domingo, 7 de dezembro de 2014
Mediocridade
O Grêmio empatou com o Flamengo em 1 x 1, hoje, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro. A partida não valia mais nada para os dois clubes, mas o Grêmio jogou com todos os titulares disponíveis, enquanto o Flamengo usou um time reserva. Ainda assim, a atuação do Grêmio foi marcada pela mediocridade. O time saiu atrás do Flamengo no placar, numa falha de Marcelo Grohe, e empatou graças a um erro de arbitragem, pois antes de sofrer a falta cometida pelo goleiro César, que foi expulso, Barcos conduziu a bola com a mão. Depois de golear o Inter e o Criciúma, o Grêmio disputou mais 12 pontos e só ganhou um. Terminou o Brasileirão em 7º lugar, 19 pontos atrás do campeão, o Cruzeiro. Uma campanha muito inferior às duas edições anteriores do campeonato, quando foi 3º colocado e vice-campeão, respectivamente. Mais um ano de sofrimento para um clube que não ganha um Campeonato Gaúcho desde 2010, e não conquistou nenhum título de expressão depois de 2001. No vestiário, os dirigentes não apareceram, apenas o técnico Felipão e o gerente remunerado Rui Costa. Felipão, falando como se dirigente fora, anunciou o pior quadro possível para o torcedor em 2015, com a saída de oito jogadores do grupo principal, e a contratação de apenas um ou dois. A complementação do grupo se dará com jogadores que já estão no clube e garotos das categorias inferiores. Se 2014 foi ruim para o torcedor gremista, 2015 deverá ser muito pior.
sábado, 6 de dezembro de 2014
Combinação imbatível
O Inter venceu o Figueirense por 2 x 1, de virada, hoje, no Orlando Scarpelli, pelo Campeonato Brasileiro. Com isso, obteve a classificação direta para a Libertadores, pois embora tenha terminado o Brasileirão com o mesmo número de pontos do Corinthians, alcançou duas vitórias a mais. Mais uma vez, o Inter conseguiu uma combinação que tem se mostrado imbatível nessa reta final de competição, a de uma péssima arbitragem com uma sorte imensa. Depois de empatar com o São Paulo com um gol marcado em impedimento, e ganhar do Atlético Mineiro com a sonegação de um pênalti escandaloso em favor do adversário, o Inter se valeu da atuação horrorosa do árbitro Mariélson Alves (BA), e de uma sorte incompreensível, para vencer o Figueirense. A exemplo do jogo contra o Atlético Mineiro, o gol da vitória veio no último minuto dos acréscimos. O árbitro foi decisivo para o resultado. Ainda no início do jogo, o lateral esquerdo Alan Ruschel, do Inter, deu uma cotovelada criminosa em um adversário, e não foi expulso. No segundo tempo, o volante França, do Figueirense, foi expulso por uma falta que não cometeu. Próximo ao final do jogo, Alan Ruschel, finalmente, foi expulso. O árbitro deu quatro minutos de acréscimo, durante os quais ocorreram mais duas expulsões, uma para cada lado. O bom senso recomenda que, nesses casos, o árbitro encerre o jogo no tempo previsto. Estranhamente, o árbitro optou por dar mais um minuto de acréscimo, período em que saiu o gol da vitória do Inter. Os jogadores do Figueirense, revoltados, foram para cima do árbitro após o jogo. O centroavante do Inter, Rafael Moura, agiu como escudo para o árbitro. Se persistir com essa combinação, o Inter não terá adversário capaz de derrotá-lo. Afinal quem pode superar a dupla formada por erros de arbitragem e uma sorte absurda?
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
Prática recorrente
A cada vez que um partido sucede a outro no poder, nos vemos diante de uma prática recorrente. Ela consiste em alardear que a situação financeira recebida é "dramática". Com o governador eleito do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (PMDB), não foi diferente. Sartori disse que sabia da situação financeira do Estado, mas que desconhecia a extensão das dificuldades. Em função desse quadro, anunciou que adotará "medidas duras" no campo econômico. Todos os governantes, quando quem lhes antecedeu no poder é de uma corrente ideológica diversa da sua, descrevem um panorama financeiro catastrófico, que resulta numa "herança maldita" que terão de administrar. Assim, podem justificar o não cumprimento de promessas de campanha, pois o "caos financeiro" lhes levará a falta de recursos para novos investimentos. No caso em questão, a situação tem um efeito ainda mais perverso. Sartori tentou se esquivar, durante a campanha, de qualquer definição mais clara sobre suas intenções, caso fosse eleito. As razões para esse comportamento são claras. O futuro governador do Rio Grande do Sul é adepto das práticas econômicas neoliberais, que levam ao arrocho salarial, cortes nos investimentos, aumento do desemprego e privatizações. Agora, já eleito, fala em medidas duras. O ex-ocupante do cargo, Alceu Collares, sem papas na língua, já declarou que Sartori fará um mau governo, pois, lembrou, todos as administrações estaduais anteriores do PMDB foram ruins, o que é absolutamente verdadeiro. Porém, o eleitor deu a Sartori uma vitória maciça no segundo turno. Não terá o direito de se queixar quando as "medidas duras" afetarem o seu bolso. Afinal, como expressa o ditado popular, quem corre por gosto não cansa.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
Mudança definitiva
Embora sua inauguração vá completar dois anos na próxima segunda-feira, a Arena do Grêmio ainda não era sentida pelo clube e pela torcida como o seu novo endereço. A parceria com a construtora responsável pela obra, e o fato de o estádio Olímpico não ter sido implodido no prazo previsto, com a continuidade da realização de treinos no local, contribuíram para que a Arena ainda não tivesse emplacado no imaginário do torcedor como a nova casa do Grêmio. Dois acontecimentos dessa semana deverão mudar esse quadro. Os treinos para o jogo de domingo contra o Flamengo, o último do Grêmio em 2014, serão os derradeiros da história do antigo estádio. O Centro de Treinamento Luiz Carvalho, em frente à Arena, recentemente inaugurado, será, a partir de 2015, o local definitivo dos treinos do Grêmio. O outro fato que marca o começo efetivo da nova era na vida do clube é a abertura, na Arena, de um restaurante e casa noturna que funcionará de terça a domingo. Com isso, os planos de tornar a Arena um espaço multiuso começam a sair do papel, o que mudará a relação da comunidade com o estádio, e irá impactar positivamente toda a região onde ele está sediado. O bairro Humaitá, e seu entorno, iniciará uma etapa de valorização, que será acentuada na medida em que os prédios de alto padrão que estão sendo erguidos pela mesma construtora que fez a Arena forem concluídos. O Olímpico, cuja inauguração completou 60 anos em setembro, será, daqui em diante, uma terna lembrança. A mudança definitiva do Grêmio para a Arena, enfim, é uma realidade.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
Tensão política
A alta voltagem emocional verificada durante a campanha para a eleição presidencial ainda não se dissipou. Nem mesmo a indicação, por parte da presidente reeleita Dilma Rousseff, de uma nova equipe econômica do agrado das forças conservadoras e do "mercado" conseguiu diminuir o clima de beligerância entre situação e oposição. A proposta do governo de alterar a Lei de Diretrizes Orçamentárias, e os desdobramentos do "petrolão", o escândalo do momento, tem elevado a tensão política às alturas. Como não poderia deixar de ser, o candidato derrotado na eleição presidencial, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), está tentando aparecer como o líder da inconformidade oposicionista. Não passa dia sem que uma nova declaração de Aécio, sempre em tom bombástico, chegue ao conhecimento da opinião público. Aécio já disse que foi derrotado por uma "organização criminosa" e, agora, declarou que, se comprovado o uso de propina na campanha, o governo será "ilegítimo". O quiproquó ocorrido nas galerias do Congresso em função da proposta de alteração da LDO é outro exemplo do clima político incendiário que vive o país. O lado bom de tudo isso é que a ainda jovem democracia brasileira está passando no teste. Ao contrário do que sustentam mentes retrógradas e golpistas, o Brasil não é uma nau sem rumo. Os graves acontecimentos do "petrolão" estão sendo devidamente investigados, sem engavetamentos de denúncias, tão comuns em outros governos. A economia experimenta uma fase de turbulência, o que pode ocorrer em qualquer governo, mas as medidas para solucionar os problemas estão sendo tomadas, com a presidente Dilma agindo de forma pragmática e não ideológica. O governo reeleito tem muitos desafios pela frente, mas eles serão enfrentados dentro da normalidade constitucional, sem que se ponha fogo no circo.
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
Emoção na última rodada
O sorteio dos grupos da Libertadores de 2015, realizado hoje à noite, tornou os jogos de sábado pelo Campeonato Brasileiro carregados de emoção. Os jogos Figueirense x Inter e Corinthians x Criciúma definirão quem irá para a pré-Libertadores, e quem já entrará diretamente na fase de grupos. Pelo sorteio, o clube brasileiro que disputar a pré-Libertadores, caso consiga ir adiante, entrará no chamado "grupo da morte", junto com São Paulo, San Lorenzo, atual campeão da competição e Danúbio, do Uruguai. O clube que entrar direto na fase de grupos enfrentará o Emelec (EQU), um clube chileno e o vencedor de Monarcas Morelia (MÉX)) x The Strongest (BOL), na pré-Libertadores. Portanto, afora ter uma pré-temporada mais longa, o clube que for direto para a fase de grupos pegará adversários bem mais fáceis. Por isso mesmo, Inter e Corinthians deverão estar extremamente motivados para buscar o terceiro lugar no Brasileirão, e a consequente fuga da fase prévia da Libertadores. O Inter tem a vantagem de jogar por resultados iguais ao do Corinthians para manter essa colocação. Essa definição já poderia ter ocorrido em favor do Corinthians, bastava um simples empate do clube paulista com o Fluminense, que não pretendia mais nada na competição. No entanto, embora tendo saído na frente no placar, o Corinthians foi goleado pelo Fluminense por 5 x 2. Com isso, não depende mais apenas de suas forças para obter a classificação direta, pois, ainda que tenha o mesmo número de pontos do Inter, soma duas vitórias a menos. Por outro lado, o Inter estará bastante desfalcado para o jogo contra o Figueirense. Será um sábado de fortes emoções, comprovando que um campeonato por pontos corridos não perde o interesse mesmo depois de ser conhecido o seu campeão.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
Direitos
Uma das causas de conflito na convivência em sociedade é a interpretação do que seriam os direitos de cada parte, individuais ou de grupos. A sociedade brasileira passa, no momento, por um processo visível de "caretização", uma explosão de neoconservadorismo. Os setores mais reacionários e conservadores da coletividade estão tentando impor seus conceitos. Como argumento, há a busca da segurança ou a defesa do "sossego público". Os administradores públicos tem se curvado às pressões desses grupos. Em nome da "segurança", os estádios de futebol, um esporte popularíssimo, encolheram e aumentaram estratosfericamente os preços de seus ingressos. Dessa forma, os pobres ficam sem condições de frequentá-los, o que garantiria, pretensamente, a não ocorrência de tumultos, já que os atos de selvageria são sempre relacionados à condição econômica das pessoas, numa odiosa prática de apartheid social. Outra arma dos reacionários, como foi citado, é a defesa do "sossego público". Em nome dela, bares da Cidade Baixa, atualmente o bairro mais boêmio de Porto Alegre, estão sendo interditados. A proposta da prefeitura e da Brigada Militar é de transferir as aglomerações do bairro para o Anfiteatro Pôr-do-Sol, que não é cercado por moradias. Poucas vezes vi uma proposta tão estúpida! Com razão, um grupo de frequentadores do bairro protestou, no sábado, contra essa estapafúrdia intenção. O protesto, organizado por meio do Facebook, contou com o apoio de 4.800 pessoas. Um dos organizadores do ato, Ramiro Castro, disse que as interdições de bares do bairro são um "ataque à juventude". Tem toda a razão. Esse ataque, por sinal, não podia ficar sem resposta. A sociedade vive uma clara queda-de-braço entre os que defendem a liberdade e os arautos da repressão. Um aspecto, em particular, chama a atenção. Em todos esses episódios, há a presença, dando seus palpites, das polícias militares. Elas querem determinar a capacidade máxima de pessoas que um estádio pode receber, quantos torcedores do clube visitante se farão presentes, entre outras medidas que fogem da sua alçada. Os administradores públicos e os clubes, covardemente, se dobram diante de tais abusos. Agora, a Brigada Militar quer remover frequentadores de um bairro boêmio de uma cidade. Tudo para prevenir "desordens", no caso dos estádios, e garantir a "tranquilidade" de moradores, no que se refere aos bares. Policiais militares são servidores públicos, cabe-lhes cumprir ordens, não assumir o protagonismo em tais situações. A porção sadia da sociedade não deve se dobrar. Abaixo à repressão!
domingo, 30 de novembro de 2014
Atuação vergonhosa
O Grêmio perdeu para o Bahia por 1 x 0, hoje, na Arena Fonte Nova, pelo Campeonato Brasileiro. Foi uma atuação vergonhosa, de um time que entrou em campo sabendo que o Corinthians havia sido goleado pelo Fluminense por 5 x 2, o que mantinha suas chances de se classificar para a Libertadores, desde que ganhasse do Bahia. O desempenho do Grêmio em campo, no entanto, em nada refletiu isso. O primeiro tempo do time foi de uma incrível apatia, e de um péssimo futebol. As grandes defesas de Marcelo Grohe, e a ruindade do adversário faziam com que o placar se arrastasse em 0 x 0, até que, já no final do primeiro tempo, Geromel fez uma falta violentíssima em Henrique, e foi merecidamente expulso. Na cobrança, Galhardo fez 1 x 0 para o Bahia. No segundo tempo, mesmo com um jogador a menos, o Grêmio reagiu e criou oportunidades de gol, mas não conseguiu marcar nenhum. Um final de campeonato melancólico, que transforma o último jogo do Grêmio no Brasileirão, contra o Flamengo, no próximo domingo, na Arena, num amistoso para ser assistido por poucas testemunhas. O trabalho do técnico Felipão, tido como muito bom por alguns, não classificou o Grêmio para a Libertadores, o que Vanderlei Luxemburgo e Renato, nos dois anos anteriores, conseguiram. Como se não bastasse, ainda hoje, foi revelado que o Grêmio dispensou Alan Ruiz, o grande nome na goleada de 4 x 1 sobre o Inter. O ano de 2015 para o Grêmio já se prenuncia sombrio. A derrota para o Bahia evidenciou as fragilidades técnicas e anímicas do time. Com a perspectiva de ter somente o Campeonato Gaúcho para disputar durante quase todo o primeiro semestre, os investimentos serão poucos, e o time a ser formado tende a ser ainda mais modesto. O sofrimento do torcedor gremista parece não ter fim.
sábado, 29 de novembro de 2014
Vitória previsível
O Inter venceu o Palmeiras por 3 x 1, hoje, no Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro. A vitória, altamente previsível, classificou o Inter para a Libertadores, restando saber se de forma direta ou para a fase prévia da competição.O Palmeiras luta para não ser rebaixado, e vinha de quatro derrotas consecutivas, todas por 2 x 0. Seu time é fraquíssimo, e contra um adversário que buscava a classificação para a Libertadores e era apoiado pela quase totalidade do público de 41 mil pessoas, não havia como esperar que opusesse resistência. O primeiro tempo terminou empatado em 1 x 1, uma pequena surpresa, mas era óbvio que o Palmeiras não resistiria no segundo. A vitória veio ao natural. Menos mal, para o Palmeiras, que o Vitória foi goleado por 4 x 0 pelo Flamengo, o que faz com que só dependa das suas próprias forças para que, na última rodada, contra o Atlético Parananense, em casa, possa evitar o rebaixamento. Por sua vez, o Inter, depois dois anos de ausência voltará à Libertadores. Erros grotescos de arbitragem, uma tabela que lhe reservou três jogos consecutivos em casa na reta final do Brasileirão e uma sorte descomunal em alguns momentos, proporcionaram a classificação de um time que, ao longo da disputa, cometeu "façanhas" como a derrota por 3 x 2, de virada, para o Figueirense, em pleno Beira-Rio, e a goleada de 5 x 0 que sofreu para a Chapecoense. Esse "brilhante" desempenho foi premiado com a ida à Libertadores. O futebol, muitas vezes, é desconcertante.
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
Aposentadoria adiada
A decisão do goleiro Rogério Ceni, do São Paulo, hoje anunciada, de assinar um novo contrato até agosto de 2015, mostra o quanto é difícil saber o momento adequado de encerrar uma carreira. Com uma trajetória exitosa no São Paulo, seu único clube, muitos consideram Rogério o maior jogador da história da instituição. Marcou, até hoje, mais de 100 gols, todos em cobranças de faltas e pênaltis, um feito único para um jogador da sua posição. No entanto, Rogério já está próximo de completar 42 anos. Ele já havia prometido encerrar a carreira em 2013. Porém, acabou decidindo continuar jogando por mais um ano. Em abril último, declarou que 2014 era, decididamente, o seu derradeiro ano de carreira. Agora, voltou atrás novamente. Penso ser uma escolha equivocada. O fato de ter tido um bom desempenho esse ano, somado à classificação do São Paulo para a Libertadores, influiu na atitude de Rogério, mas ela é mais emocional do que racional. Seria muito mais conveniente parar num bom momento, preservando integralmente sua imagem de ídolo, do que sujeitar-se a um súbito decréscimo técnico, o que é sempre uma hipótese para um jogador de idade tão avançada. Não é fácil tomar a decisão de encerrar a carreira para quem alcançou a fama e a fortuna. Sair do foco dos holofotes, deixar de fazer novos contratos milionários, são perspectivas que atormentam os grandes jogadores. Porém, ao contrário de outras profissões, a de jogador de futebol depende de um físico jovem e de grande vitalidade, e Rogério já é um veterano. Com seus sucessivos adiamentos do final de carreira, Rogério corre o risco de vir a fazê-lo num momento menos favorável, empanando uma trajetória tão bem sucedida, e dificulta a sua própria adaptação a um novo projeto profissional, o que, mais cedo ou mais tarde, terá de acontecer.
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