terça-feira, 30 de junho de 2015

Decisão definida

A goleada de 6 x 1 da Argentina sobre o Paraguai, hoje, no Ester Roa, em Concepción, deixou a decisão da Copa América, que será realizada sábado, definida. Ontem, o Chile venceu o Peru por 2 x 1, no Estádio Nacional, em Santiago. Dessa forma Chile e Argentina decidirão a Copa América, num jogo que tem tudo para ser empolgante. O Chile se impôs ao Peru, e o resultado não traduz a sua superioridade em campo. Por sua vez, o placar estabelecido pela Argentina sobre o Paraguai não deixa dúvidas sobre a sua supremacia em relação ao adversário. Sera uma decisão em que, de um lado, estará a equipe do país sede da competição, o Chile, com todo o peso que isso significa, ou seja, um estádio com a maioria da torcida a seu favor, e, de outro, a atual vice-campeã mundial. O Chile buscará o seu primeiro título de Copa América na história, motivado pelo fato de ter montado o que considera sua melhor equipe, até hoje, onde se destacam nomes como Vidal, Vargas, Alexis Sanchez  e Aranguiz. A Argentina, que não conquista nenhum título há 22 anos, tentará quebrar o jejum com uma equipe que possui o melhor jogador do mundo na atualidade, Messi, secundado por talentos como Di Maria, Agüero e Higuain. Numa competição que esteve longe de primar por um grande futebol, a decisão de sábado promete saldar essa dívida com um jogo em que técnica e emoção deverão estar presentes em grandes proporções. A Argentina, por sua maior expressão histórica, e por contar com Messi, tem um leve favoritismo, mas a motivação com a possibilidade de ganhar a Copa América pela primeira vez e a vantagem do fator local são fatores consideráveis em favor do Chile. Para quem gosta de futebol, é um programa obrigatório.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Tiranias culturais

As mortes do cantor sertanejo goiano Cristiano Araújo, e do folclorista e compositor gaúcho Antônio Augusto Fagundes, ambas ocorridas na semana passada, evidenciaram o quanto a opinião pública é exposta à tiranias culturais. O Brasil, já de algum tempo, vive um massacre midiático de culto a chamada "música sertaneja". Duplas sertanejas pululam no rádio e na televisão, a cada dia parece surgir uma nova. Nos últimos anos, surgiu uma variante desse gênero musical denominada "sertanejo universitário", ainda que não se saiba definir exatamente o que a caracterize. Em comum, o que as músicas dessas duplas, desde as mais famosas como "Chitãozinho e Xororó" e "Zezé Di Camargo e Luciano", até às mais obscuras, tem em comum são composições primárias e simplórias, com melodias de fácil assimilação e letras pobres, cheias de clichês e de um sentimentalismo rasteiro. A cobertura da morte de Cristiano Araújo foi um exemplo desse descalabro que é a badalação aos sertanejos por parte da mídia. Cristiano estava longe de ser uma unanimidade nacional, e não havia colecionado tantos sucessos assim em sua carreira. Porém, as redes de TV, em particular a Globo, deram à sua morte um tratamento equivalente ao falecimento de um chefe de Estado. Como vivemos uma época em que a verdade é golpeada e a mentira é glorificada, o jornalista Zeca Camargo, ao criticar essa situação, foi alvo de comentários irados nas redes sociais, que o levaram a se retratar. Obviamente, muitas pessoas, provavelmente a maioria, não apreciam música sertaneja, mas estabeleceu-se um predomínio dos artistas desse gênero nos meios de comunicação, que culminou na despropositada comoção em torno da morte de Cristiano Araújo. Em escala estadual, ocorreu o mesmo, no Rio Grande do Sul. A morte de Antônio Augusto Fagundes teve uma ampla cobertura, dado ser um dos grandes nomes do chamado "nativismo", ou seja, de um movimento que cultua as "tradições gaúchas". A presença do movimento tradicionalista na mídia é tão ostensiva que induz a se pensar que todos os habitantes do Estado se identificam com ele. Não é verdade. Há muitos gaúchos que não apreciam as músicas e hábitos nativistas. A cultura é algo plural, não pode ser dominada por algumas vertentes. A música sertaneja não é uma preferência nacional, bem como o gosto pelo tradicionalismo não é predominante no Rio Grande do Sul.

domingo, 28 de junho de 2015

Os 70 anos de Raul Seixas

Na data de hoje, se vivo estivesse, Raul Seixas completaria 70 anos. Raul faleceu precocemente, aos 44 anos, derrotado por uma vida de excessos. No entanto, deixou uma marca indelével na música brasileira. Sua legião de fás continua fiel, mesmo passados 26 anos de sua morte. Sua coleção de sucessos permanece apreciada por muitos. Como esquecer de músicas como "Ouro de Tolo", "Gita", "Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás", "Metamorfose Ambulante", "Maluco Beleza", "Medo da Chuva", "Como Vovó Já Dizia", "Tente Outra Vez", "A Maçã", "Cowboy Fora da Lei"? Até hoje é comum que, em locais com música ao vivo, alguém grite: "Toca Raul!". Ferino, contundente, irreverente, por vezes irônico, Raul Seixas deixou uma lacuna na música brasileira que ainda não foi preenchida, pois tinha um estilo personalíssimo. Ficou uma saudade no público que não diminui com o correr dos anos. Foi uma pena que tenha morrido tão cedo, mas sua obra sobrevive ao tempo.

Vitória tranquilizadora

O Inter venceu o Santos por 1 x 0, hoje, no Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro. Não foi uma grande atuação do Inter, e o gol, em cobrança de falta de Valdívia, não foi intencional, como o próprio jogador confessou. Porém, nada disso importa. A vitória foi tranquilizadora, pois os maus resultados no Brasileirão já vinham causando inquietação na torcida, temerosa de uma "perda de embalo" nas proximidades dos jogos pelas semifinais da Libertadores. O resultado fez o Inter diminuir para seis pontos a sua diferença em relação ao primeiro colocado, o Sport, que, por sinal, será o seu próximo adversário, quarta-feira, na Ilha do Retiro. No entanto, nem tudo foram boas notícias. Alisson, goleiro titular do Inter, de grandes atuações, até aqui, em 2015, sofreu uma lesão muscular e dificilmente estará em condições de jogar a primeira partida contra o Tigres, pelas semifinais da Libertadores, no dia 15 de julho, no Beira-Rio. Seja como for, a vitória de hoje proporcionou uma pausa na inquietação que os resultados insatisfatórios vinham causando. Resta saber até quando essa tranquilidade irá durar.

sábado, 27 de junho de 2015

Fracasso

A Seleção Brasileira empatou com o Paraguai em 1 x 1, e foi derrotada nos tiros livres da marca do pênalti, em Concepción, pelas quartas de final da Copa América, e, com isso, está eliminada da competição. Um novo fracasso, um ano após as goleadas para a Alemanha e a Holanda, na Copa do Mundo, que torna mais fundo ainda o poço em que está mergulhado o futebol brasileiro. Porém, ninguém pode se dizer surpreso com a situação. Uma Seleção que conta com um único craque, Neymar, que estava ausente por ter sido excluído da disputa, e com um técnico totalmente inepto, não poderia ter melhor sorte. A volta de Dunga ao cargo de técnico da Seleção é um desses absurdos que nunca encontrarão explicação. Sua primeira passagem pela função já foi um exotismo. Na oportunidade, Dunga jamais havia treinado em qualquer clube ou seleção. Ganhou competições menores como a Copa América e a Copa das Confederações. Porém, fracassou no que verdadeiramente interessava, ou seja, a Copa do Mundo. Demitido, ficou dois anos sem trabalhar, até ser contratado pelo Inter. Ganhou o Campeonato Gaúcho, o que não constitui nenhum mérito, pois o Inter dá as cartas e joga de mão na competição, beneficiado que é, escandalosamente, por fatores extracampo. No Campeonato Brasileiro, no entanto, foi muito mal, sendo demitido antes do final da competição, Voltou para o limbo, de onde foi inexplicavelmente resgatado para retornar à Seleção, que recém havia passado pelo maior vexame de sua história. Afora sua clara incapacidade para exercer o cargo que ocupa, Dunga é intelectualmente limitado, de um nível cultural baixíssimo, é rancoroso e acredita ser vítima de uma campanha persecutória. Uma figura patética, beirando o ridículo. Com um técnico tão incapaz, e a ausência de grandes jogadores, a Seleção não poderia esperar melhor sorte. O pior é que o fundo do poço, por pior que seja o quadro atual, ainda não foi atingido. Para que isso aconteça, a Seleção teria de, pela primeira vez na história, não se classificar para uma Copa do Mundo. Essa hipótese, antes quase delirante, começa a se esboçar de forma cada vez mais ameaçadora.

Objetivo alcançado

O Grêmio venceu o Avaí por 2 x 1, hoje à tarde, na Ressacada, pelo Campeonato Brasileiro. Com isso, o objetivo de obter a primeira vitória fora de casa no Brasileirão foi alcançado. Aliás, esse parecia ser um jogo a caráter para isso, o que acabou se confirmando. Afinal, o Avaí, embora viesse fazendo uma campanha razoável, é um time inferior ao Grêmio, e só havia tido uma vitória como mandante. O gol de Pedro Rocha logo aos 37 segundos, o mais rápido da competição até agora, facilitou o encaminhamento do resultado. Com o gol de Luan aos nove minutos, até mesmo uma goleada parecia se desenhar, e ela poderia ter acontecido, ainda no primeiro tempo, pois o Grêmio perdeu outras chances claras de gol. Porém, no segundo tempo, o Avaí voltou disposto a uma reação, e passou a pressionar o Grêmio intensamente, prensando-o contra o seu campo. Os efeitos disso logo se fizeram sentir e, aos nove minutos, Lucas Ramón cometeu um pênalti. Anderson Lopes cobrou e chutou na trave, mas o árbitro mandou voltar o lance. A cobrança foi, novamente, de Anderson Lopes que, dessa vez, converteu. Como consequência,  o Grêmio continuou a sofrer uma pressão constante do Avaí, e só não cedeu o empate pela pouca qualidade do adversário. A saída de Maicon, por lesão, ainda no primeiro tempo, dando lugar a Fellipe Bastos, e as más substituições do técnico Róger Machado, no segundo, fizeram o nível de rendimento do Grêmio cair, e por pouco a vitória não escapou. Agora, o Grêmio já está em terceiro lugar na tabela, na zona de classificação para a Libertadores. Ainda é cedo para qualquer entusiasmo, mas a campanha é, inegavelmente, boa, e o contraste com o período de Felipão como técnico fica cada vez mais nítido. Depois de muito tempo, a torcida do Grêmio está tendo motivos para ficar de bem com a vida.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Expectativa frustrada

Entre todos os jogos pelas quartas de final da Copa América o que parecia mais promissor quanto a um bom futebol era Argentina x Colômbia. Afinal, Messi e James Rodriguez estariam em campo, secundados por nomes como Di Maria e Cuadrado. No entanto, isso não se confirmou. Foi uma expectativa frustrada. O jogo, realizado hoje no Estádio Sausalito, em Viña del Mar, terminou empatado em 0 x 0, no tempo normal e na prorrogação. Nos tiros livres da marca do pênalti, a Argentina venceu por 5 x 4. Messi esteve apagado, como costuma acontecer quando joga pela Argentina, em contraste com suas grandes atuações no Barcelona. James Rodriguez, da mesma forma, também não jogou bem. Não faltaram lances ríspidos e reclamações junto à arbitragem, mostrando que, no aspecto emocional, a partida teve um clima intenso. Porém, houve pouco futebol. A Argentina, agora, espera para saber quem será o seu adversário nas semifinais, Seleção Brasileira ou Paraguai. Tudo indica que teremos, mais uma edição do maior clássico das Américas, Brasil x Argentina. Caso isso se confirme, levando-se em conta os jogadores de ambos os lados, a Argentina será a favorita.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Confirmação

O Peru venceu a Bolívia por 3 x 1, hoje, em Temuco, pelas quartas de final da Copa América. A vitória do Peru foi, apenas, a confirmação de uma expectativa, já que a Bolívia, como ocorre costumeiramente, tem uma equipe muito fraca. O jogo foi tranquilo para o Peru, que já vencia por 2 x 0 antes dos 25 minutos do primeiro tempo. O grande nome do jogo foi o centroavante Guerrero, do Peru, que marcou todos os gols de sua equipe. Não bastasse sua capacidade comprovada como goleador, Guerrero ainda foi beneficiado por falhas defensivas gritantes da Bolívia. Nem mesmo o gol de Marcelo Moreno, em cobrança de pênalti, ensejou qualquer chance de reação para a Bolívia. Tendo feito dois gols cedo, o Peru administrou o jogo. Agora, o Peru, na segunda-feira, pelas semifinais, irá jogar contra o anfitrião da competição, o Chile. O Peru estará na condição de "zebra" absoluta. O favoritismo do Chile é amplo. Mesmo contando com um atacante tão eficiente como Guerrero, dificilmente o Peru poderá impedir a classificação do Chile para a decisão.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

No caminho do título

O Chile venceu o Uruguai por 1 x 0, hoje à noite, no Estádio Nacional, em Santiago, pelas quartas de final da Copa América, e segue no caminho do título. Até hoje, o Chile não venceu a competição. O máximo que conseguiu foram quatro vice-campeonatos. Porém, os chilenos acreditam que nunca estiveram tão perto de alcançar essa conquista. Não só por sediarem a disputa, o que já havia ocorrido outras vezes, mas por entenderem que a atual seleção é a melhor do país em todos os tempos. Até aqui, a campanha do Chile tem sido amplamente satisfatória, mesmo que tenha empatado como o México em 3 x 3, na segunda rodada da primeira fase. Afora esse jogo, foram três vitórias, uma delas de goleada, por 5 x 0, sobre a Bolívia. O adversário do Chile nas semifinais sairá do jogo Peru x Bolívia, o que é quase a garantia de que o anfitrião da Copa América se classificará para a decisão. Se tudo ocorrer dentro da lógica, o outro participante da decisão deverá ser Argentina ou Seleção Brasileira, que jogarão contra Colômbia e Paraguai, respectivamente, nas quartas de final. Seja qual for das duas seleções contra a qual tenha de decidir a competição, o Chile estará diante de uma tarefa bem mais árdua do que as que encarou até aqui. No entanto, é inegável que, para os chilenos, o sonho de obter essa conquista inédita nunca esteve tão próximo de se tornar realidade.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Desonestidade escancarada

A revelação de uma gravação, por escuta autorizada, de uma conversa entre o ex-presidente da Associação de Futebol da Argentina (AFA), Júlio Grondona, e Abel Gnecco, representante argentino na comissão de arbitragem da Conmebol, é a confirmação do quanto o futebol, o mais apaixonante dos esportes, está tomado pela sujeira, em todos os níveis. Desonestidade escancarada, sem disfarces. Grondona, falecido em 2014, e Gnecco, que participa da comissão de arbitragem da Copa América que está sendo jogada no Chile, dialogavam a respeito da atuação do paraguaio Carlos Amarilla no jogo em que o Boca Juniors eliminou o Corinthians nas oitavas de final da Libertadores de 2013. Fica claro na conversa que a arbitragem fora "encomendada". Na partida, Amarilla anulou dois gols legítimos do Corinthians e deixou de marcar um pênalti claro em favor do clube brasileiro, o que resultou na sua eliminação da competição, de cujo título, por sinal, era o detentor. Na mesma gravação, Grondona gabava-se de ter conseguido arranjar, também, a arbitragem de um jogo entre Independiente e Santos, em 1964, que resultou na eliminação do clube brasileiro da Libertadores. Há muitos outros casos semelhantes na Libertadores, lamentavelmente, ainda que sem uma gravação que evidencie a manipulação de resultados. Dois deles, ocorridos em Porto Alegre, são notórios. Em 2002, pelas semifinais da Libertadores, jogaram, no Olímpico, Grêmio e Olímpia. A decisão de quem se classificaria para a decisão foi feita nos tiros livres da marca do pênalti. Numa das cobranças, o goleiro do Grêmio, Eduardo Martini, fez uma grande defesa. O árbitro, no entanto, sem que tivesse havido nenhuma irregularidade no lance, mandou voltar a cobrança, que, então, foi convertida, eliminando o Grêmio da competição. O detalhe da situação é que o Olímpia, naquele ano, completava o seu centenário, e o presidente da Conmebol, Nicolas Leóz, paraguaio como o clube, se empenhou para que ele fosse campeão, o que acabou acontecendo. Em 2006, no Beira-Rio, ocorreu um dos exemplos mais escandalosos de resultado manipulado na Libertadores. Pelas oitavas de final da competição, jogaram Inter e Nacional, do Uruguai. O Nacional teve dois gols legítimos anulados. Caso os gols fossem consignados, e o Nacional vencesse por 2 x 0, ele teria eliminado o Inter da Libertadores. Com o esbulho praticado contra o clube uruguaio, o Inter foi adiante na competição, e acabou campeão. Nos dois casos citados, ficou por demais evidente que se tratavam de arbitragens "encomendadas". Só faltou uma gravação que confirmasse o que todos perceberam. O futebol, lastimavelmente, não é uma ilha. Assim como na sociedade, a corrupção espalha nele os seus tentáculos. Fatos como os aqui relatados, comprometem a credibilidade do futebol. Dentro e fora de campo, o esporte preferido da maioria precisa de uma faxina ética.