quinta-feira, 23 de julho de 2015
Fracassos acumulados
A goleada de 7 x 1 da Alemanha sobre a Seleção Brasileira nas semifinais da Copa do Mundo de 2014, pelo visto, está longe de ter fechado um ciclo. Os novos valores, que deveriam representar a necessária oxigenação do futebol brasileiro, não tem demonstrado estarem aptos para tanto. A entressafra de talentos parece que persistirá por algum tempo. Há algumas semanas, a Seleção Brasileira Sub-20 perdeu a decisão do título mundial da categoria ao sofrer um gol no final da prorrogação. Hoje, a Seleção que representa o Brasil nos Jogos Pan Americanos foi derrotada de virada, nas semifinais, sofrendo dois gols nos últimos cinco minutos de jogo. A mística da camisa amarela, ao que parece, não será recuperada tão cedo. As diversas seleções, de todas as categorias, estão se acostumando a acumular derrotas. O distanciamento do torcedor com a Seleção, que já vem sendo notado há algum tempo, só tende a se agravar diante desse quadro. Não é à toa que muitos já revelam o temor de que, pela primeira vez, a Seleção Brasileira possa não conseguir se classificar para uma Copa do Mundo. As estruturas que cercam a Seleção Brasileira precisam ser inteiramente repensadas. Não basta uma mudança cosmética, é preciso uma revolução. A Seleção mais vitoriosa em Copas do Mundo não pode ser relegada ao desprestígio. A Seleção Brasileira é um patrimônio do país que precisa ser recuperado. A série de fracassos acumulados que tem se verificado nos últimos tempos aponta nessa direção, e as medidas saneadoras devem ser imediatas, não há tempo a perder.
quarta-feira, 22 de julho de 2015
Eliminação
O Inter perdeu por 3 x 1 para o Tigres, hoje, no El Vulcán, pelas semifinais da Libertadores, e foi eliminado da competição. Os indícios do desfecho desfavorável tinham sido percebidos no primeiro jogo, no Beira-Rio. Naquela ocasião, depois de um início avassalador, quando marcou dois gols em nove minutos, o Inter foi envolvido pelo Tigres, que descontou ainda no primeiro tempo, e só não fez mais gols em função de duas grandes defesas de Alisson. No segundo tempo daquela partida, tudo prosseguia na mesma toada, até que, aos 12 minutos, Ayala foi expulso, o que obrigou o Tigres a se retrair e buscar a manutenção do resultado, pois o gol marcado fora lhe dava ótima condição para o segundo jogo. Durante a semana entre uma partida e outra, o Tigres manifestou sua convicção de que se classificaria, entre outros motivos por estar invicto nos 15 jogos de Libertadores que realizara, até então, como mandante, em todas as suas participações na disputa. A previsão se confirmou. O Tigres foi superior ao Inter o tempo inteiro, chegou a estar goleando por 3 x 0, mesmo tendo desperdiçado um pênalti, e só permitiu uma ponta de preocupação em seus torcedores ao permitir que o placar fosse diminuído no final do jogo, já que, pelo saldo qualificado, se o Inter fizesse mais um, estaria classificado. Porém, se isso acontecesse, seria um total absurdo, pois o Tigres poderia ter feito mais um ou dois gols, tranquilamente, tal o seu volume de jogo. O resultado coroa a campanha do Tigres ao longo das diversas fases. Na decisão, irá enfrentar o River Plate, de campanha bem mais modesta. Por isso, e pelos dois belos jogos que fez contra o Inter, o Tigres merece a condição de favorito, mas um clube com uma camisa do peso que tem a do River Plate jamais pode ser desprezado.
terça-feira, 21 de julho de 2015
Classificação dramática
O Grêmio venceu o Criciúma por 1 x 0, no Heriberto Hülse, hoje, pela Copa do Brasil. Como no jogo anterior, na Arena, o Criciúma havia obtido a vitória pelo mesmo placar, a decisão de quem iria para as oitavas de final da competição foi para os tiros livres da marca do pênalti, e o Grêmio ganhou por 4 x 3. A classificação, portanto, foi obtida de forma dramática, como gostam muitos torcedores do clube, que acreditam que isso reforça a condição de garra comumente atribuída ao Grêmio. Na verdade, o sofrimento não é uma característica apreciável no futebol. Os gaúchos, pela proximidade com Uruguai e Argentina, deixam-se influenciar pela maneira como os platinos encaram o futebol, com um exagerado apelo ao heroísmo e à superação. O ideal no futebol é estabelecer uma supremacia técnica inquestionável sobre os adversários, de forma a encaminhar vitórias com naturalidade. Claro, nem sempre isso será possível, mas é o desejável. O fato de ter tido tantas dificuldades para eliminar um adversário tão modesto como o Criciúma dá a dimensão das limitações com que se debate o Grêmio. A classificação poderia ter acontecido no tempo normal de jogo, caso o Grêmio fizesse mais um gol, e ele esteve nos pés de Luan que, de frente para o goleiro, chutou fraco, facilitando a sua defesa. Aliás, Luan é um capítulo à parte no time do Grêmio. Tido e havido por muitos como um projeto de craque, erra passes numa frequência irritante, e, hoje, como foi referido, desperdiçou a chance de gol que levaria o Grêmio adiante sem a loteria dos tiros livres. Por sinal, o que era para ser uma série de cobranças tranquilas, já que o Cricíúma errou o seu primeiro chute e permitiu ao Grêmio, que já havia convertido um, largar na frente, tornou-se uma disputa aflitiva. A razão da dose extra de sofrimento foi a cobrança desperdiçada por Braian Rodriguez, a quarta do Grêmio. Foi o único chute do Grêmio não convertido. Por seu péssimo desempenho desde que chegou ao clube, Braian Rodriguez não tem a menor condição de vestir a camisa do Grêmio. O melhor, para ambas as partes, seria rescindir o seu contrato, imediatamente. O resultado servirá para aumentar a autoestima do grupo, como bem destacou o técnico do Grêmio, Roger Machado, mas a inesperada dificuldade em alcança-lo deixam no ar muitas interrogações quanto ás perspectivas do time daqui para a frente.
segunda-feira, 20 de julho de 2015
Entre o bom e o moderno
Ser "moderno" parece uma obsessão, hoje em dia. O avanço constante da tecnologia, com seus tablets e smartphones que deixam as pessoas conectadas o tempo inteiro, fez com que surgisse a preocupação dos meios de comunicação em "dialogar" com o público da era cibernética, pelo temor de, sem isso, ficar para trás e perder telespectadores, ouvintes e leitores. Ocorre que a busca por falar com esse "novo público" tem gerado alguns equívocos. Em 2014, a Rede Globo levou ao ar a novela Geração Brasil, no horário das 19 horas, na tentativa de atrair esse "cyberpúblico". A história girava em torno de Jonas Marra, um Steve Jobs tropical, vivido pelo ator Murilo Benício. O par romântico jovem era formado por um casal cujos integrantes tinham em comum o talento para a criação de programas de computador. Mesmo com todos esse apelos á modernidade, a novela não fez sucesso. Ontem, uma outra tentativa da Globo em conquistar o público "conectado" estreou, e parece que irá por idêntico caminho. "Tomara que Caia", um misto de programa de humor com game, mostrou-se uma proposta confusa, de ritmo cansativo, com uma história fraca e sem graça. Foi apenas o primeiro episódio, é claro, mas não pareceu promissor. As constantes interrupções e "troladas" quebravam a continuidade da história. Um programa de humor tem de fazer rir, e isso "Tomara que Caia" não conseguiu. O que fica evidente nos casos aqui abordados é que, para atrair o público, qualquer que seja ele, é preciso, mais do que adotar uma linguagem pretensamente moderna, exibir um bom conteúdo. O que é bom, sempre dá resultado. O que é apenas modernoso, logo é descartado.
domingo, 19 de julho de 2015
Dia Nacional do Futebol
Hoje é o Dia Nacional do Futebol. A data comemorativa foi instituída nos anos 70 pela então CBD, atual, CBF, em reconhecimento à condição de clube de futebol mais antigo do Brasil ostentada pelo Sport Club Rio Grande, de Rio Grande (RS), fundado em 19 de julho de 1900. A homenagem pôs fim a qualquer dúvida que ainda persistisse sobre qual é o clube mais antigo do país, já que a Associação Atlética Ponte Preta, de Campinas (SP), fundada em 11 de agosto do mesmo ano, reivindica para si essa condição. Por desinformação ou má fé, o clube paulista insiste em propagar um pioneirismo que não possui. O Rio Grande segue em atividade, tendo disputado, em 2015, a Segunda Divisão estadual. Por sinal, o clube completa, hoje, 115 anos, uma linda marca. Não poderia ser mais honrosa para o Rio Grande a escolha da data de sua fundação para comemorar o Dia Nacional do Futebol, num país tão apaixonado por esse esporte e que é o maior vencedor de Copas do Mundo. O dia de hoje é para ser festejado por todos os que amam o futebol brasileiro, mas, também, deve ensejar reflexões sobre os motivos de ele viver um momento de baixa, e de quais as soluções a serem buscadas com o objetivo de fazê-lo retornar aos seus melhores dias.
sábado, 18 de julho de 2015
Falhas gritantes
O Inter venceu o Goiás por 2 x 1, hoje, no Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro. Afora a extrema fragilidade do Goiás, que luta apenas para não ser rebaixado, o Inter contou com duas falhas gritantes do goleiro Renan para chegar á vitória. Historicamente, o Inter é um clube incrivelmente beneficiado pela sorte, mas em 2015 todos os recordes nesse sentido estão sendo batidos. Na sua campanha na Libertadores, pelos menos cinco gols foram consequência direta de falhas absurdas ou lances infelizes por parte dos adversários. Dessa forma, mesmo jogando com um time inteiramente reserva, o Inter obteve a vitória sobre o Goiás, foi para a primeira metade da tabela no Brasileirão, e viajará para o segundo jogo contra o Tigres, no México, com a tranquilidade que desejava. Com tamanha sorte, e erros providenciais da arbitragem, deter o Inter não é tarefa fácil para ninguém.
Limitações
O Grêmio perdeu por 1 x 0 para o Flamengo, hoje, no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro. A derrota não foi vexatória, o gol foi circunstancial, mas as limitações do Grêmio como time ficaram, mais do que nunca, escancaradas. O time teve mais posse de bola, foi melhor do que o Flamengo na maior parte do jogo, mas a falta de um finalizador eficiente cobra um preço muito alto. O toque de bola constante acaba se mostrando improdutivo, pela falta de quem conclua com eficiência para o gol. A ausência de um armador mais qualificado e de maior fôlego do que Douglas é outro ponto nevrálgico a comprometer ambições maiores por parte do Grêmio. Afora isso, especificamente na partida de hoje, alguns jogadores estiveram muito apagados. Foi o caso de Giuliano e, especialmente, de Luan, que errou em, praticamente, todas as suas intervenções. Giuliano, aliás, na média de suas atuações, ainda está devendo, e Luan é um projeto de grande jogador que não se consuma. Com o resultado negativo, o Grêmio já tem três derrotas nos últimos quatro jogos que realizou, somando-se Brasileirão e Copa do Brasil. Se amanhã houver um vencedor no jogo Sport x São Paulo, o Grêmio sairá fora da zona de classificação para a Libertadores. Na terça-feira, será o segundo jogo contra o Criciúma, pela Copa do Brasil, quando o Grêmio terá de tentar reverter, no Heriberto Hülse, a derrota sofrida na Arena. Uma tarefa extremamente árdua. Depois do entusiasmo com uma série de cinco vitórias consecutivas, o Grêmio começa a sofrer as consequências de um grupo de jogadores reduzido e com graves lacunas na sua formação. Lesões e suspensões começam a se avolumar, sem que haja reposição à altura. Porém, o mais imperdoável de tudo é a ausência de um centroavante goleador. Não há política de contenção de custos que justifique a não contratação de um jogador para a posição. Essa negligência por parte da diretoria do clube tira do Grêmio qualquer possibilidade de buscar um título em 2015.
sexta-feira, 17 de julho de 2015
Rompimento
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), anunciou o seu rompimento com o governo federal. Cunha acrescentou, no entanto, que o rompimento é pessoal, e não interferirá na governabilidade do país. A declaração de Cunha enseja duas considerações imediatas. A primeira é a de que o rompimento será até positivo para o governo, pois com aliados desse tipo ninguém precisa de inimigos. A segunda é a de que a busca da "governabilidade" gerou um monstrengo que, agora, se mostra, praticamente, incontrolável. As alianças entre partidos, visando alcançar a maioria parlamentar que permita aos governos aprovarem suas propostas, faz com que siglas de diferentes matizes ideológicos, e interesses também os mais diversos, realizem uniões estapafúrdias, que, mais cedo ou mais cedo, cobrarão um alto preço para o país. A parceria entre PT e PMDB é um exemplo claro disso. Ela reúne partidos muito distintos nas suas origens e proposições. A rigor, faz muito tempo que o PMDB deixou de ser um partido, na acepção da palavra. Seu único objetivo é manter-se no poder a todo custo, aliando-se com qualquer governo, a fim de obter cargos. A justificativa apresentada por Cunha para o seu rompimento com o governo demonstra bem o quanto é exótica essa união. Cunha se mostra revoltado por estar sendo alvo das investigações da Operação Lava-Jato, e acusa o governo de ter se aliado ao procurador geral da República, Rodrigo Janot, para persegui-lo. Como forma de retaliação, Cunha estaria disposto a instalar CPI's potencialmente prejudiciais ao governo. Diante de toda essa baixaria política, só o que se pode concluir, em relação ao governo, é que, como expressa o ditado, antes só do que mal acompanhado. Por outro lado, Eduardo Cunha está, com sua atitude, acusando o golpe, pois as investigações da Operação Lava-Jato dão conta de que ele exigiu propina de uma empresa. Cunha, como se vê, é um santo do pau oco, que haverá de ser vitimado por suas próprias ações. Não irá tardar o tempo em que tão infecta figura verá ruir o seu projeto mitômano de poder. Para o bem do Brasil.
quinta-feira, 16 de julho de 2015
Coincidência espantosa
Ghiggia, o autor do gol que deu ao Uruguai o título da Copa do Mundo de 1950, em pleno Maracanã, contra a Seleção Brasileira, faleceu, hoje, aos 88 anos. Numa coincidência espantosa, Ghiggia morreu no dia exato em que seu grande feito completou 65 anos. Poucas vezes uma vida esteve tão atrelada a uma data. O dia 16 de julho de 1950 foi o passaporte de Ghiggia para a posteridade. O gol que marcou, inundando de tristeza 200 mil pessoas no Maracanã e causando um trauma histórico no futebol brasileiro, transformou-o numa celebridade. O jogo ficou conhecido como o Maracanazo, pois a Seleção Brasileira precisava apenas do empate para ser campeã, saiu na frente no placar, e sofreu a virada. Até à vergonhosa derrota de 7 x 1 para a Alemanha, na Copa do Mundo de 2014, o Maracanazo era o maior trauma do futebol brasileiro. Se Ghiggia transformou-se num herói uruguaio, Barbosa, o goleiro da Seleção naquele dia tornou-se o vilão oficial do episódio, sendo injustamente marcado para o resto da vida. Ghiggia, o "carrasco" da Seleção na Copa de 50, era um senhor afável e simpático, que gostava do Brasil e sempre foi muito bem recebido pelos brasileiros. Era o último jogador que restava vivo da Seleção do Uruguai que disputou a competição. Dentro de campo, deixou seu nome marcado na história do futebol. Fora dele, mostrou-se um grande ser humano. Merece ser lembrado para sempre.
O fim da reeleição
Ao que parece, o fim da reeleição para cargos executivos é um item da chamada "reforma política" que não sera modificado. Algumas medidas, como a mudança na duração dos mandatos, foram alteradas, e voltaram ao que eram anteriormente, ou seja, as modificações caíram por terra. Porém, a manutenção da reeleição foi rejeitada. Considero esse fato um grande erro, e um casuísmo político. A reeleição ainda é recente entre nós. Foi instituída no primeiro mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em proveito próprio. Aliás, esse dado é sempre desprezado pela imprensa conservadora, como se fosse normal uma alteração desse tipo vir em benefício do seu proponente. Fernando Henrique até poderia ser o mentor da mudança, mas só visando futuros governos, nunca a sua própria administração. Afora isso, o ex-presidente valeu-se de pagamento de propina para cerca de 200 parlamentares, a fim de obter a maioria necessária para a aprovação da medida, sem que a grande imprensa, sempre tão "zelosa" pela ética na política, qualificasse o fato de "escândalo", que é do que, efetivamente, se tratou. Considerações à parte, o fato é que a reeleição foi implantada e, passadas apenas duas décadas de sua entrada em ação, já se decide extingui-la. Essa decisão caracteriza um casuísmo político, que visa atender interesses menores, e não os do país. O mais espantoso é que a direita brasileira, notória admiradora de tudo o que se refere aos Estados Unidos, agiu para revogar um instrumento do ordenamento político americano, que é, justamente, o instituto da reeleição. A extinção da reeleição, no Brasil, até poderia vir a ocorrer, no futuro, se fosse o caso, mas nunca com tão pouco tempo de aplicação. Não há nenhum benefício para o país com tal medida, só oportunismo político.
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