quarta-feira, 18 de março de 2015

Objetivo alcançado

O Inter espalhou aos quatro ventos que um empate contra o Emelec, em Manta, pela Libertadores, já seria satisfatório. O objetivo, então, foi alcançado, pois o jogo terminou com o resultado de 1 x 1. As coincidências da campanha do Inter na Libertadores de 2015 com a de 2010 são muito grandes. Naquela ocasião, como agora, o Inter era treinado por um técnico uruguaio, Jorge Fossati. O time não jogava nenhuma partida bem, o trabalho do técnico não inspirava confiança, mas o clube ia avançando na competição. Fossati foi demitido depois de classificar o Inter para as semifinais. O atual técnico do Inter, Diego Aguirre, uruguaio como Fossati, também sofre muitas contestações, o time não consegue jogar bem, mas vai obtendo os resultados de que precisa. Resta saber se Diego Aguirre irã até o fim da competição, ou, igualmente, cairá antes. No jogo de hoje, mais uma vez, a arbitragem foi preponderante, influindo diretamente no resultado. O Emelec ganhava a partida por 1 x 0 quando Lastra foi expulso. No lance seguinte, o Inter empatou, de forma irregular, pois Vitinho, que marcou o gol, estava impedido. A sorte e as arbitragens continuam beneficiando o Inter, a cada jogo. Assim, mesmo sem nunca jogar bem, o Inter poderá chegar ao título. Afinal, há cinco anos, tudo acontecia da mesma forma, e a taça foi conquistada.

terça-feira, 17 de março de 2015

Os 70 anos de Elis Regina

Se viva estivesse, Elis Regina completaria, hoje, 70 anos. Elis, na verdade, se foi cedo demais, com apenas 36 anos. Muitos a consideram a maior cantora brasileira de todos os tempos. Esse tipo de julgamento é sempre polêmico e discutível, mas o fato é que Elis era uma intérprete excepcional. Gravou compositores consagrados, mas também lançou muitos nomes que, até então, eram desconhecidos. Várias de suas gravações entram em qualquer antologia que se faça da música brasileira, como"Arrastão" "Atrás da Porta", "Aos Nossos Filhos", "Como Nossos Pais", "O Bêbado e a Equilibrista", e o inesquecível dueto com Tom Jobim em "Águas de Março". Dona de um temperamento difícil, Elis teve uma vida pessoal atribulada, dois casamentos, ambos desfeitos, vários namoros. Morreu vítima do uso combinado de droga e álcool. Porém, o que importa é que o seu lugar no panteão da música brasileira está garantido. Como, até hoje, se vê escrito em muitos muros, "Elis vive". O grande artista, como qualquer ser humano, um dia se vai. A força de sua obra, no entanto, é imune ao tempo. Sem dúvida alguma, esse é o caso de Elis Regina.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Protestos

A expectativa em torno do dia 15 de março, com seus protestos programados contra o governo da presidente Dilma Rousseff e a corrupção, era grande. Pois bem, as manifestações aconteceram e, como deveria ser, de forma pacífica. O país não saiu às ruas, como alardeavam os seus promotores. Numa população de 200 milhões de habitantes, cerca de 2 milhões participaram dos atos, ou seja, 1% do total. Os protestos ocorreram em algumas capitais e umas poucas cidades médias, num país que possui mais de 5.500 municípios. Numa forma bem humorada de encarar o movimento reacionário de ontem, defensores do governo realizaram um "coxinhaço" no Parque Farroupilha, em Porto Alegre, à espera dos manifestantes que vinham do Parcão, no bairro de classe alta Moinhos de Vento. O "coxinhaço" consistiu em 300 coxinhas de galinha assadas em churrasqueiras ao ar livre no parque, em alusão à denominação pela qual são conhecidos os opositores do governo. Aliás, o percentual de integrantes dos protestos em relação ao total da população do país, e os locais onde concentraram suas manifestações, é emblemático. No Rio de Janeiro, concentraram-se na sofisticada Zona Sul, com encerramento em frente ao hotel Copacabana Palace. Em Porto Alegre, no já referido Parcão, também numa região de alto poder aquisitivo. Ontem, não foi o povo que saiu às ruas, foi uma parcela da população privilegiada economicamente. Deram o seu recado, fizeram o seu barulho, mas o governo não vai cair.

domingo, 15 de março de 2015

Não poderia ser diferente

Tudo saiu como o planejado pelo presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Francisco Noveletto Neto. Com a indicação de Francisco Neto, o "Chico Colorado", para apitar Brasil de Pelotas x Inter, na Boca do Lobo, pelo Campeonato Gaúcho, o roteiro já estava previamente traçado. Não poderia ser diferente. O jogo se arrastava no 0 x 0 quando, aos 41 minutos do primeiro tempo, o árbitro parou um ataque do Brasil por causa de um suposto impedimento. A repetição do lance pela tv mostrou que o jogador do Brasil estava em condições legais. Imediatamente após esse lance, Francisco Neto marcou um pênalti em favor do Inter. O comentarista de arbitragem da RBS TV, Márcio Chagas da Silva, pressuroso em apoiar seu ex-companheiro de ofício, disse que a marcação foi correta. Porém, o comentarista de arbitragem da ESPN, Sálvio Espínola Fagundes Filho, que não tem rabo preso no Rio Grande do Sul, declarou que o pênalti não existiu. O Inter acabou vencendo o jogo por 2 x 0, para o contentamento de Noveletto e Francisco Neto. O "Gauchão" prossegue com pênaltis a favor do Inter em quase todos os jogos e com a sonegação de penalidades máximas em favor de seus adversários, mesmo que escandalosas, como aconteceu com o Aimoré na quarta-feira. Tudo muda no mundo, menos o sórdido campeonato estadual do Rio Grande do Sul, onde o Inter dá as cartas como bem entende, beneficiado pelo espúrio conluio da Federação com a imprensa esportiva local, que nunca, em  tempo algum, escondeu sua preferência pelo clube.

sábado, 14 de março de 2015

Boa fase

O Grêmio, depois de um início de ano terrível, vive, finalmente, uma boa fase. Obteve, hoje, a sua terceira vitória consecutiva, ao vencer o Cruzeiro por 1 x 0, na Arena, pelo Campeonato Gaúcho. Com isso, assumiu, provisoriamente, a liderança do Gauchão, até que sejam realizados os jogos de amanhã, quando essa posição poderá ser mantida ou alterada. A atuação do Grêmio foi boa, embora o gol da vitória só tenha acontecido aos 37 minutos do segundo tempo, quando o time já havia, até, desperdiçado um pênalti. Entre as novidades do time, Braian Rodriguez, ainda que tenha marcado o único gol do jogo, foi quem teve o desempenho mais fraco. Cristhian Rodriguez fez uma grande estreia, e Maicon não brilhou, mas foi eficiente. Matias Rodriguez, novamente, jogou muito bem, ganhando definitivamente a condição de titular na lateral direita, o que pode levar o Grêmio a tentar uma prorrogação do seu empréstimo, ou mesmo a sua aquisição definitiva, quando se encerrar o seu contrato, em junho. Ainda longe de ser empolgante, o Grêmio venceu um adversário que, até então, era o líder da competição. O time começa a mostrar consistência, e já permite ao torcedor ter mais confiança para o futuro.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Afronta

A indicação do árbitro Francisco Neto para apitar o jogo Brasil de Pelotas x Inter, no próximo domingo, na Boca do Lobo, é mais uma afronta da Federação Gaúcha de Futebol para com a seriedade da competição. Não cabe argumentar que a escolha é feita mediante sorteio. Depois de tudo o que envolveu o árbitro no jogo Ypiranga x Grêmio, quarta-feira, no Colosso da Lagoa, Francisco Neto jamais poderia ser indicado para apitar uma partida de um integrante da dupla Gre-Nal na rodada seguinte do Campeonato Gaúcho. O presidente da Federação, Francisco Noveletto Neto, que é conselheiro do Inter, justificou esse acinte dizendo que Francisco Neto teve uma atuação nota 9 no jogo de Erechim. Argumentou, também, que em outro jogo que apitou do Grêmio, contra o Passo Fundo, no Vermelhão da Serra, seu desempenho teria sido de nota 10. Na verdade, só Noveletto viu tamanho brilho no seu xará. Nesses dois jogos, e também na partida São Paulo de Rio Grande x Inter, no Aldo Dapuzzo, Francisco Neto teve atuações muito ruins. Como se não bastasse, Noveletto declarou que considera Francisco Neto um árbitro de primeira linha, e que ele poderá apitar jogos da fase decisiva do Gauchão e até um Gre-Nal. Só se pode interpretar isso como uma provocação explícita ao Grêmio, após seu técnico, Felipão, ter chamado o árbitro de "Chico Colorado", apelido, aliás, pelo qual ele é conhecido há muitos anos. Esse filme já foi visto antes. No período em que o Inter foi octacampeão gaúcho, de 1969 a 1976, o famigerado "Trio ABC", formado pelos árbitros Agomar Martins, José Luís Barreto e José Cavalheiro de Morais, prejudicou o Grêmio em muitos jogos, sobretudo em grenais. Apesar das justas e repetidas reclamações do clube, eles continuavam a ser escalados e tornavam a causar prejuízos irrecuperáveis ao Grêmio. Bastou uma crítica do Inter contra a arbitragem de Agomar em um Gre-Nal para que ele decidisse antecipar o final de sua carreira. Muito tempo depois, os protestos do Inter contra duas arbitragens de Leonardo Gaciba em grenais custaram ao apitador uma "geladeira" de dois anos, em que a Federação deixou de escalá-lo, interrompendo, naquele momento, sua ascendente carreira. Como se vê, dois pesos e duas medidas, consequência do fato de a Federação ser presidida, há muitos anos, por colorados. O campeonato estadual de 2015, com a indicação de Francisco Neto para o jogo em Pelotas, está irremediavelmente manchado na sua lisura.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Tempestade em copo d'água

O episódio ocorrido no jogo Ypiranga x Grêmio, ontem, no Colosso da Lagoa, em que o técnico do Grêmio, Felipão, após ser expulso de campo, chamou o árbitro Francisco Silva Neto de "Chico Colorado" está sendo maximizado pela imprensa esportiva. Historicamente alinhada com o Inter, a crônica esportiva gaúcha desabou críticas ferozes sobre Felipão, que teria ofendido gravemente o árbitro com sua manifestação. Evidentemente, é um exagero. Não foi Felipão quem criou o apelido. Francisco Silva Neto é conhecido como "Chico Colorado" há muitos anos. Sua arbitragem, no jogo de ontem, foi muito ruim, e, como bem lembrou o diretor de futebol do Grêmio, César Pacheco, a reclamação do clube se deu depois de uma vitória, o que lhe confere mais legitimidade, pois não pode ser tachada de tática diversionista para desviar o foco de um mau resultado. Como também destacou César Pacheco, é estranho que já seja o terceiro jogo do Grêmio no Campeonato Gaúcho apitado pelo mesmo árbitro. Felipão desperta a ira da imprensa esportiva gaúcha porque não tem papas na língua e não está nem aí para o politicamente correto. O que ele disse para o árbitro não é nenhuma novidade, todo mundo já sabia. Portanto, deixem de falso moralismo e de fazer uma tempestade em copo d'água.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Favoritismo confirmado

Dessa vez, não houve espaço para surpresas. A dupla Gre-Nal venceu os seus jogos, hoje à noite, pelo Campeonato Gaúcho, confirmando o seu permanente favoritismo contra os demais participantes da disputa. O primeiro a jogar foi o Inter, contra o Aimoré, no Beira-Rio, obtendo uma goleada de 3 x 0, construída ao natural. O primeiro tempo terminou com a vitória do Inter por 1 x 0, em função de um gol contra. No segundo, sem muito esforço, o Inter fez mais dois gols. O esquema 3-5-2 passou no seu primeiro teste, já que o time, depois de algum tempo, não sofreu nenhum gol. Uma vitória que serve para dar tranquilidade antes das duas próximas partidas, que deverão ser difíceis, contra o Brasil de Pelotas, na Boca do Lobo, quando o Inter jogará com os reservas, e diante do Emelec, em Manta, pela Libertadores, que poderá ser decisiva em termos de classificação. Mais tarde, o Grêmio venceu o Ypiranga, no Colosso da Lagoa, por 1 x 0. Uma vitória merecida, ainda que por um placar escasso. O Grêmio teve outras oportunidades para marcar gols, enquanto o Ypiranga jamais levou perigo à defesa adversária. No Grêmio, Giuliano, que marcou o gol da vitória, e Matias Rodriguez foram os maiores destaques. Paulo Baier, a grande estrela do clube de Erechim, não brilhou. Na escalação do Grêmio, no entanto, carece de explicação Marcelo Hermes ter permanecido titular na lateral esquerda e Júnior ficar fora até do banco, e Braian Rodriguez não ter começado o jogo, só entrando quase ao final da partida. A lamentar, a péssima arbitragem de Francisco Neto, conhecido como "Chico Colorado", repetindo o que já fizera em outros jogos do Grêmio. O resultado colocou o Grêmio em terceiro lugar na tabela e, com os dois próximos jogos na Arena, abre-se a perspectiva de poder assumir a liderança da competição, e engrenar de vez na busca do título.

terça-feira, 10 de março de 2015

Panelaço

Embora todo o esforço da grande imprensa para fixar a ideia de que há uma insatisfação geral na população brasileira em relação ao governo federal, o "panelaço" ocorrido no domingo, durante pronunciamento da presidente Dilma Rousseff no rádio e na televisão, deixou claro onde está localizada a "revolta". Circunscrito a poucas cidades, o "protesto" se deu em zonas economicamente privilegiadas. Entre elas, o bairro da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Será mais fácil, certamente, encontrar água no deserto do que um morador pobre nessa área da Cidade Maravilhosa que emula Miami. Repleta de condomínios luxuosos e cercada de shoppings centers, alguns de altíssimo luxo, a Barra, como é carinhosamente chamada, desconhece o que seja pobreza, vive mergulhada na opulência. Não deixa de ser intrigante a inconformidade com o governo manifestada por pessoas tão privilegiadas. A única explicação para esse procedimento é que não lhes apraz um governo que promova uma maior justiça social. Não que isso lhes cause qualquer prejuízo real, mas porque desejam manter a exclusividade quanto a alguns hábitos de vida e de consumo. Para essas pessoas, é extremamente desagradável constatar que muitos que antes só podiam viajar de ônibus, agora o fazem de avião. Aborrece-as, profundamente, a ideia de que outras pessoas, vindas de camadas menos privilegiadas da sociedade, possam embarcar rumo à Disneyworld, algo antes restrito aos mais endinheirados. Irrita-lhes pensar que mais pessoas tenham podido adquirir um carro. Estaria aí, na sua singular visão, a razão de o trânsito no Brasil ser tão caótico, pois há carros "demais", cujos proprietários, no seu entender, deveriam conformar-se com o transporte coletivo. Não há revolta popular alguma no Brasil. O que há é uma absurda tentativa de golpe contra a democracia insuflada por fascistas nas redes sociais e apoiada por uma imprensa direitista raivosa.

segunda-feira, 9 de março de 2015

A derrocada do PP

A lista de políticos suspeitos de envolvimento no chamado "Petrolão" é formada por 34 deputados e ex-deputados e 12 senadores, de cinco partidos. O que chama a atenção é que, dos 46 citados, 32 são do Partido Progressista (PP), atual nome da antiga Arena, o partido de sustentação do regime militar. Numa época em que muitos evocam a volta do autoritarismo como solução para o país, o ocorrido com o PP é bastante revelador. Após o retorno do pluripartidarismo e, principalmente, com a redemocratização, o ex-partido governista foi, como era natural que acontecesse, perdendo expressão. Embora, no Rio Grande do Sul, ainda tenha representatividade, especialmente nos municípios menores, no plano nacional o PP já não é mais um grande partido. Agora, um dos parlamentares arrolados na lista, o deputado federal Jerônimo Goergen (PP-RS) diz que não há dúvida de que o partido acabou. Em meio a tanta inquietação em função do "Petrolão", a derrocada do PP é uma boa notícia. A Arena, depois do regime militar, já adotou vários nomes, Partido Progressista é, apenas, mais um deles. O fato é que sua presença no cenário político brasileiro é um anacronismo que, talvez, a se confirmar a previsão de Jerônimo Goergen, esteja por acabar. Não deixa de ser irônico que, justamente no momento em que a extrema direita sai da toca para difundir teses golpistas e apresentar a volta dos militares ao poder como solução para "moralizar" o país, seja justamente o partido que deu sustentação à ditadura o mais envolvido no recebimento de propinas da Operação Lava-Jato. Como sempre, a direita foi pega pregando moral de cuecas.