domingo, 8 de fevereiro de 2015
Reabilitação
O Grêmio, que vinha de derrota, obteve a sua reabilitação ao vencer o Avenida, nos Eucaliptos, por 3x1, hoje, pelo Campeonato Gaúcho. Não há motivos, no entanto, para comemorações. A vitória foi obtida sobre um adversário fraquíssimo, lanterna absoluto do Gauchão. Ainda assim foi construída com um gol de pênalti, outro marcado contra, e um frango do goleiro. Pior que isso, o jogo chegou a estar empatado em 1 x 1. A vitória só foi alcançada depois que Marcelo Moreno e Éverton entraram no time. Aliás, Marcelo Moreno está sendo vendido, o que é uma notícia aterrorizante para o torcedor. A vitória de hoje não encobre o momento terrível que vive o Grêmio, um clube que vende todos os seus bons valores em nome de uma necessidade de cortar custos. Até o técnico Felipão já avisou que serão necessárias reposições, pois com o grupo atual, o Grêmio não pode almejar nada. Para um clube que não ganha títulos expressivos há 14 anos e não conquista sequer o campeonato estadual desde 2010, não poderia haver um quadro mais desalentador.
sábado, 7 de fevereiro de 2015
Apito amigo
O jogo Inter x Novo Hamburgo, hoje, no Beira-Rio, pelo Campeonato Gaúcho, assemelhou-se a um filme muitas vezes visto, do qual se conhece o enredo de cor. O Inter, jogando com um time reserva, não teve uma boa atuação, e merecia empatar com o esforçado Novo Hamburgo, mas venceu por 1 x 0, devido a um pênalti inexistente, marcado no final do primeiro tempo. Nada que não se assista repetidamente no futebol gaúcho, todos os anos. Sempre que o Inter tem dificuldades para resolver o jogo com o seu futebol, surge o "apito amigo" para facilitar tudo. Hoje, não foi diferente. Assim, o princípio de crise que já se insinuava é interrompido, e a tranquilidade, ao menos por enquanto, volta a predominar no Inter. Pena, para o Inter, que nas competições fora do Rio Grande do Sul, os árbitros não sejam tão generosos.
Mercado
A escolha de Aldemar Bendine para presidente da Petrobrás, ontem divulgada, foi mal recebida pelo "mercado". Um jornal americano chegou a destacar que esperava-se a indicação de um nome mais "independente". Chega a ser risível, mas é isso mesmo. O "mercado" e seus defensores querem que uma empresa estatal seja presidida por alguém que tome decisões não afinadas com as diretrizes de quem o nomeou, no caso a presidente Dilma Rousseff, mas que sejam do agrado dos "investidores", termo elegante usado para definir os grandes especuladores do mercado financeiro. Por certo, os que fazem esse tipo de análise gostariam de ver no cargo alguém do perfil do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que reza pela cartilha neoliberal. Dilma Rousseff trocou a diretoria da Petrobrás, como era inevitável que fosse feito, mas, é claro, indicou nomes da sua confiança. Não poderia ser diferente. O "mercado" sonha com um estado mínimo, que governe para os seus interesses. Porém, ainda não será dessa vez. A presidente, ao nomear Bendine, mostrou que é ela quem governa o país. Para o bem do Brasil.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
Terceiro turno
O noticiário da grande imprensa brasileira, em termos de assunto principal, virou um samba de uma nota só. Rádios, tevês, revistas, jornais e sites de internet batem firme no "Petrolão" e suas conexões com o PT. A manchete de hoje é a de que um dos delatores do esquema de corrupção na Petrobrás teria revelado que o PT recebeu US$ 200 milhões originados das negociatas dentro da empresa. Não há dia sem que uma nova denúncia do gênero seja ecoada pelos meios de comunicação. Nada tenho contra a veiculação de qualquer notícia, pois informar é o papel da imprensa. O que chama a atenção é o furor com que a imprensa se empenha na tarefa de desgastar a imagem pública do PT, conectando-o com malfeitos de toda a ordem. Chega-se a ter a impressão de que foi o PT que instalou a corrupção no Brasil. A mesma indignação, no entanto, não foi vista quando o PSDB governou o país, nem em relação ao seu desempenho no estado de São Paulo, que comanda há 20 anos. Como se sabe, em termos de corrupção, o PSDB não fica a dever a nenhum partido, muito antes pelo contrário. Na verdade, a afinidade ideológica entre os proprietários dos grandes veículos de comunicação do país e o PSDB faz com que a imprensa aja de forma indulgente com o partido. Sim, o governo federal tem problemas, a presidente Dilma Rousseff obteve a sua reeleição com pequena margem de votos, a corrupção é um fato, e a economia vive um momento delicado. Porém, nada disso justifica a tentativa de se fazer um terceiro turno eleitoral, levantando, até mesmo, hipóteses irresponsáveis, como a do impeachment da presidente Dilma. Para desgosto dos fomentadores do golpismo, pesquisas dão conta de que a simpatia pelo PT voltou a crescer junto ao eleitorado brasileiro. Não haverá terceiro turno. A democracia brasileira, que está atingindo 30 anos de exercício continuo, não será interrompida. O governo foi eleito legitimamente, nas urnas. Esse é o único aval de que ele precisa.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
Vexames
Grêmio e Inter vivem realidades econômicas diferentes, mas, hoje à noite, no Campeonato Gaúcho, igualaram-se na capacidade de proporcionar vexames. O Inter jogou mais cedo, às 19h30min. Em pleno Beira-Rio, num jogo em que chegou a estar goleando o São José por 3 x 0, empatou em 4 x 4, sofrendo um gol aos 45 minutos do segundo tempo. Se a produção ofensiva agradou, com o estreante Vitinho e Eduardo Sasha fazendo dois gols cada um, a defesa foi um descalabro. Como disse, com acerto, o técnico do Inter, Diego Aguirre, independentemente do esquema tático que seja adotado, nenhum time pode levar quatro gols num único jogo. Foi o segundo jogo do Inter no Gauchão, contra adversários modestos, e ambos terminaram empatados. Diego Aguirre recebeu críticas fortes do presidente do Inter, Vitório Píffero, que deixou claro que ele não foi escolha sua. Foi o vice-presidente de futebol Luís Fernando Costa, recentemente falecido, quem o escolheu, o que lhe deixa sem respaldo para enfrentar eventuais pressões, e pode fazer com que sua passagem pelo Inter seja extremamente breve. Mais tarde, às 22h, o Grêmio, jogando no Cristo Rei, perdeu para o Aimoré por 2 x 1. Os gols do Aimoré foram no início e no fim do primeiro tempo. No segundo, o Grêmio descontou, mas não teve forças para obter um melhor resultado. As carências do Grêmio ficaram escancaradas. Poucos jogadores tiveram boa atuação. Talvez o mais destacado tenha sido Júnior, que já mereceria ser efetivado como lateral esquerdo titular. Douglas e Fellipe Bastos estiveram mal, Marcelo Oliveira falhou grosseiramente no primeiro gol do Aimoré, e Galhardo foi inexpressivo tanto na lateral direita quanto como volante. Ao perder para um adversário tão modesto, o Grêmio sinaliza que 2015 será mais um ano de muito sofrimento para seus torcedores.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
A saída de Barcos
A saída do centroavante Barcos, vendido para o Changtun Yatai, da China, embora lamentada por alguns, foi conveniente para o Grêmio. O clube se verá livre de seu polpudo salário, de R$ 700 mil, saldará as dívidas que tem com o próprio jogador e, possivelmente, encaminhará a rescisão do contrato de Kléber, que também tem um ganho mensal muito elevado. Com isso, o Grêmio fará uma substancial redução na sua folha de pagamentos, o que ajudará no processo de saneamento financeiro a que está sendo submetido. O jogador, de sua parte, fará um contrato milionário aos 30 anos de idade, algo difícil de se conseguir. Em relação ao aspecto técnico, a perda não foi tão expressiva como querem alguns. Barcos fez 45 gols em dois anos de Grêmio, mas eles foram mal distribuídos e faltaram em momentos decisivos. Afora isso, Barcos não ganhou nenhum título pelo Grêmio. O Grêmio é um time com grandes carências em termos de qualidade, mas a saída de Barcos não as agrava. Marcelo Moreno será, agora, titular absoluto, sem ter de disputar posição com Barcos ou jogar junto com ele, e tem tudo para corresponder plenamente. O problema do Grêmio se situa em outras posições, principalmente nas duas laterais. A venda de Barcos foi um negócio de ocasião para todas as partes. Nada há a lamentar.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
Sem esperança
Os brasileiros, já tão desencantados com a política, devem estar sem nenhuma esperança de melhoras nesse campo, depois do dia de ontem. Como era esperado, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ganhou a eleição para presidente da Câmara dos Deputados. Também como estava previsto, Renan Calheiros (PMDB-AL) reelegeu-se presidente do Senado. Cunha e Calheiros são dois representantes do que há de pior na política brasileira, e pertencem a um partido fisiológico, que busca estar sempre no poder, independentemente de quem governe. Com eles nos mais altos cargos do Congresso Nacional, as novas legislaturas de ambas as casas confirmam o seu caráter retrógrado e conservador, incompatível com tempos de fervilhantes mudanças como os que atualmente se verificam. A agenda institucional brasileira, tão necessitada de profundas e urgentes mudanças, não avançará enquanto figuras tão deletérias comandarem o Poder Legislativo do país. Mais uma vez, Brasília confirma ser uma ilha da fantasia, desconectada do Brasil real. Nela, imperam os interesses de grupos políticos descompromissados com os interesses maiores da população. Num país que clama por mudanças, as eleições de Cunha e Calheiros representam a manutenção das velhas práticas políticas que tanta revolta causam nos brasileiros.
domingo, 1 de fevereiro de 2015
Bivice-campeão
O Inter, que se autodenomina o "campeão de tudo" não está conseguindo comprovar isso na prática. Hoje, ao empatar em 1 x 1 com o Lajeadense, na Arena Alvi-Azul, em sua estreia no Campeonato Gaúcho, teve de disputar nos tiros livres da marca do pênalti, o título da Recopa Gaúcha, competição que reúne o campeão estadual e o da Copa da Federação do ano anterior. Derrotado nas cobranças por 3 x 1, o Inter perdeu o título da competição pela segunda vez consecutiva. Em 2014, jogando com o seu time B, o Inter perdera por 3 x 2, de virada, para o Pelotas, na Boca do Lobo. Como a Recopa Gaúcha só teve, até hoje, essas duas edições, o Inter como bivice-campeão, ainda não pode inclui-la no seu rol de conquistas. Não é, portanto, um "campeão de tudo". No jogo em si, o empate ficou bem ajustado ao futebol apresentado pelos dois times. Depois de um primeiro tempo equilibrado, o Lajeadense abriu o placar logo aos dois minutos do segundo, num pênalti que também acarretou a expulsão do lateral direito Leandro, do Inter. Numa falha da defesa do Lajeadense, após uma cobrança de escanteio, o Inter empatou o jogo. O gol sofrido abalou o Lajeadense, e fez o Inter, mesmo com um jogador a menos crescer em campo. Porém, o Lajeadense soube suportar a pressão e, com a entrada do jovem atacante Quaresma, revelação de suas categorias inferiores, tornou a levar perigo ao gol do Inter. Com o empate, o Inter já larga atrás no Gauchão, pois essa primeira fase da competição é de pontos corridos, em turno único. Esse fato, e mais a perda do primeiro título do ano, fizeram com que o Inter começasse as disputas de 2015 preocupando o seu torcedor. Claro, é muito cedo ainda, o time não estava completo, alguns jogadores ainda não estrearam e outros serão contratados, mas o resultado de hoje, somado ao amistoso contra o Shakthar Donetsk, em que foi totalmente envolvido pelo adversário, já deixam muitos com a pulga atrás da orelha sobre as perspectivas do Inter no ano.
sábado, 31 de janeiro de 2015
Obrigação cumprida
O Grêmio cumpriu com sua obrigação ao golear o União Frederiquense por 3 x 0, hoje, na Arena, em sua estreia no Campeonato Gaúcho. Não se poderia admitir outro resultado em casa de um clube da grandeza do Grêmio, contra um adversário fundado há cinco anos e que debuta na primeira divisão estadual, que não fosse a vitória, e, se possível, com folga no placar, como ocorreu. Apresentando um time muito modificado em relação ao ano passado, com vários garotos, e que ficou, na última hora, sem Douglas, por problemas contratuais, o Grêmio começou cedo a construir o resultado. Ainda no primeiro tempo, chegou aos 2 x 0. No segundo tempo, diminuiu seu ritmo e ficou com um jogador a menos, devido à expulsão de Araújo, mas, já no final da partida, estabeleceu a goleada. O grande nome do jogo foi Barcos, autor dos dois primeiros gols e que fez o cruzamento para o terceiro, marcado por Éverton. Curiosamente, Barcos pode estar de saída para o futebol chinês, numa transação que traria importantes recursos para os cofres do Grêmio, afora gerar a economia de R$ 700 mil por mês, valor de seu salário. Entre os garotos, os desempenhos foram díspares. Lincoln confirmou tudo o que dele tem sido dito. Com apenas 16 anos, completados em novembro, mostrou grande capacidade técnica e naturalidade para jogar seu futebol. Marcelo Hermes pareceu ser muito fraco tecnicamente, Araújo mostrou-se promissor, mas imaturo, o que resultou em sua expulsão por faltas cometidas em duas jogadas nas quais estava distraído, Luan, mais uma vez, teve mais pose de craque do que efetividade, errando quase todas os lances, e Éverton, que jogou apenas alguns minutos, reafirmou suas qualidades marcando o último gol. Foi apenas a estreia no Gauchão, contra um adversário modesto e inexperiente, mas a vitória sempre oxigena o ambiente. O time do Grêmio continua em construção, com a possibilidade de novas saídas e chegadas. Seria conveniente, no entanto, que esse processo não se prolongasse por muito tempo, para que se defina, de uma vez, o grupo de jogadores para 2015.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
Recomeço
Depois de quase dois meses, somando férias e pré-temporada, as competições oficiais estarão de volta ao futebol brasileiro a partir de amanhã. Como de hábito, caberá aos anacrônicos campeonatos estaduais, a abertura do ano futebolístico no país. Não bastasse o pouco interesse que essas competições despertam, os grandes clubes brasileiros, que vivem, na sua maioria, uma grave crise financeira, não montaram times fortes, capazes de empolgar o torcedor. A tendência é termos disputas estaduais marcadas pelo baixo nível técnico. Com exceção do Inter, que fez contratações de peso, a maior parte dos grandes clubes iniciará 2015 com um time inferior ao do ano passado. O caso do Cruzeiro, bicampeão brasileiro, é emblemático. O clube se desfez de vários titulares, entre eles, seus dois maiores destaques, Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart. As contratações feitas não foram no mesmo nível, e a mais badalada delas, a do meia uruguaio De Arrascaeta, na verdade, é uma aposta. Seu maior rival, o Atlético Mineiro, é o outro clube que, a exemplo do Inter, começa o ano bem credenciado. O clube perdeu um titular importante, Diego Tardelli, mas fez uma reposição qualificada, com o argentino Lucas Pratto, e manteve o restante do time, que é muito bom. O Grêmio partiu para uma contenção de gastos feroz, se desfez de vários jogadores, e realizou contratações modestas. O Flamengo manteve a base de 2014, o que está longe de ser suficiente, e, ainda assim, é o melhor entre os grandes clubes do Rio de Janeiro. O Fluminense, que perdeu o seu principal patrocinador, o Vasco, recém egresso da Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro, e o Botafogo, que fez o caminho inverso e foi rebaixado, vivem fase de enorme aperto financeiro e efetuaram contratações em quantidade, mas de pouca qualidade. No futebol paulista, o São Paulo fez poucas contratações, nenhuma delas de grande vulto, o Corinthians manteve sua base, que é boa, e parece apostar mesmo é na qualidade do técnico Tite, que voltou ao clube. O Santos também passa por graves problemas financeiros, perdeu jogadores e fez contratações de eficácia duvidosa. O Palmeiras já contratou 18 jogadores, mas, é claro, nem todos eles deverão aprovar. Ainda assim é o clube que mais motivou o seu torcedor com suas várias aquisições. Como se vê, o panorama do recomeço do futebol brasileiro não é dos mais animadores. Resta esperar que, ao longo do ano, esse quadro possa se alterar para melhor.
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