quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Situação constrangedora

O futebol gaúcho vive uma situação constrangedora. Enquanto Santa Catarina conta com três clubes na Primeira Divisão brasileira, o Rio Grande do Sul tem apenas dois, os tradicionais Grêmio e Inter. Na Segunda Divisão, são dois clubes catarinenses, contra nenhum gaúcho. Os participantes do estado na Terceira Divisão, tentam, há anos, de modo infrutífero, subir para a Segunda. Assim, cada vez mais, o futebol do Rio Grande do Sul está se limitando à dupla Gre-Nal. O Brasil de Pelotas tem uma torcida numerosa e fiel, e acabou de subir da Quarta Divisão para a Terceira, onde irã se juntar à Juventude e Caxias, mas esbarra em grandes limitações financeiras para poder sonhar mais alto. Por outro lado, as grandes potências do futebol gaúcho não estão conseguindo êxito, nos últimos anos, na disputa com os demais grandes clubes brasileiros. O Grêmio não ganha uma competição nacional há 13 anos, e, no Inter, esse jejum é ainda mais longo, de 22 anos. Se os clubes do interior penam pela escassez de recursos, Grêmio e Inter gastam muito para obter poucos resultados. Hoje, em comparação com os outros três grandes centros do futebol brasileiro, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, o Rio Grande do Sul está em nítida desvantagem. Cabe perguntar o que faz o presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Francisco Noveletto, para alterar esse quadro? Cobrado a respeito, Noveletto insiste em dizer que os clubes do interior recebem uma boa verba de televisão pelos direitos de transmissão do Campeonato Gaúcho, e que é a dupla Gre-Nal que rouba todas as atenções para si, não permitindo o crescimento dos demais, o que é uma desculpa esfarrapada, pois os catarinenses conseguem fazer um bom trabalho, mesmo com escassos recursos e sofrendo a concorrência, junto ao público, dos maiores centros do futebol brasileiro. Ele, ate pouco tempo atrás, tinha pretensões de concorrer ao cargo de presidente da CBF. A julgar pelo seu desempenho no cargo que atualmente ocupa, o futebol brasileiro livrou-se de um desastre.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

A exacerbação da intolerância

A eleição presidencial recém encerrada revelou um acirramento do clima político no país. De uma forma nunca antes vista, o Brasil se viu dividido em dois grupos altamente beligerantes, com objetivos e visões antagônicos. Com uma eleição decidida por pequena margem de votos, era óbvio que esse quadro não iria se alterar de uma hora para a outra. Nas redes sociais, onde as postagens, durante a campanha, atingiram níveis de agressividade inéditos, o enfrentamento entre dilmistas e aecistas continua, como se a eleição não tivesse acabado. A inconformidade dos derrotados atingiu uma proporção tamanha que eles propõem medidas radicalmente antidemocráticas, tais como separar as regiões Sul e Sudeste do resto do país, ou conclamar pela volta dos militares ao poder. Os brasileiros mais bem situados na escala social deixaram-se tomar pelo sentimento de intolerância. Não suportam a ideia de um país pluralista, que defenda os interesses de todos, não apenas de alguns. Por sentirem seus privilégios ameaçados, sonham em formar um novo país, só com a porção "Bélgica" do Brasil, branca e abastada, livrando-se da parte "Índia", mestiça e pobre, que é muito mais numerosa. A mesma intolerância e aversão à democracia faz com que muitos desejem a volta dos militares, para colocar "ordem na casa". Para o bem do país, tudo isso não passa de delírio, fomentado pelo despeito de quem não sabe perder. O país não será dividido, e os militares não deixarão os quartéis. Se quiserem chegar ao poder, os intolerantes terão de esperar mais quatro anos, e obtê-lo pelo voto, que é o único meio aceitável para tanto numa democracia.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Hipocrisia

O presidente eleito do Grêmio, Romildo Bolzan Júnior, prometeu usar todo o seu trânsito político para por fim a proibição de se consumir bebidas dentro dos estádios do Rio Grande do Sul. Romildo foi, por muitos anos, presidente estadual do PDT. Ele tem toda a razão em buscar a revogação dessa medida. Ela não passa de uma hipocrisia, tão ao gosto dos tempos em que vivemos, onde o falso moralismo e a praga do politicamente correto se espalham como ervas daninhas. A intenção de diminuir os índices de violência com tal proibição é uma piada, já que, em torno dos estádios, há uma enorme quantidade de estabelecimentos que vendem bebidas alcoólicas. A ação de Romildo é motivada pelo fato de que o veto ao consumo de bebidas nos estádios inibe a venda dos "namings rights", ou seja, a associação de empresas do setor com o nome do estádio, tal como já acontece em outros estados. A lei, saudada por muitos incautos, não tem nenhum efeito prático em relação ao efeito que pretende, é apenas uma interferência autoritária e indevida sobre a liberdade individual, e que, como se vê, também causa prejuízos econômicos. Tomara que Romildo alcance o seu intento.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Direita Miami

A polarização entre PT e PSDB, que atingiu níveis histéricos, fez surgir as expressões "esquerda caviar" e "direita Miami". Bem, a esquerda caviar parece ser apenas um contraponto argumentativo, mas a direita Miami apareceu na eleição para presidente claramente, sem nenhum disfarce. A maior vitória de Aécio Neves sobre Dilma se deu, justamente, entre os eleitores brasileiros residentes em Miami. Lá, Aécio teve quase 92% dos votos, índice que não conseguiu em nenhuma cidade do Brasil. Confirma-se, assim, a existência de um grupo ideológico muito bem identificado, de convicções antipetistas, formado por pessoas endinheiradas, fascinadas pelo consumismo e ostentação característicos dessa cidade litorânea dos Estados Unidos. São pessoas que tem horror à pobreza, e que deleitam-se com a opulência. Consideram seus privilégios um direito, e como despeitados e invejosos aqueles que os questionem. Para a direita Miami, nada é mais detestável do que um governo que traga 50 milhões de pessoas para o mercado de consumo. São elitistas convictos. Não querem repartir suas regalias. Os programas sociais do governo, as cotas para negros nas universidades, e tantas outras medidas de inclusão social são vistas com repúdio por esse grupo. A direita Miami acostumou-se com um Brasil com muito para poucos e quase nada para a maioria da população. Na famosa "Belíndia", definição do economista Edmar Bacha sobre a divisão social no Brasil, pertencem à porção "Bélgica", pequena e rica, em contraste com a "Índia", enorme e pobre. Porém, para o bem do país, não conseguem impor a sua vontade. A acachapante vitória de Aécio em Miami ficará, apenas, como um dado curioso do pleito. Na eleição como um todo, a presidente Dilma Rousseff foi reeleita, e a porção "Índia" do país continuará encolhendo, com mais justiça social para milhões de brasileiros.

domingo, 26 de outubro de 2014

Idiossincrasias gaúchas

O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, do PT, não conseguiu a reeleição. O candidato do PMDB, José Ivo Sartori, ganhou a eleição, no segundo turno, com 61% dos votos. Os gaúchos, dessa forma, trocam um governador a que haviam eleito no primeiro turno, em 2010, por um candidato folclórico, despreparado intelectualmente, com enormes dificuldades de expressão, vazio de propostas, e que oculta suas verdadeiras intenções. Levados por suas idiossincrasias, quase inexplicáveis no plano racional, os gaúchos, mais uma vez, negam a reeleição para um governador, ainda que, no caso presente, se trate de um político testado e um intelectual de primeira linha. Partiremos, então para uma aventura de imprevisíveis consequências, com o estado sendo governado por um despreparado, tendo como vice de sua chapa um representante da plutocracia, que, assumidamente, não cumpre com os direitos trabalhistas dos empregados de sua fazenda. Um enorme retrocesso, a comprovar que o dito "estado mais politizado do Brasil" involuiu assustadoramente.

Tetra

A presidente Dilma Rousseff foi reeleita. O PT conquistou, assim, o seu quarto mandato consecutivo no governo federal, os dois primeiros com o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. O PT, portanto é tetra. A vitória foi apertada, pouco mais de 3 milhões de votos de diferença, mas nem por isso é menos legítima. Nunca um governo sofreu uma campanha de mídia tão agressiva contra si, culminando com uma edição da revista "Veja" antecipada para tentar influir na eleição, com uma série de denúncias sem comprovação. Ainda assim, mais uma vez o PT derrotou o PSDB. Os brasileiros conscientes não querem ver de volta o PSDB com suas políticas recessivas, suas privatizações, arrocho salarial e desemprego em massa. A despeito de malfeitos que tenham ocorrido em seus governos, o PT resgatou brasileiros para a cidadania, e colocou 50 milhões de pessoas no mercado de consumo, numa das maiores ações de mobilidade social de que se tem notícia. Foi nisso que o eleitorado apostou para dar mais um mandato de presidente para o PT. O fenômeno ocorrido em Porto Alegre, com quatro mandatos sucessivos na prefeitura, de 1988 a 2004, se repete para o PT, que ficará no governo federal, no mínimo, até 2018. Nada disso é por acaso. Não se derruba um governo socialmente eficiente com terrorismo midiático. Se a direita brasileira continuar apostando nesse método, tantas vezes derrotado, vai colher muitos outros fracassos.

sábado, 25 de outubro de 2014

Expectativa confirmada

O Inter venceu o Bahia por 2 x 0, hoje, no Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro. Foi o que se pode chamar de uma expectativa confirmada. Depois de ter perdido quatro jogos nos últimos cinco que disputara, não se admitia qualquer resultado que não fosse a vitória do Inter, jogando em casa contra um adversário que está na zona de rebaixamento do Brasileirão. Não seria aceitável um novo tropeço do Inter para o Bahia, depois daquele que lhe eliminou da Copa Sul-Americana. Os autores dos gols foram Alan Patrick, que não vinha tendo boas atuações, e Nilmar, que marcou o seu primeiro no retorno ao clube. O resultado garantiu a volta do Inter à zona de classificação para a Libertadores, mas a tabela é bastante dura daqui para a frente. Os dois próximos jogos do Inter serão fora de casa, contra Santos e Grêmio. Duas pedreiras, em partidas nas quais o Inter precisará pontuar para se manter entre os primeiros colocados. Pelo futebol que o Inter tem mostrado, não será uma tarefa nada fácil.

Poderia ter sido melhor

O Grêmio empatou com o Coritiba em 1 x 1, hoje, no Couto Pereira, pelo Campeonato Brasileiro. Depois de um primeiro tempo em que jogou muito mal e sofreu um gol, o Grêmio dominou o segundo, mas marcou o gol de empate apenas aos 39 minutos, e não conseguiu chegar à vitória. O empate fez o Grêmio cair mais uma posição na tabela. Agora, é o sétimo colocado. Os próximos dois jogos, em casa, contra Vitória e Inter, terão de ser vencidos, obrigatoriamente, ou o Grêmio não conseguirá sua classificação para a Libertadores. O maior problema do Grêmio continua sendo sua crônica dificuldade de fazer gols. Mesmo quando as oportunidades são criadas, a sorte não ajuda, como no caso da cabeçada de Lucas Coelho no travessão no jogo de hoje. O resultado, pelo que se viu em campo, poderia ter sido melhor. O futebol mostrado pelo Grêmio ao longo do Brasileirão, no entanto, não tem sido consistente, mas a tabela lhe é bastante favorável. Resta saber tirar proveito disso e evitar o  fracasso absoluto no ano obtendo a classificação para a Libertadores.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Limite excedido

A chegada às bancas, de forma antecipada, da revista "Veja", com mais uma capa panfletária contra o PT e, mais especificamente, contra a presidente Dilma Rousseff e seu antecessor no cargo, Luís Inácio Lula da Silva, excedeu todos os limites do mau jornalismo. Ficou evidente se tratar de uma tentativa desesperada de influir no resultado da eleição, daí a antecipação da chegada da revista às bancas. Nenhuma das "denúncias" da reportagem de capa tem qualquer comprovação. Esse filme já foi visto pelos brasileiros em todas as eleições presidenciais brasileiras, desde que elas foram retomadas. Os ataques aos candidatos do PT por parte de "Veja" são sempre furiosos e fóbicos. Numa sociedade democrática, nada há de errado em um veículo de comunicação expressar uma preferência partidária ou um determinado viés ideológico. No entanto, isso deve ser feito respeitando a veracidade dos fatos, sem denúncias que carecem de provas, nem com o rebaixamento da linguagem. O PT, há 12 anos no governo federal, tem sido leniente com a imunda prática editorial de "Veja". Há muito tempo, alguma medida prática no campo jurídico já deveria ter sido tomada contra a publicação. Se bem que a revista conte com um forte aliado no Supremo Tribunal Federal, o nefando ministro Gilmar Mendes, aquele que realizou uma antiga aspiração de "Veja" ao retirar a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista, comparando o seu ofício com o dos cozinheiros. Essa nova transgressão de "Veja" com os princípios do bom jornalismo não poderá ficar impune. Ela representa um atentado à democracia, uma atitude fascista. Num primeiro momento, a publicação deveria ser suspensa por um determinado período. Em caso de reincidência na prática do seu jornalismo mentiroso e panfletário, a medida a ser tomada teria de ser o seu fechamento.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

A cartilha de Dunga

O técnico da Seleção Brasileira, Dunga, estabeleceu uma cartilha comportamental para os jogadores. Ela estipula, entre outros aspectos, a proibição de manifestações de cunho religioso ou político e a utilização de brincos e piercings, obriga que se cante o hino nacional, veda o uso de celulares e tablets durante as preleções. A criação de uma cartilha de conduta para os jogadores é algo com a cara de Dunga. Com uma visão tacanha de mundo, consequência de seu pouco preparo intelectual, Dunga é adepto do estilo "sargentão". Os defensores dessa linha de atitude entendem que a disciplina é essencial para que os objetivos de um grupo sejam atingidos. Claro, de forma genérica, o conceito não está errado, pois é preciso foco para que conquistas sejam alcançadas. Porém, cercear a livre manifestação política, por exemplo, é inconcebível atualmente. Os jogadores da Seleção são homens adultos, afirmados na vida, e ganham polpudos salários. Não podem ser tratados como colegiais. Dunga insiste em cultivar a ideia de que é um comandante rigoroso e exigente em todos os itens. Faz parte do personagem que criou para si, o de grande líder. Bobagem. No futebol, o que importa são os resultados. A Seleção está vencendo, e isso consolida o trabalho de Dunga, ao menos por enquanto. A cartilha, com  o tempo, será mais um item folclórico de sua passagem pela Seleção, a exemplo do que aconteceu com seus estranhos figurinos no seu primeiro período treinando a equipe.