quinta-feira, 24 de setembro de 2015

O cerne da questão

Diante da crise econômica que o Brasil atravessa, os arautos da "sociedade de mercado" voltam  a colocar as suas manguinhas de fora, e a defender que a solução paras todos os males do país é o estado mínimo. Conforme eles, é preciso diminuir a "máquina estatal", cortar despesas públicas, não gastar mais do que se arrecada, realizar "reformas estruturais". Para esses estadocidas e demofóbicos, todos os males econômicos brasileiros tem origem no "excesso de gastos públicos". Por entenderem que não existe "almoço grátis", querem reduzir a lógica da ação do Estado à de uma empresa privada. Aí é que está o cerne da questão que envolve esse embate ideológico. Os neoliberais não aceitam a vinculação de receitas a despesas, ou seja, que haja uma porcentagem determinada de recursos do orçamento destinada para áreas como saúde, educação e segurança. No seu entendimento, os gastos não podem ser obrigatórios, tem de estar condicionados aos recursos existentes. Esse princípio, no entanto, é muito lógico se aplicado numa empresa, não num governo, por um aspecto que faz toda a diferença. Na iniciativa privada, visa-se, prioritariamente, o lucro. Se ele não estiver sendo alcançado, o empresário toma uma série de medidas, incluindo a demissão de pessoal, com todas as suas cruéis consequências, para que ele seja obtido. Afinal, quem abre qualquer empreendimento busca obter a prosperidade material. Com os governos não é assim. Eles não tem a obrigação de fechar suas contas no azul. Suas elevados deveres para com a população impedem que neles se aplique a lógica privatista. A saúde, a educação, a segurança, a previdência social, são deveres inalienáveis do Estado para com o povo. O Estado mínimo é um crime que se pratica contra os mais frágeis para que se perpetuem os privilégios dos poderosos. Estado e lucro são como água e azeite, imiscíveis.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Empate amargo

O Inter empatou em 1 x 1 com o Palmeiras, hoje, no Beira-Rio, pelas quartas de final da Copa do Brasil. Foi um empate de sabor amargo para o Inter, pois como decidirá a classificação fora de casa, era essencial vencer em seu estádio, e não ser vazado, devido ao saldo qualificado que dá valor dobrado aos gols marcados pelos visitantes. Porém, o resultado até saiu barato para o Inter. O Palmeiras jogou melhor a partida inteira, e poderia ter saído na frente no placar, se Alisson não tivesse defendido um pênalti cobrado por Lucas Barrios. O mesmo jogador perdeu um gol feito quando estava sozinho diante de Alisson. Foi o Inter que abriu o placar, com um chute de fora da área de Alex, uma das especialidades desse jogador. Porém, seria muito injusto o Palmeiras sair derrotado de campo, depois de ter sido superior ao Inter durante todo o jogo. Rafael Marques, que entrou no segundo tempo, marcou o gol de empate, restituindo um mínimo de justiça à partida. A torcida do Inter, frustrada, vaiou o time após o término do jogo. O Palmeiras conseguiu carregar uma boa vantagem para o segundo jogo, no Allianz Parque. Diante do que jogou hoje, e por decidir em casa, o Palmeiras tem tudo para seguir adiante na competição.

Bom resultado

O Grêmio empatou em 0 x 0 com o Fluminense, hoje, no Maracanã, pelas quartas de final da Copa do Brasil. Não foi um jogo de boa qualidade. Os dois times mostraram pouco poder ofensivo, e a partida teve pouca emoção. Bobô saiu jogando, mas teve uma atuação discreta. Douglas e Luan, de bons desempenhos nos últimos jogos, estiveram apagados. Fernandinho, que dessa vez entrou como arma de segundo tempo, não conseguiu dar uma contribuição mais efetiva. O Fluminense, pressionado pelos maus resultados em sequência, e jogando para um Maracanã com pouco público, não encontrou forças para alcançar uma vitória. Para o Grêmio, foi um bom resultado, mesmo que qualquer empate com gols no segundo jogo classifique o Fluminense. Afinal, o Grêmio decidirá em casa, e, ao contrário do que aconteceu hoje, a Arena deverá receber um grande público. Uma vitória, é claro, seria bem melhor, mas a classificação do Grêmio para as semifinais ficou bem encaminhada.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Feito extraordinário

Fazer cinco gols num jogo já é, por si só, um fato digno de nota. O que dizer então, de marcá-los num espaço de apenas nove minutos? Foi o que aconteceu, hoje, com o atacante Lewandowski, do Bayern de Munique, na goleada de 5 x 1, sobre o Wolfsburg, na Allianz Arena, pelo Campeonato Alemão. Lewandowski começou o jogo no banco de reservas. O primeiro tempo terminou com a vitória parcial  do Wolfsburg  por 1 x 0. Na volta do intervalo, Lewandowski entrou no time, em substituição a Thiago Alcântara. Foi aí que começou uma façanha das maiores na história do futebol. Entre os 5 e os 14 minutos do segundo tempo, Lewandowski marcou cinco gols, e só não o fez o sexto porque um jogador do Wolfsburg salvou a bola em cima da linha. O feito extraordinário de Lewandowski é ainda mais significativo por ter sido sobre um adversário de boa expressão, que é o atual vice-campeão alemão, e que ganhava o jogo até a sua entrada em campo. Lewandowski não é um craque, mas o que ele fez hoje coloca o seu nome de forma destacada na história do mais popular dos esportes.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Retrocesso

A grande ameaça que paira sobre o Brasil, no momento, é a de um retrocesso político e institucional. Movidos por um ódio irracional, políticos mal intencionados insuflam os incautos com a ideia do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Por não assimilarem uma derrota legítima nas urnas, querem interromper um mandato de quatro anos antes que complete o primeiro. O mais incrível é que essas ideias prosseguem mesmo que orgãos representativos da imprensa do exterior, como o jornal "The New York Times", por exemplo, destaquem que não existe nenhuma razão concreta para o impeachment de Dilma Rousseff, e que uma continuidade democrática de 30 anos não deve ser quebrada. Os que se deixam levar pelas insidiosas campanhas para derrubar Dilma Rousseff não devem ter parado para pensar no que aconteceria caso sua pretensão se concretizasse. Acaso imaginam que bastaria a troca de governo para que todos os problemas do país se resolvessem de imediato? Não é possível que tenham uma visão tão ingênua da realidade. Os que postulam a ideia de chegar ao poder pela via do golpe deveriam refletir que nada poderia ser pior do que ter que corresponder à expectativa de resolver problemas de forma mágica. Obviamente, isso não seria alcançado, o que geraria enorme frustração social, com consequências danosas. Para aqueles que acham que basta tirar Dilma Rousseff e o PT do poder que tudo se resolverá, há um exemplo concreto e prático do que ocorreria se o governo, repentinamente, trocasse de mãos. Observe-se o que acontece no Rio Grande do Sul. Levado pelo mesmo tipo de campanha antipetista feita no plano federal, o eleitor colocou no cargo de governador um defensor das ideias neoliberais de "austeridade". O panorama resultante dessa escolha, em menos de um ano de governo, é simplesmente caótico. Funcionários públicos com salários parcelados, educação e saúde sucateadas, falta de segurança absoluta, com a população indefesa diante da criminalidade. Um dia, as pessoas irão perceber que a direita não é a solução para nenhum problema. Afinal, ela, em si, é o problema. Essas afirmações não são minhas, nem inéditas, você já deve tê-las visto anteriormente. Pois, então, acredite, não são frases de efeito, de mero exercício retórico. Constituem uma grande verdade. O que o Brasil precisa é de continuidade democrática e solidez institucional. Como expressa o ditado, no andar da carruagem, as melancias se acomodam. Mudar as regras com o jogo andando, como o  Brasil já fez tantas vezes no passado, é próprio de uma república das bananas. O Brasil não cabe mais nesse figurino.

domingo, 20 de setembro de 2015

Alternâncias

A cada rodada do Campeonato Brasileiro, ocorrem alternâncias na tabela. Os que acham que a vitória de Corinthians, hoje, sobre o Santos, definiu o ganhador do título se esquecem de que, na rodada anterior, ele foi derrotado pelo Inter. Assim, o fato de um clube alargar uma vantagem hoje pouco significa, pois ela poderá encolher logo adiante. Claro que, à medida em que o número de jogos a serem realizados diminui, uma reversão fica mais difícil, mas o título do Brasileirão ainda está em aberto. A vantagem atual do Corinthians em relação ao Atlético Mineiro, de cinco pontos, é confortável, mas não definitiva. O Grêmio, cuja desvantagem para o clube mineiro aumentou para quatro pontos, também não deve jogar a toalha. Convém lembrar que o Corinthians ainda irá jogar em Belo Horizonte centra o Atlético Mineiro, que, por sua vez, terá de enfrentar o Grêmio na Arena. Caso os mandantes desses jogos façam prevalecer o seu favoritismo, e dependendo do que vier a acontecer nas outras partidas que farão, o campeonato ainda ficará mais embolado, e a definição do título se dará por uma pequena margem de pontos. Por outro lado, os tropeços de Flamengo e São Paulo nas duas últimas rodadas, dão a entender que a única posição da zona de classificação para a Libertadores ainda em disputa é a quarta, atualmente ocupada pelo Palmeiras. Pela distância que abriram dos demais, Corinthians, Atlético Mineiro e Grêmio deverão apenas brigar entre si para definir suas colocações, mas serão os três primeiros na classificação final.

sábado, 19 de setembro de 2015

A euforia durou pouco

O Inter empatou em 1 x 1 com o Figueirense, hoje, no Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro. Depois da vitória sobre o Corinthians, quebrando uma invencibilidade de 17 jogos do adversário, clube e torcida foram tomados por um grande entusiasmo. Havia quem já imaginasse uma entrada na zona de classificação para a Libertadores. A euforia, no entanto, durou pouco. Apenas três dias. Ao não passar de um empate com o modesto Figueirense, integrante da zona de rebaixamento do Brasileirão e que veio para o jogo com um técnico interino, o Inter voltou para a realidade. Como as opiniões flutuam de acordo com os resultados, cronistas que previam um futuro imediato promissor para o Inter, teceram comentários carregados de desalento após o tropeço de hoje, e distribuíram críticas ao técnico Argel Fucks, até então elogiado. Agora, as chances do Inter na competição se reduziram bastante, o que deverá levar o clube a priorizar a Copa do Brasil. Porém, caso não tenha êxito nessa disputa, restará ao Inter um final de ano antecipado e melancólico. Fora do reino encantado do Gauchão, tudo é mais difícil.

Teimosia imperdoável

O Grêmio perdeu por 3 x 2 para o Palmeiras, hoje, no Pacaembu, pelo Campeonato Brasileiro. O time estava muito desfalcado, e alguns jogadores, como Bressan e Erazo, tiveram atuações muito ruins, mas, ainda assim, o Grêmio poderia ter tido melhor sorte no jogo, não fosse por um detalhe essencial. Esse fator decisivo para a derrota foi a teimosia imperdoável do técnico Róger Machado de continuar escalando o goleiro Tiago, de atuações comprometedoras em quase todos os jogos de que participa. Hoje, não foi diferente.Eram apenas seis minutos do primeiro tempo e Tiago, numa saída de gol desastrada, já concedia o primeiro gol para o Palmeiras. Um gol tão cedo compromete o trabalho do time em campo, e tem um peso enorme no resultado final. Não há atenuantes para a falha de Tiago, ele foi o único culpado no lance. Afora isso, não é a primeira vez que Tiago comete uma falha desse tipo, pelo contrário, elas tem sido recorrentes. Contra o Sport, na Arena, por exemplo, jogo que o Grêmio vencia por 1 x 0, Tiago, em outra saída de gol ridícula, entregou o gol de empate para o adversário, determinando a perda de pontos preciosos. As falhas de Tiago já subtraíram muitos pontos do Grêmio. Não fossem elas e, talvez, o Grêmio pudesse, até mesmo, estar na liderança do Brasileirão. Mesmo diante de tantas evidências, o técnico do Grêmio insiste em escalá-lo. Está na hora do departamento de futebol cobrá-lo por essa atitude incompreensível. Bruno Grassi, relegado à condição de terceiro goleiro, é mais maduro e melhor tecnicamente que Tiago. Na ausência de Marcelo Grohe, titular indiscutível, ele é que deve ser o goleiro escolhido. Ao insistir com a preferência por Tiago, mesmo com todas as demonstrações de que ele prejudica o time, Róger Machado fere os interesses do Grêmio e sabota o seu próprio trabalho, mostrando que, embora seja um técnico talentoso, ainda é um tanto imaturo.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Um canalha de toga

O Supremo Tribunal Federal, mais alta corte da Justiça brasileira, deveria ter em seus 11 ministros figuras que, afora o notável saber jurídico, possuíssem um caráter acima de qualquer suspeita. Lamentavelmente, não é assim. Na composição atual da corte há, pelo menos, um homem dos mais desprezíveis, um canalha de toga. Seu nome é Gilmar Mendes, e sua indicação ao cargo foi feita pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Suas opiniões e decisões tem um nítido viés demofóbico. Elitista, vota contra os interesses das categorias profissionais. Foi o responsável pela extinção da obrigatoriedade de diploma universitário para o exercício da profissão de jornalista, uma velha aspiração dos proprietários de veículos de comunicação. Na sua justificativa de voto, comparou os jornalistas aos cozinheiros. Os grandes plutocratas brasileiros sempre tiveram nele um fiel aliado. Gilmar Mendes procura blindar empresários e especuladores do mercado financeiro de qualquer condenação no tribunal. Ultimamente, especializou-se em atacar o PT e o governo federal. Em palestras e entrevistas, despeja seu ódio contra o partido. Em seu mais recente ataque verbal, acusou o PT de ter implantado uma cleptocracia no governo. Fez também ataques à Ordem dos Advogados do Brasil, que definiu como uma instituição que perdeu expressão e adotou uma feição sindicalista. Curiosamente, esse "paladino da moralidade" votou a favor das doações empresariais para campanhas políticas, que, em boa hora, foram proibidas pelo Supremo Tribunal Federal. Os excessos verbais de Gilmar Mendes não podem continuar impunemente. O presidente nacional do PT, Rui Falcão, disse que o partido já pensa em acioná-lo judicialmente. Faz muito bem. A liberdade de expressão assegurada pela Constituição não implica no direito de se atacar levianamente partidos e instituições levado pelo ódio político. A presença de Gilmar Mendes entre os membros do orgão máximo da Justiça brasileira é uma ameaça à democracia.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Galerias vazias

Nada poderia ser mais emblemático em relação ao atual governo do Rio Grande do Sul do que o deprimente espetáculo da tarde de ontem. Com as galerias da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, a casa do povo, mantidas vazias pelas forças policiais, a base aliada do pior governo do Estado de todos os tempos aprovou uma série de medidas que ferem os interesses dos servidores e dos cidadãos. Nessa atitude ficou explicitado que o atual governo, de figurino abertamente neoliberal, despreza os servidores e o povo do Rio Grande do Sul, encarando-os como inimigos. Uma das medidas aprovadas ontem foi a de limitar as aposentadorias e pensões dos novos servidores públicos estaduais ao valor da Previdência paga pela União. O projeto cria a Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público do Estado do Rio Grande do Sul, a RS-Prev. O governo do Estado, com essa e outras iniciativas, adota o modelo defendido pela direita de que para bem administrar é preciso tomar decisões impopulares. Mais adiante, serão votadas a extinção de fundações de grande valor para a sociedade e a privatização de empresas estatais. Com um governo demofóbico, aliado aos interesses do grande capital, o Rio Grande do Sul ainda terá muito o que penar nos próximos três anos. Um filme de terror que deve servir de alerta para a maioria dos eleitores que, deixando-se levar por uma imprensa facciosa e um marketing engenhoso de campanha, compraram gato por lebre e escolheram José Ivo Sartori, um homem bronco e inepto, para governador.