistir no primeiro tempo, que terminou com um empate de 0 x 0, o Inter foi batido no segundo. A expulsão de Juan colaborou para isso, mas ela foi justa. As reclamações do Inter contra a arbitragem foram improcedentes, pois ela até foi benevolente, já que William deveria ter sido expulso após aplicar uma cotovelada em William Barbio, e só recebeu o cartão amarelo. Com o resultado, as chances do Inter se classificar para a Libertadores são, agora, meramente teóricas. Resta uma única motivação para o clube, em 2015, que é dar o troco no Grêmio pela goleada de 5 x 0 sofrida no primeiro turno. Certamente, o Inter estará extremamente motivado no Gre-Nal de domingo. Só não deve contar com a hipótese de jogar contra um Grêmio "relaxado", pois isso não passa de um delírio de cronistas "isentos".

Possibilidade aumentada

O Grêmio venceu o Fluminense por 1 x 0, hoje, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro. Com a vitória, mais do que ter, praticamente, garantido a classificação para a Libertadores, o Grêmio viu a possibilidade aumentada de ainda obter o vice-campeonato, pois o Atlético Mineiro perdeu e a distância entre os dois clubes na tabela caiu para três pontos, faltando nove para serem disputados. Dessa forma, não se confirma a ideia de alguns cronistas esportivos de que o Grêmio iria de "sangue doce" para o Gre-Nal  de domingo, no Beira-Rio, caso vencesse hoje. Afora ser um degrau mais alto na competição, o vice-campeonato representaria R$ 2 milhões a mais em relação ao prêmio pago para o terceiro colocado. Portanto, o Grêmio tem motivação de sobra para o Gre-Nal, e não vai cair na conversa mole de cronistas "isentos" que estão ávidos para que o Inter dê o troco da goleada humilhante de 5 x 0 que sofreu no primeiro turno. Se o Grêmio ganhar o Gre-Nal, ele também estará alijando o Inter, definitivamente, de qualquer chance de se classificar para a Libertadores, o que é mais um fator extraordinário de motivação. O Gre-Nal será disputadíssimo, sem a menor chance de o Grêmio se apresentar "relaxado" em campo.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Sem ao menos pedir desculpas

Poucos assuntos impactaram tanto o país nos últimos dias quanto a tragédia ambiental de Mariana, no interior de Minas Gerais. O rompimento da barragem de Fundão, da Mineradora Samarco, jogou um mar de lama sobre o distrito de Bento Rodrigues, praticamente varrendo-o do mapa, e deixando 11 mortos e 12 desaparecidos. O desastre de Mariana não ficou restrito ao município. Ontem, o governo de Minas Gerais decretou situação de emergência na região da bacia do Rio Doce e nos municípios afetados pelo rompimento. A medida envolve 202 municípios, e outros 26, do Espírito Santo, também fazem parte da bacia. Agora, há o risco de rompimento de outra barragem, a de Santarém. Mesmo diante de um quadro tão desastroso, com o Rio Doce tendo sua morte praticamente decretada e com o abastecimento de água de vários municípios estando seriamente afetado, o diretor de Operações e Infraestrutura da Mineradora Samarco, Kléber Terra, afirmou que "não é o caso de pedir desculpas à população". A lógica capitalista é assim. Em busca de lucros, empresas privadas causam danos ambientais que acarretam prejuízos para milhares de pessoas, e cujos efeitos se prolongam ao longo de décadas. Ainda assim, entendem que não devem sequer um pedido de desculpas para a população. Os efeitos do rompimento da barragem de Fundão não foram inteiramente mensurados, e se prolongarão por muito tempo. Espera-se que os responsáveis pelo ocorrido tenham de arcar com o dispêndio de grandes somas de dinheiro para tentar, ao menos, minorar as consequências do desastre. Porém, a declaração do diretor da Samarco e a conhecida leniência da Justiça brasileira para com os poderosos, não tornam essa hipótese muito viável.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Sobrevida

O técnico da Seleção Brasileira, Dunga, garantiu sua sobrevida no cargo. A goleada de 3 x 0 da Seleção sobre o Peru, hoje, na Arena Fonte Nova, fará com que Dunga continue no posto pelo menos até março, quando a equipe voltará a jogar pelas Eliminatórias. Descontando-se o fato de que o Peru é um adversário fraco, a atuação da Seleção foi boa, com Douglas Costa e William tendo sido os dois maiores destaques individuais. Renato Augusto, que teve a chance de sair jogando, teve bom desempenho e marcou um dos gols. Neymar, mais uma vez, rendeu menos que o esperado. O melhor jogador em campo, no entanto, foi Douglas Costa. Ele marcou o primeiro gol, fez uma jogada espetacular que culminou no passe para Renato Augusto marcar o segundo, e desferiu o chute que foi rebatido pelo goleiro e sobrou para Filipe Luís anotar o terceiro. Foi inegável a melhora de rendimento da Seleção com a entrada de Renato Augusto e Douglas Costa e a saída de Lucas Lima e Ricardo Oliveira. Ao que parece, a Seleção funciona melhor sem a figura do centroavante de ofício. O próximo jogo da Seleção pelas eliminatórias será só no dia 24 de março de 2016, novamente em casa, contra o Uruguai, um adversário muito mais exigente. Se vencer, Dunga poderá solidificar ainda mais a sua permanência no cargo. Caso contrário, os rumores sobre a sua saída voltarão a ganhar força.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

A continuidade da apologia ao golpe

A revista "Veja", principal representante do neoliberalismo na imprensa brasileira, não desiste da apologia ao golpe, tentando, de todas as formas, fomentar a ideia do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Se antes vislumbrava a hipótese de uma queda total do governo, com o PSDB assumindo o poder, a revista, em sua edição dessa semana, passou, agora, a apoiar a queda de Dilma, tão somente, com o vice-presidente Michel Temer (PMDB), entrando em seu lugar. O que alimenta o entusiasmo de "Veja" com essa possibilidade é o documento "Uma ponte para o futuro", elaborado pela Fundação Ulysses Guimarães, do PMDB, que faz críticas ao governo e propõe medidas que soam como música aos ouvidos dos demófobos, como privatizar estatais e flexibilizar leis trabalhistas. A luta da revista é tão incansável quanto inócua. Durante todo o período em que o PT está no poder, "Veja" tentou derrubar o governo. Para isso, afora a sua linguagem carregada de antiesquerdismo, apelou para a denúncia de escândalos, sempre caracterizados como "os maiores da história do país". Não obteve êxito. A nova tentativa, por certo, será, mais uma vez, infrutífera. A prova disso esteve, ontem, nas diversas "manifestações populares" em favor do impeachment, realizadas em várias capitais do país. Em todas elas, a presença de público foi baixíssima. Enquanto isso, no Rio de Janeiro, a Parada Gay teve a participação de 500 mil pessoas. O governo não vai cair, para desconsolo de "Veja" e dos demais golpistas.

domingo, 15 de novembro de 2015

O desencanto brasileiro com a Fórmula 1

Dentro do autódromo de Interlagos a festa foi bonita como sempre, com arquibancadas e demais lugares lotados, a preços elevados. Porém, o Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1, que teve, hoje, mais uma edição, não alcançou a mesma receptividade por parte de quem estava em casa, sentado no sofá. A Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão da competição no Brasil, perdeu em audiência para a sua principal concorrente, a Record, durante a transmissão da corrida. No transcorrer do ano de 2015, a própria Globo tratou de desprestigiar o produto. Em função da audiência, a Globo deixou de transmitir os treinos classificatórios na íntegra, levando ao ar apenas a terceira e decisiva parte, quando são definidas as dez primeiras posições do grid de largada. As duas corridas anteriores ao Grande Prêmio Brasil sequer foram transmitidas ao vivo pela Globo, que deu preferência a jogos do Campeonato Brasileiro que se realizavam no mesmo horário, e foram mostradas em compacto, após o programa "Fantástico". O crescente desencanto dos brasileiros com a Fórmula 1 tem uma razão clara, que é a falta de pilotos do país capazes de conquistarem vitórias e títulos. No Grande Prêmio Brasil de 2008, quando Felipe Massa ganhou a corrida e perdeu o título na última curva, depois que Lewis Hamilton pulou do 6º lugar para o 5º, a audiência de televisão foi o triplo da verificada hoje. De lá para cá, Massa nunca mais esteve perto de ser campeão, chegou a ficar como único representante do país na Fórmula 1, e, agora, tem a companhia de Felipe Nasr, um piloto de muito talento, mas que ainda está numa equipe pequena e sem chance de obter melhores resultados. O interesse dos brasileiros pela Fórmula 1 foi despertado pela trajetória vitoriosa de Émerson Fittipaldi, ganhador de dois títulos mundiais. Após ele sair de cena, logo surgiram Nélson Piquet, num primeiro momento, e, pouco depois, Ayrton Senna, que ganharam três títulos, cada um. O esporte não sobrevive sem grandes ídolos. Costuma-se dizer que o Brasil, no esporte, vive a monocultura do futebol, mas isso não é bem assim. O brasileiro sempre reconheceu os grandes talentos de todos os esportes. Maria Esther Bueno e Gustavo Kuerten, no tênis, Ademar Ferreira da Silva e João do Pulo, no atletismo, e Éder Jofre, no boxe, foram reverenciados pelos brasileiros. Nos esportes coletivos, a Seleção Brasileira de Basquete Masculino de Amaury Pasos, Wlamir Marques, entre outros, bicampeã mundial, também obteve reconhecimento. Porém, o tênis, o atletismo e o boxe, no Brasil, não produzem grandes talentos de forma sistemática, e sim sazonal, e o basquete masculino jamais tornou a viver um momento tão glorioso quanto aquele. O futebol, ao contrário, sempre produziu grandes ícones no país, o que explica sua consolidação na preferência dos brasileiros. Não houve período, desde a sua introdução no Brasil, em que não fosse revelado um talento notável. Nos primórdios do futebol no país, nas duas primeiras décadas do século passado, surgiu Friendereich. Nos anos 30, junto com o profissionalismo, foi a vez de Leônidas da Silva, o "Diamante Negro". A década de 40 trouxe Zizinho, a de 50, Pelé e Garrincha, a de 60, Gérson, Rivellino e Tostão, a de 70, Zico, a de 80, Romário, a de 90, Ronaldo, e os anos 2000, Neymar. Nunca faltaram talentos diferenciados para manter vivo o interesse dos brasileiros pelo futebol. Nesse sentido, só o vôlei, tanto masculino quanto feminino, apresenta uma realidade semelhante. Desde que o vôlei brasileiro saiu da inexpressividade para tornar-se um colecionador de títulos, há pouco mais de 30 anos, a renovação de valores tem sido constante, o que mantém a qualidade do desempenho e fez com que ele se tornasse o segundo esporte na preferência dos brasileiros, desbancando o basquete. Para que a Fórmula 1 volte a encantar os brasileiros é fundamental que sejam revelados novos talentos capazes de repetir os feitos de Émerson, Piquet e Senna. Afinal, os torcedores de qualquer esporte são movidos a vitórias e, principalmente, títulos.

sábado, 14 de novembro de 2015

Transformando vítimas em algozes

Logo após os atentados de Paris, as redes sociais passaram a repercutir os acontecimentos, como não poderia deixar de ser. O incrível é que muitas das postagens tentavam justificar o ocorrido, com argumentos como o de que era a consequência da ação opressora do cristianismo sobre o islamismo, e do colonialismo do Ocidente sobre o Oriente. O que houve em Paris, foi inaceitável, imperdoável, repugnante, abjeto. Não se pode transformar as vítimas em algozes. Mais de uma centena de inocentes foram assassinados, enquanto desfrutavam momentos de lazer, por fanáticos religiosos ensandecidos. As mazelas históricas da relação entre o Ocidente e o Oriente são conhecidas, mas elas não justificam o que houve em Paris. Não é possível que alguém compre a ideia de que terroristas que já degolaram e, agora, fuzilaram pessoas são a representação de povos ou grupos oprimidos pelas potências imperialistas, e que estariam reagindo a atrocidades de que teriam sido vítimas em outros tempos. Até porque, reagir com violência a uma agressão sofrida não é buscar justiça, é procurar vingança. Na verdade, o grande embate que se estabeleceu no mundo atualmente é entre a sua porção esclarecida e os adeptos do obscurantismo, com seu fundamentalismo religioso e conceitos morais medievais. Os terroristas não são coitadinhos oprimidos pelos países ocidentais. São bandidos que praticam crimes hediondos, e não merecem complacência.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

O mundo em pânico

Os atentados terroristas de hoje em Paris, que já resultaram em mais de uma centena de mortos, instauram o pânico no mundo. Esse tipo de ataque vem se sucedendo, com grande número de vítimas. A motivação por trás de tamanha violência, praticada por grupos radicais islâmicos, é de caráter religioso e cultural, e também é adubada pela inconformidade com a opulência material do Ocidente em contraste com as carências dos países do Oriente. Seja como for, o combate ao terrorismo é um desafio que se coloca para as grandes potências, pois os ataques não tem sido previstos pelas forças de segurança, e vitimam cidadãos indefesos, em situações como estar num restaurante ou numa casa noturna. Até aqui, os países atingidos pelos atos terroristas tem reagido com equilíbrio. O prosseguimento dos ataques, no entanto, poderá levar a um quadro limite, em que os países ocidentais tenham de dar uma resposta mais drástica. Nesse caso, um grande conflito internacional poderia se estabelecer, com muitas perdas de vidas. O que aconteceu hoje é muito grave. Não é possível ficar assistindo passivamente aos atos hediondos praticados pelos terroristas. As pessoas tem direito à segurança, para poderem viver com normalidade, sem ficarem expostas ao ímpeto assassino de mentes perturbadas pelo fundamentalismo religioso. Os fatos ocorridos hoje em Paris exigem uma resposta enérgica, e ela não pode tardar.

Mais sorte que futebol

Visto isoladamente, o resultado da Seleção Brasileira contra a Argentina, hoje à noite, no Monumental de Nuñez, foi bom. Afinal, empatou em 1 x 1 jogando fora de casa contra a sua maior rival. No entanto, a realidade é bem diferente. A Seleção Brasileira fez um péssimo primeiro tempo, em que foi dominada inteiramente pela Argentina. A derrota parcial de 1 x 0 era mais do que justa. No segundo tempo, a Seleção achou um gol, e conseguiu manter o empate até o final. Em resumo, a Seleção teve mais sorte que futebol. Afora isso, é preciso lembrar que a Argentina estava sem seu principal jogador, Messi, e teve mais quatro desfalques, todos por lesão. Enquanto isso, a Seleção teve a volta, após cumprir suspensão, de seu maior craque, Neymar, que, por sinal, não jogou bem. A campanha realizada até o momento nas Eliminatórias da América do Sul para a Copa do Mundo de 2018, com quatro pontos ganhos em nove disputados, e o fraco desempenho em todos esses jogos, somada ao fracasso na Copa América, mostram que a Seleção Brasileira, com Dunga como técnico, não tem boas perspectivas para o futuro. A contratação de Dunga como técnico foi um grande erro, e sua permanência no cargo significa uma perda de tempo que poderá custar caro à Seleção. Está mais do que na hora de a CBF ouvir o que é quase um consenso da opinião pública, e contratar Tite, atualmente no Corinthians, para ser o novo técnico da Seleção.