domingo, 4 de maio de 2014
Campanha enganosa
O Inter está, pelos critérios, em terceiro lugar no Campeonato Brasileiro, mas com o mesmo número de pontos do primeiro e do segundo colocados. Porém, essa é uma campanha enganosa, que resulta mais do nivelamento por baixo verificado, atualmente, no futebol brasileiro, do que por um grande desempenho em campo. Na tarde de hoje, o Inter venceu o Sport, por 2 x 1, no Beira-Rio. No primeiro gol, o chute de D'Alessandro desviou no ombro de um adversário, enganando o goleiro. O segundo gol, de Aránguiz, foi em impedimento, dando prosseguimento à rotina histórica do Inter de ser beneficiado pelas arbitragens. O Sport ainda marcou um gol, e por pouco não chegou ao empate. Os pontos vão sendo somados, mas o futebol do Inter está longe de agradar. Seus dois últimos jogos em casa foram vitórias magras contra o Vitória, na estreia do Brasileirão, e, hoje, contra o Sport, dois times modestos. Fora de casa, empatou com o Botafogo, depois de fazer 2 x 0, e, pela Copa do Brasil, ficou no 1 x 1 com o Cuiabá. Costuma-se dizer, com razão, que futebol é resultado, mas se ele não vem acompanhado de uma atuação satisfatória, as perspectivas de conquistas ficam diminuídas. Não basta vencer, é preciso convencer, o que, decididamente, o Inter não tem conseguido.
sábado, 3 de maio de 2014
Empate razoável
Para um time que tinha sido eliminado da Libertadores, sua competição prioritária no ano, três dias antes, e anteriormente havia sido derrotado na decisão do Campeonato Gaúcho sofrendo uma goleada de seu maior rival, o empate de 0 x 0 do Grêmio com o Santos, hoje, pelo Campeonato Brasileiro, é um resultado razoável. Afinal, enfrentar o Santos na Vila Belmiro nunca é tarefa fácil, tanto que o Grêmio só tens duas vitórias em jogos oficiais naquele estádio. Esse empate fora de casa se segue a uma vitória, com um time reserva, sobre o Atlético Mineiro, na Arena, o que já remete o Grêmio para uma posição intermediária na tabela. A atuação do time, mais uma vez, não foi boa. Aliás, o jogo, em si, foi de péssima qualidade. Basta dizer que, durante toda a partida, houve uma única chance concreta de gol, de Dudu, do Grêmio, logo aos 7 minutos do primeiro tempo, uma daquelas oportunidades que não podem ser desperdiçadas. No restante da partida o que se viu foram dois times sem criatividade e poder ofensivo. Barcos e Leandro Damião, atacantes sobre os quais recaem as expectativas de marcarem os gols de que seus times necessitam, foram, novamente, inoperantes. O técnico do Grêmio, Enderson Moreira, acertou ao colocar Zé Roberto no banco, dando a titularidade para Alan Ruiz, mas continua a insistir com Pará. Dudu, mesmo desperdiçando uma chance de gol imperdível, foi o único jogador a se salvar, do meio para a frente, no Grêmio. A agradável surpresa ficou por conta de Geromel que, a despeito da desconfiança em torno do seu futebol, foi, pelo terceiro jogo consecutivo, quase irrepreensível na sua atuação. Há muito a se fazer para o que o Grêmio possa tornar-se um time confiável e capaz de conquistar grandes títulos, mas o resultado de hoje ameniza um pouco a desolação vivida pelo clube e sua torcida nos últimos dias e abre a perspectiva de mais uma boa campanha no Brasileirão, como tem sido comum nos últimos anos. Para a grandeza do Grêmio, isso ainda é muito pouco, mas já é uma luz no fim de um túnel que se prenunciava muito escuro.
sexta-feira, 2 de maio de 2014
Modernizações
Vivemos numa época de acelerado avanço tecnológico, em que a obsolescência de tendências, posturas, comportamentos e modismos é constante. Para a chamada "indústria cultural", isso é uma fonte de permanente preocupação. Afinal, no contexto capitalista e consumista, tudo é submetido a uma lógica de mercado. Jornais, emissoras de rádio e tv, sites de internet, e toda e qualquer forma de difusão da informação, são reféns da busca por vendagens, audiência, número de visualizações. Dentro dessa linha de pensamento, é preciso identificar o que o público quer e, principalmente, o que ele rejeita. Num tempo em que o áudio-visual sobrepuja a palavra escrita, temos uma evidente prevalência da forma sobre o conteúdo. O importante não é o que se informa, mas, sim, de que isso seja feito de um modo "atrativo". Os jornais e revistas, particularmente, enfrentam dificuldades, já que o interesse pela leitura vem decaindo. Para que ainda consigam atrair leitores, tais veículos apostam em constantes modernizações em seu aspecto visual. A intenção declarada é tornar a leitura mais agradável e fácil, com uma diagramação mais leve e atraente. Em geral, no entanto, o que se vê é que, a cada reformulação do gênero, o volume de informações parece se tornar mais escasso, e o conteúdo do que é transmitido fica mais ralo. A recente reformulação gráfica de um jornal de Porto Alegre confirma essa impressão. O jornal apostou numa simplificação visual que o tornasse mais sedutor aos olhos do leitor. Não há como negar que, na forma, a publicação rejuvenesceu. O que não chega a ser tão meritório. Jornais impressos, por natureza, são mesmo um tanto sisudos, e uma certa imponência, nesse caso, é muito mais virtude do que defeito. Porém, como a superficialidade é uma característica dos tempos atuais, os proprietários de jornais querem adequá-los ao gosto do público, para que sejam comercialmente viáveis. Assim, voltando ao exemplo do rejuvenescido jornal de Porto Alegre, ele se tornou menos "pesado" visualmente. O problema é que, em termos de conteúdo, ele também perdeu peso. Ha pouca informação, ou seja, é, incrivelmente, um jornal para quem não gosta de ler. Sem dúvida, um dado emblemático dos tempos atuais, em que a comunicação de massas, em vez de esclarecer e promover o desenvolvimento do senso crítico do público, colabora para o seu empobrecimento cultural e intelectual..
quinta-feira, 1 de maio de 2014
Empate constrangedor
A expectativa do Inter e de sua torcida era a de vencer o Cuiabá, hoje, na novíssima Arena Pantanal, pela Copa do Brasil, por dois ou mais gols de diferença, eliminando a necessidade do segundo jogo. Em vez disso, o que se viu foi o modesto Cuiabá, integrante da terceira divisão do futebol brasileiro, sair na frente no placar e perder mais dois gols feitos, antes que o Inter empatasse o jogo, já aos 42 minutos do segundo tempo. Dentro das circunstâncias da partida, portanto, foi até um bom resultado para o Inter. Porém, não é possível deixar de classificar esse empate como constrangedor. A goleada no Gre-Nal da decisão do Campeonato Gaúcho fez com que muitos superestimassem a potencialidade do Inter. Repetindo o que vem acontecendo há vários anos, logo surgiram prognósticos de que o Inter é um dos favoritos para ganhar o título do Brasileirão. Previsões que nunca se confirmam. Nos dois primeiros jogos pela competição, o Inter não passou de um magro 1 x 0 sobre o Vitória, no Beira-Rio, e um empate em 2 x 2 com o Botafogo, no Maracanã, numa partida em que chegou a estar vencendo por 2 x 0. Agora, o empate com o Cuiabá, em outra competição de nível nacional, na qual havia estreado goleando o Remo, fora de casa, por 6 x 1, inflando ainda mais o entusiasmo dos seus torcedores, mostra que, fora do Gauchão, com suas tabelas favoráveis e seus árbitros complacentes, a vida do Inter é bem mais dura.
Vinte anos sem Ayrton Senna
A impressão que se tem é de que o tempo não apenas transcorre, mas voa. Não parece, mas hoje completam-se 20 anos da morte de Ayrton Senna. Um dos maiores ídolos esportivos do Brasil em todos os tempos, Senna não foi o primeiro brasileiro a ser campeão mundial de Fórmula 1. Antes dele, Émerson Fittipaldi e Nélson Piquet já haviam conquistado o título da maior competição do automobilismo mundial. Émerson, por duas vezes, Piquet, por três, mesmo número de títulos que seria alcançado por Senna. Porém, nenhum deles se tornou tão popular quanto Senna. O estilo arrojado de Senna, sua obstinação pela vitória, fizeram com que ele se tornasse um símbolo do que o Brasil gostaria de ser. As manhãs de domingo passaram a ter, como programa obrigatório, as corridas de Fórmula 1 pela tv. A cada chegada de Senna em primeiro lugar, ouvia-se a "Marcha pela vitória", que tornou-se conhecida por todos os brasileiros. A morte colheu Senna com apenas 34 anos. Não se sabe se ele ainda ganharia outros títulos, mas teria, certamente, muitos campeonatos pela frente. Desde que ele se foi, o máximo que o Brasil conseguiu na Fórmula ! foram vice-campeonatos, com Rubens Barrichelo e Felipe Massa. Muitos brasileiros deixaram de acompanhar as corridas da categoria. Senna deixou uma lacuna que ainda não foi preenchida. Poucos esportistas encarnaram tão bem a imagem que os brasileiros gostariam que fosse a do próprio país. A imagem de um lutador incansável, obstinado, audacioso e, mais do que tudo, vencedor.
quarta-feira, 30 de abril de 2014
Mais um grande jogo
Depois da surpreendente goleada de ontem do Real Madrid sobre o Bayern de Munique, imaginava-se que o outro jogo pelas semifinais da Champions League, hoje, entre Chelsea e Atlético de Madrid seria bem menos interessante. Não foi assim. Pelo contrário. Foi mais um grande jogo. Se o jogo entre Real Madrid e Bayern foi decidido no primeiro tempo, a partida no Stamford Bridge teve emoção até o final. O Chelsea saiu na frente do placar, o que já lhe garantia a classificação, mas sofreu a virada, e acabou perdendo por 3 x 1. A vitória do Atlético de Madrid foi inequívoca e deu mais brilho, ainda, a sua campanha, que, até aqui é invicta. Agora, um clássico madrilenho irá decidir a Champions League, no dia 24 de maio, no Estádio da Luz, em Lisboa:: Real Madrid x Atlético de Madrid. Depois de anos de maus resultados, o Atlético de Madrid vive uma grande fase. Recentemente, foi, por duas vezes em três anos, campeão da Europa League. Agora, terá a chance de, na mesma temporada, ser campeão europeu e espanhol. Para todos os apreciadores do futebol, portanto, há um compromisso imperdível no dia 24 de maio. Uma decisão que promete muita emoção e, principalmente, bom futebol.
Rotina
Pela terceira vez seguida, o Grêmio foi eliminado da Libertadores nas oitavas de final. Uma triste rotina. Havia sido assim também, em 2011 e 2013. Ao contrário das outras duas ocasiões, dessa vez o Grêmio fez o segundo jogo em casa, mas nem isso adiantou. Venceu o San Lorenzo por 1 x 0, mas, como tinha perdido o primeiro jogo, fora de casa, pelo mesmo placar, a decisão da classificação para as quartas de final foi para os tiros livres da marca do pênalti. O Grêmio começou batendo, e Barcos já errou a primeira cobrança. Foi uma ducha de água fria no time e na torcida, e a eliminação era uma questão de tempo. Com mais uma cobrança errada, de Máxi Rodriguez, ela acabou se confirmando. No jogo em si, o Grêmio mostrou disposição, mas técnica e taticamente esteve muito mal. Algumas atuações foram calamitosas. Entre elas, duas que eram previsíveis, as de Pará e Zé Roberto. Todos sabem que eles não dão nenhuma contribuição técnica para o time, mas continuam sendo escalados. O técnico do Grêmio, Enderson Moreira, acertou ao retirar um volante do time para colocar mais uma meia, mas errou ao escalar Zé Roberto. Seu erro se ampliou ao manter o jogador após o intervalo, depois de sua péssima atuação no primeiro tempo, e ficou ainda mais claro quando decidiu retirá-lo aos 13 minutos do segundo. A manutenção de Pará quase até o final do jogo é inexplicável. A insistência com Máxi Rodriguez como jogador para entrar durante a partida é outro fato que não se justifica. Por que não apostar no garoto Éverton? A verdade é que Pará e Zé Roberto, por suas más atuações, e Barcos, pelo tiro livre desperdiçado hoje, estão inviabilizados com a torcida. Enderson Moreira, também. O discurso do presidente Fábio Koff após o jogo, no entanto, primou pelo conformismo e pelas desculpas esfarrapadas. Mais do que nunca, o Grêmio é uma nau sem rumo, um clube sem presente e com um futuro marcado pela ausência de perspectivas. Por tudo que tem se visto, só o que lhe resta é evitar o rebaixamento no Campeonato Brasileiro.
terça-feira, 29 de abril de 2014
Goleada surpreendente
No futebol, num choque de gigantes, uma goleada é sempre surpreendente. Foi isso o que aconteceu, hoje, em Real Madrid 4 x 0 Bayern de Munique, pelas semifinais da Champions League. Depois do primeiro jogo, em Madrid, com vitória do Real Madrid por 1 x 0, a expectativa era que, na segunda partida, o Bayern obtivesse a classificação para a decisão. Afinal, é o atual campeão da competição e, tendo perdido pelo placar mínimo fora de casa, parecia não ser difícil que obtivesse os gols necessários para prosseguir na disputa. Essa impressão ruiu, logo no início do jogo, com dois gols de Sérgio Ramos que, praticamente, acabaram com as chances do Bayern. Com os dois gols sofridos, o Bayern precisaria fazer quatro para obter a classificação. Em vez disso, levou o terceiro ainda no primeiro tempo. Com isso, o segundo tempo foi apenas um cumprimento de formalidade, que só foi salvo da irrelevância pelo quarto gol, marcado, a exemplo do terceiro, por Cristiano Ronaldo. Afora os autores dos gols, de grande atuação, o Real Madrid teve outros destaques como o brasileiro naturalizado português Pepe, e Bale. Foi um autêntico passeio. O poderoso Bayern de Ribéry e Robben nada pode fazer contra o Real Madrid que, agora, surge como o grande favorito para a conquista do título da Champions League, já que, tecnicamente, é superior a Chelsea e Atlético de Madrid, os integrantes da outra semifinal, que será definida amanhã.
segunda-feira, 28 de abril de 2014
Último show
O estádio Candlestick Park, em San Francisco (EUA), foi o local do último show dos Beatles, em 29 de agosto de 1966. Em 54 anos de existência, abrigou os jogos dos clubes locais de futebol americano e beisebol, San Francisco 49ers e San Francisco Giants, respectivamente. Esse estádio de história tão significativa será, no entanto, demolido, para dar lugar a empreendimentos residenciais e comerciais. Porém, terá uma despedida em alto nível. No dia 14 de agosto próximo, Paul McCartney fará o último show do Candlestick Park. Um show carregado de simbolismo. Paul, dessa vez, estará sem os seus lendários companheiros, mas a apresentação também terá um lugar na história. Se, 48 anos atrás, o maior grupo musical de todos os tempos fez ali a sua despedida dos palcos, agora será o próprio estádio que estará se despedindo, com um show de um beatle, que é o maior astro vivo da música pop. Em 1966, os preços dos ingressos variaram entre US$ 4,50 e US$ 6,50, e o público foi de 25 mil pessoas. Na apresentação de Paul, as entradas, a pedido do prefeito de São Francisco, Ed Lee, deverão ser acessíveis, com preços entre US$ 50 e US$ 275. Porém, ainda que o valor dos ingressos fosse bem mais alto, a lotação deverá ser completa. Afinal, Paul é um artista inigualável, com um set list insuperável. Afora isso, o apelo da volta de um beatle ao local 48 anos depois do último show do grupo, para encerrar as atividades do estádio, é irresistível. Os fãs brasileiros privilegiados que dispuserem de condição para tanto, certamente já estão se mobilizando para estar em Sâo Francisco em agosto, com o intuito de testemunhar esse momento histórico. Para os demais, restará o consolo de esperar o lançamento do show em Blu-ray e DVD.
domingo, 27 de abril de 2014
Expectativas revertidas
Os resultados de Grêmio e Inter, hoje, pelo Campeonato Brasileiro, reverteram as expectativas. O Inter era franco favorito contra o Botafogo, mesmo jogando no Maracanã. No primeiro tempo, parecia que os prognósticos se confirmariam, pois o Inter abriu 2 x 0 no placar. Porém, no segundo tempo, tudo mudou. Em duas grandes falhas defensivas, em particular do goleiro Dida, o Inter cedeu o empate para o Botafogo, e por pouco não levou a virada. Mais uma vez, o Inter começa o Brasileirão cotado entre os favoritos, mas já apresenta dificuldades nos primeiros jogos. Na estreia, em casa, venceu o Vitória, da Bahia, por apenas 1 x 0, e seu futebol deixou a desejar. Hoje, depois de encaminhar uma vitória tranquila, não conseguiu mais do que um empate. Em ambos os jogos, o desempenho do time despencou depois do intervalo, o que deve ser motivo para reflexão. Mais tarde, o Grêmio também proporcionou uma surpresa, essa extremamente positiva. Com um time que tinha apenas três titulares, contra um Atlético Mineiro completo, o Grêmio ganhou por 2 x 1, mostrando um futebol convincente e muita aplicação. Não fosse uma falha defensiva que permitiu um gol para o adversário, no final do jogo, teria sido um resultado totalmente tranquilo. A reconciliação com a vitória, depois de três derrotas consecutivas, melhorou consideravelmente a posição do clube na tabela da competição, e injetou um novo ânimo para o jogo decisivo de quarta-feira, pela Libertadores, contra o San Lorenzo. O domingo, portanto, para surpresa de todos, foi risonho para o Grêmio, e indigesto para o Inter.
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