sábado, 26 de abril de 2014

A taça no Brasil

A Taça Fifa, que será entregue ao capitão da seleção que ganhar a decisão da Copa do Mundo, no dia 13 de julho, já está no Brasil. Depois de passar pelo Rio de Janeiro, ela ficará em Porto Alegre hoje e amanhã. Milhares de pessoas tem acorrido a um shopping center da cidade para ver, ainda que sem poder tocar, a taça de seis quilos de ouro 18 quilates maciço que é a mais desejada do futebol mundial. São apenas alguns segundos junto à taça, com direito a uma foto para recordação, mas as pessoas tem enfrentado mais de uma hora na fila para desfrutar desse privilégio. Tamanho interesse pela Taça Fifa demonstra que a Copa do Mundo no Brasil, mesmo com toda a campanha negativa em torno da competição, será um êxito. Não poderia ser diferente. O Brasil é o único país que participou de todas as Copas do Mundo, e o que mais venceu a disputa, num total de cinco vezes. A Copa do Mundo não é responsável pelas mazelas do país, e, caso não fosse realizada, isso não representaria nenhuma melhora na saúde ou na educação dos brasileiros. Devemos celebrá-la, e não condená-la. Pela primeira vez, todas as seleções que já foram campeãs mundiais estarão presentes numa mesma edição da Copa. Os melhores jogadores do mundo desfilarão pelos estádios do país: Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar, Ribéry, Robben, entre tantos outros. Faltam menos de 50 dias para a Copa começar. Será uma festa inesquecível, para derrubar todo e qualquer pessimismo.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Trinta anos de uma frustração

O dia de hoje marca mais uma data redonda. Porém, sem motivos para comemorações. Há 30 anos, a emenda Dante de Oliveira, que propunha a restituição da eleição direta para presidente da República, foi rejeitada pelo Congresso Nacional. Faltaram 22 votos para a aprovação. Durante mais de um ano, comícios e concentrações populares nas principais capitais brasileiras levaram multidões às ruas, pedindo a volta da eleição direta para presidente. Nos palanques, grandes expressões políticas do país, como Leonel Brizola, Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, Franco Montoro, entre outros, juntavam-se a astros do futebol e do meio artístico na conclamação do povo para o apoio à emenda. Foi um espetáculo cívico grandioso. Milhões de brasileiros indo às ruas exigir a volta da democracia.plena ao país. Porém, mesmo com toda a mobilização, a emenda não foi aprovada. Afora os que votaram contra, mais de uma centena de parlamentares sequer compareceram ao plenário. O governo militar, já em seus estertores, criou um clima de intimidação em torno de Brasília, onde a emenda foi votada. Foi, no entanto, uma falsa vitória do regime militar, que não tinha mais futuro. Em janeiro de 1985, ainda com uma eleição indireta no chamado "colégio eleitoral", Tancredo Neves, candidato da oposição, foi escolhido presidente, derrotando o representante da ditadura, Paulo Maluf. Tancredo acabou não tomando posse, pois foi internado na véspera e faleceu depois de uma longa agonia, e seu vice-presidente, José Sarney, ex-integrante do partido de sustentação da ditadura, assumiu o cargo. Mais uma frustração para o povo brasileiro. Findo o mandato de Sarney, no entanto, a eleição direta para presidente, finalmente, foi restituída. O primeiro presidente a ser eleito, Fernando Collor de Mello, acabou afastado por corrupção, dois anos depois da posse. Mais um triste momento da história política brasileira. O importante, contudo, é que, a partir de então, vivemos o maior período de continuidade democrática da história do Brasil. Uma conquista que não pode ser revogada jamais, sob nenhum argumento.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Nivelamento

O futebol, no Brasil e na América do Sul, vive um nivelamento poucas vezes visto. Porém, lamentavelmente, é uma equiparação por baixo. Os exemplos surgem a cada dia. O campeão paulista de 2014 foi o modesto Ituano, superando os grandes clubes de seu Estado. No Campeonato Paranaense, a decisão foi entre dois clubes do interior, Londrina e Maringá, com o título ficando com o primeiro. Na Libertadores, a confirmação de que todos se parecem, independentemente da tradição, veio logo nas oitavas de final. Vélez Sarsfield, Grêmio e Atlético Mineiro, primeira, segunda e quarta melhor campanha da fase de grupos da competição, respectivamente, perderam o jogo inicial, fora de casa, e terão de buscar a reversão em seus domínios. O Santos Laguna, terceira melhor campanha, já foi eliminado. Os clubes mais tradicionais possuem camisetas de grande apelo e folhas de pagamento altas, mas dentro de campo todos se parecem. Não há grandes craques que façam a diferença, pois quando eles surgem, logo ganham o rumo da Europa. Camisetas outrora vestidas por nomes notáveis, hoje são defendidas por jogadores, na maioria, apenas medianos e esforçados. Curiosamente, numa época de um futebol tão escasso em qualidade, os preços dos ingressos estão cada vez mais altos. A verdade é que o que move o torcedor é a identificação com o seu clube, pois o futebol apresentado em campo não é capaz de seduzir ninguém. Só por isso ele ainda não abandonou os estádios. Por um lado, esse nivelamento torna as competições mais equilibradas e imprevisíveis, o que é interessante. Por outro, no entanto, por ser resultado de uma mediocridade compartilhada, proporciona jogos muito pobres tecnicamente. Num esporte em que os valores financeiros envolvidos são muito altos, a qualidade do futebol apresentado em campo está sendo inversamente proporcional ao que é investido.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Na UTI

O desastre que muitos temiam não aconteceu. O Grêmio perdeu por 1 x 0 para o San Lorenzo, hoje, no Nuevo Gasometro, e, portanto, não sofreu uma derrota fragorosa que tornasse o segundo jogo uma mera formalidade. O placar magro faz com que o Grêmio chegue vivo ao jogo da Arena, na próxima quarta-feira. Os temores de um desastre eram justificados. O time estava desfalcado de seus três melhores jogadores, Luan, Wendell e Rhodolfo. Marcelo Grohe foi dúvida até momentos antes do jogo. As soluções encontradas, Geromel na zaga, Léo Gago improvisado na lateral esquerda, e a presença de Zé Roberto no time não inspiravam confiança. O futebol apresentado pelo Grêmio, como se esperava, não foi bom, mas houve muito aplicação e combatividade. O tempo ia transcorrendo sem que o San Lorenzo levasse perigo ao gol do Grêmio. O 0 x 0 era um resultado razoável e tinha-se a sensação de que a vitória era possível de ser alcançada. Veio então uma falha de arbitragem, e, na sequência, o gol do San Lorenzo. Num lance pela direita de ataque, um jogador do San Lorenzo dominou a bola fora da linha. Seria lateral para o Grêmio, portanto. O árbitro nada marcou, dando prosseguimento a jogada, que culminou no gol. Um erro ainda mais grave de arbitragem ocorreu no primeiro tempo, com a não marcação de um pênalti em favor do Grêmio. Em relação às atuações individuais, Geromel foi uma grata surpresa, Riveros manteve o seu bom nível habitual e Dudu foi o melhor jogador do Grêmio em campo. Os destaques negativos foram Léo Gago, simplesmente constrangedor, Zé Roberto, com os seus toques laterais improdutivos de sempre, e Barcos, que esteve tecnicamente abaixo da crítica e, praticamente, não chutou em gol. A classificação ainda é possível, não só porque o regulamento assim o diz, mas, também, em razão da fragilidade demonstrada pelo San Lorenzo. Porém, tendo perdido a primeira partida, e sem marcar gols, o Grêmio está na UTI, respirando por aparelhos. A má fase do Grêmio prossegue. Agora, já são quatro derrotas nos últimos cinco jogos, por três competições diferentes. As chances de permanecer na Libertadores persistem, mas não há razões para otimismo.

terça-feira, 22 de abril de 2014

A escalada da violência

Basta que acompanhemos os noticiários para que se perceba que estamos envoltos por uma escalada de violência. A criminalidade e as atrocidades sempre estiveram presentes na história humana, mas talvez nunca com a frequência que hoje se verifica. Mata-se pelos motivações mais fúteis. Há uma sensação coletiva de insegurança. O que estaria por trás de tal quadro? Difícil precisar. O Brasil não está numa crise econômica, o índice de desemprego da população é baixo, o país vive um período contínuo de democracia que já dura 29 anos, a popularidade do governo apresenta índices satisfatórios. As razões da violência crescente, portanto, não estão em fatores rigorosamente objetivos. O vazio existencial de nossos dias, possivelmente, é uma das causas da brutalidade que nos cerca. O consumismo desenfreado dos tempos atuais, e uma sociedade que privilegia a forma em detrimento do conteúdo, vão, progressivamente, gerando um processo de desumanização. Cada vez mais, somos avaliados pelo que temos, não pelo que somos. Assim, a violência se dissemina na busca de alguns pelo enriquecimento fácil, por meio de assaltos e sequestros, por exemplo. A falta de sentido para a vida, por outro lado, leva ao consumo de drogas, outro fator alimentador da prática de atos criminosos. A repressão ao crime, é óbvio, se faz necessária, e de maneira enérgica, mas é preciso pensar a questão de violência de forma mais ampla. Ela é efeito e não causa. Resulta de uma sociedade assentada em bases frágeis, a procura de um rumo. Uma mudança nesse quadro demanda tempo, mas é possível. Uma educação de melhor qualidade e um acesso mais amplo de todas as pessoas à cultura, por certo, proporcionariam resultados a médio e longo prazos. Porém, algo precisa ser feito a mais do que simplesmente erguermos muros e grades para nos proteger. Precisamos recuperar as ruas como espaço de lazer e convivência, não nos trancafiarmos em casa. Mais que uma questão social, temos pela frente um desafio civilizatório, de mudança de paradigma. Temos de abandonar o papel de consumidores compulsivos e redescobrir nossa essência. A vida, a de cada um e a dos outros, é de um valor imensurável, não pode ser suprimida para a satisfação de interesses materiais.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

A fala que nada acrescentou

Depois de um inexplicável silêncio de uma semana, o presidente do Grêmio, Fábio Koff, finalmente se pronunciou. Dirigente mais vitorioso da história do clube, Koff deveria tê-lo feito logo após a humilhante goleada de 4 x 1 sofrida pelo Grêmio no Gre-Nal da decisão do Campeonato Gaúcho. Inexplicavelmente, não foi esse o seu procedimento. Agora, depois de mais uma derrota, numa estreia melancólica no Campeonato Brasileiro, Koff concedeu uma entrevista coletiva. Sua fala, no entanto, nada acrescentou, não representou um sopro de esperança para o sofrido torcedor gremista. Koff usou desculpas esfarrapadas e argumentos batidos para justificar o mau momento do Grêmio. Lembrou que o Grêmio já disputou 26 partidas no ano, mais do que qualquer outro clube. O que está por trás desse dado é querer alegar desgaste físico dos jogadores pelo excesso de partidas. Conversa fiada! O problema do Grêmio nada tem a ver com um suposto, e inexistente, excesso de jogos. Fábio Koff declarou, também, não ser possível disputar duas competições paralelas e ser campeão de ambas. Outra balela. O próprio Koff era presidente do Grêmio  em 1995, quando o clube foi campeão, simultaneamente, do Gauchão e da Libertadores. Depois de pedir desculpas, com uma semana de atraso, pela goleada no Gre-Nal, Koff disse, em tom conformista, que "essas coisas acontecem". Não, presidente, "essas coisas" não podem acontecer num clube da grandeza do Grêmio. O senhor, como maior mandatário do clube é o principal responsável pelo que está acontecendo. Contratou um técnico que não está a altura das ambições do Grêmio, não dotou o grupo de jogadores da qualidade necessária, não se cercou de dirigentes experientes e competentes, vive às custas de um passado pessoal glorioso, mas que não encontra eco no presente. Sua entrevista não trouxe nenhum alento para o torcedor gremista, só deve ter aumentado o seu desencanto.

domingo, 20 de abril de 2014

Rumo ao fundo do poço

Se ainda havia alguma dúvida, depois da humilhante goleada na decisão do Campeonato Gaúcho, agora não há mais. O Grêmio caminha, aceleradamente, rumo ao fundo do poço. A derrota, por 1 x 0, para o Atlético Paranaense, hoje à tarde, no Orlando Scarpelli, deixou isso claro. Essa foi a terceira derrota do time nos últimos quatro jogos. Pior, ocorreu na estreia do Campeonato Brasileiro, uma competição de pontos corridos, contra um adversário frágil e em crise. A atuação do Grêmio, mais uma vez, foi constrangedora. A zaga testada, com Geromel e Bressan, não foi aprovada. Zé Roberto voltou, e, com ele, o futebol ineficiente e de toques laterais que o caracteriza. Barcos esteve muito mal. Busatto, que substituiu Marcelo Grohe, afastado por uma lesão de última hora, se mostrou inseguro e falhou no gol do adversário. Porém, a atuação mais negativa foi a do técnico do Grêmio, Enderson Moreira. Suas substituições foram bizarras. Ele colocou Rodriguinho no time, retirando Bressan e baixando Edinho para a zaga. Depois, tirou Breno, improvisando Léo Gago na lateral esquerda e pôs Éverton em campo, retirando Pará e deslocando Ramiro para o seu lugar. Uma autêntica salada em termos táticos, que se revelou indigesta. Com mais essa derrota, o Grêmio inicia o Brasileirão na zona de rebaixamento e mergulha num ambiente de tensão e desconfiança antes do jogo de quarta-feira, contra o San Lorenzo, no Nuevo Gasometro, pela Libertadores. Nada autoriza que se tenha otimismo em relação ao Grêmio. Na verdade, por tudo o que tem se visto, o período de Enderson Moreira como técnico do Grêmio começa a se aproximar do seu final. Sou dos que entendem, aliás, que ele deveria ter sido demitido logo após o Gre-Nal em que o Grêmio foi goleado. A menos que algo muito inesperado aconteça, o Grêmio se encaminha para uma eliminação na Libertadores e para campanhas cheias de sobressaltos nas demais competições. Estamos apenas em abril, mas o ano do Grêmio não parece nada promissor.

sábado, 19 de abril de 2014

Estreia morna

Ganhar numa estreia, ainda mais numa competição tão difícil como o Campeonato Brasileiro, é sempre importante. Nesse sentido, o Inter foi bem sucedido, pois venceu o Vitória, da Bahia, por 1 x 0, hoje, no Beira-Rio. Porém, com um gol marcado logo aos cinco minutos do primeiro tempo, diante de um adversário apenas mediano, a vitória do Inter pode ser classificada como magra, e sua estreia no Brasileirão definida como morna. O Vitória, no segundo tempo, foi mais audacioso, e por pouco não obteve um melhor resultado. O gol, marcado por Aránguiz, foi resultado de uma bela jogada entre ele e D'Alessandro, mas o que poderia ser o prenúncio de uma vitória afirmativa não se confirmou. O Inter teve dificuldades para ganhar a partida. Mais uma vez, o Inter é apontado como um candidato em potencial ao título. Nos anos anteriores, fracassou rotundamente. Pelo que se viu hoje, seu desempenho ao longo da disputa ainda é uma incógnita.

Luciano do Valle

O Brasil perdeu, hoje, o seu maior narrador esportivo de televisão de todos os tempos: Luciano do Valle. Vindo do rádio, Luciano soube, melhor do que qualquer outro, criar um estilo de narração televisiva que, sem copiar as aceleradas transmissões radiofônicas, o que não seria cabível num meio que dispõe da imagem, ainda assim não abrisse mão da emoção. Transmitiu jogos de futebol como ninguém, com narrações antológicas, mas não se limitou a eles. Foi o responsável direto pela popularização do vôlei no Brasil. Chegou, por isso, a ser identificado como "Luciano do vôlei". O basquete também deve muito a ele. A ex-jogadora Hortência chegou a dizer que a fama dela e de sua companheira de Seleção Brasileira de Basquete Feminino, Paula, foi criada por Luciano. Foi ele, aliás, que as denominou de "Rainha Hortência" e "Magic Paula". Luciano apostou no boxeador Adílson "Maguila" Rodrigues. Não conseguiu levá-lo a conquista do título mundial dos pesos pesados, como desejava, mas fez o boxe voltar a empolgar os brasileiros, como há muito não acontecia. Até mesmo a sinuca tornou-se uma atração televisiva por iniciativa de Luciano do Valle. No extinto programa "Show do Esporte", comandado por ele, na Rede Bandeirantes, o jogador Rui Chapéu levou as partidas de sinuca para os lares brasileiros. Luciano do Valle também narrou Fórmula 1 e Fórmula Indy. Suas transmissões sempre se caracterizaram pela emoção e por um acentuado patriotismo. Ele vibrava como o esporte e com todos aqueles que, por meio dele, elevavam o nome do Brasil. Luciano do Valle se foi cedo demais, com apenas 66 anos, e não poderá narrar aquela que seria a sua 11ª Copa do Mundo. Uma Copa que tinha um significado especial para ele, pois será no Brasil. Luciano do Valle morreu numa viagem para transmitir um jogo pelo Campeonato Brasileiro, ou seja, estava a caminho de mais uma jornada de uma carreira brilhante. Viveu para o seu trabalho e morreu preparando-se para mais uma atuação. Foi o melhor e mais completo na sua atividade. Deixa uma lacuna enorme, sem perspectivas de ser preenchida.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Mudanças

Tudo muda com o passar do tempo, mesmo aquilo que pensávamos ser inalterável. A data de hoje, Sexta-Feira Santa, é um exemplo disso. Sou daqueles que viveram o tempo em que, nessa data, as rádios só tocavam músicas sacras ou clássicas, as pessoas não cantarolavam nem riam, tudo e todos eram tomados pela circunspecção e recolhimento. O comércio fechava suas portas. Afinal, é o dia que marca a morte de Jesus Cristo, e num país que era inteiramente dominado pelos valores católicos, a visão da Igreja se impunha. Atualmente, não é mais assim. Para a maioria das pessoas, a Sexta-Feira Santa é apenas um feriado, uma oportunidade para entregar-se ao lazer e ao ócio. As rádios tocam todo o tipo de música, sem exceção. Pode-se cantarolar e rir sem restrições. Casas comerciais, como os supermercados, por exemplo, abrem normalmente. Essas mudanças não se deram por acaso. Elas ocorrem, basicamente, por dois motivos. Um é a perda de fiéis por parte do catolicismo e o consequente aumento de adeptos de outras religiões. Outro é a progressiva secularização da sociedade ocidental, com o crescimento constante do número de ateus e agnósticos. Particularmente, entendo que é muito bom que seja assim. Nada impede que os católicos mais conservadores continuem a se orientar pelo comportamento tradicional em relação à data. Porém, toda e qualquer sociedade deve ser marcada pela pluralidade, de pensamentos e atitudes. Não faz sentido a visão de um grupo específico ser adotada como a da população como um  todo. Ser majoritária, como a Igreja ainda é, no Brasil, em relação às demais religiões, não significa ser totalitária. Os valores e rituais do catolicismo devem ser seguidos pelos seus fiéis, não impostos ao conjunto da sociedade. Vivemos num país laico e, sendo assim, valores religiosos, quaisquer que sejam, não podem ultrapassar o alcance dos que professam determinada crença.