sábado, 13 de junho de 2015
Má campanha
O Inter perdeu para o Corinthians por 2 x 1, de virada, hoje à tarde, no Itaquerão, pelo Campeonato Brasileiro. Embora tenham sido jogadas apenas sete rodadas, não há como deixar de classificar como má a campanha que o Inter vem fazendo no Brasileirão. Em 21 pontos disputados, foram obtidos, somente, nove. Nos quatro jogos que realizou fora de casa, o Inter só conquistou dois pontos. Mais uma vez, a história dos últimos anos se repete, isto é, o Inter é apontado, antes da competição começar, como um dos principais candidatos ao título, que não conquista há 36 anos, mas, depois que a bola rola, as previsões não se confirmam. O presidente do Inter, Vitório Píffero, afirma que o clube tem o objetivo de ganhar o título, depois de tão longo período sem alcança-lo, e que, por isso mesmo, não pretende vender nenhum jogador até o final do ano. Porém, na prática, isso não se confirma. Dependendo dos resultados de amanhã, o Inter poderá ficar muito próximo da zona de rebaixamento. Faltam, ainda, 31 rodadas até que se tenha a definição do campeão, mas tudo indica que o jejum do Inter não acabará em 2015.
sexta-feira, 12 de junho de 2015
O amor na hipermodernidade
O Dia dos Namorados, que hoje transcorre, é mais uma data comercial, como outras que são dedicadas às mães, aos pais e às crianças, por exemplo. Porém, ainda que tais datas sejam um meio de aquecer o consumo e aumentar as vendas do comércio, elas podem ensejar algumas reflexões. No que se refere ao Dia dos Namorados, ele propicia que pensemos sobre o amor, palavra tão curta, de significado lindo e profundo, mas desvalorizada na atualidade. Vivemos uma época denominada por muitos de "hipermodernidade", ou seja, um estágio adiante da "pós-modernidade", que já nos soava tão assustadora. Nessa etapa da história humana, de notáveis avanços científicos e tecnológicos, e aceleradas transformações comportamentais, o amor tende a ser visto como algo anacrônico, ou de significado meramente literário. Não por acaso, uma sensação de aridez parece tomar conta de tudo e de todos. Falta encantamento aos nossos dias. Deixamo-nos empolgar pelas invenções de última geração, estabelecendo relacionamentos virtuais, "conversando" por meio de computadores e mensagens de celular, abolindo, cada vez mais, o contato pessoal e epidérmico. Saímos de um mundo real para ingressar em um no qual até as relações pessoais tem uma condição virtual. Diante desse quadro, como fica o amor na hipermodernidade? Descaracterizado, aviltado, desconsiderado, desvirtuado. O romantismo de outros tempos, hoje é visto como "brega". Parece não haver espaço para manifestações mais calorosas dos sentimentos. Somos envolvidos pelo ritmo trepidante de uma época em que tudo é vivido aceleradamente, sem tempo para a contemplação. A natureza humana, no entanto, na sua essência, é sempre a mesma. Precisamos de carinho e atenção. Por trás de tantos apelos à frivolidade e ao consumismo, mergulhados que estamos numa existência superficial e insípida, há a chama, enfraquecida, mas jamais extinta, do amor. No fim das contas, ele é o que, verdadeiramente, há de mais essencial na vida humana. Sem ele, tudo torna-se vão, carente de significado. Não é à toa, portanto, que um dos grandes sucessos do maior grupo musical de todos os tempos tem por título "All You Need Is Love". Pura verdade. O amor é tudo de que necessitamos. Ele nos supre. Tomara que as pessoas se apercebam disso, e que, um dia, ao conceituarmos o ser humano, possamos defini-lo como "hiperamoroso".
quinta-feira, 11 de junho de 2015
Vai começar a Copa América
Terá início hoje a Copa América, competição que reunirá, nessa edição, afora as 10 seleções da América do Sul, o México e a Jamaica como convidados. Pouco valorizada, ao longo da história, pelos brasileiros, a Copa América é o equivalente sul-americano da Eurocopa, embora seja uma competição bem mais antiga que sua congênere europeia. Tradicionalmente, uruguaios e argentinos sempre deram um maior valor para a Copa América do que os brasileiros, o que se reflete no número de conquistas por cada seleção. Enquanto o Uruguai tem 15 títulos, e a Argentina 14, o Brasil, até hoje, alcançou apenas oito. Os europeus, arrogantemente, costumam dizer que a Eurocopa é a Copa do Mundo sem o Brasil e a Argentina. Não é verdade. A Eurocopa de 2004, por exemplo, foi decidida entre Portugal e Grécia. Ninguém imagina que, algum dia, essa decisão possa se repetir numa Copa do Mundo. Deveríamos valorizar o que é nosso, na condição de sul-americanos, em vez de achar que a grama do vizinho sempre é mais verde. Para a Seleção Brasileira, particularmente, a Copa América de 2015 reveste-se de uma grande importância, pois será a primeira competição oficial após o humilhante desempenho na Copa do Mundo de 2014. O técnico Dunga, de volta à Seleção, terá que mostrar se, em jogos valendo pontos, se a equipe confirmará o excelente retrospecto de dez vitórias e 100% de aproveitamento nos amistosos até agora realizados, ainda que, em sua passagem anterior pelo cargo tenha, também, ido muito bem durante a fase preparatória, ganhando a Copa América, inclusive, e, depois, fracassado na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. Muitos projetam que essa poderá ser a melhor Copa América da história, pois terá a Argentina, atual vice-campeã mundial, com jogadores como Messi, Di Maria, Tévez, Agüero e Higuain, o Uruguai, sem Suárez, suspenso, mas com Cavani, a Colômbia, com James Rodriguez, Falcão Garcia e Cuadrado, o Chile, com sua melhor equipe em muitos anos e jogando como país sede, e a Seleção Brasileira, com vários jogadores médios, mas contando com um supercraque, Neymar. Há, também, destaques em outras seleções, como Guerrero, no Peru, por exemplo. Vai começar a Copa América. O jogo de abertura será Chile x Equador, hoje à noite. Para quem gosta de futebol, um bom programa.
quarta-feira, 10 de junho de 2015
Vaias
As vaias ouvidas após o apito do árbitro que pôs fim ao amistoso Seleção Brasileira 1 x 0 Honduras, hoje à noite, no Beira-Rio, mostra bem o que foi o jogo. A Seleção venceu, mas exibiu um futebol burocrático e inconvincente. O público, como se já desconfiasse da pouca qualidade da partida, não compareceu em grande número ao estádio. Foram, apenas 22 mil pessoas presentes. Não bastasse o jogo reunir uma Seleção Brasileira desprovida de grandes craques, à exceção de Neymar, contra um adversário de pequena expressão, choveu em Porto Alegre desde o período da tarde até o final da partida. Afora isso, o jogo foi realizado no tardio horário das 22 horas, e teve transmissão direta pela TV para a própria praça. Os torcedores que, ignorando os fatores adversos, foram, ainda assim, ao estádio, mereceriam ter sido brindados com um espetáculo de melhor qualidade. Foi a décima vitória em 10 jogos desde que Dunga retornou ao cargo de técnico da Seleção, mas isso é apenas um dado estatístico, nada mais. Em sua primeira passagem pelo cargo, de 2006 a 2010, Dunga também teve números excelentes, ganhando, inclusive, todas as competições menores, mas, na Copa do Mundo, razão de ser de todo o trabalho da Seleção, em qualquer época, fracassou. A Seleção de Dunga empilha vitórias, mas não entusiasma ninguém. As vaias de hoje apenas comprovam essa realidade.
terça-feira, 9 de junho de 2015
Enxugando gelo
A expressão que serve de título para esse texto é sobejamente conhecida, e refere-se à inutilidade de algumas ações humanas quando se tenta conter o inevitável. Atualmente, nos deparamos com a tentativa de "enxugar gelo" por parte das igrejas evangélicas e de seus pastores. Eles tem radicalizado no discurso homofóbico e contra os "atentados aos bons costumes" que estariam sendo cometidos pela televisão. O resultado dessas ações tem sido nulo. Mesmo com Silas Malafaia, o mais famoso desses pastores, vociferando dia e noite contra os homossexuais, a Parada Gay de São Paulo teve, em 2015, uma das suas edições mais exitosas, e muitos pais levaram filhos pequenos para assisti-la. A estreia, ontem à noite, da macrossérie "Verdades Secretas", da Rede Globo, também mostrou que as cenas tórridas de sexo não são rejeitadas pelo público. As cenas ardentes do primeiro capítulo envolvendo os personagens de Rodrigo Lombardi e Alessandra Ambrósio bateram recordes de acesso nas redes sociais. Por mais que alguns se esforcem, o Brasil não vai empreender um retorno a um moralismo caduco. Os homofóbicos e moralistas hipócritas fazem barulho, mas nada mais que isso. Como expressa o ditado, os cães ladram e a caravana passa.
domingo, 7 de junho de 2015
Campanha impecável
A Seleção Brasileira venceu o México por 2 x 0, em amistoso realizado hoje no Allianz Parque. Foi a nona vitória da Seleção em nove jogos, desde a volta de Dunga ao cargo de técnico da equipe. Uma campanha, em termos de números, impecável. A seleção carece de grandes nomes, e hoje isso se acentuou ainda mais pela ausência de Neymar, mas é uma equipe competitiva e aplicada. Muito há, ainda, a ser feito antes de que a atual Seleção seja considerada confiável, e os resultados até agora obtidos foram apenas em partidas amistosas, mas é inegável o comprometimento dos jogadores. Se até as equipes recheadas de astros precisam aplicar-se intensamente para alcançar os seus objetivos, com muito mais razão as que são escassas em talentos tem de fazê-lo. A Seleção tem pouco brilho, mas muita vontade de vencer, e isso, para quem carrega a lembrança da humilhante goleada de 7 x 1 para a Alemanha na Copa de 2014, é uma promessa de melhores dias.
Vitória tranquila
Num jogo no horário incomum das 11 horas, com o estádio quase lotado e muita emoção pela data de um ano do falecimento do ídolo Fernandão, o Inter venceu o Coritiba por 2 x 0, hoje, no Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro. Foi uma vitória tranquila, como seria de se esperar, diante de um adversário que está afundado na zona de rebaixamento. O Inter construiu o placar ainda no primeiro tempo, e depois apenas administrou o resultado. O próximo jogo, no entanto, contra o Corinthians, no Itaquerão, terá um nível de exigência bem mais alto. Será uma boa oportunidade para se saber quais são as reais possibilidades do Inter no Brasileirão.
sábado, 6 de junho de 2015
Mau futebol
O Grêmio perdeu por 2 x 0 para o São Paulo, hoje à noite, no Morumbi, pelo Campeonato Brasileiro. Porém, mais do que a derrota em si, o que preocupou no Grêmio foi o mau futebol apresentado pelo time. A atuação do Grêmio em nada lembrou às realizadas contra Goiás e São Paulo. O time foi mal coletiva e individualmente, mostrando-se desarticulado e deixando o São Paulo impor o seu jogo. Alguns desempenhos individuais foram comprometedores. Fellipe Bastos, improvisado na lateral direita, mostrou não ter a mínima condição de jogar nessa posição. Araújo, que jogou no lugar de Walace, que estava suspenso, não conseguiu mostrar o seu futebol. Yuri Mamute nada fez enquanto esteve em campo. Luan foi o jogador ineficiente de outros tantas partidas, conduzindo a bola em excesso e sofrendo sucessivos desarmes. Rhodolfo, quase sempre com atuações seguras, foi comprometedor. A produção tecnicamente ruim do time é um balde de água fria na torcida, que já começava a nutrir esperanças de melhores dias.
Confirmação
A vitória do Barcelona por 3 x 1 sobre o Juventus, hoje, no Olímpico de Berlim, pela decisão da Champions League, foi apenas a confirmação de uma expectativa. O time do Juventus, é bom, tem jogadores de grande nível como Pirlo, Pogba e Tévez, mas a qualidade do Barcelona é superior. Com um trio de goleadores formado por Messi, Neymar e Suárez, o Barcelona é um adversário muito difícil se ser batido. Aos três minutos de jogo, o Barcelona já abria o placar, justificando o seu favoritismo. O Juventus soube se recompor no jogo, impedindo o Barcelona de resolver a partida ainda no primeiro tempo. No início do segundo tempo, o Juventus até conseguiu o empate, mas, pouco depois, sofreu o segundo gol e, já nos acréscimos, o terceiro. Foi um time que se portou com dignidade, mas que não teve com fazer frente a um adversário sabidamente superior. O Barcelona conquistou a Champions League pela quinta vez em sua história, e conseguiu a tríplice coroa na temporada 2014/2015, ganhando, também, o Campeonato Espanhol e a Copa da Espanha. Como ficou comprovado hoje, não havia espaço para surpresas na Champions League. O favorito confirmou o que dele se esperava.
sexta-feira, 5 de junho de 2015
Moral retrógrada
O Brasil sempre foi um país conservador, ainda que muitos propagassem a ideia de que aqui a libidinagem e a licenciosidade seriam superlativas. A nefasta influência religiosa, da Igreja Católica, anteriormente, e dos neopentecostais, hoje em dia, levam à disseminação do falso moralismo. Paralelamente ao que vem acontecendo no campo político, com alguns anencéfalos propugnando a volta da ditadura, na área dos costumes há quem ensaie andar para trás. A polêmica envolvendo a novela "Babilônia", da Rede Globo, é um exemplo disso. A novela não conseguiu emplacar na audiência, por mais modificações que seus autores façam nos rumos da história, a partir do que é extraído dos chamados "grupos de estudo". Muitos personagens foram totalmente esvaziados, pois sofreram rejeição dos tais grupos. As pessoas consultadas se opuseram a papéis como o de um jovem proxeneta, uma garota de programa e o de um viúvo que "sai do armário" e assume um romance com um jovem. Ao mesmo tempo, assassinatos a sangue frio, negociatas políticas e outras práticas repulsivas parecem não incomodar o público. O beijo lésbico entre duas senhoras, no início da novela gerou uma tal rejeição que parece ter selado a sorte de "Babilônia" de maneira irrecorrível. Ouvidos a respeito, um dos autores, Gilberto Braga, e o diretor geral, Dênis Carvalho, identificaram uma onda de "caretice" que toma conta do país, a ponto de tornar inaceitáveis pelo público situações que em décadas anteriores eram bem toleradas. Não há lógica nesse comportamento. Assim como não é possível aceitar a volta do autoritarismo, também a imposição de uma moral retrógrada tem de ser amplamente rechaçada. O Brasil não pode se deixar dominar pelos defensores do retrocesso. Os grandes avanços obtidos nos últimos anos no campo do comportamento e do combate aos preconceitos não podem se perder. Os autores da novela, ao reescreverem vários capítulos e modificarem o perfil de alguns personagens, descaracterizaram sua obra e cederam à pressão de grupos conservadores. Não deveriam tê-lo feito. Os conservadores são muito barulhentos, mas não são tão poderosos quanto querem fazer crer. O correto é enfrentá-los de peito aberto, mostrando que a sociedade não vai voltar atrás em suas conquistas para atender aos seus caprichos.
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