sexta-feira, 30 de maio de 2014

Torcendo contra

Faltam poucos dias para o início da Copa do Mundo, e, no entanto, não há entusiasmo visível nas ruas pela sua realização. Por motivação política, ou por simples ignorância, milhões de brasileiros estão torcendo contra a Copa. Uma Copa que reunirá, pela primeira vez, todos os campeões da competição, e que tem como sede o país da única seleção a disputar todas as suas edições e a que mais obteve títulos. Alegando gastos excessivos para a construção de estádios e uso de dinheiro público nas obras da Copa, muitos estão empenhados em protestar nas ruas contra a sua realização. Uma estupidez, pois não é a Copa a responsável pela falhas na saúde, segurança, educação, previdência. O Brasil irá sediar a Copa pela segunda vez em siua história. A primeira foi em 1950. Nesses 64 anos decorridos desde então, o país sempre teve problemas nas áreas acima citadas, sem que o futebol tivesse qualquer responsabilidade por isso. Mesmo que o Brasil tivesse desistido de sediar a Copa, isso não traria nenhum efeito prático para essas mazelas. Na verdade, tantos e repetidos protestos contra a Copa parecem mais uma ação orquestrada de cunho político, visando às eleições de outubro. Lastimavelmente, o país que se enfeitava e pintava as ruas quando a Copa acontecia em outros lugares, encara com desprezo a Copa que acontecerá dentro de seu território. Nada temos a ganhar com isso, a não ser o desgaste da imagem do Brasil no exterior. Sempre fui favorável á realização da Copa no Brasil, e não reviso minha posição. Ela não tem nenhuma relação com as mazelas históricas do Brasil. Tomara que, quando a competição começar, tenhamos, finalmente, um clima de Copa do Mundo no país, e possamos fruir o privilégio de sediar a mais importante disputa do futebol.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Um novo fator nas eleições

O cenário das eleições no Rio Grande do Sul sofreu um grande impacto, com um novo fator, capaz de causar uma reviravolta em projeções de resultados que já vinham sendo feitas. O PT conseguiu convencer um dos partdos que integram a sua coligação, o PCdo B, a abrir mão da candidatura a senador, inicialmente destinada a Emília Fernandes, e indicou o nome do ex-governador Olívio Dutra. A novidade sacudiu o meio político. Com a desistência de Pedro Simon (PMDB) de buscar um novo mandato, a eleição para senador parecia se encaminhar para a vitória do jornalista Lasier Martins (PDT). A entrada em cena de Olívio muda radicalmente essa probabilidade. Olívio possui um invejável currículo político. Afora o cargo de governador, exerceu também os de prefeito de Porto Alegre e de ministro das Cidades do governo do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. Sua lisura e honradez são reconhecidas até pelos seus mais ferrenhos adversários. O confronto com Lasier, particularmente, deverá incendiar a eleição, pois o jornalista foi um dos críticos mais severos de sua atuação como governador. Os demais candidatos a senador, Beto Albuquerque (PSB), e Júlio Flores (PSTU), não parecem ter cacife para concorrer com Olívio e Lasier, o que deverá polarizar a disputa. A entrada de Olívio na chapa é, também, um grande reforço para a candidatura a reeleição do governador Tarso Genro (PT). As pesquisas de intenção de voto mostram que a senadora Ana Amélia Lemos (PP) é uma adversária de peso para Tarso, mas a inclusão de Olívio na chapa poderá ter influência, também, nos votos para governador. Durante muito tempo, a candidatura de Olívio parecia, apenas, uma especulação, pois ele não se mostrava disposto a concorrer. Sua resistência, no entanto, foi dobrada, e isso muda todo o cenário que estava sendo projetado para o pleito. Conforme disse Tarso Genro, Olívio vai reforçar o tom da campanha pela recuperação do chamado purismo petista, da época em que o partido foi fundado. Ninguém melhor do que ele para fazer isso. Afinal, como destacou o próprio Tarso, Olívio é símbolo da dignidade política nacional.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Obrigação cumprida

A vitória do Inter sobre a Chapecoense, por 2 x 0, no Francisco Stédile, pelo Campeonato Brasileiro, nada mais foi do que uma obrigação cumprida. Contra um adversário fraco, candidato ao rebaixamento, o Inter não poderia admitir nenhum outro resultado. Não foi uma boa atuação do Inter, que, mais uma vez, apresentou problemas defensivos, mas a vitória é o que importa. Com ela, e auxiliado por resultados paralelos, o Inter subiu cinco posições, do oitavo para o terceiro lugar, e ultrapassou o seu maior rival, o Grêmio, que caiu para o sétimo. Fora de campo, as notícias também são boas, pois o atacante Luque chegou, vindo do Colón, e Aránguiz deverá ser contratado em definitivo. Com o título de campeão gaúcho na bagagem, e títulos de expressão relativamente recentes, o Inter ainda que seu futebol não esteja sendo convincente, pode desfrutar de uma certa tranquilidade. Uma situação bem diferente da do Grêmio, que sofre a pressão de anos de seguidos fracassos.

Decepcionante

O Grêmio, ao empatar em 0 x 0 com o Sport, hoje, na Ilha do Retiro, pelo Campeonato Brasileiro, foi, mais uma vez, decepcionante. Mesmo jogando contra um adversário fraquíssimo, que mostrou enormes limitações, o Grêmio foi incapaz de alcançar a vitória. Nos minutos finais, inclusive, sofreu intensa pressão do Sport, com Marcelo Grohe, novamente, levando o time nas costas com grandes defesas. Também não há nenhuma novidade no fato de que Pará e Barcos jogaram mal, pois é algo que se repete, cansativamente. Alan Ruiz é um jogador de boa técnica, mas lento e, aparentemente, frio. Nas duas partidas seguidas que fez fora de casa, contra São Paulo e Sport, o Grêmio obteve apenas um ponto, e poderia ter ganho seis. O São Paulo vinha de uma goleada de 5 x 2 para o Fluminense, e não é nem sombra do time forte que foi num passado recente. O Sport, também vinha de uma goleada de 4 x 1 para o Corinthians, e nada mostrou hoje que justificasse qualquer temor por parte do Grêmio. Em apenas duas rodadas, o Grêmio caiu do segundo lugar, com a mesma pontuação do líder, para o sétimo, ficando atrás do seu tradicional adversário, o Inter, que subiu para terceiro. Desde que o ano começou, o Grêmio só faz frustrar os seus torcedores, que há 13 anos não sabem o que é ganhar um grande título, e, nos últimos quatro, não puderam comemorar sequer a conquista do Campeonato Gaúcho. Uma agonia que parece não ter fim.

terça-feira, 27 de maio de 2014

A declaração de Campos

O pré-candidato do PSB a presidente, e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, declarou que é contra a revisão da Lei de Anistia. Campos disse que a referida lei foi a solução encontrada na época para dar fim ao conflito entre a ditadura militar e os que lutaram contra ela, e que a anistia foi ampla, geral e irrestrita para todos. Lamento profundamente que Campos pense assim, ainda mais em se tratando de um neto de Miguel Arraes, figura tão proeminente da esquerda brasileira, que foi levado ao exílio pela execrável ditadura. Trata-se de um candidato de um partido, o PSB, que leva a palavra "socialista" em seu nome, mas que sempre teve pouca expressão política e, hoje, parece ser apenas mais uma sigla entre tantas. Provavelmente, Campos, que até há pouco era um aliado fiel do PT, esteja buscando uma estratégia eleitoral. Ao se dizer contra a revisão da Lei de Anistia, estaria procurando agradar ao eleitorado mais conservador, para o qual os bravos brasileiros que lutaram contra o espúrio regime militar são apenas "terroristas". Várias vezes coloquei, aqui nesse espaço, minha posição de que o Brasil deveria seguir o bom exemplo de seus vizinhos, Argentina e Uruguai, e punir exemplarmente os agentes da ditadura. Ao posicionar-se em sentido contrário, Campos evidencia que ele e seu partido nada tem de "socialistas", e não se mostra a altura da trajetória de seu avô. Na ânsia de retirar o PT do poder, Campos é, apenas, mais um candidato "sem sal", buscando um discurso pragmático para agradar eleitores que rejeitam posturas "radicais". O Brasil não precisa de discursos "conciliadores", propondo que se varra sua sujeira para debaixo do tapete. O argumento de que é preciso olhar para a frente e deixar as feridas do passado para trás, tão ardorosamente brandido por alguns, nada mais é do que um convite à impunidade. Campos demonstra que é um candidato preocupado somente com o resultado das urnas. Deseja ganhar a eleição, mas não tem uma visão de estadista.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

A glória e o infortúnio

O futebol, como a vida, é feito de altos e baixos. Muitos dos que experimentam a glória nos gramados, são surpreendidos, mais tarde, pelo infortúnio. Nos últimos dias, o Brasil perdeu dois ex-jogadores que tiveram seus momentos de fama e reconhecimento: Joel Camargo e Washington. Em comum a ambos, um final de vida ditado por doenças graves e, no caso de Washington, extremamente precoce para os padrões atuais. Joel Camargo era zagueiro do Santos nos anos 60, e titular da Seleção Brasileira nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1970, sob o comando do técnico João Saldanha. Com a saída de Saldanha, o novo técnico, Zagallo, o convocou para a Copa, mas não o utilizou em nenhum jogo. Com o prêmio dado aos jogadores pela conquista da Copa, Joel comprou um Opala "vermelhão", como ele mesmo dizia, um carro de destaque para os padrões da época. Aí começariam seus problemas. No mesmo ano de 1970, na madrugada do dia 22 de novembro, um acidente marcaria a sua trajetória. O carro de Joel chocou-se contra um poste, e duas mulheres que o acompanhavam morreram no acidente. Condenado a um ano e oito meses de prisão por homicídio culposo e lesões corporais, Joel cumpriu a pena em liberdade, mas ficou marcado. Como jogador, nunca mais foi o mesmo. Saiu do Santos e foi para o Paris Saint-Germain, mas não teve sucesso. Voltou para o Brasil e jogou por clubes de pouca expressão. Encerrou sua carreira em 1973, com apenas 29 anos, e, desempregado, afundou-se no álcool. Desfez-se de todo o patrimônio que havia amealhado e até das medalhas que ganhara com o futebol. Passou a ser estivador. Trabalhou na estiva por mais de 20 anos, até se aposentar, aos 55. Magro e abatido, Joel, pouco antes de falecer, aos 70 anos, ainda se recuperava de uma cirurgia que lhe amputou um dos dedos dos pés por causa do diabetes. Viúvo ha cinco anos, morava sozinho. Dizia que jogara quase 10 anos pelo Santos, vira Pelé fazer mais de 1.000 gols, rodara o mundo, mas não ganhara dinheiro com o futebol. Em 2013, recebeu do governo federal o prêmio de 100 mil reais concedido a todos os jogadores que foram campeões mundiais pela Seleção Brasileira. A quantia lhe ajudou a pagar a cirurgia, mas, conforme Joel, chegou tarde. Poucos dias antes de sua morte, Joel perguntava: "A essa altura da vida, sem poder sair de casa, o que é vou fazer com esse dinheiro"? Washington teve um final de vida ainda mais triste. Atacante, seu grande momento na carreira ocorreu no Fluminense, onde foi campeão brasileiro e tricampeão estadual. Teve, também, breves passagens pela Seleção Brasileira. Goleador, formou com o meia Assis, no Atlético Paranaense e no Fluminense, o chamado "Casal 20", alusão a um seriado de tv da época. Faleceu com apenas 54 anos, vitimado pela esclerose lateral amiotrófica, uma grave doença neurológica que o acometera há anos. Seu aspecto alquebrado em nada lembrava o vigor dos tempos como jogador. Necessitava do auxílio permanente de enfermeiros. A vida pós-futebol de Joel Camargo e Washington mostra como a fama e a glória são fugazes. Num dia, estádios lotados, reconhecimento público, títulos, prêmios. Depois, a solidão, a doença, o ostracismo, as dificuldades financeiras. Para os amantes do futebol, fica a lembrança de dois jogadores que cumpriram muito bem o seu papel em campo.

domingo, 25 de maio de 2014

Realidade

O Inter vem se debatendo, nos últimos anos, pelo confronto da ficção com a realidade. Na ficção, criada por uma imprensa local sempre dócil e simpática aos seus interesses, o Inter é um permanente candidato a todos os títulos, por possuir, no entender de tais analistas, um time e grupo fortes. A realidade, no entanto, teima em se impor. Fora do reino encantado do Campeonato Gaúcho, onde a tabela lhe favorece escancaradamente, e seus jogos são comandados pelos melhores árbitros, enquanto seu maior rival, o Grêmio, tem em suas partidas apitadores inexperientes ou em fim de carreira, o Inter só faz fracassar. Esse ano, pela enésima vez, o Inter foi avaliado como um dos principais candidatos ao título do Campeonato Brasileiro. Porém, novamente, as previsões não estão se confirmando. O Inter chegou a ser líder invicto da competição, mas, com a derrota de hoje, por 3 x 1, para o Cruzeiro, de virada, no Francisco Stédile, caiu para o oitavo lugar, e perdeu sua invencibilidade. Chegou a sair na frente no placar, mas perdeu de forma inapelável. Nem mesmo os desfalques servem como justificativa. Ainda que não contasse com Alex e Alan Patrick, o Inter teve a volta de seu maior jogador, D'Alessandro, a presença de Valdívia, tido como a grande revelação do clube no momento, e titulares como Dida, Juan, Fabrício e Williams. O problema do Inter reside no fato de que suas qualidades tem sido superestimadas, o que resulta em expectativas acima do potencial do time, redundando em repetidas frustrações.

sábado, 24 de maio de 2014

A torcida não merece

A torcida do Grêmio, que já acumula frustrações há 13 anos, não merece o tipo de derrota sofrida, hoje, para o São Paulo. Contra um adversário que nem de longe lembra o poderio de anos anteriores, o Grêmio tropeçou na própria ineficiência, e nos seus problemas crônicos, que insiste em não resolver. Pará teve mais uma atuação lastimável, em que chegou, até, a pisar na bola. Barcos perdeu um gol feito no último segundo de jogo, e Marcelo Grohe, depois de ser pedido por alguns para a Seleção Brasileira, levou um frango, depois de já ter falhado no gol do Botafogo no jogo anterior. Tal e qual a alegria  de pobre, como expressa o ditado, o contentamento dos gremistas dura pouco. A satisfação pelo segundo lugar no Campeonato Brasileiro, com o mesmo número de pontos do líder, o Cruzeiro, não durou mais que uma rodada. O Grêmio termina o dia de hoje em terceiro lugar, e dependendo dos resultados de amanhã, poderá cair para sétimo. Para os gremistas, as frustrações são longas, os momentos de comemoração são escassos. Uma longa e triste rotina, que a torcida não merece.

Crueldade

A forma como o título da Champions League escapou do Atlético de Madrid foi cruel. A torcida já esperava o apito do árbitro para comemorar a vitória por 1 x 0 que daria o título, quando, aos 48 minutos do segundo tempo, o Real Madrid empatou. O jogo foi para a prorrogação, mas o Atlético não tinha mais condições físicas e psicológicas, e acabou goleado por 4 x 1. Seria o seu primeiro título da competição. Em 1974, também chegou na decisão, mas foi derrotado pelo Bayern de Munique. O Real Madrid, por sua vez, chegou ao seu décimo título da Champions League, sendo recordista absoluto de conquistas nessa disputa. Um time que tem Cristiano Ronaldo e Bale, afora tantos outros grandes jogadores, reúne condições suficientes para conquistar um título dessa magnitude, mas a forma como aconteceu foi muita dura para o Atlético. Entre as razões para o desfecho negativo, estão a cera demasiada de Felipe Luís, que levou o árbitro a dar cinco minutos de acréscimo, o excessivo recolhimento do time no segundo tempo, tentando garantir a vitória parcial, e as entradas de Marcelo e Isco no Real Madrid, que tornaram o time muito mais ofensivo. Perder é do jogo, mas ver um título escapar aos 48 do segundo tempo é doloroso demais.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Repetição

A cada ano, um fato se repete no Rio Grande do Sul, em relação ao Campeonato Brasileiro. Invariavelmente, o Inter é apontado, pela crônica esportiva local, como um dos favoritos ao título. O Grêmio, por sua vez, é visto com reservas por muitos, e apontado até, por alguns, como um dos participantes do Brasileirão que correm riscos de rebaixamento. Como expressa o dito popular, no entanto, a teoria, na prática, é outra, e, com a bola rolando, as previsões insistem em não se confirmar. Nas últimas oito edições da competição, o Grêmio ficou cinco vezes entre os quatro primeiros colocados, enquanto o Inter fez campanhas bem mais modestas. Nos dois últimos anos, essa diferença foi flagrante. Em 2012, o Grêmio foi 3º colocado, o Inter, 11º. Em 2013, o Grêmio foi vice-campeão, o Inter ficou em 15º lugar, correndo riscos de rebaixamento até a última rodada. Eis que chega 2014, e se verifica a repetição das previsões, que, mais uma vez, não se confirmam. Bastaram seis rodadas para que o Inter, até então líder da competição, caísse para o 4º lugar, ao empatar com o Coritiba em 1 x 1, no Couto Pereira,  e o Grêmio, ao vencer o Botafogo por 2 x 1, no Alfredo Jaconi, subisse para o 2º, com o mesmo número de pontos que o líder Cruzeiro, para quem perde, apenas, no saldo de gols. Poucas vezes se viu teimosia tão grande, tamanha insistência em impor conceitos que se chocam com a realidade. Como se costuma dizer, o papel aceita tudo. Pena, para tais teóricos, que o futebol, dentro de campo, seja indiferente às suas análises.