sexta-feira, 4 de julho de 2014
Melhor atuação
A Seleção Brasileira venceu a Colômbia por 2 x 1, no Castelão, hoje, pelas quartas de final da Copa do Mundo, e teve a sua melhor atuação na competição, até aqui. Não foi uma exibição extraordinária, mas foi segura, afirmativa. A Colômbia chegou a ameaçar uma reação após marcar o seu gol, mas o jogo não poderia ter outro vencedor. A dupla de zaga brasileira, David Luiz e Thiago Silva, que jamais perdeu jogando junta, foi a responsável pelos gols da Seleção. Pena que, Thiago Silva, que também é o capitão da equipe, levou o segundo cartão amarelo, e está fora do jogo contra a Alemanha, pelas semifinais, terça-feira, no Mineirão. Sem dúvida, será um grande desfalque, mas o que mais preocupa é a fratura da terceira vértebra lombar sofrida por Neymar, que o retirou da Copa, após receber um joelhaço nas costas. Ainda que não tenha tido uma grande atuação contra a Colômbia, Neymar é o maior nome da Seleção, e sua ausência, daqui, por diante, será terrível para a equipe. De qualquer forma, a Seleção resgatou a confiança em seu futebol, e não tem porque temer a Alemanha, contra quem jogará nas semifinais. Será a segunda vez que as duas seleções se enfrentarão numa Copa do Mundo. Na primeira, decidiram a Copa de 2002, e a Seleção Brasileira ganhou, com autoridade, por 2 x 0. Pelo lado da Colômbia, ao cobrar o pênalti que resultou no "gol de honra" da equipe, James Rodriguez isolou-se ainda mais como artilheiro da Copa, com seis gols, mas sua atuação não teve o brilho dos jogos anteriores. Cuadrado, o outro grande nome da Colômbia na Copa, hoje foi o melhor jogador da equipe. No final, James Rodriguez chorou copiosamente pela eliminação da Colômbia, sendo consolado por alguns jogadores brasileiros. No balanço geral, no entanto, continua sendo o maior destaque individual da competição.
Jogo fraco
Um jogo fraco, decepcionante. Assim pode ser definido Alemanha 1 x 0 França, no Maracanã, hoje à tarde, pelas quartas de final de Copa do Mundo. Por tudo que representam no contexto do futebol, e pelos grandes jogos entre as duas seleções em Copas anteriores, a partida deixou muito a desejar. A Alemanha marcou o seu gol cedo, e a França não conseguiu reagir, permitindo ao adversário administrar o resultado até o final. Benzema mostrou-se pouco eficiente nas conclusões. Outros nomes de destaque como Pogba, Valbuena e Matuidi renderam menos que em jogos anteriores. A Alemanha também não apresentou nenhum brilho, mas, pragmática como costuma ser, conseguiu manter a vitória. O futebol apresentado pela Alemanha confirma que, até aqui, a equipe tem ido adiante na Copa valendo-se da força da sua tradição. Com exceção da goleada sobre Portugal, na estreia, não teve nenhuma atuação convincente. Merece respeito pela sua trajetória no futebol mundial, mas não deve meter medo em ninguém. Nos últimos 24 anos, ganhou, apenas, uma Eurocopa. A atual geração de jogadores da Alemanha é qualificada, mas perdedora, pois, com essa base, já perdeu duas Eurocopas e uma Copa do Mundo. A Copa tem boas equipes, mas nenhum "bicho-papão".
quinta-feira, 3 de julho de 2014
Desconfiança
Na véspera do jogo da Seleção Brasileira contra a Colômbia, pelas quartas de final da Copa do Mundo, um estranho sentimento de desconfiança dos brasileiros em relação à sua equipe é perceptível. Numa Copa realizada no Brasil, é algo inusitado. No entanto, é um sentimento justificado. A Seleção está entre as oito equipes que restaram na Copa, mas seu futebol desmanchou com qualquer entusiasmo do torcedor. Se ainda vier a ser campeã, só poderá igualar a campanha de 1994, quando a Seleção empatou dois jogos. Nas demais Copas, a Seleção ganhou todos os jogos em 1970 e 2002, e empatou uma partida em 1958 e 1962. A esperança de título ainda persiste, mas calcada em fatores como o de a Copa ser no Brasil, na força da camiseta e da tradição e outros alheios ao futebol dentro de campo. No gramado o que se tem visto é uma equipe desconexa, sem jogadas de meio campo, abusando das bolas rifadas, e com uma sobrecarga emocional evidente, caracterizada no choro de muitos jogadores antes e depois da cobrança de tiros livres da marca do pênalti contra o Chile. O período de seis dias até o jogo contra a Colômbia trouxe, ainda, novas demonstrações de descontrole do sempre explosivo técnico Felipão, que chegou a mandar jornalistas "para o inferno". Alguns jogadores discordaram publicamente do técnico, negando que haja tensão emocional entre eles. A "família Scolari" de 2002 não está sendo reproduzida em 2014. Dentro de campo, o desempenho, também, está longe de ser o mesmo. O adversário de amanhã, é, sem dúvida, o mais qualificado de todos até aqui e tem o jogador que vem sendo o melhor da competição, James Rodriguez. Como se vê, é um conjunto de tendências pouco animador. Mais do que nunca, a tradição terá de falar mais alto. Só assim a Seleção poderá evitar uma melancólica desclassificação e a perda de uma segunda Copa em solo brasileiro.
quarta-feira, 2 de julho de 2014
Saudade antecipada
A parada de dois dias sem jogos na Copa do Mundo, e a proximidade do fim da competição, estão gerando um curioso sentimento em grande parte da população: a saudade antecipada. Depois de uma onda de pessimismo que durou sete anos, desde que o Brasil foi indicado como sede da Copa, eis que ela desmentiu todas as previsões negativas e já está sendo considerada uma das melhores da história. Até aqui, a Copa proporcionou 56 jogos, a maioria de grande qualidade, com muitos gols, emoções, estádios lotados, confraternização entre torcedores de vários países, enfim, uma grande festa. Agora, faltando apenas oito jogos para o fim da competição, um sentimento de nostalgia já começa a tomar conta de todos os que se envolveram com a Copa mais diretamente. Não será fácil retornar à rotina dos dias comuns, acompanhar os campeonatos regulares de clubes, observar a partida dos alegres estrangeiros que estiveram no país, e saber que uma nova edição da Copa no país talvez jamais ocorra, ou se dê numa época em que nenhum dos que a vivenciaram agora ainda estejam vivos. A Copa do Mundo é um acontecimento magnífico, singular, espetacular, inesquecível. Disso muitos, como eu, sempre souberam. Outros duvidaram ou desdenharam. Agora, parece que "a ficha caiu". O número de ativistas anti-Copa foi diminuindo a cada dia, e a repercussão dos protestos de tais movimentos tornou-se nula. O que ficará, depois que tudo terminar, será uma tremenda depressão pós-Copa, e um desejo de que ela nunca acabasse.
terça-feira, 1 de julho de 2014
Emoção até o fim
Os jogos de hoje, pela Copa do Mundo, foram marcados pela emoção até o fim das partidas. Argentina 1 x 0 Suiça e Bélgica 2 x 1 Estados Unidos foram jogos que só ficaram definidos no apito final do árbitro. Em ambos, empates em 0 x 0 levaram a decisão para a prorrogação. No jogo do Itaquerão, tudo já se encaminhava para a disputa dos tiros livres da marca do pênalti, quando Lichtisteiner perdeu uma bola no meio de campo e permitiu um contra-ataque em que um passe genial de Messi para Di Maria resultou no gol da Argentina, aos 13 minutos do segundo tempo da prorrogação. Nem mesmo aí, o jogo diminuiu em intensidade. A Suiça ainda colocou uma bola na trave, e teve uma falta frontal ao gol a seu favor no último minuto dos acréscimos da prorrogação. Emoção em altíssimo grau. Não foi diferente na Arena Fonte Nova. A Bélgica, no tempo normal, acumulou chances para marcar, enquanto os Estados Unidos defendiam-se de maneira obstinada. A partida foi para a prorrogação e, logo no início, a Bélgica fez 1 x 0, ampliando o placar, mais tarde. A impressão é de que tudo, então, estava decidido, mas um gol dos Estados Unidos pôs fogo no jogo, que seguiu indefinido e empolgante até o fim. A Copa do Mundo de 2014 é, mesmo, um sucesso. Grandes jogos, muitos gols, estádios lotados e muita emoção. Os que apostaram no fracasso da competição quebraram a cara.
segunda-feira, 30 de junho de 2014
Dificuldades
Os favoritos dos jogos de hoje pela Copa do Mundo enfrentaram dificuldades, mas acabaram confirmando suas classificações para as quartas de final. No primeiro jogo do dia, a França venceu a Nigéria, por 2 x 0, no Mané Garrincha. A Nigéria opôs grande resistência, e o primeiro tempo terminou em 0 x 0. Porém, no segundo tempo, a melhor qualidade da França acabou por se impor. As seleções favoritas tem encontrado forte resistência de seus adversários menos conceituados, mas tem conseguido ir adiante na Copa, o que garante muita emoção para as fases mais decisivas, com grandes confrontos entre gigantes da história da competição. Uma dessas seleções gigantes, a Alemanha, foi a ganhadora do segundo jogo do dia. A Alemanha venceu a Argélia por 2 x 1, no Beira-Rio, mas o resultado só foi estabelecido na prorrogação. No tempo normal, houve empate em 0 x 0, e se uma vencedora houvesse, por merecimento, deveria ser a Argélia. Explorando as fragilidades defensivas da Alemanha, a Argélia perdeu várias chances de gol. Logo início da prorrogação vei o castigo, com a Alemanha abrindo o placar. No final, com as duas equipes pregadas em campo, a Alemanha fez seu segundo gol e, quando ninguém esperava mais nada, a não ser o final da partida, a Argélia descontou. Não houve tempo para uma reação que levasse a decisão para os tiros livres da marca do pênalti. Com os resultados de hoje, duas candidatas ao título terão de medir forças já nas quartas de final. França e Alemanha se enfrentarão na sexta-feira, num jogo que tem tudo para ser memorável. O futebol apresentado pela França, até aqui, foi mais consistente, mas a Alemanha, com sua obstinação característica, não pode ser menosprezada.
domingo, 29 de junho de 2014
Classificação épica
A Costa Rica continua cometendo façanhas na Copa do Mundo. Ao empatar em 1 x 1 com a Grécia no tempo normal, hoje, na Arena Pernambuco, enfrentou uma prorrogação com um jogador a menos e a equipe fisicamente esgotada, mas conseguiu vencer por 5 x 3 nos tiros livres da marca do pênalti. Com isso, obteve uma histórica e inédita classificação para as quartas de final da Copa do Mundo. Obviamente, a favorita para o jogo é a Holanda, mas, para quem ficou em primeiro lugar no "grupo da morte" e ainda está invicta na competição, nada é impossível. Seja como for, a Costa Rica, apontada, antes da Copa, como uma "turista", já marcou sua presença de forma gloriosa na competição. No jogo de hoje, talvez não precisasse passar por tanto sofrimento, não fosse o excessivo rigor da arbitragem, que expulsou Duarte aos 20 minutos do segundo tempo. Tendo ficado com um homem a menos, a Costa Rica foi fortemente pressionada pela Grécia, tentou resistir, mas levou um gol no final do jogo. Ainda assim não se abateu, e obteve uma classificação épica. A Costa Rica é, sem dúvida, a mais simpática surpresa da Copa.
Erro fatal
O México teve a chance de igualar as suas duas melhores campanhas em Copas do Mundo, chegando às quartas de final, o que só conseguiu nas duas vezes em que sediou a competição. Foi derrotado por 2 x 1 pela Holanda, de virada, hoje, no Castelão, num jogo em que vencia quando a partida já se aproximava do final. Porém, o México não pode se considerar um azarado. O resultado não expressa uma injustiça, e sim um erro fatal cometido por seu técnico, Miguel Herrera. Ele sacou, já aos 15 minutos do segundo tempo, o autor do gol que dava a vitória parcial para a sua equipe, Giovani dos Santos, optando por uma postura defensiva, visando manter o placar. Não se faz isso, impunemente, com uma equipe do nível da Holanda. Caso o jogo fosse para a prorrogação, é provável que o México tivesse vantagem, pois o calor causticante de Fortaleza castiga muito mais os europeus. No entanto, nem isso foi possível. Ao sofrer o gol de empate, ficou que evidente que o México não resistiria a pressão final da Holanda, o que acabou se confirmando. Afora a sua frustração, o México também influiu decisivamente no desenrolar da Copa. Se eliminasse a Holanda, tiraria do caminho uma das grandes candidatas ao título e disputaria com a Costa Rica um lugar nas semifinais. Agora, com a Holanda tendo se classificado, é difícil imaginar que ela não seja uma das semifinalistas, ou seja, o México tornou mais dura a vida dos demais postulantes ao título. O erro cometido por Miguel Herrera é recorrente entre os técnicos, que insistem em querer sustentar uma vantagem mínima, atraindo o adversário para o seu campo, quase sempre com terríveis consequências. Mesmo que seja uma atitude reiteradamente fracassada, eles insistem em praticá-la.
sábado, 28 de junho de 2014
Confirmação
A vitória da Colômbia sobre o Uruguai, por 2 x 0, hoje, no Maracanã, apenas confirmou as expectativas que se tinha em relação ao resultado do jogo. A Colômbia é uma equipe melhor e mais jovem que a do Uruguai. Afora isso, a punição de Luiz Suarez privou o Uruguai de seu melhor jogador, e abalou psicologicamente a equipe. A campanha da Colômbia na Copa do Mundo, até aqui, é excelente. Ganhou as quatro partidas que jogou, e tem o goleador da competição, até o momento, James Rodriguez, com cinco gols. Por sinal, ele foi eleito pela Fifa o melhor jogador da primeira fase da Copa. O Uruguai, por sua vez, despediu-se da Copa do Mundo com duas vitórias e igual número de derrotas. Enquanto na Colômbia brilham nomes como os de James Rodriguez e Cuadrado, no Uruguai estrelas como Cavani e Diego Forlán nada mostraram. Cavani, inexplicavelmente, não foi nem sombra do que é no Nápoli, e Diego Forlán, melhor jogador da Copa do Mundo de 2010, perdeu a batalha para a idade avançada. Por tudo que vem mostrando, a Colômbia será uma adversária duríssima para a Seleção Brasileira, nas quartas de final. Diante de uma equipe tão qualificada, a Seleção terá de melhorar muito o seu futebol. A Seleção tem um retrospecto histórico infinitamente superior ao da Colômbia, mas isso não ganha jogo. Se não melhorar substancialmente o seu desempenho, a Seleção verá acontecer, contra a Colômbia, o que quase ocorreu contra o Chile: a eliminação prematura da Copa do Mundo.
Um filme de terror
A expressão que serve de título a esse texto está longe de ser original, mas define bem o que foi o jogo Seleção Brasileira 1 x 1 Chile, vencido pela equipe da casa por 3 x 2 nos tiros livres da marca do pênalti, hoje, no Mineirão. Foi, mesmo, um filme de terror. A Seleção saiu na frente com um gol contra que foi atribuído a David Luiz, mas, pouco depois, numa falha de seu sistema defensivo, sofreu o empate e, a partir daí, desandou. O futebol da equipe brasileira piora a cada jogo. O meio de campo inexiste, obrigando a defesa a fazer a ligação direta com o ataque, dando chutões. Alguns jogadores estão em péssima fase. O exemplo mais gritante é Daniel Alves, cuja permanência como titular é incompreensível. Oscar é um fantasma em campo, simplesmente não é percebido. Marcelo, jogador de técnica exuberante, em nada lembra as excelentes atuações de outros tempos. Fred continua pouco participativo. O Chile confirmou ter uma boa equipe, talvez a melhor com que já disputou uma Copa do Mundo. Até por isso, dessa vez não perdeu para a Seleção como nas três ocasiões anteriores em que se enfrentaram em Copas. Para tornar o filme de terror dos brasileiros ainda mais assustador, o Chile chutou uma bola no travessão quando faltavam dois minutos para o fim da prorrogação. Nos tiros livres da marca do pênalti, a aflição continuou. pois das cinco cobranças de cada equipe, a Seleção errou duas, e o Chile, três. No final, alívio generalizado entre os brasileiros, mas uma insegurança muio grande em relação ao que vem pela frente. Com o futebol que está jogando, a Seleção não dá confiança de que possa ser campeã. Parece, apenas, estar postergando uma eliminação.
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